{"id":269485,"date":"2021-09-15T14:54:44","date_gmt":"2021-09-15T17:54:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=269485"},"modified":"2021-09-15T16:11:41","modified_gmt":"2021-09-15T19:11:41","slug":"garimpo-chega-perto-e-ameaca-existencia-de-indigenas-isolados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/garimpo-chega-perto-e-ameaca-existencia-de-indigenas-isolados\/","title":{"rendered":"Garimpo chega perto e amea\u00e7a ind\u00edgenas isolados"},"content":{"rendered":"<p>A express\u00e3o \u201cisolados\u201d vem perdendo significado pr\u00e1tico para os ind\u00edgenas Moxihat\u00ebt\u00ebma th\u00ebp\u00eb da regi\u00e3o da serra da Estrutura, dentro do territ\u00f3rio Yanomami, em Roraima.\u00a0 Documentos e imagens in\u00e9ditas obtidos pela Ag\u00eancia P\u00fablica mostram a presen\u00e7a do garimpo a apenas 12 km dos \u00fanicos ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio confirmados no territ\u00f3rio Yanomami pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 um segundo ramal garimpeiro, maior, a 42 km dos isolados. As informa\u00e7\u00f5es foram checadas a pedido da reportagem pelo analista Heron Martins do Center for Climate Crime Analysis. Ele\u00a0explica que as coordenadas de longitude e latitude das imagens de sat\u00e9lite (Sentinel 1 e Sentinel 2) confirmam os ramais de garimpo, ambos com pista de pouso clandestina na regi\u00e3o pr\u00f3xima onde habitam os Moxihat\u00ebt\u00ebma. Uma das pistas clandestinas est\u00e1 no meio do caminho entre o garimpo mais distante e o mais pr\u00f3ximo, a cerca de 23 km dos isolados.<\/p>\n<p>Lucca*, uma fonte pr\u00f3xima \u00e0 Funai, afirma que o \u00f3rg\u00e3o indigenista teria conhecimento da proximidade desse ramal garimpeiro pelo menos desde mar\u00e7o do ano passado, quando um relat\u00f3rio de monitoramento comunicou \u00e0 Funai em Bras\u00edlia.\u00a0Lucca conta ainda que outros sobrevoos posteriores a mar\u00e7o de 2020 foram realizados pela Funai para monitoramento dos isolados \u2013 um deles em 2021.<\/p>\n<p>Segundo seu relato, os relat\u00f3rios com os alertas da presen\u00e7a garimpeira, no entanto, n\u00e3o teriam implicado nenhuma a\u00e7\u00e3o para desmantelar o garimpo pr\u00f3ximo aos Moxihat\u00ebt\u00ebma. \u201cV\u00e3o matar uma comunidade inteira que n\u00e3o foi contatada e Bras\u00edlia [Funai] est\u00e1 fazendo de conta que n\u00e3o v\u00ea\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Luciano Pohl, gerente de povos isolados da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Coiab), diz que a situa\u00e7\u00e3o requer uma a\u00e7\u00e3o imediata do governo para a prote\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. \u201c\u00c9 grave\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e analista legal da CCCA, Bruno Morais, diz que 12 km de dist\u00e2ncia de floresta, para ind\u00edgenas, \u201c\u00e9 a dist\u00e2ncia de um quintal, ou menos\u201d. Segundo ele, \u201cind\u00edgenas, quanto mais isolados, percorreriam 12 km em pouco tempo, o que nos leva a imaginar que, se de fato estiverem a\u00ed [garimpo], esse grupo j\u00e1 pode n\u00e3o estar mais \u2018isolado\u2019. Como voc\u00ea deve imaginar, essa seria uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e demandaria a interven\u00e7\u00e3o imediata\u201d.<\/p>\n<p><strong>Acossados pelo garimpo<\/strong><br \/>\nUm dos documentos enviados \u00e0 Funai em mar\u00e7o do ano passado alertando sobre a situa\u00e7\u00e3o foi obtido pela reportagem e registra que \u201co garimpo tem sido a principal amea\u00e7a \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural dos Moxihat\u00ebt\u00ebma, cujo territ\u00f3rio se encontra cercado pela invas\u00e3o garimpeira\u201d.<\/p>\n<p>O documento cita, por exemplo, a exist\u00eancia de recipientes de material n\u00e3o identificado nas fotografias do monitoramento a\u00e9reo. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos recipientes, \u00e9 prov\u00e1vel que se trate de carotes de combust\u00edvel de 50 litros, encontrados facilmente em pontos de garimpo. Este fato nos remete aos relatos de que os ind\u00edgenas est\u00e3o andando em locais abandonados ou de ocupa\u00e7\u00e3o recente por garimpeiros.\u201d<\/p>\n<p>O documento corrobora o diagn\u00f3stico de outro relat\u00f3rio, este p\u00fablico, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2021 pela Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami (HAY) e Associa\u00e7\u00e3o Wanasseduume Ye\u2019kwana (Seduume) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).