{"id":268421,"date":"2021-09-05T00:39:47","date_gmt":"2021-09-05T03:39:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=268421"},"modified":"2021-09-05T05:48:10","modified_gmt":"2021-09-05T08:48:10","slug":"policia-britanica-livra-brasileiras-de-rede-de-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/policia-britanica-livra-brasileiras-de-rede-de-prostituicao\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia brit\u00e2nica livra brasileiras de rede de prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Todos os passos monitorados a dist\u00e2ncia pelo celular. Uma c\u00e2mara escondida no quarto e amea\u00e7as de envio de v\u00eddeos \u00edntimos para familiares. Passaporte, documentos e dinheiro confiscados. Contato com amigos proibido. Uma rotina for\u00e7ada de sexo com 15 a 20 clientes por dia.<\/p>\n<p>Era esse o cotidiano de tr\u00eas brasileiras resgatadas de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o pela pol\u00edcia, no noroeste de Londres, em uma complexa investiga\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em mar\u00e7o do ano passado.<\/p>\n<p>O caso chegou a um desfecho em agosto, quando Shana Stanley, uma mulher de 29 anos, e Hussain Edanie, um homem de 31, confessaram crimes de controle de prostitui\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de viagem com intuito de explora\u00e7\u00e3o, envolvendo as tr\u00eas brasileiras e uma v\u00edtima inglesa.<\/p>\n<p>Eles foram condenados e presos &#8211; Edani recebeu uma senten\u00e7a de 8 anos e 2 meses e Stanley, de 3 anos e 7 meses.<\/p>\n<p>Os detalhes sobre o caso foram obtidos pela <em>BBC News Brasil<\/em> e ilustram os graves riscos ligados a promessas f\u00e1ceis de viagens e bolsas de estudos no exterior.<\/p>\n<p>&#8220;Me venderam um sonho que virou um pesadelo&#8221;, diz hoje uma das brasileiras, que ainda se recupera de uma sequ\u00eancia assustadora de abusos no submundo da capital inglesa.<\/p>\n<p>As identidades de todas as v\u00edtimas foram preservadas nesta reportagem.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Seu atestado de morte&#8221;<\/strong><br \/>\nAs tr\u00eas brasileiras chegaram \u00e0 Inglaterra em 2020, ap\u00f3s receberem uma &#8220;bolsa de estudos&#8221; para um curso de ingl\u00eas que duraria algumas semanas.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia n\u00e3o deu detalhes sobre como as v\u00edtimas foram abordadas.<\/p>\n<p>Pouco depois de desembarcarem, no entanto, elas se tornaram v\u00edtimas de um lucrativo mercado de tr\u00e1fico humano que, segundo a ONU, afeta 2,5 milh\u00f5es de pessoas todos os anos e movimenta mais de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>&#8220;Gra\u00e7as \u00e0 coragem e bravura das v\u00edtimas, conseguimos reunir evid\u00eancias irrefut\u00e1veis que fizeram com que Edani e Stanley n\u00e3o tivessem outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser se declarar culpados, o que impedir\u00e1 que eles prejudiquem outras pessoas&#8221;, diz o detetive Pete Brewster, um dos respons\u00e1veis pela investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou depois que uma das brasileiras pediu ajuda \u00e0 pol\u00edcia, em mar\u00e7o do ano passado, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com a mulher rec\u00e9m-condenada pela Justi\u00e7a inglesa.<\/p>\n<p>Durante a briga, a v\u00edtima chegou a tentar telefonar para a pol\u00edcia, mas foi empurrada por Stanley, que em seguida, segundo registros oficiais, a amea\u00e7ou:<\/p>\n<p>Este foi o estopim para a brasileira insistir em buscar prote\u00e7\u00e3o policial e mostrar fotos da exploradora, dando in\u00edcio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o conduzida pela equipe de Escravid\u00e3o Moderna e Explora\u00e7\u00e3o Infantil da Met Police, de Londres.