{"id":270693,"date":"2021-09-27T18:32:06","date_gmt":"2021-09-27T21:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=270693"},"modified":"2021-09-27T18:48:29","modified_gmt":"2021-09-27T21:48:29","slug":"metade-de-favelado-perdeu-emprego-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/metade-de-favelado-perdeu-emprego-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Metade de favelado perdeu emprego na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo durante a pandemia de covid-19, os moradores de favelas do Rio de Janeiro conviveram com tiros, opera\u00e7\u00f5es policiais e falta de acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade. A falta de \u00e1gua fez parte da rotina de 37% desta popula\u00e7\u00e3o e 63% ficaram sem \u00e1gua em algum momento da pandemia. Apenas 26% possuem emprego com carteira assinada e 54% perderam o emprego no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o da pesquisa Coronav\u00edrus nas favelas: a desigualdade e o racismo sem m\u00e1scaras, lan\u00e7ada nesta segunda (27) e que traz como subt\u00edtulo \u201cUma an\u00e1lise favelada sobre como a pandemia amplificou o hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na Cidade de Deus, no Complexo do Alem\u00e3o e no Complexo da Mar\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado pelo coletivo Movimentos, formado por jovens de diferentes favelas da cidade, com apoio do Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (CESeC). O levantamento mostrou os impactos da covid-19 nos moradores dessas favelas nas quest\u00f5es socioecon\u00f4mica, viol\u00eancia, acesso \u00e0 sa\u00fade e sa\u00fade mental. O relat\u00f3rio completo est\u00e1 dispon\u00edvel na p\u00e1gina do coletivo.<\/p>\n<p>Covid-19<br \/>\nO relat\u00f3rio aponta que o desest\u00edmulo \u00e0s medidas preventivas por parte do presidente da rep\u00fablica, a falta de coordena\u00e7\u00e3o da crise a n\u00edvel federal e o atraso para come\u00e7ar a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra o Sars-CoV-2 amplificaram os efeitos nocivos da pandemia nas favelas. Para o coordenador do Movimentos Ricardo Fernandes, morador de Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi mais grave devido \u00e0s redes de solidariedade que ser formaram nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de construir uma potente rede solid\u00e1ria para suprir a aus\u00eancia do Estado, os jovens das favelas discutem impactos da pol\u00edtica de drogas em seu cotidiano, e produzem dados para que a sociedade conhe\u00e7a a realidade que vivemos sob a perspectiva de quem nasce, cresce e mora nesses lugares, que s\u00e3o alvo de v\u00e1rias viol\u00eancias do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio revela que a m\u00e9dia de pessoas por c\u00f4modo das casas das favelas \u00e9 de 3 moradores, o que amplia a possibilidade de cont\u00e1gio dentro das resid\u00eancias e dificulta o isolamento social. Al\u00e9m disso, 54% n\u00e3o conseguiram fazer isolamento, principalmente pela necessidade de sair para trabalhar, o que foi relatado por 55% dos respondentes.<\/p>\n<p>Sobre a covid-19, 55% afirmaram morar com pessoas pertencentes a grupos de risco; 93% conhecem algu\u00e9m que teve covid-19; 73% souberam de algu\u00e9m que morreu da doen\u00e7a; 24% fizeram o teste para detectar a covid-19, sendo que entre os que tiveram sintomas, apenas 45% conseguiram fazer um teste.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 37% dos que precisaram de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica n\u00e3o conseguiram atendimento em equipamento p\u00fablico de sa\u00fade e 14% dos que precisaram de atendimento m\u00e9dico recorreram \u00e0 rede particular de sa\u00fade. Desse total, 40% das pessoas afirmaram ter consumido algum tipo de rem\u00e9dio por conta pr\u00f3pria e apenas 4% disseram ter usado ivermectina e hidroxicloroquina como tratamento precoce \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia<\/strong><br \/>\nA pesquisa aponta que a pol\u00edtica de drogas \u00e9 utilizada para justificar a invas\u00e3o cotidiana e violenta feita nas favelas. A coordenadora do Movimentos MC Martina, moradora do Complexo do Alem\u00e3o, na zona norte da cidade, lembra que cotidianamente essa popula\u00e7\u00e3o sofre viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e tem seu direito de ir e vir cerceados.<\/p>\n<p>\u201cExiste, j\u00e1 h\u00e1 muito tempo, um genoc\u00eddio em curso contra a popula\u00e7\u00e3o favelada no Brasil. Mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo opera\u00e7\u00f5es policiais em favela durante a pandemia, vimos o que aconteceu em Jacarezinho: um verdadeiro massacre ao povo preto e pobre\u201d.