{"id":269536,"date":"2021-09-16T08:40:08","date_gmt":"2021-09-16T11:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=269536"},"modified":"2021-09-16T08:42:09","modified_gmt":"2021-09-16T11:42:09","slug":"inflacao-desemprego-e-fome-viram-fantasmas-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inflacao-desemprego-e-fome-viram-fantasmas-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o, desemprego e fome viram fantasmas de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>As perspectivas para o Brasil no pr\u00f3ximo ano &#8211; quando teremos elei\u00e7\u00f5es gerais &#8211; est\u00e3o se deteriorando rapidamente. O quadro que mais preocupa, por suas dr\u00e1sticas consequ\u00eancias, \u00e9 o da economia. Os analistas do setor est\u00e3o revisando fortemente para baixo suas previs\u00f5es. Um exemplo vem do Ita\u00fa, que acaba de reduzir sua expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no pr\u00f3ximo ano de 1,5% para 0,5%.<\/p>\n<p>O maior banco privado do pa\u00eds tamb\u00e9m passou a prever aumento do desemprego, com a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o subindo de 12,1% ao fim de 2021, para 12,5% em dezembro de 2022. Al\u00e9m do Ita\u00fa, diversas outras institui\u00e7\u00f5es financeiras e casas de an\u00e1lise passaram a prever PIB menor, infla\u00e7\u00e3o mais alta e juros tamb\u00e9m mais elevados no cen\u00e1rio pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O crescimento do PIB e a situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e da renda no pr\u00f3ximo ano geram grande expectativa, pois s\u00e3o fatores determinantes no bem estar da popula\u00e7\u00e3o e no desenrolar de elei\u00e7\u00f5es em que o atual presidente tenta a recondu\u00e7\u00e3o ao cargo.<\/p>\n<p>Entenda os seis principais fatores que t\u00eam feito os analistas reduzirem suas expectativas para o desempenho da economia no pr\u00f3ximo ano:<\/p>\n<p><strong>1) Infla\u00e7\u00e3o maior e juros em alta<\/strong><br \/>\nO principal fator citado pelos analistas para a revis\u00e3o nas expectativas para o PIB em 2022 \u00e9 o fato de que a infla\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo ano deve ficar acima do que era esperado antes.<\/p>\n<p>Com isso, o Banco Central vai ter de subir mais os juros, o que tem efeito negativo sobre o consumo das fam\u00edlias e o investimento das empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Revisamos nossa expectativa de infla\u00e7\u00e3o de 2021 para 8,4%, de 7,3% no in\u00edcio do m\u00eas&#8221;, escrevem os economistas da XP Investimentos em relat\u00f3rio desta ter\u00e7a-feira. &#8220;A revis\u00e3o ocorreu devido \u00e0 piora da crise h\u00eddrica, ao IPCA de agosto bem acima do esperado e \u00e0 infla\u00e7\u00e3o no atacado sugerindo que ainda h\u00e1 press\u00e3o de custos no curto prazo.&#8221;<\/p>\n<p>Em agosto, o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) teve alta de 0,87%, bem acima do esperado pelos analistas e maior aumento para o m\u00eas em 21 anos. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 9,68%. O aumento foi puxado pelo pre\u00e7o dos combust\u00edveis e dos alimentos e levou diversos economistas a preverem uma infla\u00e7\u00e3o maior para este e o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>No boletim Focus \u2014 levantamento semanal de expectativas do mercado colhidas pelo Banco Central \u2014 a proje\u00e7\u00e3o para o IPCA em 2021 passou de 7,58% na semana passada, para 8% essa semana. Para 2022, a previs\u00e3o foi de 3,98% para 4,10%.<\/p>\n<p>A meta de infla\u00e7\u00e3o para este ano \u00e9 de 3,75% e a de 2022, de 3,50%, conforme determinado pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Logo, as estimativas dos analistas sugerem que a infla\u00e7\u00e3o deve ficar acima da meta por dois anos seguidos.<\/p>\n<p>E ainda h\u00e1 outros riscos negativos, como o agravamento da crise h\u00eddrica e da situa\u00e7\u00e3o das contas do governo, que podem piorar ainda mais o quadro inflacion\u00e1rio \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse contexto, acreditamos que o Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria) ainda n\u00e3o enxergar\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para indicar redu\u00e7\u00e3o do ritmo de eleva\u00e7\u00e3o da taxa Selic&#8221;, escrevem os economistas do Ita\u00fa, em relat\u00f3rio, prevendo que a taxa b\u00e1sica de juros chegue a 9% ao ano em 2022, de volta a patamar que n\u00e3o era visto desde 2017. Atualmente, a Selic est\u00e1 em 5,25% e ela chegou a 2% no ponto mais baixo.