{"id":270523,"date":"2021-09-26T10:50:22","date_gmt":"2021-09-26T13:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=270523"},"modified":"2021-09-26T10:56:08","modified_gmt":"2021-09-26T13:56:08","slug":"historias-de-uma-invencao-brasileira-que-deu-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/historias-de-uma-invencao-brasileira-que-deu-certo\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de uma inven\u00e7\u00e3o brasileira que deu certo"},"content":{"rendered":"<p>Para todo fim existe um meio. Depois de 25 anos de comprovado \u00eaxito interno e externo, uma grande sacada tecnol\u00f3gica brasileira acabou no olho de um furac\u00e3o criado para esconder o fracasso de uma gest\u00e3o. Era o meio para tentar um pleito sabidamente perdido. Dissipada a cortina de fuma\u00e7a, sem os Frankenstein eleitorais e limitado ao cercadinho, o acuado presidente teve de mudar o enredo. Ap\u00f3s v\u00e3s tentativas de hackers e alardes de provas de fraudes que nunca chegaram onde deveriam, o sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o completou um quarto de s\u00e9culo exatamente como foi criado: inquestionavelmente seguro. Ao longo desse per\u00edodo, participei, in loco ou como espectador, de cinco elei\u00e7\u00f5es, um referendo e numerosas confer\u00eancias relativas \u00e0 seguran\u00e7a da urna eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ao lado dos ministros Nelson Jobim, Sep\u00falveda Pertence, Carlos Velloso, Ellen Gracie, Marco Aur\u00e9lio, Gilmar Mendes, Carlos Ayres Brito e Joaquim Barbosa, entre outros do STJ e da representa\u00e7\u00e3o da OAB, jamais tive d\u00favidas acerca da lisura do equipamento experimentado pela primeira vez nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 1996. Como se fosse um mantra unificado \u2013 e n\u00e3o era \u2013 todos os magistrados que presidiram ou passaram pelo TSE tinham o mesmo discurso: o voto dado ser\u00e1 op voto contabilizado. E diziam isso porque sabiam que n\u00e3o teriam de negar nada logo \u00e0 frente. E nunca tiveram. Ou seja, contra os fatos os argumentos sempre foram p\u00edfios, sem embasamento e sem firmeza. Como s\u00e3o at\u00e9 hoje. Depois de meses de frustradas tentativas de desacreditar o processo eleitoral, a guerra surda protagonizada pelo presidente da Rep\u00fablica chegou ao fim sem a necessidade de uma crise mais aguda.<\/p>\n<p>As vozes do povo e da sensatez falaram mais alto e o Congresso sepultou de vez o sonho maluco de recuperar o retr\u00f3grado voto impresso. O pa\u00eds e os eleitores foram os grandes vencedores do imbr\u00f3glio criado unicamente para tumultuar antecipadamente um pleito que pode ser vencido por qualquer um, menos por ele. Faltam-lhe votos suficientes para continuidade das perversidades pol\u00edticas que assistimos diariamente faz dois anos e oito meses. A confus\u00e3o gerada a partir do Pal\u00e1cio do Planalto n\u00e3o ficou sem respostas. A cada estocada, o presidente do TSE, ministro Luiz Roberto Barroso, mostrava ao Brasil e ao mundo quem estava errado. Come\u00e7ou a ganhar definitivamente a contenda quando, com sua voz pausada e tranquila, disse que haveria elei\u00e7\u00e3o e sem o voto impresso.<\/p>\n<p>Lembrou a coragem de outro &#8220;her\u00f3i&#8221; da Justi\u00e7a Eleitoral contra bravatas extempor\u00e2neas. Nelson de Azevedo Jobim presidiu o tribunal entre 2001 e 2003. A mem\u00f3ria jobiniana era t\u00e3o pr\u00f3diga como sua rapidez na solu\u00e7\u00e3o de imbr\u00f3glios eleitorais. Dois deles s\u00e3o memor\u00e1veis e envolviam um candidato a deputado federal e outro estadual. Em Viseu do Par\u00e1, munic\u00edpio com pouco mais de 55 mil habitantes, o concorrente \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados era um padre. Ele recorreu ao TRE do Par\u00e1 afirmando ser bastante conhecido na cidade, mas que s\u00f3 havia recebido um voto, apesar da massiva propaganda de base. O caso chamou aten\u00e7\u00e3o do ministro pelo inusitado. Fomos \u00e0 cidade. Jobim e Paulo Camar\u00e3o, um dos mentores do sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o, mataram a charada em poucos segundos. Iniciado o processo de checagem na sede do tribunal local, chegamos ao candidato, que havia feito a campanha nas ruas de cal\u00e7a jeans, manga de camisa e uma razo\u00e1vel barba.