{"id":268971,"date":"2021-09-10T18:34:34","date_gmt":"2021-09-10T21:34:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=268971"},"modified":"2021-09-10T18:35:07","modified_gmt":"2021-09-10T21:35:07","slug":"amazonia-e-pantanal-podem-virar-mais-um-imenso-saara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/amazonia-e-pantanal-podem-virar-mais-um-imenso-saara\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia e Pantanal podem virar mais um imenso Saara"},"content":{"rendered":"<p>G\u00e1s bastante utilizado em refrigera\u00e7\u00e3o, o hidrofluorcarbono (HFC) \u00e9 um exemplo de solu\u00e7\u00e3o que um dia se converte em problema. Aplicado em substitui\u00e7\u00e3o a outros gases para diminuir os danos \u00e0 camada de oz\u00f4nio, acabou por contribuir para o efeito estufa, que impulsiona o aquecimento global e est\u00e1 provocando efeitos indesej\u00e1veis, como inc\u00eandios de grande propor\u00e7\u00e3o, derretimento de geleiras, aumento do n\u00edvel dos oceanos e desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o objetivo de reduzir gradualmente a produ\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de gases n\u00e3o agressivos \u00e0 camada de oz\u00f4nio, mas causadores de efeito estufa, dever\u00e1 chegar neste ano ao Senado um projeto para incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0s leis brasileiras de uma emenda ao Protocolo de Montreal, o acordo que trata dos cuidados com a camada que nos protege da a\u00e7\u00e3o dos raios ultravioleta emitidos pelo sol.<\/p>\n<p>O PDC 1.100\/2018 \u00e9 uma das proposi\u00e7\u00f5es da agenda que est\u00e1 sendo montada na C\u00e2mara dos Deputados para vota\u00e7\u00e3o, antes que comece, em 31 de outubro, a 26\u00aa Confer\u00eancia do Clima, a COP 26, a ser realizada em Glasgow, na Esc\u00f3cia. Ali, representantes de quase 200 pa\u00edses v\u00e3o discutir medidas mais ousadas e urgentes para manter o aquecimento global em no m\u00e1ximo 1,5 grau (\u00baC) em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Se provid\u00eancias \u201cambiciosas\u201d n\u00e3o forem adotadas, alertam os cientistas, a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica pode se tornar irrevers\u00edvel e de efeitos totalmente inesperados.<\/p>\n<p>Essa demanda por maior ambi\u00e7\u00e3o e compromisso acompanhou a elabora\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), inst\u00e2ncia das Na\u00e7\u00f5es Unidas que subsidia as reuni\u00f5es do Acordo do Clima, igualmente conhecido como Acordo de Paris. Um dos objetivos do encontro \u00e9 balancear as contribui\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses, de modo a obter algum tipo de desenvolvimento que possa ser considerado sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O dilema gerado pelo HFC ilustra um dos muitos que acompanham o estabelecimento dos seres humanos sobre a Terra, principalmente a partir do forte desenvolvimento industrial iniciado ainda na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 19. A cada solu\u00e7\u00e3o encontrada para gerar energia, agilizar os transportes, aumentar a produtividade da agropecu\u00e1ria e tornar mais segura e confort\u00e1vel a vida das pessoas, uma penca de problemas foi surgindo, sendo a polui\u00e7\u00e3o do ar e dos rios a primeira a ser notada. Hoje se estendem a uma mir\u00edade de sequelas, entre as quais o excesso de pl\u00e1stico que segue para as \u00e1guas do planeta ou se acumulam nos lix\u00f5es, a redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua, a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u2014 \u00fateis a elas mesmas e \u00e0 pesquisa de rem\u00e9dios para os seres humanos \u2014 e a libera\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos causadores de epidemias.