<\/p>\n<p>Desde junho de 2020, as opera\u00e7\u00f5es policiais nas favelas do Rio de Janeiro devem ocorrer apenas em ocasi\u00f5es excepcionais e precisam ser comunicadas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro (MPRJ), em raz\u00e3o da A\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impediu que elas continuassem ocorrendo nas favelas do estado, inclusive com muita viol\u00eancia, como a do Jacarezinho, em 6 de maio, que resultou em 28 mortos, sendo um policial. De acordo com levantamento do MPRJ, entre 14 de junho do ano passado e 20 de setembro desde ano, ocorreram 663 opera\u00e7\u00f5es em favelas do estado, principalmente na Regi\u00e3o Metropolitana e na Baixada Fluminense.<\/p>\n<p>De acordo com a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Militar, as opera\u00e7\u00f5es realizadas pela Corpora\u00e7\u00e3o est\u00e3o \u201crigorosamente alinhadas ao que preconiza a ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal (STF)\u201d. \u201cAl\u00e9m de ser comunicado previamente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual recebe relat\u00f3rios sobre os resultados das opera\u00e7\u00f5es, como pode acompanh\u00e1-las em tempo real por meio de um aplicativo desenvolvido com essa finalidade\u201d, informa a secretaria.<\/p>\n<p>A pesquisa divulgada hoje aponta que 83% das pessoas que responderam a pesquisa ouviram tiros de suas casas durante a pandemia; 69% presenciaram ou tomado conhecimento de opera\u00e7\u00f5es policiais na favela em que vivem; 73,8% sentem que houve aumento de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, com 40% tendo presenciado algum epis\u00f3dio; 47% sofreram algum epis\u00f3dio de racismo ou discrimina\u00e7\u00e3o na vida e 16% sofreram racismo durante a pandemia;<\/p>\n<p><strong>Racismo e adoecimento mental<\/strong><br \/>\nOs dados apontam a rela\u00e7\u00e3o entre o racismo sofrido e o adoecimento mental, j\u00e1 que 63% das pessoas que sofreram racismo na pandemia desenvolveram algum n\u00edvel de depress\u00e3o e 82% expressaram o desejo de experimentar novas subst\u00e2ncias psicoativas. Entre as subst\u00e2ncias, o \u00e1lcool foi o mais citado por 45% das respostas pessoas, seguido por rem\u00e9dios de venda controlada (19%), cigarro (18%), inalantes psicotr\u00f3picos (16%) e maconha (12%).<\/p>\n<p>Outro coordenador do Movimentos, Arist\u00eanio Gomes, morador do Complexo da Mar\u00e9, na zona norte, afirma que o racismo estrutural e a desigualdade social do pa\u00eds se refletem tamb\u00e9m nas v\u00edtimas da pandemia no Brasil. \u201cA pesquisa mostra que as v\u00edtimas da covid-19 s\u00e3o, majoritariamente, pessoas pretas, pobres e perif\u00e9ricas\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de sa\u00fade mental dos moradores das favelas, a pesquisa revelou que 76% dos respondentes tiveram algum dist\u00farbio do sono; 43,1% tiveram algum n\u00edvel de depress\u00e3o; e 34% v\u00eaem a ansiedade como um sentimento mais presente na pandemia. Tamb\u00e9m foram citados tristeza, medo, p\u00e2nico, pensamentos negativos, dores, depress\u00e3o e palpita\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas<\/strong><br \/>\nO estudo apontou que, no Brasil, pessoas de baixa escolaridade t\u00eam taxas de mortalidade tr\u00eas vezes maiores (71,3%) do que das pessoas com n\u00edvel superior (22,5%). Nas favelas analisadas na pesquisa, apenas 16% dos participantes disseram ter ensino superior. Sobre o desemprego, a situa\u00e7\u00e3o foi relatada por 26,8% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o branca e 30% est\u00e3o em trabalhos informais.<\/p>\n<p>Entre os respondentes, 62% solicitaram o aux\u00edlio emergencial oferecido pelo governo federal, mas apenas 52% receberam o benef\u00edcio; 50% solicitaram doa\u00e7\u00f5es e, dentre esses, 56% receberam ajuda; 36% das pessoas ajudaram arrecadando ou fazendo doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisa continha 55 perguntas, divididas em cinco eixos tem\u00e1ticos. As respostas foram colhidas por meio de formul\u00e1rio on-line e foram contabilizados 955 participantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo durante a pandemia de covid-19, os moradores de favelas do Rio de Janeiro conviveram com tiros, opera\u00e7\u00f5es policiais e falta de acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade. 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