{"id":268930,"date":"2021-09-10T12:01:47","date_gmt":"2021-09-10T15:01:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=268930"},"modified":"2021-09-10T13:37:56","modified_gmt":"2021-09-10T16:37:56","slug":"pandemia-empurra-grupo-de-baixa-renda-pra-linha-de-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-empurra-grupo-de-baixa-renda-pra-linha-de-pobreza\/","title":{"rendered":"Pandemia empurra grupo de baixa renda pra linha da pobreza"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia da covid-19 provocou um choque de grandes propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 pela sua intensidade como pela sua abrang\u00eancia geral e as pessoas foram impactadas em diferentes estratos sociais, localidades e aspectos de suas vidas, mostra a pesquisa Desigualdade de Impactos Trabalhistas na Pandemia, coordenada pelo diretor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas Social (FGV Social), Marcelo Neri. Segundo o levantamento, a press\u00e3o maior ficou para os mais pobres.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores foi mostrar \u201cuma vis\u00e3o ampla e atual da desigualdade de impactos trabalhistas da pandemia no Brasil\u201d. O estudo indicou, que na m\u00e9dia de 2019 a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com renda abaixo da linha de pobreza era de 10,97%, antes da pandemia, o que representa cerca de 23,1 milh\u00f5es de pessoas na pobreza.<\/p>\n<p>No melhor ponto da s\u00e9rie, em setembro de 2020, por causa do aux\u00edlio emergencial com valor mais alto, o n\u00famero de pessoas abaixo da linha de pobreza caiu para 4,63%, ou 9,8 milh\u00f5es de brasileiros. J\u00e1 no primeiro trimestre de 2021, momento de suspens\u00e3o do aux\u00edlio emergencial, mas devolvendo o Bolsa Fam\u00edlia, atingiu 16,1% da popula\u00e7\u00e3o, ou 34,3 milh\u00f5es de pobres.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos pesquisadores, \u201cos dados mostram um cen\u00e1rio desolador no in\u00edcio de 2021, quando em seis meses o n\u00famero de pobres \u00e9 multiplicado por 3,5 vezes, correspondendo a 25 milh\u00f5es de novos pobres em rela\u00e7\u00e3o aos seis meses anteriores\u201d. Com o retorno do aux\u00edlio emergencial, embora em valores menores, e com dura\u00e7\u00e3o limitada a partir de abril de 2021, o percentual cai para 12,98%, ou 27,7 milh\u00f5es de pobres, patamar pior do que antes da pandemia.<\/p>\n<p><strong>Renda<\/strong><br \/>\nDe acordo com a pesquisa, a renda individual m\u00e9dia do brasileiro, entre informais, desempregados e inativos est\u00e1 atualmente 9,4% abaixo do n\u00edvel registrado no final de 2019. Na metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o, a perda de renda atingiu -21,5%, o que conforme o estudo configura o aumento da desigualdade entre a base e a totalidade da distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo da pandemia, a queda de renda entre os 10% mais ricos ficou em -7,16%, e representa menos de 1\/3 da queda de renda da metade mais pobre. J\u00e1 na faixa que se compara com a classe m\u00e9dia no sentido estat\u00edstico, a queda de renda ficou em 8,96%, cerca de 2,8 pontos percentuais (p.p) de perda acima do extremo superior.<\/p>\n<p>O professor Marcelo Neri afirmou que o aumento do desemprego foi a causa de pouco mais da metade (-11,5%) da queda de renda de &#8211; 21,5% dos mais pobres, muito pelo reflexo do contingente expressivo de trabalhadores que deixou o mercado de trabalho sem perspectiva de encontrar uma vaga ou de exercer trabalho durante a pandemia.<\/p>\n<p>\u201cNesse forte aumento de desigualdade o principal elemento \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o, em particular o aumento do desemprego \u00e9 o que explica metade dessa queda de renda dos pobres. Al\u00e9m disso, muita gente saiu do mercado de trabalho porque n\u00e3o p\u00f4de exercer uma ocupa\u00e7\u00e3o ainda por causa da pandemia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Desalento<\/strong><br \/>\nA pesquisa apontou ainda que o efeito desalento ocasionou a queda de renda 8,2 pontos percentuais na metade mais pobre, enquanto na m\u00e9dia geral a perda ficou em 4,7 pontos, &#8220;sendo a segunda causa mais importante para a deteriora\u00e7\u00e3o do bin\u00f4mio m\u00e9dia e desigualdade trabalhista\u201d. A redu\u00e7\u00e3o de renda dos ocupados por hora, em consequ\u00eancia da acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e desemprego, incluindo a diminui\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, tamb\u00e9m contribu\u00edram para impactar mais fortemente a renda na metade mais pobre.