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas de que o atual n\u00edvel de aquecimento est\u00e1 sendo causado principalmente por di\u00f3xido de carbono (CO2), metano (CH4) e \u00f3xido nitroso (N2O) resultantes das atividades humanas. N\u00e3o se trata, como chegaram a defender alguns, de um novo ciclo clim\u00e1tico. O mundo levou tr\u00eas milh\u00f5es de anos para atingir um aquecimento global de mais de 2,5 graus. As emiss\u00f5es causadas pelo homem, como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o corte de \u00e1rvores, s\u00e3o respons\u00e1veis pelo aquecimento recente. Do 1,1 grau de aumento da temperatura m\u00e9dia experimentado desde a era pr\u00e9-industrial, o IPCC concluiu que menos de 0,1 grau se deve a for\u00e7as naturais, como vulc\u00f5es ou varia\u00e7\u00f5es do Sol.<\/p>\n<p>O apelo dram\u00e1tico do IPCC \u00e9 pela redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de emiss\u00f5es, de modo a n\u00e3o esgotarmos o que os pesquisadores chamam de \u201cor\u00e7amento de carbono\u201d, cerca de 400 giga toneladas de CO2 equivalente, medida de equipara\u00e7\u00e3o com outros gases de efeito estufa. Mesmo com metas ambiciosas, o cen\u00e1rio projetado pelo painel inclui um pico potencial de aumento da temperatura m\u00e9dia de 1,6 grau entre 2041 e 2060, ap\u00f3s o qual as temperaturas cairiam abaixo de 1,5 grau at\u00e9 o final do s\u00e9culo, caso as emiss\u00f5es cheguem a zero grau em 2050, ou seja, o planeta seja capaz de absorver tudo o que for emitido, j\u00e1 que n\u00e3o se espera que o mundo simplesmente pare.<\/p>\n<p>No Senado, o conte\u00fado do relat\u00f3rio, cuja vers\u00e3o definitiva foi divulgada em agosto, \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Nesta sexta-feira (10), o presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente (CMA), Jaques Wagner (PT-BA), reuniu em debate virtual um grupo de personalidades para a avaliar o diagn\u00f3stico e as recomenda\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas pelo IPCC.<\/p>\n<p>O debate foi requerido pelo pr\u00f3prio Jaques Wagner,\u00a0 e subscrito por outros 15 senadores. Ao pedir a sess\u00e3o tem\u00e1tica, ele classificou o relat\u00f3rio firmado por mais de 200 cientistas de diversos pa\u00edses como o documento mais abrangente e conclusivo j\u00e1 feito sobre a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cO modo de vida do ser humano est\u00e1 afetando todo o planeta, com efeitos que j\u00e1 podem durar centenas de anos, mesmo que as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa sejam reduzidas a zero no dia de amanh\u00e3\u201d, diz o senador no requerimento.<\/p>\n<p>Participaram do encontro\u00a0Sir David King, qu\u00edmico e assessor cient\u00edfico do governo brit\u00e2nico; a ativista ambiental sueca\u00a0Greta Thunberg; o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),\u00a0Dom Walmor Oliveira de Azevedo; a ativista ambiental, estudante de biologia e apresentadora Samela Sater\u00e9; e\u00a0o\u00a0governador do Esp\u00edrito Santo, Renato Casagrande. Este \u00faltimo\u00a0\u00e9 o articulador do movimento Governadores pelo Clima.<\/p>\n<p>O grupo prop\u00f5e o modelo de governan\u00e7a Cons\u00f3rcio Brasil Verde, que pretende\u00a0buscar recursos para financiar projetos destinados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es e que incentivem a gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, de acordo com informe oficial do governo capixaba.<\/p>\n<p>&#8220;O tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 importante para o Brasil. Os estados querem ajudar o pa\u00eds a alcan\u00e7ar suas metas. A cria\u00e7\u00e3o desse cons\u00f3rcio, que ser\u00e1 gerenciado pelos estados, ter\u00e1 um fundo \u00fanico para se apresentar de forma transparente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es internacionais e a outros pa\u00edses&#8221;,\u00a0declarou o governador, que participou em julho de\u00a0reuni\u00e3o virtual com o enviado especial dos Estados Unidos para o clima, John Kerry.