{"id":26893,"date":"2014-11-04T13:09:36","date_gmt":"2014-11-04T16:09:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=26893"},"modified":"2014-11-04T17:29:21","modified_gmt":"2014-11-04T20:29:21","slug":"pequim-venece-washington-no-pib-clima-e-de-beligerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pequim-venece-washington-no-pib-clima-e-de-beligerancia\/","title":{"rendered":"Pequim vence Washington no PIB; clima \u00e9 de beliger\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">O FMI informou recentemente que em 2014, a n\u00edvel global, o primeiro Produto Interno Bruto (medido em paridade de poder de compra) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o dos Estados Unidos e sim o da China. De acordo com essa informa\u00e7\u00e3o, em 2014 a China representa 16,4% do Produto Mundial Bruto contra 16,2% dos Estados Unidos. Em 1980 os Estados Unidos representavam 22,3% e a China apenas 2,3%.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">No ano de 2004 os Estados Unidos ainda pareciam estar localizados numa altura dif\u00edcil de alcan\u00e7ar, com 20,1% do Produto Mundial Bruto e a China crescia mas chegava a 9,1% (menos da metade do PIB estadunidense). Em dez anos mais equilibrou-se a balan\u00e7a e, de acordo com o progn\u00f3stico do FMI, a diferen\u00e7a em favor da China aumentar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Os dados fornecidos pelo FMI mostram n\u00e3o s\u00f3 a expans\u00e3o chinesa como tamb\u00e9m (principalmente) o decl\u00ednio dos Estados Unidos cujo poderio econ\u00f4mico relativo global foi retrocedendo ano ap\u00f3s ano desde o in\u00edcio do s\u00e9culo atual. A resposta da sua elite dirigente foi continuar com o processo de financiamento que a havia levado ao cimo ao mesmo tempo que degradava o sistema industrial e acumulava d\u00edvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Enquanto isso, para proteger e prolongar seus privil\u00e9gios parasitando sobre o resto do mundo, exacerbou sua tend\u00eancia militarista. O que havia sido iniciado na \u00faltima etapa do governo Clinton agravou-se com a chegada de George W. Bush e ainda mais sob a presid\u00eancia Obama. As guerras foram-se sucedendo e estendendo, a crise financeira de 2008 n\u00e3o acalmou a euforia belicista, pelo contr\u00e1rio, acentuou-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">E as baixas taxas de crescimento produtivo que se seguiram, as amea\u00e7as de incumprimento, o aumento da marginalidade social, as perdas de mercados externos e outras calamidades deixaram caminho livre ao autismo imperial. Encontramo-nos diante da rea\u00e7\u00e3o desesperada de um sistema drogado embarcado numa fuga louca para a frente. Os lobos da Wall Street convergem com os militares hitlerianos da NATO no leme de um imenso Titanic que alberga o conjunto do G5 (Estados Unidos+Alemanha+Fran\u00e7a+Jap\u00e3o+Inglaterra).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">N\u00e3o se trata s\u00f3 da China a superar os Estados Unidos. Segundo os dados do FMI, em 2014 os BRICS alcan\u00e7aram o G5 (cada um representa aproximadamente 30% do Produto Mundial Bruto) e estaria a super\u00e1-lo em 2015.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">O militarismo \u00e9 assumido pela classe dominante norte-americana como a &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; para os seus problemas, procurando assim submeter seus aliados-vassalos da NATO, encurralar a R\u00fassia e a China, submergir nos caos pa\u00edses de todos os continentes e assim tomar posse de uma ampla variedade de recursos naturais da periferia, desde o petr\u00f3leo e o g\u00e1s at\u00e9 o coltan, o l\u00edtio ou o ouro. Essa rajada de agress\u00f5es come\u00e7a a transformar-se num super boomerang que golpeia a cabe\u00e7a do imp\u00e9rio, acossado por d\u00edvidas e amea\u00e7as