{"id":270845,"date":"2021-09-29T07:47:54","date_gmt":"2021-09-29T10:47:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=270845"},"modified":"2021-09-29T12:34:19","modified_gmt":"2021-09-29T15:34:19","slug":"minas-rio-e-amazonas-sao-ovelhas-negras-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/minas-rio-e-amazonas-sao-ovelhas-negras-ambientais\/","title":{"rendered":"Minas, Rio e Amazonas s\u00e3o ovelhas negras ambientais"},"content":{"rendered":"<p>Os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro tendem a ter um aumento nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nos pr\u00f3ximos anos, caso n\u00e3o sejam adotadas a\u00e7\u00f5es para reduzir esse tipo de emiss\u00e3o, como a ado\u00e7\u00e3o de uma economia carbono neutro. J\u00e1 o estado do Amazonas tende a reduzir a emiss\u00e3o de GEE. As tend\u00eancias tomam como base o ano de 2005, que \u00e9 utilizado como refer\u00eancia para a Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC, do nome em ingl\u00eas) do Brasil ao Acordo de Paris.<\/p>\n<p>Os dados fazem parte do Relat\u00f3rio final do Projeto Icat Brasil, do Centro Brasil no Clima (CBC). Os resultados do projeto mostram que a tend\u00eancia atual nos tr\u00eas estados \u00e9 de que as emiss\u00f5es continuem crescendo, distanciando o pa\u00eds do alcance das metas da NDC. Por outro lado, a ado\u00e7\u00e3o de novas a\u00e7\u00f5es para reduzir as emiss\u00f5es de GEE pode melhorar esse cen\u00e1rio, mas \u00e9 necess\u00e1rio ainda um esfor\u00e7o adicional, principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A escolha dos tr\u00eas estados considerou o perfil de emiss\u00f5es. No Amazonas, as emiss\u00f5es de GEE s\u00e3o decorrentes do setor denominado Afolu, que engloba agricultura, florestas e outros usos do solo, que englobam emiss\u00f5es associadas ao desmatamento. J\u00e1 Minas Gerais tem perfil de emiss\u00f5es associado \u00e0 predomin\u00e2ncia da agricultura, com participa\u00e7\u00e3o importante de ind\u00fastria e energia, enquanto no estado do Rio de Janeiro, o perfil \u00e9 dominado pelo setor de energia. Esse conjunto de estados \u00e9 representativo para as demais unidades da Federa\u00e7\u00e3o, para os objetivos do projeto ICAT.<\/p>\n<p>Em Minas, o relat\u00f3rio aponta que o crescimento esperado das emiss\u00f5es brutas de GEE \u00e9 de 18%, enquanto no Rio a proje\u00e7\u00e3o aponta para expans\u00e3o de 33%, ambos em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de 2005, mesmo com a\u00e7\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. O Amazonas, por sua vez, apresentou cen\u00e1rio positivo caso sejam adotadas a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o adicionais, especialmente nos setores de Afolu e ind\u00fastria. Os resultados mostram que o estado tem potencial de redu\u00e7\u00e3o de 233% nas emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de 2005.<\/p>\n<p>O Projeto ICAT Brasil foi iniciado em 2018 com apoio t\u00e9cnico do Centro Clima, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ). O objetivo da iniciativa \u00e9 desenvolver estrat\u00e9gias para que os estados possam auxiliar o pa\u00eds a alcan\u00e7ar as metas da NDC, bem como estabelecer indicadores para monitorar as trajet\u00f3rias de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Desmatamento<\/strong><br \/>\nO coordenador de Projetos do CBC Guilherme Lima afirmou que se forem adotadas medidas adicionais de mitiga\u00e7\u00e3o para reduzir as emiss\u00f5es, Rio de Janeiro e Minas Gerais ainda teriam um aumento, s\u00f3 que menor, enquanto o Amazonas conseguiria reduzir bastante as emiss\u00f5es. \u201cO Amazonas tem um grande potencial de reduzir as emiss\u00f5es, justamente por causa do perfil do estado, que tem as emiss\u00f5es muito ligadas ao desmatamento\u201d. Lima observou, por outro lado, que o quadro de diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es depende tamb\u00e9m do contexto pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Lima lembrou que, a partir de 2005, quando as emiss\u00f5es estavam atingindo um pico, foram adotadas pol\u00edticas para conter o desmatamento e isso possibilitou redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel nas emiss\u00f5es associadas a esse