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades em reverter o quadro atual \u00e9 que o aquecimento global se retroalimenta pela a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio calor que, ao facilitar ou mesmo provocar inc\u00eandios e inibir o pleno funcionamento dos ecossistemas, acaba gerando mais emiss\u00e3o de gases ou inviabiliza a sua absor\u00e7\u00e3o. A li\u00e7\u00e3o que se tira \u00e9 que, perturbados agressivamente, os mecanismos que propiciaram o desenvolvimento da vida na Terra, num per\u00edodo historicamente muito curto de 200 anos adquiriram potencial para revert\u00ea-la de para\u00edso em inferno.<\/p>\n<p>\u201cA coaliz\u00e3o global para emiss\u00f5es l\u00edquidas zero precisa crescer exponencialmente\u201d, disse ainda em fevereiro deste ano o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, lembrando que esse \u00e9 um objetivo \u201ccentral\u201d das Na\u00e7\u00f5es Unidas para 2021 e que, na ocasi\u00e3o, faltavam apenas nove meses para a COP 26, \u201cmarco cr\u00edtico nos esfor\u00e7os para evitar uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, os pa\u00edses que representam 70% da economia mundial e 65% das emiss\u00f5es globais de di\u00f3xido de carbono j\u00e1 haviam assumido o compromisso com emiss\u00f5es liquidas zero at\u00e9 2050, mas isso n\u00e3o era suficiente. Seria necess\u00e1rio que todos apresentassem contribui\u00e7\u00f5es mais ambiciosas, com metas claras at\u00e9 2030, por meio de \u201cplanos claros e confi\u00e1veis, uma vez que palavras n\u00e3o s\u00e3o suficientes\u201d.<\/p>\n<p>Em uma economia global repleta de desequil\u00edbrios acirrados pela pandemia, as concess\u00f5es n\u00e3o dever\u00e3o ser conseguidas muito facilmente na COP26. A lideran\u00e7a do processo, advertiu o secret\u00e1rio-geral da ONU, \u00e9 das principais economias e membros do G20. Um dos caminhos \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o at\u00e9 2030 nos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), clube no qual o Brasil tenta entrar, e em todos os outros pa\u00edses at\u00e9 2040.<\/p>\n<p>Os investimentos em carv\u00e3o e outros combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, por exemplo) devem ser redirecionados para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Para abrir m\u00e3o de continuarem apoiando seus esfor\u00e7os de crescimento em modelos predat\u00f3rios, os pa\u00edses em desenvolvimento poder\u00e3o contar com um aporte de US$ 100 bilh\u00f5es anuais por parte dos pa\u00edses desenvolvidos. Al\u00e9m disso, doadores e bancos multilaterais de desenvolvimento devem dedicar metade de todo o seu apoio nesta \u00e1rea para projetos de adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia aos efeitos do aquecimento.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 na tripla condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds em desenvolvimento, explorador de petr\u00f3leo e um dos maiores emissores de carbono (6\u00ba ou 5\u00ba lugar, dependendo de como se faz a conta), principalmente em raz\u00e3o do desmatamento, segundo a ex-presidente do Ibama e especialista s\u00eanior em Pol\u00edticas P\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima, Suely Araujo.