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, os principais perdedores foram os moradores da Regi\u00e3o Nordeste com -11,4% de perda de renda. No Sul atingiu -8,86% . No g\u00eanero, as mulheres que tiveram jornada dupla de cuidado das crian\u00e7as em casa apresentaram perda de -10,35% contra -8,4% dos homens. Por idade, a necessidade de se retirarem do mercado de trabalho por causa de maior fragilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19, os idosos com 60 anos ou mais perderam -14,2% .<\/p>\n<p><strong>Desigualdade<\/strong><br \/>\nO \u00edndice de Gini, que mede a desigualdade e j\u00e1 havia aumentado de 0,6003 para 0,6279 entre os quartos trimestres de 2014 e 2019, saltou na pandemia atingindo 0,640 no segundo trimestre de 2021, ficando acima de toda s\u00e9rie hist\u00f3rica pr\u00e9 pandemia.<\/p>\n<p><strong>Estagfla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA combina\u00e7\u00e3o adversa de infla\u00e7\u00e3o alta e desemprego elevado leva \u00e0 estagfla\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais um fator de impacto nos mais pobres, em um momento de choques de oferta juntando a pandemia, possibilidade de racionamento e reflexos das manifesta\u00e7\u00f5es de caminhoneiros causando efeito no abastecimento. A pesquisa mostrou que a recente acelera\u00e7\u00e3o das taxas de desemprego e de infla\u00e7\u00e3o teve consequ\u00eancias distributivas.<\/p>\n<p>Nos 12 meses terminados em julho de 2021, a infla\u00e7\u00e3o dos pobres ficou em 10,05%, 3 pontos percentuais (p.p) maior que a infla\u00e7\u00e3o da alta renda, segundo estimativas do Ipea. Nos nossos c\u00e1lculos, a taxa de desemprego da metade mais pobre subiu na pandemia de 26,55% para 35,98%. J\u00e1 entre os 10% mais ricos a mesma foi de 2,6% para 2,87%.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 meio entre a cruz e a espada, com desemprego alto e infla\u00e7\u00e3o alta. A gente vai precisar aumentar a taxa de juros e at\u00e9 aumentar o desemprego para desaquecer e tentar combater a infla\u00e7\u00e3o. Mas ao fazer isso o desemprego piora. \u00c9 um pouco um certo cobertor curto, que n\u00e3o s\u00f3 tem que puxar, mas o cobertor encolheu nessa situa\u00e7\u00e3o de estagfla\u00e7\u00e3o\u201d, observou.<\/p>\n<p>O diretor da FGV Social chamou aten\u00e7\u00e3o para a queda de renda ser maior que a do PIB e para o aumento da desigualdade. \u201cOs mais pobres sofreram mais e quando a gente abre o efeito que caracteriza o atual de estagfla\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m \u00e9 mais s\u00e9ria entre os mais pobres. A\u00ed por uma s\u00e9rie de coisas, como o movimento dos caminhoneiros, o racionamento de energia, s\u00e3o o que a gente chama de choque de oferta e eles s\u00e3o muito ruins porque piora tudo, piora a infla\u00e7\u00e3o e o desemprego tamb\u00e9m\u201d, completou.<\/p>\n<p>Perspectiva<br \/>\nO professor destacou que a taxa de juros passa a ser o instrumento para buscar a redu\u00e7\u00e3o da taxa de infla\u00e7\u00e3o, mas junto com o combate vem o aumento do desemprego formando um c\u00edrculo vicioso, que j\u00e1 produziu impacto nos mais pobres. \u201cTaxa de juros \u00e9 instrumento para combater a infla\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que essa situa\u00e7\u00e3o pode ser vista como o encolhimento do cobertor, que j\u00e1 era curto e em que se perde nas duas frentes. Esse encolhimento, foi ainda maior entre os mais pobres. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o preocupante olhando para frente\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia da covid-19 provocou um choque de grandes propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 pela sua intensidade como pela sua abrang\u00eancia geral e as pessoas foram impactadas em diferentes estratos sociais, localidades e aspectos de suas vidas, mostra a pesquisa Desigualdade de Impactos Trabalhistas na Pandemia, coordenada pelo diretor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas Social (FGV Social), Marcelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":268931,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-268930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268930"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":268954,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268930\/revisions\/268954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}