{"id":271142,"date":"2021-10-01T12:11:49","date_gmt":"2021-10-01T15:11:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=271142"},"modified":"2021-10-01T12:13:52","modified_gmt":"2021-10-01T15:13:52","slug":"maioria-dos-bolsonaristas-perde-encanto-e-ja-comeca-a-virar-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maioria-dos-bolsonaristas-perde-encanto-e-ja-comeca-a-virar-la\/","title":{"rendered":"Maioria dos bolsonaristas perde encanto e j\u00e1 come\u00e7a a virar l\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s longos anos na cobertura pol\u00edtica do Brasil a partir de Bras\u00edlia, aprendi a conviver diariamente \u2013 \u00e0s vezes \u00e0 noite \u2013 com pessoas e grupos despreparados, dissimulados, sonsos, fingidos, manhosos, arrogantes, pedantes, maliciosos, enganadores, astutos, hip\u00f3critas, mentirosos, falsos, camuflados e populistas. Alguns \u2013 realmente alguns \u2013 s\u00e9rios demais, consequentemente fora da curva tra\u00e7ada pelos demais. Todos \u2013 ou a maioria \u2013 pol\u00edticos na ess\u00eancia. Alguns mais, outros menos, mas cada um com uma hist\u00f3ria (boa ou ruim) para contar. Mesmo utilizando do princ\u00edpio da isen\u00e7\u00e3o para trabalhar, vez por outra me surpreendia com a eloqu\u00eancia, sagacidade ou intelig\u00eancia de deputados, senadores, ministros de Estado, magistrados ou presidentes da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, n\u00e3o raro ficava surpreso ao perceber os tr\u00eas substantivos na mesma pessoa. Foi assim com Jo\u00e3o Batista Figueiredo, Tancredo Neves, Jos\u00e9 Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Luiz In\u00e1cio, Jarbas Passarinho, Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es, Nelson Jobim, Roberto Cardoso Alves, Ricardo Fi\u00faza e Bernardo Cabral, entre outros menos importantes, embora tamb\u00e9m respeitados. Ainda que n\u00e3o houvesse afinidade ideol\u00f3gica, era prazeroso e f\u00e1cil escrever uma mat\u00e9ria jornal\u00edstica sobre um discurso ou debate envolvendo os citados. Tinha lead, conte\u00fado e, sobretudo, propostas concretas a respeito do projeto em discuss\u00e3o. N\u00e3o me cabe julgar desvios de conduta de um ou de outro.<\/p>\n<p>Se as puni\u00e7\u00f5es ficaram aqu\u00e9m do desejo dos justiceiros, o toma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1, os mensal\u00f5es e as roubalheiras de ocasi\u00e3o n\u00e3o ficaram impunes. Estava no Congresso por ocasi\u00e3o da ascens\u00e3o do ent\u00e3o rec\u00e9m-encostado tenente Jair Bolsonaro. Condenado pelo Ex\u00e9rcito e absolvido pelo Superior Tribunal Militar por 9 votos a 4, foi para a reserva como capit\u00e3o e da\u00ed elegeu-se deputado federal, instalando-se em um acanhado gabinete do Anexo 2 da C\u00e2mara, no fim do corredor das comiss\u00f5es. O ano era 1991. Por absoluta falta de confian\u00e7a nas informa\u00e7\u00f5es, nunca foi fonte de qualquer colega que cobria a C\u00e2mara ou o Senado. N\u00e3o tinha assessoria e, quando queria &#8220;vender&#8221; algum &#8220;fato&#8221;, grosseiramente sorrindo procurava um de n\u00f3s no Comit\u00ea de Imprensa da Casa em busca de algum espa\u00e7o, principalmente nos jornais do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Sempre tinha a aten\u00e7\u00e3o de todos, mas raramente conseguia o que desejava. Quando tinha algo para dizer, as palavras soavam falsas. Faltava verdade, sobrava sarcasmo. Seu forte j\u00e1 era o ataque a colegas, opositores e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. Consolidado como parlamentar, manteve a marca que por pouco, muito pouco, n\u00e3o o alijou do conv\u00edvio com os pares. N\u00e3o acredito que tenha feito amigos entre os congressistas. Talvez parceiros de