<\/p>\n<p>\u2014 O desmatamento equivale a 44% das nossas emiss\u00f5es. Se somado ao que emitem as atividades agropecu\u00e1rias, temos 70% das nossas emiss\u00f5es na categoria das Mudan\u00e7as do Uso da Terra \u2014 explicou a especialista durante audi\u00eancia p\u00fablica na Comiss\u00e3o de Meio Ambiente do Senado (CMA), em 20 de agosto. A reuni\u00e3o foi coordenada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), respons\u00e1vel por avaliar a pol\u00edtica clim\u00e1tica executada pelo governo Federal, com \u00eanfase na preven\u00e7\u00e3o e no controle de desmatamentos e queimadas nos biomas Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal, com o objetivo de identificar falhas, omiss\u00f5es e propor recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Suely Araujo observa que o lugar do Brasil no ranking de emiss\u00f5es o deixa numa posi\u00e7\u00e3o de grande responsabilidade e na obriga\u00e7\u00e3o de ir al\u00e9m do habitual.<\/p>\n<p>\u2014 Os compromissos do Brasil, como o de outros pa\u00edses, s\u00e3o insuficientes. \u00c9 preciso reduzir n\u00e3o s\u00f3 o desmatamento ilegal, mas tamb\u00e9m aquele para o qual se pode obter autoriza\u00e7\u00e3o, de modo que nos aproximemos do desmatamento zero. Este ano ainda devemos desmatar dez mil quil\u00f4metros quadrados na Amaz\u00f4nia, o que \u00e9 muito ruim, quando dever\u00edamos desmatar no m\u00e1ximo tr\u00eas mil [quil\u00f4metros] de acordo com a pol\u00edtica clim\u00e1tica \u2014 afirmou.<\/p>\n<p>A analista do Observat\u00f3rio do Clima assinala o embara\u00e7o causado pelo que se convencionou chamar de \u201cpedalada clim\u00e1tica\u201d: O Brasil refez sua contabilidade de emiss\u00f5es no ano-base de 2005, para cima, mas n\u00e3o alterou os percentuais de corte propostos originalmente ao Acordo do Clima, em 2015. Resultado: abriu espa\u00e7o para continuar emitindo muito CO2, inclusive por meio do desmatamento. A quest\u00e3o est\u00e1 na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o adianta apenas reativar a fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas faz\u00ea-la dentro de um planejamento amplo que envolva a retomada de planos setoriais para a Amaz\u00f4nia e o Cerrado e a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de R$ 3 bilh\u00f5es do Fundo Amaz\u00f4nia que est\u00e3o parados por implic\u00e2ncia do governo Bolsonaro. A press\u00e3o tem de ser para o que o governo trabalhe, execute pol\u00edtica p\u00fablicas \u2014 sugeriu Suely Araujo.<\/p>\n<p>A julgar pelas verbas or\u00e7ament\u00e1rias planejadas e pagas, levando em conta apenas o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, a condu\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas p\u00fablicas tem destino incerto. Em 2021, os recursos destinada ao MMA s\u00e3o da ordem de R$ 2,9 bilh\u00f5es, ou 0,1% do bolo destinado \u00e0 \u00e1rea federal. At\u00e9 o dia 8, haviam sido pagos R$ 1,6 bilh\u00e3o, mas isso inclui restos a apagar de outros anos. A verba reservada a um fundo espec\u00edfico para programas relacionados \u00e0 pol\u00edtica clim\u00e1tica \u00e9, percentualmente, ainda mais modesta: meros R$ 91,6 mil, ou 0,01% do or\u00e7amento da pasta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sentida desarticula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, que t\u00eam sido hostilizadas pelo atual governo, o pa\u00eds se ressente de estruturas e mecanismos que tornem mais din\u00e2mico o trabalho de reduzir as emiss\u00f5es de carbono. Um desses instrumentos inclusive poderia carrear recursos externos ao Brasil, mas sequer est\u00e1 normatizado. Trata-se do Mercado Brasileiro de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es (MBRE), mais conhecido como mercado de cr\u00e9ditos de carbono. Ele est\u00e1 previsto na lei que instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7a do Clima (lei\u00a012.187, de 2009) e \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o do Protocolo de Quioto, tratado internacional ratificado pelo Brasil. Est\u00e1, portanto, h\u00e1 12 anos esperando regulamenta\u00e7\u00e3o \u2014 que poder\u00e1 vir antes da COP26 \u2014 caso seja aprovado na C\u00e2mara dos Deputados e depois, no Senado, o Projeto de Lei (PL) 528\/2021.