setor. Desde 2015, entretanto, ocorreu uma revers\u00e3o do cen\u00e1rio, com aumento de emiss\u00f5es. Ele explicou que as emiss\u00f5es associadas ao desmatamento est\u00e3o um pouco descoladas do contexto econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Durante a pandemia de covid-19, muitos pa\u00edses tiveram redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es porque a atividade econ\u00f4mica se retraiu um pouco, enquanto no Brasil elas continuaram aumentando, porque a din\u00e2mica do desmatamento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o atrelada \u00e0 atividade econ\u00f4mica e ao Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e servi\u00e7os produzidos) do pa\u00eds, disse Lima. \u201cDepende muito do contexto pol\u00edtico e da vontade pol\u00edtica de mover a\u00e7\u00f5es para poder conter esse cen\u00e1rio, no qual os estados est\u00e3o adotando a dianteira, no momento\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observat\u00f3rio do Clima, para o ano de 2019, o Amazonas ocupa a terceira coloca\u00e7\u00e3o no ranking de emiss\u00f5es de GEE no Brasil, com Minas Gerais no quinto lugar e o Rio de Janeiro na d\u00e9cima primeira posi\u00e7\u00e3o. Guilherme Lima salientou que o projeto visa que as avalia\u00e7\u00f5es feitas para esses tr\u00eas estados sirvam de refer\u00eancia para que os demais possam avaliar seus cen\u00e1rios de forma semelhante e identificar quais indicadores necessitam para acompanhar suas emiss\u00f5es ao longo do tempo, bem como as a\u00e7\u00f5es que adotam.<\/p>\n<p><strong>Ambi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nLima reiterou que as a\u00e7\u00f5es devem ser cada vez mais ambiciosas, como apontou o \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), divulgado em agosto deste ano. \u201cOs efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas demonstraram que \u00e9 preciso que se adotem a\u00e7\u00f5es cada vez mais ambiciosas para reduzir as emiss\u00f5es. N\u00e3o tem um prazo. Precisa ser feito j\u00e1, neste momento\u201d, assegurou o coordenador de Projetos do CBC.<\/p>\n<p>Lima ressaltou a import\u00e2ncia do estudo para os estados brasileiros, que est\u00e3o assumindo a dianteira na agenda clim\u00e1tica nacional. \u201cEst\u00e3o tendo uma maior proemin\u00eancia dentro desse cen\u00e1rio e buscando estabelecer parcerias e implementar a\u00e7\u00f5es para reduzir as emiss\u00f5es\u201d. Destacou que para isso, eles precisam receber financiamentos, muitas vezes de organismos internacionais. Nesse contexto, \u00e9 importante que os estados possam mostrar resultados que est\u00e3o sendo alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que a gente tenha uma organiza\u00e7\u00e3o institucional que possa mostrar como os recursos est\u00e3o sendo aplicados e como est\u00e3o sendo atingidos os resultados por meio dos indicadores de MRV (monitoramento, recorte e verifica\u00e7\u00e3o)\u201d. Segundo Lima, isso \u00e9 fundamental para que os estados possam verificar se est\u00e3o no caminho certo e reportar isso para os financiadores.<\/p>\n<p>O coordenador citou, como exemplo, o Fundo Estadual de Meio Ambiente, que alguns estados j\u00e1 est\u00e3o criando, como estrutura institucional que pode oferecer o arcabou\u00e7o para fazer esse monitoramento, estabelecer diretrizes para o uso dos recursos, tipos de a\u00e7\u00f5es que podem ser implementadas. O pr\u00f3prio movimento dos Governadores pelo Clima, que busca juntar os estados brasileiros para implementar as a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, est\u00e1 procurando montar esse arcabou\u00e7o em n\u00edvel nacional para que as unidades federativas possam ter, em conjunto, um portf\u00f3lio de projetos que sejam submetidos a financiamento nas a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em suas regi\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro tendem a ter um aumento nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nos pr\u00f3ximos anos, caso n\u00e3o sejam adotadas a\u00e7\u00f5es para reduzir esse tipo de emiss\u00e3o, como a ado\u00e7\u00e3o de uma economia carbono neutro. J\u00e1 o estado do Amazonas tende a reduzir a emiss\u00e3o de GEE. 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