{"id":269891,"date":"2021-09-19T22:15:41","date_gmt":"2021-09-20T01:15:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=269891"},"modified":"2021-09-20T10:12:21","modified_gmt":"2021-09-20T13:12:21","slug":"brasil-busca-novo-normal-pos-covid-sob-alerta-de-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-busca-novo-normal-pos-covid-sob-alerta-de-especialistas\/","title":{"rendered":"Brasil busca \u2018novo normal\u2019 sob alerta de especialistas"},"content":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio da pandemia da covid-19 a fam\u00edlia da professora Maria Rita Bicudo Rosa, 53, cumpriu uma quarentena estrita. \u201cEu, meu marido e nossos dois filhos chegamos a ficar 75 dias sem colocar o p\u00e9 na rua para nada\u201d, lembra. Agora, ap\u00f3s ter recebido as duas doses da vacina, ela come\u00e7a a redescobrir pequenos prazeres ao furar a bolha do isolamento social total. \u201cA primeira coisa que eu fiz ap\u00f3s completar a imuniza\u00e7\u00e3o foi ir \u00e0 manicure, ainda que de m\u00e1scara, algo que eu n\u00e3o fazia h\u00e1 mais de um ano e meio\u201d, conta. Aos poucos foi ganhando confian\u00e7a, e no \u00faltimo final de semana se encontrou com amigos pela primeira vez em mais de 17 meses: \u201cFizemos um happy hour, todos j\u00e1 com a segunda dose e em um local super aberto e ventilado\u201d.<\/p>\n<p>Conforme a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7a no pa\u00eds \u2014 mais de 35% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 completamente imunizada \u2014, os n\u00fameros de casos e mortes provocados pela covid-19 registram tend\u00eancia de queda. A m\u00e9dia de mortes di\u00e1rias, por exemplo, hoje est\u00e1 em 565, segundo o cons\u00f3rcio de ve\u00edculos que monitora os dados da pandemia junto \u00e0s secretarias de Sa\u00fade dos Estados. Este cen\u00e1rio, bem menos apocal\u00edptico quando comparado ao auge da crise sanit\u00e1ria vivido em mar\u00e7o deste ano em que o pa\u00eds registrou de 3.000 a 4.000 mortes ao dia, faz com que milh\u00f5es de brasileiros que se mantiveram confinados comecem a tatear uma vida mais normal e menos isolada, assim como a professora Rosa. Atividades antes vistas como perigosas em meio \u00e0 pandemia, como tomar um chopp com amigos ou ir ao cinema, come\u00e7am a ganhar cada vez mais for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas especialistas da \u00e1rea de sa\u00fade afirmam que o momento atual do pa\u00eds ainda n\u00e3o permite relaxar com as medidas de prote\u00e7\u00e3o, ao menos n\u00e3o completamente. \u201cAcho que \u00e9 muito complicado falar sobre voltar ao normal com a transmiss\u00e3o do v\u00edrus ainda em ritmos elevados\u201d, afirma Mellanie Fontes-Dutra, biom\u00e9dica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e divulgadora cient\u00edfica pela Rede An\u00e1lise Covid-19. \u201cRestaurantes e bares s\u00e3o prop\u00edcios para aglomera\u00e7\u00f5es. E nos locais onde alimentos e bebidas s\u00e3o servidos, as pessoas tiram a m\u00e1scara, o que aumenta o risco de transmiss\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Nestes casos, o risco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de quem resolve bebericar em um bar lotado. \u201cMesmo tendo s\u00f3 pessoas completamente vacinadas na mesa, existe o risco de que um indiv\u00edduo imunizado e assintom\u00e1tico possa infectar um vulner\u00e1vel\u201d, diz Fontes-Dutra. A pesquisadora recomenda que caso haja a necessidade de realizar um encontro, que seja em um ambiente aberto, bem ventilado, \u201conde se possa manter um certo distanciamento, ainda mais se for haver consumo de alimentos\u201d. \u201cExistem formas de fazer algumas coisas com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o podemos flexibilizar demais\u201d, afirma, citando como exemplo pa\u00edses que \u201cqueimaram a largada\u201d e tiveram aumento e casos. \u201c\u00c9 preciso que as pessoas busquem entender os riscos envolvidos em cada ambiente que elas pretendem frequentar\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que a professora Rosa tem feito. Apesar de ter participado de um happy hour com amigos tamb\u00e9m imunizados e em um local ventilado, ela coloca barreiras para algumas outras atividades. \u201cAinda n\u00e3o me sinto confort\u00e1vel para ir ao cinema, por exemplo, tampouco para viajar de avi\u00e3o. S\u00e3o duas coisas das quais sinto falta, mas acho que n\u00e3o \u00e9 a hora, tenho medo de ir agora\u201d, afirma a professora. \u201c\u00c9 um processo [o retorno \u00e0s antigas atividades]. Achei que seria bem dif\u00edcil voltar a encontrar as pessoas, mas depois que acontece o reencontro&#8230; N\u00e3o me arrependo n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o dos especialistas continua sendo o uso de m\u00e1scaras, se poss\u00edvel PFF2, em locais fechados, e distanciamento social. \u201cEstas atividades de lazer s\u00e3o importantes, existe uma quest\u00e3o de sa\u00fade mental. Agora, \u00e9 preciso avaliar a quest\u00e3o do risco. Quem mora com idosos, por exemplo, precisa ter um cuidado redobrado, uma vez que as vacinas t\u00eam um efeito reduzido nesta popula\u00e7\u00e3o mais velha\u201d, diz Ana Freitas Ribeiro, medica sanitarista do servi\u00e7o de epidemiologia do hospital Emilio Ribas. \u201cTire a m\u00e1scara