<\/p>\n<p>Conforme a Ag\u00eancia de Not\u00edcias da C\u00e2mara, o cr\u00e9dito de carbono \u00e9 um certificado que atesta e reconhece a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (GEE). Pelo projeto, um cr\u00e9dito de carbono equivaler\u00e1 a uma tonelada desses gases que deixarem de ser lan\u00e7ados na atmosfera. Quem mantiver uma floresta em p\u00e9, fizer reflorestamento ou adotar qualquer medida que ajude a tirar carbono da atmosfera, poder\u00e1 vender esse cr\u00e9dito para quem emite carbono \u2014 ind\u00fastrias, projetos agropecu\u00e1rios ou de urbaniza\u00e7\u00e3o, por hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>\u201cOs t\u00edtulos gerados ser\u00e3o negociados com governos, empresas ou pessoas f\u00edsicas que t\u00eam metas obrigat\u00f3rias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de GEE, definidas por leis ou tratados internacionais\u201d, informa a mesma ag\u00eancia de not\u00edcias. O projeto em an\u00e1lise naquela Casa foi apresentado pelo deputado Marcelo Ramos (PL-AM).<\/p>\n<p>Estudiosos do clima alertam para a chance de evitarmos uma cat\u00e1strofe global de dimens\u00f5es\u00a0nunca\u00a0vistas<\/p>\n<p>Secas, enchentes e outros eventos extremos se tornar\u00e3o mais intensos e frequentes a cada fra\u00e7\u00e3o de aquecimento na temperatura do planeta. Veja o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo com um aquecimento m\u00e9dio de apenas 1,1 grau em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. O mais recente relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) conclui que isso \u00e9 apenas uma amostra do que est\u00e1 por vir. Cada fra\u00e7\u00e3o a mais de aquecimento vir\u00e1 com consequ\u00eancias mais perigosas e caras. Em apenas uma d\u00e9cada, poderemos olhar para as manchetes apocal\u00edpticas de hoje pensando: &#8220;como as coisas pareciam est\u00e1veis em 2021!&#8221;<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio oferece ao mundo uma vis\u00e3o clara do estado atual das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, adverte para cen\u00e1rios ainda mais sombrios e descreve as a\u00e7\u00f5es transformadoras que os governantes e a sociedade devem tomar para evitar um futuro calamitoso.<\/p>\n<p><strong>Uso da terra<\/strong><br \/>\nA derrubada de cobertura vegetal mostra-se um dos aspectos mais danosos da rela\u00e7\u00e3o do Brasil com seu meio ambiente, que acaba se refletindo historicamente em outros, como a ocorr\u00eancia de inc\u00eandios, a redu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie das \u00e1guas e a degrada\u00e7\u00e3o dos rios por garimpos (ver mat\u00e9ria sobre garimpos no &#8220;Saiba mais&#8221;).<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas temas foram abordados em relat\u00f3rios amplos divulgados recentemente pela organiza\u00e7\u00e3o MapBiomas cobrindo o per\u00edodo de 1985 a 2020 a partir do processamento detalhado de imagens de sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>Nesses 36 anos, o Brasil perdeu 82 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, \u00e1rea equivalente a tr\u00eas vezes e meia o territ\u00f3rio do estado de S\u00e3o Paulo, principalmente para a agropecu\u00e1ria. A superf\u00edcie de rios e outras fontes naturais de \u00e1gua foi reduzida em 7,6%, mas se observado apenas o per\u00edodo de 1991 a 2020, a perda dobra para 15,7%.