<\/p>\n<p><strong>2) Menor crescimento da renda<\/strong><br \/>\nUm segundo fator citado pelos economistas para a deteriora\u00e7\u00e3o das expectativas para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 o crescimento modesto esperado para a massa de renda \u2014 que \u00e9 a soma de todos os rendimentos das popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Reduzimos nossa proje\u00e7\u00e3o de crescimento do PIB no pr\u00f3ximo ano, de 1,7% para 1,3%, escreve a equipe da XP Investimentos.<\/p>\n<p>Segundo os economistas da casa, al\u00e9m dos efeitos mais contracionistas da pol\u00edtica monet\u00e1ria (isto \u00e9, a alta dos juros) o cen\u00e1rio incorpora &#8220;crescimento modesto da massa de renda ampliada dispon\u00edvel \u00e0s fam\u00edlias&#8221;, com alta em torno de 1,5%, descontada a infla\u00e7\u00e3o, devido principalmente ao fim do aux\u00edlio emergencial, que n\u00e3o deve ser compensado pelo emprego e o aumento esperado do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de aumento do desemprego prevista pelo Ita\u00fa tamb\u00e9m n\u00e3o sugere perspectiva muito alentadora para o desempenho da massa de renda.<\/p>\n<p>&#8220;A taxa m\u00e9dia de desemprego voltar\u00e1 ao n\u00edvel pr\u00e9-pandemia somente em 2023, e o n\u00edvel de equil\u00edbrio (pouco superior \u00e0 10%) deve ser atingido somente em 2025&#8221;, faz coro a MCM Consultores sobre as perspectivas pouco alentadoras para renda e mercado de trabalho \u00e0 frente.<\/p>\n<p><strong>3) Esgotamento do efeito da retomada dos servi\u00e7os<\/strong><br \/>\nUm terceiro fator citado pelos economistas \u00e9 que o impulso gerado pela reabertura da economia este ano \u2014 particularmente no setor de servi\u00e7os \u2014, ap\u00f3s per\u00edodo de maior distanciamento social provocado pela pandemia, deve perder for\u00e7a no ano que vem.<\/p>\n<p>&#8220;A atividade econ\u00f4mica n\u00e3o se beneficiar\u00e1 mais do impulso advindo da reabertura do setor de servi\u00e7os, algo que, na nossa vis\u00e3o, ficar\u00e1 restrito ao segundo semestre deste ano&#8221;, diz o Ita\u00fa<\/p>\n<p>O pessimismo no m\u00e9dio prazo \u00e9 compartilhado por outros analistas.<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos que alguns dos segmentos de servi\u00e7os ainda impactados pela covid (em particular servi\u00e7os prestados \u00e0s fam\u00edlias) se recuperem nos pr\u00f3ximos meses, em conjunto com o progresso no programa de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid, reabertura da economia e est\u00edmulo fiscal renovado&#8221;, escreve Alberto Ramos, diretor de pesquisa econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina do Goldman Sachs, em relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;No entanto, a acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, o aumento das taxas de juros, o aumento do ru\u00eddo e da incerteza pol\u00edtica, e a interrup\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de alta na confian\u00e7a do consumidor e dos empres\u00e1rios podem limitar esse desempenho positivo&#8221;, diz Ramos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a XP Investimentos alerta que &#8220;o desemprego elevado e o baixo crescimento da massa real da renda limitam a demanda por servi\u00e7os em 2022&#8221;.<\/p>\n<p><strong>4) Desacelera\u00e7\u00e3o global<\/strong><br \/>\nUm quarto fator citado pelos analistas \u00e9 a expectativa de perda de \u00edmpeto da economia global, o que impacta a demanda e o pre\u00e7o das commodities exportadas pelo Brasil.<\/p>\n<p>O crescimento orquestrado das economias este ano foi impulsionado pela reabertura das cidades, avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos monet\u00e1rios por boa parte dos Bancos Centrais das economias maduras. No ano que vem, esses fatores se dissipam.