{"id":271425,"date":"2021-10-05T08:03:06","date_gmt":"2021-10-05T11:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=271425"},"modified":"2021-10-05T08:58:45","modified_gmt":"2021-10-05T11:58:45","slug":"falta-de-saneamento-faz-do-brasil-um-hospital-ambulante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/falta-de-saneamento-faz-do-brasil-um-hospital-ambulante\/","title":{"rendered":"Falta de saneamento faz do Brasil um hospital ambulante"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, a falta de saneamento b\u00e1sico sobrecarregou o sistema de sa\u00fade com 273.403 interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em 2019, um aumento de 30 mil hospitaliza\u00e7\u00f5es na compara\u00e7\u00e3o com ano anterior, al\u00e9m de 2.734 mortes. A incid\u00eancia de interna\u00e7\u00f5es foi de 13,01 casos por 10 mil habitantes, o que gerou gastos de R$ 108 milh\u00f5es ao pa\u00eds naquele ano.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o do estudo Saneamento e Doen\u00e7as de Veicula\u00e7\u00e3o H\u00eddrica \u2013 ano base 2019, do Instituto Trata Brasil. O estudo foi feito a partir de dados p\u00fablicos do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Saneamento (SNIS) e o Datasus, portal do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que acompanha os registros de interna\u00e7\u00f5es, \u00f3bitos e outras ocorr\u00eancias relacionadas \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No mesmo ano, a falta de acesso \u00e0 \u00e1gua tratada e ao esgotamento sanit\u00e1rio levaram a 2.734 mortes, uma m\u00e9dia de 7,4 mortes por dia. No Nordeste, as mortes ultrapassaram mil casos; no Sudeste, 907; no Sul, 331; no Norte, foram 214; e, no Centro-Oeste, 213 \u00f3bitos registrados. Entre as doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, est\u00e3o as diarreicas, dengue, leptospirose, esquistossomose e mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do atual desafio de sa\u00fade p\u00fablica no pa\u00eds devido \u00e0 pandemia de covid-19, o Trata Brasil mostra que h\u00e1 ainda o desafio hist\u00f3rico da falta de saneamento b\u00e1sico, que acaba levando pessoas aos hospitais diariamente. Segundo dados de 2019, quase 35 milh\u00f5es de pessoas vivem em locais sem acesso \u00e0 \u00e1gua tratada, 100 milh\u00f5es de pessoas sem acesso \u00e0 coleta de esgoto e somente 49% dos esgotos no pa\u00eds s\u00e3o tratados.<\/p>\n<p>As mais de 273 mil interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica resultaram em um custo de R$ 108 milh\u00f5es ao pa\u00eds em 2019. A regi\u00e3o Nordeste, que em n\u00fameros gerais registrou mais interna\u00e7\u00f5es, teve a maior despesa com esse tipo de interna\u00e7\u00e3o &#8211; R$ 42,9 milh\u00f5es. Na sequ\u00eancia, o Sudeste teve R$ 27,8 milh\u00f5es com gastos desse tipo, contra R$ 15,2 milh\u00f5es do Norte, R$ 11,7 milh\u00f5es do Sul e R$ 10,2 milh\u00f5es do Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Para o Trata Brasil, o estudo destaca a relev\u00e2ncia de se acelerar a agenda do saneamento b\u00e1sico com mais investimentos, para que mais pessoas recebam os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cOs dados deixam claro que qualquer melhoria no acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, coleta e tratamento de esgotos traz grandes ganhos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Por outro lado, o n\u00e3o avan\u00e7o faz perpetuar essas doen\u00e7as e mortes de brasileiros por n\u00e3o contar com a infraestrutura mais elementar. S\u00e3o hospitaliza\u00e7\u00f5es que poderiam estar sendo destinadas a doen\u00e7as mais complexas\u201d, afirmou o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, \u00c9dison Carlos.<\/p>\n<p>Com isso, o instituto afirma que as pessoas seriam mais saud\u00e1veis, e o Brasil trabalharia para cumprir o sexto Objetivo do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, firmado pela ONU, de universalizar o acesso \u00e0 \u00e1gua e aos servi\u00e7os de esgotamento sanit\u00e1rio, al\u00e9m das metas do novo Marco Legal do Saneamento, Lei 14.026 de 2020 que estipula o prazo at\u00e9 2033 para 99% da popula\u00e7\u00e3o ter acesso \u00e0 \u00e1gua tratada e 90% \u00e0 coleta dos esgotos.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00f5es<\/strong><br \/>\nO estudo concluiu que as interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as causadas pela falta de saneamento se distribuem pelo pa\u00eds, refletindo as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias de cada regi\u00e3o, e que a aus\u00eancia dessa infraestrutura \u00e9 mais evidente na Regi\u00e3o Norte. L\u00e1, apenas 12% da popula\u00e7\u00e3o tem coleta de esgotos e houve 42,3 mil interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em 2019. De todo volume de esgoto gerado na regi\u00e3o \u2013 incluindo aquele coletado e o que n\u00e3o \u00e9 coletado \u2013 somente 22% s\u00e3o tratados.<\/p>\n<p>Em seguida, vem o Nordeste, onde somente 28% da popula\u00e7\u00e3o tem coleta de esgotos e o tratamento chega s\u00f3 a 33% do volume total de esgoto gerado. A regi\u00e3o teve o maior n\u00famero de hospitaliza\u00e7\u00f5es, um total de 113,7 mil.