<\/p>\n<p>\u201cO sinal mais assustador, mais preocupante, foi a perda de \u00e1gua nas v\u00e1rzeas. Essas \u00e1reas t\u00eam uma din\u00e2mica de expans\u00e3o e contra\u00e7\u00e3o, mas nos \u00faltimos anos n\u00f3s temos observado que a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 expandindo mais\u201d, disse o coordenador do Grupo de Trabalho de \u00c1guas do MapBiomas, Carlos Souza, durante o lan\u00e7amento desse relat\u00f3rio espec\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cEssas pesquisas t\u00eam correspond\u00eancia com os relatos de campo. H\u00e1 escassez maior de \u00e1gua, maior intensidade do per\u00edodo de estiagem. Outro aspecto muito importante: a gente tem uma frequ\u00eancia e uma intensidade maior das queimadas em Roraima\u201d, disse Haron Xaud, pesquisador da Embrapa naquele estado e l\u00edder do Projeto Terraamz.<\/p>\n<p>A perda de \u00e1gua detectada pelo MapBiomas \u00e9 circunstancialmente agravada, dependendo das condi\u00e7\u00f5es metereol\u00f3gicas de curto prazo, o que est\u00e1 levando a preju\u00edzos al\u00e9m do puramente ambiental, com fortes impactos na economia e na vida social. No momento, a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos reservat\u00f3rios de \u00e1gua para a abastecimento vai voltando a n\u00edveis da \u00faltima grande crise h\u00eddrica. Isso porque o desmatamento na Amaz\u00f4nia prejudica o fluxo de umidade dos chamados rios voadores em dire\u00e7\u00e3o ao Sudeste, conforme Pedro Luiz Cort\u00eas, professor\u00a0do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP),\u00a0explicou na apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os lagos das hidrel\u00e9tricas est\u00e3o do mesmo modo em n\u00edveis muito baixos, com s\u00e9rios riscos ao fornecimento de energia el\u00e9trica, o que j\u00e1 repercute nas contas de luz. A Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) anunciou aumento no pre\u00e7o de cada 100 quilowatts hora de R$ 6,24, em junho, para R$ 9,49, em julho, aumento de 52,04%, mas j\u00e1 est\u00e1 previsto novo aumento de 15% em setembro. Para n\u00e3o causar um colapso na gera\u00e7\u00e3o de oito usinas localizadas ao longo das bacias dos rios Tiet\u00ea e Paran\u00e1, o governo determinou a reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas, mas isso acabou levando \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do volume da hidrovia Tiet\u00ea-Paran\u00e1 e, por conseguinte, do transporte de soja por aquele modal.<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e3o previstas demiss\u00f5es no setor, sem contar a necessidade de desvio de parte substancial da carga das barca\u00e7as para rodovias, com aumento de custos e de polui\u00e7\u00e3o. Esta vai igualmente aumentar pelo uso de termoel\u00e9tricas, que ainda por cima geram energia mais cara. S\u00f3 no setor de transporte h\u00eddrico, estima-se preju\u00edzo de R$ 3 bilh\u00f5es, mas a seca combinada a geadas de um inverno incomum est\u00e1 prejudicando a pr\u00f3pria safra de gr\u00e3os, que n\u00e3o sair\u00e1 ilesa este ano.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica e energ\u00e9tica foi discutida na quarta-feira (8) em reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Financeira e Controle da C\u00e2mara dos Deputados. L\u00e1, o representante da Aneel informou que a capacidade geral dos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas pode ficar abaixo dos 19% registrados na crise de 2014. Atualmente est\u00e1 em 28,8%. Segundo a Ag\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias, especialistas presentes na audi\u00eancia disseram achar que &#8220;o governo agiu tarde diante da falta de chuvas&#8221;.<\/p>\n<p>O aspecto mais dram\u00e1tico dos relat\u00f3rios do MapBiomas \u00e9 o fogo, que n\u00e3o d\u00e1 sossego em v\u00e1rias regi\u00f5es e provoca cenas de horror pela vis\u00e3o de animais selvagens e dom\u00e9sticos calcinados, principalmente no Pantanal Matogrossense, mas tamb\u00e9m do desespero de ribeirinhos e fazendeiros. Segundo o MapBiomas Fogo, em 36 anos o Brasil queimou 1,7 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, ou cerca de 20% do territ\u00f3rio nacional, numa escala crescente. A cada ano, uma \u00e1rea maior que a Inglaterra foi afetada, sendo que 61% queimou duas vezes ou mais.