<\/p>\n<p>Em depoimento, a v\u00edtima contou que, pouco depois de come\u00e7ar o curso de ingl\u00eas na cidade de Manchester, foi convocada a viajar a Londres para se encontrar com a mulher com quem havia negociado a bolsa de estudos.<\/p>\n<p>Ao encontr\u00e1-la, ouviu que teria que assinar um contrato, do contr\u00e1rio &#8220;n\u00e3o poderia voltar para o Brasil&#8221;, &#8220;teria que viver nas ruas de Londres&#8221; e &#8220;nunca mais veria a fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Controle<\/strong><br \/>\nO contrato, segundo a pol\u00edcia, previa que a brasileira &#8220;vendesse seu corpo&#8221;. Aos investigadores, ela disse que n\u00e3o tinha alternativas e que assinou o documento com medo de n\u00e3o conseguir mais retornar ao Brasil.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria se repetiu com as outras brasileiras, que tamb\u00e9m chegaram a Inglaterra ap\u00f3s uma promessa de estudar ingl\u00eas com curso, acomoda\u00e7\u00e3o e passagens pagas.<\/p>\n<p>Elas eram obrigadas a conseguir ganhar \u00a3500 por dia com programas (o equivalente a R$ 3.500 di\u00e1rios). Em troca, recebiam um pagamento semanal de \u00a3250 (R$ 1750), mais \u00a350 (R$ 350) para alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para conseguirem alcan\u00e7ar o alto valor estipulado pelos exploradores, as mulheres frequentemente se viam obrigadas a se encontrar com 15 a 20 clientes em um \u00fanico dia, segundo a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>O valor confiscado pelo casal serviria para, segundo eles, pagar os custos da viagem que as jovens acreditavam ter ganhado gratuitamente.<\/p>\n<p>Nos quartos, tudo era filmado por c\u00e2meras controladas pelo casal. Eles diziam as v\u00edtimas que mandariam as imagens a suas fam\u00edlias &#8220;se elas n\u00e3o fizessem o que foram pedidas&#8221;.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de controle sobre os passos das brasileiras ia al\u00e9m. As jovens receberam telefones celulares de trabalho, pelos quais recebiam por WhatsApp informa\u00e7\u00f5es sobre hor\u00e1rios de clientes e tinham seus movimentos monitorados por GPS.<\/p>\n<p>Por algum tempo, elas foram obrigadas a irem acompanhadas at\u00e9 o curso de ingl\u00eas &#8211; mas logo foram for\u00e7adas a abandonar as aulas.<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo a lei brit\u00e2nica, a prostitui\u00e7\u00e3o &#8211; ou a oferta de servi\u00e7os sexuais em troca de dinheiro &#8211; \u00e9 uma atividade legal. Por outro lado, a explora\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o &#8211; por meio das figuras popularmente conhecidas como cafet\u00f5es ou cafetinas &#8211; e a exist\u00eancia de bord\u00e9is ou prost\u00edbulos \u00e9 proibida em todo o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, a pol\u00edcia de Londres informou que &#8220;leva todos os relatos de escravid\u00e3o contempor\u00e2nea extremamente a s\u00e9rio e est\u00e1 empenhada em processar aqueles que se envolvem neste crime pernicioso&#8221;.<\/p>\n<p>A corpora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afirma que &#8220;encoraja qualquer pessoa que tenha sofrido com esse tipo de crime a denunci\u00e1-los&#8221; e que as den\u00fancias ser\u00e3o &#8220;tratadas com sensibilidade&#8221; e &#8220;investigadas minuciosamente&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Pris\u00f5es<\/strong><br \/>\nEm abril de 2020, m\u00eas seguinte \u00e0 den\u00fancia da brasileira, a pol\u00edcia londrina cumpriu mandados de busca e apreens\u00e3o em endere\u00e7os do casal e recolheu celulares, documentos, tabelas de pre\u00e7os e caixas de preservativos.