inflacion\u00e1rias e recessivas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 desconex\u00e3o. A Uni\u00e3o Europeia e o Jap\u00e3o afundam-se junto com o seu amo. T\u00e3o pouco se salvam os capitalismos &#8220;emergentes&#8221; da periferia. Ainda que a curto prazo tirem vantagens do enfraquecimento do centro do mundo, a m\u00e9dio prazo esses pa\u00edses v\u00e3o ficando presos \u00e0 decad\u00eancia global. Seus principais clientes comerciais s\u00e3o precisamente as economias capitalistas centrais em decl\u00ednio, enquanto a trama financeira (equivalente a vinte vezes o Produto Mundial Bruto) envolve todas as burguesias centrais e perif\u00e9ricas, neoliberais e estatizantes, pobres e ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Tanto a R\u00fassia como a China, seguidas por um amplo espectro de pa\u00edses perif\u00e9ricos, conseguiram, gra\u00e7as aos controles e interven\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos seus Estados, preservar durante um certo tempo seus mercados internos e suas estruturas produtivas. Mas as economias da China, \u00cdndia e Brasil desaceleram-se e, em consequ\u00eancia, aceleram-se suas contradi\u00e7\u00f5es internas e a R\u00fassia j\u00e1 entrou em recess\u00e3o (suave, por enquanto).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">O velho centro do mundo em torno do G5 verifica sua decad\u00eancia amea\u00e7ando impor o maior desastre civilizacional e ecol\u00f3gico da hist\u00f3ria, enquanto seus oponentes perif\u00e9ricos procuram resistir a uma avalanche que os ultrapassa. Tentam integrar-se mas acontece que cada pot\u00eancia emergente baseou sua prosperidade recente nas procuras dos mercados centrais em crise que, atrav\u00e9s de complexas arquiteturas financeiras e comerciais, puderam manter sua economias em funcionamento inundando o planeta com d\u00f3lares sobrevalorizados que lhes permitiam comprar produ\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas a baixo custo. Mas agora e no futuro previs\u00edvel para continuar a funcionar (na realidade, para prolongar sua agonia) precisam baixar ainda mais os custos perif\u00e9ricos at\u00e9 levar o processo ao n\u00edvel do saqueio. Pelo seu lado, os perif\u00e9ricos n\u00e3o podem prescindir desses mercados centrais, n\u00e3o t\u00eam como substitu\u00ed-los completamente nem a curto nem a m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Um horizonte de guerras e crises vai-se instalando de maneira irresist\u00edvel.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Assistimos atualmente a uma dupla corrida contra o tempo. Em primeiro lugar a do Ocidente e do Jap\u00e3o que procuram submeter o resto do mundo nuns poucos anos para saquear seus recursos naturais e espremer velozmente o que reste dos seus mercados internos. Seus estratagemas consideram que desse modo poderiam reduzir os custos das suas empresas, preservas seus lucros e sustentar os mercados internos imperiais ou pelo menos desacelerar seu decl\u00ednio. Ainda que o alcance dessas metas se choque com resist\u00eancias perif\u00e9ricas (estatais e populares) que o Imp\u00e9rio at\u00e9 agora n\u00e3o p\u00f4de anular. Al\u00e9m disso, sua decad\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica reduz ano ap\u00f3s ano a efic\u00e1cia dos referidos projetos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Por sua vez, os capitalismos emergentes tamb\u00e9m desenvolvem uma guerra contra o tempo, ainda que a um prazo mais longo que se vai encurtando. Em torno dos BRICS, as integra\u00e7\u00f5es euroasi\u00e1ticas, latino-americanas, etc procuram desenvolver mercados comuns que substituam os mercados ocidentais declinantes, gerando desse modo uma din\u00e2mica capaz de salv\u00e1-los do desastre global motorizado pelo Ocidente e inclusive arrastando este \u00faltimo mais \u00e0 frente rumo a uma nova