{"id":272271,"date":"2021-10-14T08:22:04","date_gmt":"2021-10-14T11:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=272271"},"modified":"2021-10-14T08:22:04","modified_gmt":"2021-10-14T11:22:04","slug":"carnaval-seguro-exige-cobertura-vacinal-de-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/carnaval-seguro-exige-cobertura-vacinal-de-80\/","title":{"rendered":"Carnaval seguro exige cobertura vacinal de 80%"},"content":{"rendered":"<p>Os pesquisadores Hermano Castro, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enviaram proposta ao presidente da Comiss\u00e3o Especial de Carnaval da C\u00e2mara de Vereadores do Rio, Tarc\u00edsio Motta, de indicadores para a realiza\u00e7\u00e3o de um carnaval seguro em 2022. O relat\u00f3rio foi encaminhado tamb\u00e9m \u00e0 Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>De acordo com Motta, o mais importante \u00e9 a quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o e que a cobertura vacinal alcance n\u00fameros significativos, n\u00e3o apenas na capital fluminense. \u201cComo o carnaval \u00e9 um evento que recebe muitos turistas na cidade, \u00e9 preciso que a gente fique com 80% da vacina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no estado e no pa\u00eds\u201d, disse ele. O \u00edndice se refere \u00e0s duas doses completas ou \u00e0 dose \u00fanica.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, o pesquisador Hermano Castro, da Fiocruz, explicou que h\u00e1 necessidade de estabelecer o mesmo percentual para a cidade, o estado e o pa\u00eds, porque o Rio de Janeiro \u00e9 o centro do carnaval no Brasil e recebe muita gente de outras localidades. \u201cO ideal \u00e9 que voc\u00ea tenha atingido a imunidade coletiva de 80%\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Essa imunidade \u00e9 baseada em um c\u00e1lculo que se faz em epidemiologia, que tem a ver com a taxa de contamina\u00e7\u00e3o, a taxa de transmiss\u00e3o da variante Delta, que est\u00e1 de 5 a 9,5. Ou seja, uma pessoa pode passar a covid-19 para outras cinco e at\u00e9 nove. Antes passava para tr\u00eas. \u201c\u00c9 baseado nisso\u201d. Castro avaliou que, com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que at\u00e9 o carnaval, se alcance os 80%. &#8220;O pr\u00f3prio munic\u00edpio do Rio vai atingir esse patamar\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e9dia m\u00f3vel<br \/>\nNo relat\u00f3rio, os pesquisadores definiram outros indicadores para a capital do estado. Um deles \u00e9 a m\u00e9dia m\u00f3vel de atendimentos na rede municipal de sa\u00fade. \u201cO indicador de atendimento na rede de urg\u00eancia e emerg\u00eancia por dia no munic\u00edpio pode ser utilizado por meio do atendimento di\u00e1rio e de sua m\u00e9dia m\u00f3vel de sete dias, computando casos de s\u00edndrome gripal e s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A proposta que est\u00e1 sendo submetida ao comit\u00ea de especialistas da capital fluminense envolve uma m\u00e9dia m\u00f3vel semanal menor que 110 casos, ou o mesmo que 1,63 caso por 100 mil habitantes, com o menor tempo e a menor quantidade de pessoas para garantir o acesso \u00e0s enfermarias e \u00e0s unidades de UTI. O indicativo \u00e9 n\u00e3o haver fila. \u201cA gente colocou um n\u00famero de tr\u00eas pessoas, no m\u00e1ximo, esperando uma hora. O ideal \u00e9 que seja zero, como est\u00e1 atualmente. A fila est\u00e1 zero. N\u00e3o tem ningu\u00e9m esperando. Significa que h\u00e1 poucos casos sendo atendidos na rede municipal\u201d.<\/p>\n<p>Outro indicador \u00e9 a taxa de testes positivos. De cada 100 testes que s\u00e3o coletados e levados para laborat\u00f3rio, a taxa de positividade est\u00e1 menor que 5%. \u201cNa semana passada era 4%. Significa que de cada 100 amostras coletadas na popula\u00e7\u00e3o para diagnosticar covid-19, s\u00f3 quatro vinham positivas. \u00c9 uma taxa boa\u201d, disse Hermano Castro.