<\/p>\n<p>Na urna eletr\u00f4nica havia colocado uma foto colorida, de terno, cabelo aparado e sem barba. Resumindo, nem os familiares e amigos mais pr\u00f3ximos o reconheceram. N\u00e3o adiantaram as rezas, perdeu a elei\u00e7\u00e3o porque preferiu se apresentar cheiroso aos eleitores. No mesmo pleito, outra situa\u00e7\u00e3o muito parecida. Um candidato a deputado estadual da cidade paulista de Bor\u00e1, ent\u00e3o o menor col\u00e9gio eleitoral do pa\u00eds (algo como 830 eleitores), representou protestando contra a lisura e inviolabilidade da urna. Grav\u00edssima, a den\u00fancia dava conta de que uma mesma pessoa, com a mesma filia\u00e7\u00e3o e endere\u00e7o, teria votado tr\u00eas vezes em uma das duas se\u00e7\u00f5es eleitorais do munic\u00edpio. Nova viagem e, mais uma vez, rapidez na solu\u00e7\u00e3o. O CPF mostrou a resposta. Eram tr\u00eas irm\u00e3s de um pai desavisado ou maluco. Elas tinham nomes e sobrenomes id\u00eanticos, com a ressalva do acento. Maria, M\u00e1ria e Mari\u00e1.<\/p>\n<p>Novamente Jobim salvou a engenhoca criada pelo f\u00edsico nuclear Paulo Camar\u00e3o e bancada pelo ministro Carlos Velloso. Desde as primeiras investidas do mandat\u00e1rio do pa\u00eds, Luiz Roberto Barroso deixou bem claro que o voto impresso seria um risco para o processo. Com todas as letras, disse que a ado\u00e7\u00e3o do monstrengo, al\u00e9m de n\u00e3o conferir elemento extra para auditoria das elei\u00e7\u00f5es, causaria uma confus\u00e3o infernal, com discurso generalizado de fraudes e judicilaiza\u00e7\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o. Com a tranquilidade de sempre, contribuiu para livrar o pa\u00eds do populismo extremista, autorit\u00e1rio e golpista. Com uma canetada, Barroso selou a paz com o Planalto. Criou uma tal comiss\u00e3o de transpar\u00eancia das elei\u00e7\u00f5es, incluindo um representante das For\u00e7as Armadas. Esta semana, o presidente da Rep\u00fablica pediu tranquilidade ao povo brasileiro, afirmando que haver\u00e1 elei\u00e7\u00e3o e que ele n\u00e3o ir\u00e1 melar o processo.<\/p>\n<p>Mesmo carregando um pote at\u00e9 aqui de m\u00e1goa, assegurou que, com as For\u00e7as Armadas participando, n\u00e3o tem porque duvidar do voto eletr\u00f4nico. Enquanto avalio para dar cr\u00e9dito ou n\u00e3o ao que lei, penso no que houve nesses dois \u00faltimos meses. Ele se conscientizou da derrota? Percebeu que n\u00e3o tem a for\u00e7a que imaginava ter? Foi definitivamente emparedado? Ou quer voltar a ser amigo de inf\u00e2ncia de Barroso? Tudo bem. Bem vindo \u00e0 sociedade madura, ordeira e democrata. O problema \u00e9 que o &#8220;her\u00f3i&#8221; das elei\u00e7\u00f5es de 2022 fala mais alto, ruge se necess\u00e1rio, n\u00e3o tem papas na l\u00edngua e nenhum fio de cabelo para perder. A pron\u00fancia de seu nome assusta os alicerces das bases bolsonaristas. Ex-promotor de Justi\u00e7a, seu nome \u00e9 Xand\u00e3o, alcunhado pelos defensores do ex-deputado Roberto Jefferson de o Malvad\u00e3o do Jardim Europa. \u00c9 dele a tarefa de manter viva a hist\u00f3ria de uma inven\u00e7\u00e3o brasileira que deu certo. Ao povo do tumulto, um recado: corram que Xand\u00e3o est\u00e1 chegando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para todo fim existe um meio. Depois de 25 anos de comprovado \u00eaxito interno e externo, uma grande sacada tecnol\u00f3gica brasileira acabou no olho de um furac\u00e3o criado para esconder o fracasso de uma gest\u00e3o. Era o meio para tentar um pleito sabidamente perdido. 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