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se poderia pensar, o fogo n\u00e3o afeta apenas o Pantanal, a Amaz\u00f4nia, o Cerrado e at\u00e9 a j\u00e1 bastante devastada Mata Atl\u00e2ntica. Bioma exclusivamente nosso, no qual imaginamos uma agropecu\u00e1ria de conviv\u00eancia passiva na regi\u00e3o do semi\u00e1rido, a\u00a0Caatinga \u00e9 palco de queimadas, h\u00e1bito cultural arraigado nos brasileiros. Associado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado e caprinos, o fogo est\u00e1 degradando tanto o solo em v\u00e1rios estados nordestinos que o risco do aparecimento de desertos \u00e9 alt\u00edssimo:<\/p>\n<p>\u2014 A desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 causada por fatores clim\u00e1ticos, associados \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental, como desmatamento, sobrepastoreio [pecu\u00e1ria acima do limite suport\u00e1vel], queimadas, pr\u00e1ticas agr\u00edcolas inadequadas, que levam \u00e0 perda do solo, \u00e0 eros\u00e3o e, consequentemente, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o grave e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o \u2014 explica o doutor em meteorologia Humberto Barbosa, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites (Lapis). (ver entrevista na \u00edntegra mais \u00e0 frente)<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o da CMA do dia 20, a coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga (ISPN), Isabel Figueiredo, chamou a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de se estabelecer um sistema de alertas de inc\u00eandios nesses biomas nos mesmos moldes do que j\u00e1 \u00e9 feito na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u2014 As \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o aberta, como as do Cerrado, podem dar a impress\u00e3o de que n\u00e3o absorvem carbono, mas as ra\u00edzes profundas s\u00e3o muito \u00fateis nessa tarefa \u2014 disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Entre as medidas sugeridas \u00e0 CMA para a redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de CO2, a coordenadora do ISPN deu \u00eanfase \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do Manejo Integrado do Fogo (MIF), um conjunto de t\u00e9cnicas e pr\u00e1ticas que visam, al\u00e9m de reduzir os inc\u00eandios, proteger regi\u00f5es e territ\u00f3rios que s\u00e3o mais sens\u00edveis, como as veredas, as matas e tamb\u00e9m moradias e lavouras.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje o ICMBio e o Ibama j\u00e1 utilizam o MIF em algumas unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas, mas esse uso precisa ser ampliado para todas as \u00e1reas protegidas, pelo menos no Cerrado e no Pantanal. E para as \u00e1reas privadas. As reservas legais das fazendas tamb\u00e9m t\u00eam de ser manejadas, de modo que n\u00e3o queimem e o fogo passe eventualmente a uma \u00e1rea protegida. At\u00e9 porque elas s\u00e3o tamb\u00e9m \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>O manejo tem como uma de suas provid\u00eancias a queima preventiva de trechos escolhidos no final da esta\u00e7\u00e3o chuvosa e in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o seca, sob a vigil\u00e2ncia de brigadistas e em hor\u00e1rios espec\u00edficos, de maneira que o excesso de biomassa seja eliminado, evitando inc\u00eandios de grandes propor\u00e7\u00f5es e criando barreiras \u00e0 progress\u00e3o do fogo.<\/p>\n<p>\u2014 O fogo \u00e9, sim, um aliado para reduzir inc\u00eandios no caso no Cerrado, do Pantanal. Isso j\u00e1 est\u00e1 bastante estudado, j\u00e1 tem uma s\u00e9rie de artigos cient\u00edficos mostrando os benef\u00edcios. A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 de at\u00e9 40% a mais nas emiss\u00f5es de carbono do que essa se essa mesma \u00e1rea fosse queimada no auge da seca, em setembro, outubro.