<\/p>\n<p>A taxa de cont\u00e1gio da cidade, definida como R, que determina o potencial de propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, deve estar abaixo de 1 e, preferencialmente, em torno de 0,5, quando cada vez menos indiv\u00edduos se infectam e o n\u00famero de cont\u00e1gios retrocede. Esse n\u00famero deve ser sustentado por um per\u00edodo m\u00ednimo de sete dias. Segundo Castro, esses indicadores n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de atingir. \u201cEu acho que \u00e9 um esfor\u00e7o governamental importante avan\u00e7ar com as vacinas\u201d.<\/p>\n<p>O presidente da Comiss\u00e3o Especial de Carnaval da C\u00e2mara, Tarc\u00edsio Motta, defendeu que esses s\u00e3o os elementos que devem ser observados para que se tenha um carnaval seguro. \u201c\u00c9 bastante prov\u00e1vel que isso aconte\u00e7a. N\u00f3s estamos com todos esses indicadores melhorando. Se nada de muito ruim acontecer no caminho, podemos ter um carnaval alegre e seguro\u201d. Ele espera que o Comit\u00ea Cient\u00edfico avance em suas an\u00e1lises para que, at\u00e9 o dia 2 de dezembro, o relat\u00f3rio final da comiss\u00e3o possa apresentar suas recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0 prefeitura do Rio. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 acompanhar, fiscalizar e fazer o monitoramento desses \u00edndices\u201d.<\/p>\n<p>Motta refor\u00e7ou que se nada de anormal acontecer de agora at\u00e9 fevereiro de 2022, o carnaval poder\u00e1 ser realizado. &#8220;A nossa quest\u00e3o \u00e9 essa: s\u00f3 poderemos ter carnaval se ele n\u00e3o for um risco para a vida. Ele n\u00e3o ser\u00e1 um risco para a vida se esses indicadores estiverem monitorados. Se for necess\u00e1rio distanciamento e m\u00e1scara, n\u00e3o haver\u00e1 carnaval\u201d.<\/p>\n<p>Orienta\u00e7\u00f5es<br \/>\nOs pesquisadores sugeriram tamb\u00e9m orienta\u00e7\u00f5es protocolares. Para a rede hoteleira, por exemplo, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que antes e durante o carnaval, os hot\u00e9is cobrem dos h\u00f3spedes o passaporte vacinal. \u201cS\u00f3 pode hospedar no hotel, no hostel (albergue) ou no airbnb (hospedagem em resid\u00eancias privadas) se tiver com a carteira de vacina do local de proced\u00eancia, seja de outro pa\u00eds, outro estado ou outro munic\u00edpio fluminense. Isso deve ser uma exig\u00eancia preliminar, para que o hotel possa s\u00f3 admitir hospedagem se tiver com a carteira de vacina\u00e7\u00e3o em dia\u201d.<\/p>\n<p>Hermano Castro lembrou que o relat\u00f3rio busca, realmente, um carnaval seguro. \u201cNessa festa, \u00e9 dif\u00edcil a gente propor uso de m\u00e1scara, a n\u00e3o ser a m\u00e1scara de carnaval, e distanciamento social. S\u00e3o coisas dif\u00edceis\u201d. Ele considera que para haver carnaval e aglomera\u00e7\u00e3o, com pessoas pr\u00f3ximas das outras, sem a m\u00e1scara, \u00e9 necess\u00e1rio ter padr\u00f5es e indicadores bem r\u00edgidos para que o ambiente seja o mais seguro poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O presidente da Comiss\u00e3o de Carnaval da C\u00e2mara, Tarc\u00edsio Motta, sugeriu que, em ambientes fechados, possa haver a cobran\u00e7a do passaporte vacinal. \u00c0 prefeitura, disse que poderiam ser montados estandes de testagem para os foli\u00f5es, com a realiza\u00e7\u00e3o de estudos sobre como o v\u00edrus vai se comportar ao longo do carnaval, para fins de controle.