<\/p>\n<p>Os dados de \u201cCicatrizes na floresta \u2013 evolu\u00e7\u00e3o do garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami (TIY) em 2020\u201d revelam o aumento da press\u00e3o sobre os Moxihat\u00ebt\u00ebma, \u201cacossados pelo aumento da circula\u00e7\u00e3o de garimpeiros na regi\u00e3o da serra da Estrutura, a poucos quil\u00f4metros de sua casa coletiva. Um eventual contato for\u00e7ado, nesse est\u00e1gio, arrisca desencadear num tr\u00e1gico epis\u00f3dio de genoc\u00eddio\u201d, alerta o documento.<\/p>\n<p>Luciano da Coiab explica que, no caso dos ind\u00edgenas isolados, os riscos com a proximidade do garimpo se agravam pela vulnerabilidade a que ficam expostos, podendo ser contaminados com doen\u00e7as levadas pelos invasores \u2013 \u201cainda mais no momento de pandemia de Covid-19\u201d. \u201cEm situa\u00e7\u00f5es assim, uma simples gripe seria capaz de dizimar v\u00e1rios integrantes do grupo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No livro \u201cCercos e resist\u00eancias \u2013 povos ind\u00edgenas isolados na Amaz\u00f4nia brasileira\u201d (Instituto Socioambiental, 2019), a lideran\u00e7a ind\u00edgena Yanomami Davi Kopenawa fala sobre a rela\u00e7\u00e3o com os Moxihat\u00ebt\u00ebma. \u201cEu estou muito preocupado com eles. Eles nos protegem, assim como n\u00f3s os protegemos [\u2026] Eu n\u00e3o queria que os garimpeiros matassem mais eles. Eles est\u00e3o protegidos por eles mesmos. Eu queria que o governo protegesse eles, ent\u00e3o a gente quer denunciar, espalhar a mensagem no Brasil e fora.\u201d<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, o l\u00edder e xam\u00e3 Yanomami fez um apelo em favor dos isolados durante sess\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. \u201cMeu povo tem o direito de viver em paz e em boa sa\u00fade, porque ele vive em sua pr\u00f3pria casa. Na floresta estamos em casa! Os Brancos n\u00e3o podem destruir nossa casa, sen\u00e3o tudo isso n\u00e3o vai terminar bem para o mundo. Cuidamos da floresta para todos, n\u00e3o s\u00f3 para os Yanomami e os povos isolados. Trabalhamos com os nossos xam\u00e3s, que conhecem bem essas coisas, que possuem uma sabedoria que vem do contato com a terra. A ONU precisa falar com as autoridades do Brasil para retirar \u2013 imediatamente \u2013 os garimpeiros que cercam os isolados e todos os outros em nossa floresta.\u201d<\/p>\n<p>Questionada sobre a situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia e se teria conhecimento do garimpo pr\u00f3ximo dos isolados, a Funai respondeu \u00e0 reportagem que tem realizado o monitoramento ininterrupto do grupo por meio da Frente de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental Yanomami Yekuana. \u201cAs medidas de monitoramento vem sendo acompanhadas pela a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica impetrada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF)\/RR no \u00e2mbito da reativa\u00e7\u00e3o das Bases de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental (Bapes) da Funai. A funda\u00e7\u00e3o esclarece ainda que foram verificados garimpos pr\u00f3ximos \u00e0 Serra da Estrutura, os quais foram desativados na opera\u00e7\u00e3o para a reativa\u00e7\u00e3o da base da Funai na regi\u00e3o (Bape Serra da Estrutura). Al\u00e9m disso, a Funai realiza continuamente a\u00e7\u00f5es de monitoramento da ocupa\u00e7\u00e3o territorial desses ind\u00edgenas isolados, bem como iniciativas de combate ao garimpo na regi\u00e3o\u201d.\u00a0O \u00f3rg\u00e3o indigenista disse ainda que \u201cforam realizadas 12 opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o do Mucaja\u00ed e Couto Magalh\u00e3es, por meio da Bape Walo Pali, e tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o da Serra da Estrutura, por meio da Bape de mesmo nome\u201d \u2014 leia a resposta completa.<\/p>\n<p><strong>\u201cRegistro 76\u201d<\/strong><br \/>\nO territ\u00f3rio Yanomami \u00e9 a maior Terra Ind\u00edgena (TI) do pa\u00eds, onde vivem mais de 26 mil ind\u00edgenas dos povos Yanomami e Ye\u2019kwana, distribu\u00eddos em 371 aldeias. O territ\u00f3rio foi reconhecido como de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional, demarcado e homologado em 1992.