prosperidade. Mas essa ilus\u00e3o enfrenta problemas de solu\u00e7\u00e3o quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Os emergentes perif\u00e9ricos precisam de tempo para se converterem e se adaptarem aos mercados de substitui\u00e7\u00e3o internos e externos. Se os capitalismos centrais ru\u00edrem a curto prazo os emergentes sofrer\u00e3o o impacto dessa retra\u00e7\u00e3o e entrar\u00e3o num per\u00edodo de crises explosivas. Para que os capitalismos centrais n\u00e3o se arru\u00ednem a curto prazo prolongando uma esp\u00e9cie de decl\u00ednio controlado seria necess\u00e1rio que os mesmos preservassem seus privil\u00e9gios monet\u00e1rios (hegemonia do d\u00f3lar) e comerciais \u2013 mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 custa da estabilidade econ\u00f4mica e pol\u00edtica dos capitalismos emergentes. Se curvassem a R\u00fassia, China, Ir\u00e3o e seus aliados e amigos perif\u00e9ricos, os capitalismos centrais poderiam ent\u00e3o saquear livremente o conjunto da periferia. O Ocidente conseguiria uma esp\u00e9cie de aterragem suave, com o que o planeta entraria numa era de decad\u00eancia geral prolongada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Dito de outra forma: para n\u00e3o ca\u00edrem os emergentes precisam que o Ocidente demore, desacelere sua queda e para que isso aconte\u00e7a o Ocidente precisa saquear a periferia, fazer cair os emergentes. De qualquer forma, se o Ocidente chegar a ter \u00eaxito e submergir no caos o resto do mundo seguramente esse caos provocar\u00e1 a quebra das suas pr\u00f3prias sociedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Na realidade ambas as corridas contra o tempo tendem a convergir num processo comum de crise, seus ritmos diferenciados de desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico come\u00e7am a aproximar-se (Brasil e R\u00fassia, por exemplo, atualmente estancam-se de modo igual \u00e0 Inglaterra ou Jap\u00e3o) integrando-se num espa\u00e7o universal de crises pol\u00edticas, financeiras, militares, sociais, locais, regionais, etc., ou seja, na trama complexa da decad\u00eancia do capitalismo como sistema mundial. As esperan\u00e7as de supera\u00e7\u00e3o da crise a parte do interior do sistema v\u00e3o-se diluindo. O Ocidente n\u00e3o recupera suas gl\u00f3rias definitivamente perdidas e a partir da periferia n\u00e3o chega a regenera\u00e7\u00e3o, o rejuvenescimento do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">Alguns anos antes da Comuna de Paris, Proudhon descrevia a Fran\u00e7a decadente do seu tempo da seguinte maneira: &#8220;Todas as tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o gastas, todas as cren\u00e7as anuladas, em contrapartida o novo programa n\u00e3o aparece, n\u00e3o est\u00e1 na consci\u00eancia do povo, da\u00ed o que chamo &#8216;a dissolu\u00e7\u00e3o&#8217;. \u00c9 o momento mais atroz na exist\u00eancia das sociedades&#8221; . Como sabemos, uns poucos anos depois, do mais profundo desastre emergiu a Comuna de Paris (1871), insurg\u00eancia ef\u00eamera mas decisiva que iluminou as rebeli\u00f5es do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">O horizonte negro que nos oferece esta civiliza\u00e7\u00e3o contrasta com a incr\u00edvel vitalidade demogr\u00e1fica, tecnol\u00f3gica e social em geral que a humanidade demonstra \u2013 o que anuncia choques, confronta\u00e7\u00f5es, alternativas que deveriam ir para l\u00e1 dos limites deteriorados do sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\"><b>Jorge Beinstein<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FMI informou recentemente que em 2014, a n\u00edvel global, o primeiro Produto Interno Bruto (medido em paridade de poder de compra) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o dos Estados Unidos e sim o da China. 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