<\/p>\n<p>Audi\u00eancia p\u00fablica<br \/>\nO relat\u00f3rio foi uma resposta dos pesquisadores da Fiocruz e da UFRJ \u00e0 audi\u00eancia p\u00fablica da qual participaram, promovida pelos carnavalescos do Rio e pelas autoridades p\u00fablicas cariocas, visando ao encaminhamento de sugest\u00f5es para o comit\u00ea cient\u00edfico do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Hermano Castro lembrou que antes do carnaval, o Rio de Janeiro ter\u00e1 a experi\u00eancia do r\u00e9veillon. Por isso, acredita que os membros do comit\u00ea j\u00e1 estariam estudando os indicadores e orienta\u00e7\u00f5es propostos no relat\u00f3rio. \u201cTamb\u00e9m o r\u00e9veillon recebe milhares de pessoas de todo o mundo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A cobertura vacinal na cidade do Rio est\u00e1 em quase 60% atualmente. Hermano Castro acredita que j\u00e1 em novembro, atingir\u00e1 65%, chegando em dezembro a 80%. \u201cComo o carnaval \u00e9 em fevereiro, acho que a gente consegue atingir esses indicadores\u201d. No Brasil, a cobertura est\u00e1 mais lenta, da ordem de 46%. Mas, com a primeira dose, o percentual de brasileiros alcan\u00e7a 70%. \u201cContando que todos esses v\u00e3o tomar a segunda dose no Brasil, voc\u00ea j\u00e1 tem hoje 70% vacinados. J\u00e1 est\u00e1 bem perto. O que n\u00e3o pode \u00e9 faltar vacina\u201d. No estado do Rio, a vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais atrasada (em torno de 41%), porque h\u00e1 munic\u00edpios que n\u00e3o vacinaram nem 10% da popula\u00e7\u00e3o ainda. Para Castro, \u00e9 importante pressionar as autoridades para vacinar a popula\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 fundamental\u201d.<\/p>\n<p>Ele lembrou ainda que os indicadores ajudam as autoridades a decidir o que pode e o que n\u00e3o pode ser liberado no carnaval. Se o passaporte vacinal for exigido, por exemplo, reduz o risco de pessoas n\u00e3o vacinadas irem para a cidade, al\u00e9m do risco de transmiss\u00e3o, adoecimento e morte durante o pr\u00f3prio carnaval, embora o impacto disso s\u00f3 seja percebido ap\u00f3s o evento.<\/p>\n<p>Outras medidas<br \/>\nO relat\u00f3rio indica outras medidas a serem tomadas pelas autoridades. Entre elas est\u00e1 a exig\u00eancia do passaporte vacinal em espa\u00e7os fechados, como no Samb\u00f3dromo, clubes, bares e casas de festas, uma forma de prote\u00e7\u00e3o e direito coletivo em sa\u00fade p\u00fablica. Al\u00e9m disso o levantamento sugere controle de fronteiras a\u00e9reas e terrestres, principalmente com a exig\u00eancia da vacina, garantia de trabalho seguro nos barrac\u00f5es para os colaboradores, com a oferta de um projeto de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, onde possa ser oferecida a testagem para os trabalhadores, distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e1scara, distanciamento f\u00edsico e higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os.<\/p>\n<p>O documento sugere tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de mecanismos p\u00fablicos, como um Painel do Carnaval, para o monitoramento dos indicadores ao longo de todo o processo, come\u00e7ando, no m\u00ednimo, 100 dias antes do carnaval, e terminando at\u00e9 30 dias depois a festa. Um sistema de divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dever\u00e1 ser montado para informar as agremia\u00e7\u00f5es e coletivos carnavalescos sobre a seguran\u00e7a sanit\u00e1ria e a viabilidade do carnaval, bem como calcular o impacto sobre a cidade ap\u00f3s o evento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pesquisadores Hermano Castro, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enviaram proposta ao presidente da Comiss\u00e3o Especial de Carnaval da C\u00e2mara de Vereadores do Rio, Tarc\u00edsio Motta, de indicadores para a realiza\u00e7\u00e3o de um carnaval seguro em 2022. 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