<\/p>\n<p>O Sul foi a terceira pior regi\u00e3o no que diz respeito ao saneamento, com 46,3% da popula\u00e7\u00e3o tendo acesso \u00e0 coleta dos esgotos e 47% do esgoto gerado sendo tratado. No Centro-Oeste, 57,7% da popula\u00e7\u00e3o conta com coleta dos esgotos e h\u00e1 56,8% de tratamento do volume de esgoto gerado. Essas duas regi\u00f5es registram 27,7 mil interna\u00e7\u00f5es cada.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Sudeste apresentou os melhores indicadores, com 79,2% da popula\u00e7\u00e3o com coleta de esgotos, com 55,5% do total de esgoto gerado sendo tratado. Na regi\u00e3o, houve 61,7 mil interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica.<\/p>\n<p>Apesar de o Sudeste apresentar n\u00fameros de interna\u00e7\u00e3o maiores que o Norte, ele tem sete vezes mais habitantes. Portanto, para uma compara\u00e7\u00e3o entre bases iguais, o estudo calculou a incid\u00eancia de interna\u00e7\u00f5es por 10 mil habitantes. Com isso, observou-se que os estados do Norte e Nordeste concentram os maiores problemas com rela\u00e7\u00e3o a hospitaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Levando em conta a taxa de incid\u00eancia por 10 mil habitantes, s\u00e3o 22,9 interna\u00e7\u00f5es no Norte; 19,9 no Nordeste; 17,2 no Centro-Oeste; 9,26 no Sul; e 6,99 no Sudeste.<\/p>\n<p>As interna\u00e7\u00f5es desse tipo, de crian\u00e7as de zero a quatro anos, correspondem a 30% do valor total, com 81,9 mil interna\u00e7\u00f5es em 2019, sendo 35,2 mil no Nordeste, 17,6 mil no Norte, 15,6 mil no Sudeste, 6,78 no Sul e 6,7 no Centro-Oeste. No mesmo ano, ocorreram 124 mortes de crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria, sendo 54 delas no Nordeste, seguido do Norte com 41, Sudeste com 14, Centro-Oeste com 12 e o Sul com apenas tr\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Estados<\/strong><br \/>\nEm n\u00fameros absolutos, o Amap\u00e1 aparece como a unidade da Federa\u00e7\u00e3o com menos interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em 2019, com 861, contra 38,2 mil no Maranh\u00e3o, que teve o maior n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es. Ultrapassam a marca de 20 mil interna\u00e7\u00f5es gerais por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica os estados de Bahia (23,3 mil), de Minas Gerais (24,7 mil), S\u00e3o Paulo (26 mil) e do Par\u00e1 (28 mil).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa de interna\u00e7\u00f5es por 10 mil habitantes, o Maranh\u00e3o se mant\u00e9m como o estado com maiores casos, com 54,4 internados a cada 10 mil, seguido de Par\u00e1 com 32,62, e Piau\u00ed com 29,64. O estado do Rio de Janeiro teve a menor taxa de interna\u00e7\u00f5es por 10 mil habitantes, com 2,84, seguido por S\u00e3o Paulo com 5,67 e o Rio Grande do Sul com 7,14.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rie hist\u00f3rica<\/strong><br \/>\nO estudo revelou que, de 2010 a 2019, o pa\u00eds registrou queda nas interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, passando de 603,6 mil para 273,4 mil. No entanto, houve aumento de cerca de 30 mil interna\u00e7\u00f5es de 2018 para 2019.<\/p>\n<p>Segundo avalia\u00e7\u00e3o da entidade, os resultados mostram que, mesmo distante do ideal, a expans\u00e3o do saneamento ao longo dos anos, com a amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de cobertura com \u00e1gua tratada e coleta de esgoto, trouxe ganhos \u00e0 sa\u00fade, permitido a redu\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as e das mortes por veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica. Isso porque, em 2010, 54,6% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha coleta dos esgotos, enquanto nove anos depois, a popula\u00e7\u00e3o sem acesso foi reduzida a 45,9%.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, houve tamb\u00e9m queda no n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as de zero a quatro anos, passando de 200,6 mil em 2010 e para 81,9 mil em 2019.<\/p>\n<p><strong>Dados na pandemia<\/strong><br \/>\nSobre a rela\u00e7\u00e3o entre saneamento e doen\u00e7as em 2020, o Trata Brasil informou que dados preliminares mostram que o pa\u00eds teve 174 mil interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, o que representaria uma redu\u00e7\u00e3o de 35% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. No entanto, a entidade explicou que os dados precisam ser analisados pelas institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, j\u00e1 que a queda pode estar relacionada ao afastamento das pessoas dos hospitais por medo de contamina\u00e7\u00e3o por covid-19.<\/p>\n<p>As mortes por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em 2020 foram estimadas em 1,9 mil, o que tamb\u00e9m representaria uma redu\u00e7\u00e3o entre 30% e 35% na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a falta de saneamento b\u00e1sico sobrecarregou o sistema de sa\u00fade com 273.403 interna\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em 2019, um aumento de 30 mil hospitaliza\u00e7\u00f5es na compara\u00e7\u00e3o com ano anterior, al\u00e9m de 2.734 mortes. 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