<\/p>\n<p>Os Moxihat\u00ebt\u00ebma th\u00ebp\u00eb pertencem ao subgrupo Yanomami de denomina\u00e7\u00e3o Yawarip\u00eb, que, segundo os registros hist\u00f3ricos, chegaram a ser contatados nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. \u201cOs Moxihat\u00ebt\u00ebma s\u00e3o um grupo isolado cuja sociabilidade \u00e9 marcada por uma recusa radical de estabelecer quaisquer rela\u00e7\u00f5es de afinidade e alian\u00e7a, mesmo com outros ind\u00edgenas\u201d, registra o documento da Funai obtido pela reportagem.<\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o do nome remete ao fato de que esses ind\u00edgenas manteriam o prep\u00facio do p\u00eanis (moxi) preso entre dois barbantes (hat\u00ebt\u00eb) amarrados na cintura.\u00a0Ainda segundo o livro Cercos e resist\u00eancias, nos anos 1990 especulou-se sobre o desaparecimento do grupo devido a confrontos entre os Moxihat\u00ebt\u00ebma, garimpeiros e outras comunidades Yanomami nas regi\u00f5es dos rios Catrimani, Mucaja\u00ed e Apia\u00fa.<\/p>\n<p>Em 1995, um relato divulgado pela Funai reportou que dois garimpeiros teriam sido flechados por eles na regi\u00e3o do Alto Apia\u00fa. Mas somente em julho de 2011, durante uma miss\u00e3o de reconhecimento a\u00e9reo, o grupo foi localizado novamente \u2013 no \u00f3rg\u00e3o indigenista, o grupo \u00e9 referenciado como \u201cRegistro 76 \u2013 Serra da Estrutura\u201d. No total, diz o documento da Funai, \u201cos isolados realizaram cerca de 7 a 11 migra\u00e7\u00f5es em 26 anos\u201d, sendo que o \u00faltimo deslocamento teria ocorrido em 2015, devido \u00e0 presen\u00e7a garimpeira no entorno do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O grupo atual dos Moxihat\u00ebt\u00ebmaseria composto por at\u00e9 cem indiv\u00edduos que habitam um xapono (na imagem acima) \u2013 esp\u00e9cie de \u201ccasa comunal el\u00edptica composta por uma quinzena de sec\u00e7\u00f5es de tetos inclinados e com abertura para um p\u00e1tio comunit\u00e1rio e com ampla \u00e1rea de ro\u00e7as adjacentes, al\u00e9m de ro\u00e7ados mais distantes\u201d, explica o documento.<\/p>\n<p>A equipe da Funai que monitorou os Moxihat\u00ebt\u00ebma\u00a0 no ano passado se deparou ainda com a aus\u00eancia de tr\u00eas fam\u00edlias que n\u00e3o estavam mais habitando o xapono principal. A situa\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio demogr\u00e1fico, relata o documento, pode se tratar de uma migra\u00e7\u00e3o ou fragmenta\u00e7\u00e3o social: \u201ccontudo, \u00e9 inevit\u00e1vel constatar que um dos principais motores das migra\u00e7\u00f5es \u00e9 a enorme press\u00e3o decorrente da invas\u00e3o garimpeira: s\u00e3o abundantes os relatos e vest\u00edgios de conflitos entre os moxihat\u00ebt\u00ebma, alguns com v\u00edtimas fatais. N\u00e3o podemos descartar que as tr\u00eas fam\u00edlias faltantes na contagem da casa comunit\u00e1ria podem ter sido v\u00edtimas de agress\u00f5es por parte dos garimpeiros\u201d.<\/p>\n<p>Kopenawa conta em Cercos e resist\u00eancia que, quando ouviu os parentes conversando sobre os Moxihat\u00ebt\u00ebma tinha mais ou menos 10 anos. \u201cEles s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. Eles n\u00e3o gostam de presentes. J\u00e1 levaram ter\u00e7ado pra eles, deixaram no caminho, machado, faca\u2026 eles n\u00e3o aceitam. Preferem usar machado de pedra, j\u00e1 est\u00e3o acostumados. Eles t\u00eam ferramenta para derrubar \u00e1rvores grande e para fazer casa [\u2026] Eles s\u00e3o um pouco alto. Fortes. L\u00e1 n\u00e3o come feij\u00e3o, gordura, s\u00f3 come ca\u00e7a, mel, peixe. Eles falam a l\u00edngua yaroam\u00eb. Eu n\u00e3o entendo, queria entender, mas n\u00e3o quero mexer com eles, n\u00e3o. Eu n\u00e3o vou mexer com eles e eles n\u00e3o v\u00e3o mexer comigo. Deixa eles em paz, deixa viver como escolheram o resto da vida\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo a tabela oficial de povos ind\u00edgenas isolados no Brasil elaborada pela Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de \u00cdndios Isolados e de Recente Contato da Funai, existem oito registros de presen\u00e7a de povos ind\u00edgenas isolados na TI Yanomami, mas \u201capenas o Registro 76 \u2013 Serra da Estrutura\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia confirmada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um problema social, o garimpo ilegal em terras ind\u00edgenas Yanomami afeta o meio ambiente e a sa\u00fade de quem vive no territ\u00f3rio \u2013 estimam-se at\u00e9 20 mil garimpeiros no territ\u00f3rio. O merc\u00fario, utilizado na extra\u00e7\u00e3o do ouro, contamina as \u00e1guas locais. Com o garimpo, ind\u00edgenas ficam mais expostos a doen\u00e7as como a mal\u00e1ria, que explodiu na regi\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m o problema da desnutri\u00e7\u00e3o infantil, com um dos maiores \u00edndices do pa\u00eds, como revelou reportagem recente da P\u00fablica.