<\/p>\n<p>Segundo Isabel Figueiredo, h\u00e1 um projeto de lei parado na C\u00e2mara sobre o assunto desde 2018, apesar de requerimento de urg\u00eancia assinado por todos os l\u00edderes, inclusive o agora presidente da Casa, Arthur Lira. Entre as mudan\u00e7as propostas, O PL 11.276\/2018 envolve mais gente na formula\u00e7\u00e3o e na estrat\u00e9gia do manejo e profissionaliza os brigadistas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista socioambiental, a pesquisadora enfatizou a prem\u00eancia de se reconhecer os territ\u00f3rios ocupados por povos ind\u00edgenas, por comunidades tradicionais e agricultores familiares, por manterem grandes \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em meio \u00e0s suas \u00e1reas produtivas, o que \u00e9 chamado tecnicamente de &#8220;mosaico&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 A gente pode observar nesses locais a continuidade dos ciclos de \u00e1gua, a fixa\u00e7\u00e3o e a continuidade dos ciclos de carbono, al\u00e9m de outros processos ecol\u00f3gicos, como a conserva\u00e7\u00e3o do solo, a poliniza\u00e7\u00e3o, a dispers\u00e3o, os fluxos de biodiversidade. A FAO [bra\u00e7o da ONU para a alimenta\u00e7\u00e3o] publicou\u00a0recentemente um relat\u00f3rio mostrando evid\u00eancias do papel fundamental dessas comunidades e desses povos ind\u00edgenas na conserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e na manuten\u00e7\u00e3o de estoques de carbono no planeta inteiro \u2014 disse Isabel Figueiredo.<\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o dela encontra apoio numa das descobertas do MapBiomas Fogo: embora amea\u00e7adas e, muitas vezes, invadidas, as terras ind\u00edgenas est\u00e3o entre as \u00e1reas que menos queimaram de1985 a 2020.<\/p>\n<p>A representante do ISPN pediu tamb\u00e9m que seja feito um esfor\u00e7o para engajar a sociedade como um todo na quest\u00e3o do clima e da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, visto muitas vezes como um assunto distante dos cidad\u00e3os comuns que, a despeito disso, sentem na pele o aumento da temperatura local e a falta de chuvas.<\/p>\n<p>\u2014 A gente pode estar muito pr\u00f3ximo do momento a partir do qual o colapso se deu e j\u00e1 n\u00e3o se pode voltar. Essas informa\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o mist\u00e9rio para a ci\u00eancia e a gente precisa se antecipar. Ainda n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o \u00e9 ainda, mas a gente est\u00e1 quase l\u00e1 \u2014 advertiu.<\/p>\n<p>Na mesma reuni\u00e3o, Leonardo Gomes, diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do Instituto SOS Pantanal, deu um exemplo do que pode ser esse ponto sem retorno, ao citar estudo coordenado por Jos\u00e9 Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.<\/p>\n<p>\u2014 Levando em conta o cen\u00e1rio da pior seca dos \u00faltimos 50 anos em 2021, quando algumas regi\u00f5es do Pantanal v\u00e3o chegar pr\u00f3ximo dos 40 graus de temperatura e 10% de umidade, \u00e9 poss\u00edvel imaginar esse cen\u00e1rio ainda mais intensificado at\u00e9 o final do s\u00e9culo, um cen\u00e1rio de muita preocupa\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 de desertifica\u00e7\u00e3o de muitas \u00e1reas do Pantanal.<\/p>\n<p>Se o Pantanal passar a abrigar desertos, n\u00e3o ser\u00e1 por falta de aviso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00e1s bastante utilizado em refrigera\u00e7\u00e3o, o hidrofluorcarbono (HFC) \u00e9 um exemplo de solu\u00e7\u00e3o que um dia se converte em problema. 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