<\/p>\n<p>Milhares de libras em dep\u00f3sitos feitos em dinheiro foram identificados nas contas banc\u00e1rias da dupla.<\/p>\n<p>Foi depois destas buscas que os investigadores conseguiram identificar a v\u00edtima inglesa, uma mulher que acreditava ter sido identificada por agentes de modelos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ganhar presentes e ter despesas pagas pelo casal, ela se viu for\u00e7ada a &#8220;pagar a d\u00edvida&#8221; e obrigada a se prostituir.<\/p>\n<p>&#8220;Edani e Stanley atra\u00edram v\u00edtimas com falsas promessas para manipul\u00e1-las e explor\u00e1-las para ganhos financeiros pessoais. Eles n\u00e3o tinham absolutamente nenhum respeito pelas v\u00edtimas ou seu bem-estar, inclusive fazendo-as trabalhar longas horas por muito pouco em troca &#8211; mesmo quando elas n\u00e3o se sentiam bem&#8221;, diz o detetive Brewster.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00fanica coisa que importava para eles era quanto dinheiro poderiam ganhar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Como se proteger<\/strong><br \/>\nSegundo o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), mulheres e meninas respondem por 72% dos casos de tr\u00e1ficos de pessoas no mundo.<\/p>\n<p>Nos casos envolvendo pessoas do sexo feminino, 83% s\u00e3o ligados a explora\u00e7\u00e3o sexual, 13% a trabalho for\u00e7ado e 4% para outras finalidades.<\/p>\n<p>Entre os homens, a propor\u00e7\u00e3o quase se inverte: 82% s\u00e3o traficados para trabalhos for\u00e7ados, 10% com fins de explora\u00e7\u00e3o sexual, 1% para remo\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e 7% para outros objetivos.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a d\u00e1 seis recomenda\u00e7\u00f5es para que as pessoas se protejam de golpes envolvendo tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p>A mais importante \u00e9 duvidar de propostas de estudos ou trabalho &#8220;f\u00e1cil e lucrativo&#8221;.<\/p>\n<p>Sempre que receber uma proposta, pe\u00e7a documentos oficiais, leia contratos e busque informa\u00e7\u00f5es sobre os autores da oferta com aux\u00edlio jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Quando as propostas inclu\u00edrem viagens nacionais e internacionais, a aten\u00e7\u00e3o a estes detalhes deve ser ainda maior.<\/p>\n<p>O Conselho tamb\u00e9m recomenda que as pessoas mantenham seus documentos pessoais protegidos e evitem compartilhar c\u00f3pias com conhecidos ou amigos.<\/p>\n<p>Antes de viajar, compartilhe o endere\u00e7o, telefone e localiza\u00e7\u00e3o na cidade para onde est\u00e1 viajando com pessoas de confian\u00e7a e mantenha telefones e endere\u00e7os de consulados, ONGs que trabalhem com brasileiros e autoridades da regi\u00e3o de destino sempre \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante manter comunica\u00e7\u00e3o frequente com familiares e amigos. Se algo acontecer e a comunica\u00e7\u00e3o for interrompida, eles notar\u00e3o que h\u00e1 algo estranho e tomar\u00e3o provid\u00eancias.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea souber ou desconfiar de casos de tr\u00e1fico de pessoas no Brasil, denuncie ligando para o n\u00famero 100. No Reino Unido, suspeitas podem ser denunciadas \u00e0 pol\u00edcia ligando para o n\u00famero 999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os passos monitorados a dist\u00e2ncia pelo celular. Uma c\u00e2mara escondida no quarto e amea\u00e7as de envio de v\u00eddeos \u00edntimos para familiares. Passaporte, documentos e dinheiro confiscados. Contato com amigos proibido. Uma rotina for\u00e7ada de sexo com 15 a 20 clientes por dia. 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