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que a TI Yanomami vem sofrendo com a invas\u00e3o de garimpeiros, mas a situa\u00e7\u00e3o se agravou desde a elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro em 2019, que incentiva abertamente o garimpo.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio \u201cCicatrizes da floresta\u201d registra-se que, ao final de 2020, somavam-se 2.400 hectares de \u00e1rea degradada na TI Yanomami \u2013 o equivalente a 2.400 campos de futebol. Desse total, 500 hectares de garimpo foram registrados entre janeiro e dezembro de 2020, um aumento de 30%.<\/p>\n<p>Segundo reportagem da InfoAmaz\u00f4nia, a minera\u00e7\u00e3o e o garimpo disputam hoje uma \u00e1rea maior do que a B\u00e9lgica dentro da TI Yanomami. A situa\u00e7\u00e3o tem escalado a viol\u00eancia na regi\u00e3o, com ataques de garimpeiros e ind\u00edgenas em que h\u00e1 a suspeita de participa\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es criminosas como o PCC \u2013 situa\u00e7\u00e3o abordada no especial jornal\u00edstico Ouro do sangue Yanomami, da Rep\u00f3rter Brasil e Amaz\u00f4nia Real.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie tamb\u00e9m cita o relat\u00f3rio \u201cCicatrizes da floresta\u201d, que conclui que o garimpo ilegal vem aumentando em intensidade e complexidade na TI Yanomami, \u201cafastando-se cada vez mais da no\u00e7\u00e3o de atividade residual, espont\u00e2nea, individual e artesanal, e consolidando-se como uma atividade empresarial, ainda que clandestina, de alto potencial de impacto social e ambiental\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cIsolados ou dizimados\u201d<\/strong><br \/>\nLuciano da Coiab afirma que outros povos isolados tamb\u00e9m est\u00e3o em risco neste momento no pa\u00eds. \u00c9 o caso dos povos Piripkura (MT), Jacare\u00faba\/Katawixi (AM), Pirititi (RR) e Ituna\/Itat\u00e1 (PA), cujos territ\u00f3rios podem ficar desprotegidos caso quatro portarias da Funai que vencem em janeiro de 2022 n\u00e3o sejam renovadas pelo \u00f3rg\u00e3o. Essas portarias de restri\u00e7\u00e3o de uso do territ\u00f3rio por n\u00e3o ind\u00edgenas garantem, ao menos no papel, prote\u00e7\u00e3o \u00e0s quatro TIs onde h\u00e1 registros e confirma\u00e7\u00f5es desses grupos isolados.<\/p>\n<p>A campanha \u201cIsolados ou dizimados\u201d, encabe\u00e7ada pela pr\u00f3pria Coiab e pelo Observat\u00f3rio dos Direitos Humanos dos Povos Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato (Opi), est\u00e1 com uma peti\u00e7\u00e3o on-line para pressionar o presidente da Funai, Marcelo Xavier, sobre a renova\u00e7\u00e3o das portarias. De acordo com a pr\u00f3pria Funai, \u201ca import\u00e2ncia de se interditar \u00e1reas com presen\u00e7a de grupos de \u00edndios isolados \u00e9 para garantir o direito desses povos ao seu territ\u00f3rio, sem a necessidade de contat\u00e1-los, respeitando assim, a vontade do grupo de se manter isolado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o \u201cisolados\u201d vem perdendo significado pr\u00e1tico para os ind\u00edgenas Moxihat\u00ebt\u00ebma th\u00ebp\u00eb da regi\u00e3o da serra da Estrutura, dentro do territ\u00f3rio Yanomami, em Roraima.\u00a0 Documentos e imagens in\u00e9ditas obtidos pela Ag\u00eancia P\u00fablica mostram a presen\u00e7a do garimpo a apenas 12 km dos \u00fanicos ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio confirmados no territ\u00f3rio Yanomami pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":269486,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-269485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269485"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":269506,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269485\/revisions\/269506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}