{"id":269667,"date":"2021-09-17T13:15:45","date_gmt":"2021-09-17T16:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=269667"},"modified":"2021-09-17T13:22:41","modified_gmt":"2021-09-17T16:22:41","slug":"retrato-do-brasil-de-hoje-indica-que-odiado-de-ontem-sera-amado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/retrato-do-brasil-de-hoje-indica-que-odiado-de-ontem-sera-amado\/","title":{"rendered":"Retrato do Brasil de hoje indica que odiado de ontem ser\u00e1 amado"},"content":{"rendered":"<p>O quadro do Dia da Independ\u00eancia ainda n\u00e3o foi conclu\u00eddo. Talvez nunca seja. Se depender da caricatura de modelo, quem sabe isso ocorra em uma pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o presidencial. Ou seja, muita \u00e1gua dever\u00e1 rolar sob e sobre a ponte at\u00e9 que os pintores principais (os eleitores) resolvam mudar a tonalidade da paisagem, trocar a moldura ou radicalizar e cobrir o cen\u00e1rio com um verde e amarelo mais plural. A verdade \u00e9 que, quase duas semanas ap\u00f3s o dia que n\u00e3o terminou, est\u00e1 claro que a imagem de paz e amor \u00e9 apenas mais uma das centenas de caras do governo do cercadinho. A postura \u2013 ou a falta dela \u2013 continua a mesma. Para o bem do Brasil, o que mudou foi a percep\u00e7\u00e3o do povo. Durante meses ensandecida pela peculiar forma de atirar do mito, boa parte dos brasileiros come\u00e7a a perceber e a entender que, antes de qualquer coisa, o pa\u00eds precisa \u00e9 de um governante.<\/p>\n<p>A maior percep\u00e7\u00e3o \u00e9 b\u00edblica. N\u00e3o por acaso Deus criou o mundo em seis dias e descansou no s\u00e9timo. \u00c9 claro que os dias da cria\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o s\u00e3o literais. Na interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica, haviam as noites, usadas para que fosse pensado o tipo de pessoas que seriam &#8220;despachadas&#8221; para essa ou aquela na\u00e7\u00e3o. Sem vulc\u00f5es, terremotos, maremotos, tsunamis ou similares, a Terra Brasilis recebeu inicialmente o descobridor Cabral e, por fim, o messias Jair, o mesmo que quer continuar fazendo o que nunca soube. Para n\u00e3o cometer injusti\u00e7as, tamb\u00e9m registro a presen\u00e7a entre n\u00f3s de saudosas personalidades como Juscelino Kubitschek, Get\u00falio Vargas, Ayrton Senna, Nara Le\u00e3o e Pixinguinha e de figuras impolutas e imaculadas como Roberto Jefferson, Jos\u00e9 Sarney, Michel Temer, Fernando Collor, Joaquim Roriz, Madame Sat\u00e3 e Fernandinho Beira-Mar.<\/p>\n<p>Sei que serei cobrado pela aus\u00eancia de outros baluartes de nossa cultura pol\u00edtico-econ\u00f4mica popularesca, afanadora, desconexa, absurda e fora da curva da seriedade. Mere\u00e7o os xingamentos silenciosos, mas me desculpo utilizando o argumento da falta de espa\u00e7o e, sobretudo, a razo\u00e1vel m\u00e1xima de que as pessoas deliberadamente esquecidas j\u00e1 fazem parte do amaldi\u00e7oado e di\u00e1rio vocabul\u00e1rio dos meus cr\u00edticos. Decidi poup\u00e1-los apenas por essa raz\u00e3o. Entretanto, mesmo que tivesse algum poder, jamais os livraria do ju\u00edzo final. O julgamento f\u00edsico e espiritual alcan\u00e7ar\u00e1 a todos. Ele (o julgamento) \u00e9 resultado de nossas a\u00e7\u00f5es e pode ter variados sin\u00f4nimos. Um dos mais conhecidos responde pelo voc\u00e1bulo troco, cujo significado formal \u00e9 o revide por um gesto, falha ou ofensa cometidos.<\/p>\n<p>Para os menos c\u00e9ticos, \u00e9 o mesmo que a lei de causa e efeito. \u00c9 o toma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1. Para sorte do Brasil, o quadro imaginado para o rec\u00e9m-findo 7 de Setembro ficar\u00e1 limitado a um desfocado e tosco retrato 3&#215;4. Talvez nem haja parede para preg\u00e1-lo. Minha inten\u00e7\u00e3o inicial era escrever especificamente sobre a fantasmiza\u00e7\u00e3o do presidente que um dia se achou acima do bem e do mal, acima de qualquer suspeita. Enquanto buscava f\u00f3rmulas celestes ou m\u00e1gicas para tentar tornar menos triste nossa divina com\u00e9dia bolsonariana, sou despertado com n\u00fameros atualizados da corrida eleitoral do ano que vem, tamb\u00e9m conhecido por 2022, ano de uma nova mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o foi nenhuma surpresa a informa\u00e7\u00e3o da estabiliza\u00e7\u00e3o do quadro, mesmo depois do aquecimento da crise ou do surgimento de outros postulantes. A crise est\u00e1 instalada desde o primeiro dia de governo e os &#8220;novos nomes&#8221; s\u00e3o muito mais conhecidos do que a nota de R$ 200. Eu nunca tive uma nas m\u00e3os. Voltando \u00e0 louca tese do troco, o atual presidente da Rep\u00fablica \u00e9 reprovado por 53% do eleitorado nacional. Nada mal para quem tinha 51% de rejei\u00e7\u00e3o na consulta de julho. O que s\u00e3o dois pontos percentuais em um levantamento que aponta uma diferen\u00e7a de 25% na derrota em eventual segundo turno para aquele ex-presidente que muitos juraram nunca mais votar?<\/p>\n<p>Novamente sou obrigado a usar a lei de causa e efeito. Em 2018, o povo queria algo novo e bom. Por isso, um ganhou porque o outro era odiado. Em 2022, parece que o velho e ruim voltar\u00e1 \u00e0 ribalta. O eleitor est\u00e1 pr\u00f3ximo de escolher o odiado porque ficou provado que o \u00f3dio do que era bom \u00e9 muito maior do que a ruindade do que era ruim. Em outras palavras, vento que venta l\u00e1 venta c\u00e1. A verdade \u00e9 que, assim como no 7 de Setembro, est\u00e1 faltando p\u00fablico para sonhar com a ditadura. Eita coisa boa esse tal de um dia atr\u00e1s do outro. Melhor ainda \u00e9 a noite no meio para pensarmos. Deus fez assim. E assim ser\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O quadro do Dia da Independ\u00eancia ainda n\u00e3o foi conclu\u00eddo. Talvez nunca seja. Se depender da caricatura de modelo, quem sabe isso ocorra em uma pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o presidencial. 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