<\/p>\n<p>&#8220;Os pre\u00e7os das commodities devem se acomodar, em especial das commodities met\u00e1licas, uma vez que o crescimento da atividade econ\u00f4mica mundial desacelere&#8221;, diz a MCM Consultores, que prev\u00ea um super\u00e1vit recorde de US$ 76,6 bilh\u00f5es para a balan\u00e7a comercial brasileira em 2021, que deve desacelerar a US$ 74,1 bilh\u00f5es em 2022, nas contas da consultoria. O super\u00e1vit \u00e9 a diferen\u00e7a positiva entre o valor exportado e o importado pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a vis\u00e3o do Ita\u00fa: &#8220;Vemos desacelera\u00e7\u00e3o do setor industrial global e queda de pre\u00e7os de commodities ano que vem.&#8221;<\/p>\n<p>E da XP: &#8220;Para frente, vemos as economias brasileira e mundial desacelerando, a taxa de c\u00e2mbio e os pre\u00e7os das commodities mais est\u00e1veis, a taxa de desemprego ainda elevada.&#8221;<\/p>\n<p><strong>5) Piora da crise h\u00eddrica e racionamento de energia<\/strong><br \/>\nNa piora das expectativas dos economistas, tamb\u00e9m est\u00e1 na conta o agravamento da crise hidroenerg\u00e9tica e o crescente risco de racionamento em 2022.<\/p>\n<p>&#8220;Como se n\u00e3o bastasse o risco fiscal, a crise h\u00eddrica segue pressionando custos de produ\u00e7\u00e3o, aumentando a infla\u00e7\u00e3o e reduzindo as perspectivas de crescimento econ\u00f4mico&#8221;, escreve a equipe da XP.<\/p>\n<p>A consultoria de investimentos revisou sua proje\u00e7\u00e3o de PIB para 2022 de 1,7% para 1,3%, mas avalia que o baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios \u00e9 o principal fator de risco para essa estimativa.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso cen\u00e1rio considera os efeitos da crise h\u00eddrica e aumento do custo da energia el\u00e9trica sobre os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e consumo, mas sem racionamento propriamente dito (redu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria)&#8221;, alertam os economistas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, a XP revisou suas proje\u00e7\u00f5es para a possibilidade de racionamento nos pr\u00f3ximos 12 meses para 17,2%, enquanto o Ita\u00fa dobrou seu \u00edndice de probabilidade, para 10% em 2022.<\/p>\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica gera press\u00e3o adicional sobre a infla\u00e7\u00e3o corrente, via aumento das contas de luz, e tamb\u00e9m sobre a din\u00e2mica de pre\u00e7os do ano que vem, atrav\u00e9s da in\u00e9rcia resultante de um IPCA mais elevado e do risco de novas medidas que visem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo de eletricidade&#8221;, disse o Ita\u00fa nesta ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p><strong>6) Elei\u00e7\u00f5es conturbadas<\/strong><br \/>\nPor fim, pesa no pessimismo dos economistas para o pr\u00f3ximo ano a certeza de elei\u00e7\u00f5es polarizadas e bastante conturbadas.<\/p>\n<p>&#8220;O apaziguamento das turbul\u00eancias pol\u00edticas deveria interessar sobretudo ao presidente Jair Bolsonaro. Afinal a sua reelei\u00e7\u00e3o depende fundamentalmente da melhora da economia&#8221;, observam os economistas da MCM Consultores.<\/p>\n<p>&#8220;Se a crise pol\u00edtico-institucional continuar a escalar a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica perder\u00e1 f\u00f4lego. O ambiente agitado tamb\u00e9m atrapalha as costuras para a solu\u00e7\u00e3o de problemas pol\u00edtico fiscais, como o pagamento dos precat\u00f3rios e a cria\u00e7\u00e3o do programa Aux\u00edlio Brasil&#8221;, diz a consultoria, sobre a amea\u00e7a ao programa que visa turbinar o Bolsa Fam\u00edlia de olho na reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A consultoria cortou sua proje\u00e7\u00e3o para o PIB do pr\u00f3ximo ano de 2,1% para 1,4%.<\/p>\n<p>&#8220;A principal raz\u00e3o \u00e9 a perspectiva de agravamento progressivo do quadro pol\u00edtico-institucional-fiscal e de incertezas. Um dos fatores mais importantes \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o presidencial polarizada e muito provavelmente recheada de propostas populistas de ambos os lados.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As perspectivas para o Brasil no pr\u00f3ximo ano &#8211; quando teremos elei\u00e7\u00f5es gerais &#8211; est\u00e3o se deteriorando rapidamente. O quadro que mais preocupa, por suas dr\u00e1sticas consequ\u00eancias, \u00e9 o da economia. Os analistas do setor est\u00e3o revisando fortemente para baixo suas previs\u00f5es. 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