oportunidade ou companheiros de ocasi\u00e3o. Exatamente como agora na Presid\u00eancia. Apesar dessa trajet\u00f3ria esquisita, tinha votos. Tanto que chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto com 57.797.847 dos sufr\u00e1gios v\u00e1lidos. \u00c9 bem verdade que boa parte deles herdada de eleitores aborrecidos com gest\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o sei se ele (Bolsonaro) disp\u00f5e mais de metade desses votos. Quanto aos aborrecidos, tenho certeza de que hoje a maioria se assume como desencantada com o bolsonarismo. Na pior da hip\u00f3teses, est\u00e3o aperreados, apoquentados ou aporrinhados por conta da frustrada aposta. Tudo isso faz parte do jogo pol\u00edtico. Por falar em jogo, s\u00f3 para lembrar, faz muito anos os amigos vasca\u00ednos escolheram Eurico Miranda como salvador da p\u00e1tria cruzmaltina. Ele enriqueceu, mas, com a mesma rapidez, acabou com o Vasco da Gama, empobreceu o futebol do Rio de Janeiro e criou uma escola maldita que apequenou o esporte em todo o Brasil. Toda similaridade com o presidente da Rep\u00fablica \u00e9 bobagem.<\/p>\n<p>Ineg\u00e1vel que o governo Bolsonaro patina em todos os quesitos: tem p\u00e9ssimos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o, conduz uma economia cada vez mais cambaleante, n\u00e3o tem respostas para nada e enfrenta uma s\u00e9rie de investiga\u00e7\u00f5es judiciais. Lament\u00e1vel registrar, mas foi infeliz at\u00e9 nas mais simpl\u00f3rias promessas. Considerada absurda desde a divulga\u00e7\u00e3o, uma delas tinha a ver com a extin\u00e7\u00e3o da<em> Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC)<\/em>, considerada \u00e0 \u00e9poca como aparelho do PT. S\u00f3 perceberam agora que a empresa \u00e9 a holding de uma das maiores e mais competentes ag\u00eancias de not\u00edcias estatais do mundo. Hoje, tanto o brinquedinho TV quanto a <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em> s\u00e3o usados exatamente como ve\u00edculos de proselitismo pol\u00edtico e promo\u00e7\u00e3o pessoal da galera do cercadinho. Longe da miss\u00e3o constitucional de informar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a EBC transformou-se em difusora de fake news.<\/p>\n<p>Tudo baseado no script do criador que faz algum tempo saiu de cena. Se escondeu em Las Vegas, onde faz bicos de comentarista de boxe. A criatura, no entanto, continua vagando de moto pelas ruas do Brasil, acompanhado de um grupo que ainda v\u00ea na soberba a melhor forma de viver. \u00c9 exatamente esse povo que hoje comanda boa parte do Brasil e se acha mais poderoso do que realmente \u00e9. Deixam pegadas por onde passam, espalhando uma tese muito utilizada por George W. Bush na presid\u00eancia dos Estados Unidos: &#8220;N\u00e3o me considere o chefe. Considere-me apenas um colega de trabalho que tem sempre raz\u00e3o&#8221;. \u00c9 o que acontece por aqui. O presidente raramente acerta, mas jamais est\u00e1 estar\u00e1 errado. Pelo menos \u00e9 assim que o v\u00ea parte da popula\u00e7\u00e3o que ainda o idolatra. A verdade \u00e9 que hoje lhe faltam eleitores, mas sobram f\u00e3s. E f\u00e3s s\u00e3o passageiros. Servem somente para mostrar ao \u00eddolo o qu\u00e3o transit\u00f3rio \u00e9 o poder. Amanh\u00e3, o idolatrado ser\u00e1 outro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s longos anos na cobertura pol\u00edtica do Brasil a partir de Bras\u00edlia, aprendi a conviver diariamente \u2013 \u00e0s vezes \u00e0 noite \u2013 com pessoas e grupos despreparados, dissimulados, sonsos, fingidos, manhosos, arrogantes, pedantes, maliciosos, enganadores, astutos, hip\u00f3critas, mentirosos, falsos, camuflados e populistas. 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