para comer ou beber preferencialmente em um local ventilado e aberto. Vai ao cinema? N\u00e3o h\u00e1 necessidade de ficar sem m\u00e1scara, qualquer um aguenta duas horas de filme sem se alimentar dentro da sala\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>O retorno ao trabalho presencial<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 apenas no campo do lazer que a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a sentir mudan\u00e7as. Com o aparente decl\u00ednio da pandemia, empresas que adotaram o home office durante o per\u00edodo mais agudo da crise aos poucos come\u00e7am a discutir um retorno do trabalho presencial. \u201cNestes casos um ambiente bem ventilado e o uso de uma m\u00e1scara boa s\u00e3o fundamentais\u201d, afirma Ribeiro. H\u00e1 ainda um agravante: conforme o fim do ano se aproxima, as temperaturas come\u00e7am a subir em boa parte do pa\u00eds. Neste contexto clim\u00e1tico, o ar-condicionado, amigo do frescor mas inimigo da ventila\u00e7\u00e3o dos ambientes, costuma ser acionado nos escrit\u00f3rios. \u201cA\u00ed \u00e9 necess\u00e1rio que se invista em distanciamento e m\u00e1scara PFF2\u201d.<\/p>\n<p>Aos poucos as empresas come\u00e7am a estudar modelos de trabalho parte presencial e parte remoto para seu pessoal que atua em home office. \u00c9 o caso da multinacional do setor de alum\u00ednio Novelis, cuja equipe do setor administrativo do escrit\u00f3rio em S\u00e3o Paulo trabalha de casa desde o in\u00edcio da pandemia. \u201cPara estes funcion\u00e1rios estamos fazendo uma experi\u00eancia piloto de retorno no modelo h\u00edbrido, um pouco em casa e um pouco no espa\u00e7o da empresa. Apenas quem j\u00e1 est\u00e1 100% vacinado ou quem tomou apenas uma dose mas realizou um teste PCR pode, de forma volunt\u00e1ria, voltar ao escrit\u00f3rio\u201d, afirma Glaucia Teixeira, vice-presidente de recursos humanos da Novelis Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses a companhia mudou para um novo pr\u00e9dio, onde adotou o conceito de salas abertas, abolindo portas e paredes. \u201cToda a equipe, incluindo diretoria e o presidente, ficam em um espa\u00e7o aberto e mais ventilado\u201d, afirma Teixeira. Al\u00e9m disso, divis\u00f3rias de acr\u00edlico foram colocadas nas mesas, e espa\u00e7os que devem ser deixados vagos para garantir o distanciamento social foram identificados com um X. A m\u00e1scara \u00e9 obrigat\u00f3ria o tempo todo, menos na hora da alimenta\u00e7\u00e3o. Para este grupo de 17 funcion\u00e1rios volunt\u00e1rios que participam desta experi\u00eancia piloto, o almo\u00e7o fora do escrit\u00f3rio tamb\u00e9m est\u00e1 vedado: \u201cPodem levar a pr\u00f3pria marmita ou pedir delivery. Neste primeiro momento queremos evitar que comam fora, porque a refei\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento de exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>A vacina\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o por parte dos funcion\u00e1rios brasileiros. Um levantamento feito pela rede social Linkedin, que ouviu 1.000 trabalhadores que migraram para o home office durante a pandemia, aponta que 90% deles defendem que as empresas exijam a imuniza\u00e7\u00e3o contra covid-19 na volta aos escrit\u00f3rios. Nos Estados Unidos a obriga\u00e7\u00e3o da vacina para o retorno ao trabalho presencial j\u00e1 \u00e9 uma exig\u00eancia por parte de corpora\u00e7\u00f5es como o Citigroup, Facebook, Google e McDonalds. No Brasil, a Gol foi uma das primeiras a se posicionar neste sentido: em agosto a companhia a\u00e9rea divulgou comunicado afirmando que ir\u00e1 exigir vacina\u00e7\u00e3o completa de seus funcion\u00e1rios at\u00e9 novembro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisa da LinkedIn aponta que 30% dos funcion\u00e1rios preferiria manter o modelo de home office em tempo integral, 27% desejam retornar ao escrit\u00f3rio e 43% gostariam de um modelo h\u00edbrido de trabalho, parte em casa e parte na empresa.<\/p>\n<p>Mas para al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u201ce necess\u00e1ria\u201d, Ribeiro sugere uma pol\u00edtica de testagem por parte das empresas para que funcion\u00e1rios infectados, ainda que assintom\u00e1ticos, sejam afastados do conv\u00edvio no escrit\u00f3rio. \u201cAssim voc\u00ea garante que o v\u00edrus n\u00e3o est\u00e1 se propagando livremente entre os funcion\u00e1rios no ambiente de trabalho. Mas n\u00e3o \u00e9 algo que deve ser feito uma vez por semestre, \u00e9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica que envolve testagens recorrentes\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio da pandemia da covid-19 a fam\u00edlia da professora Maria Rita Bicudo Rosa, 53, cumpriu uma quarentena estrita. \u201cEu, meu marido e nossos dois filhos chegamos a ficar 75 dias sem colocar o p\u00e9 na rua para nada\u201d, lembra. Agora, ap\u00f3s ter recebido as duas doses da vacina, ela come\u00e7a a redescobrir pequenos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":269892,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-269891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269891"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":269948,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269891\/revisions\/269948"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}