{"id":272498,"date":"2021-10-17T00:20:45","date_gmt":"2021-10-17T03:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=272498"},"modified":"2021-10-17T03:25:18","modified_gmt":"2021-10-17T06:25:18","slug":"dia-da-alimentacao-passa-sem-ter-o-que-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dia-da-alimentacao-passa-sem-ter-o-que-comemorar\/","title":{"rendered":"Dia da Alimenta\u00e7\u00e3o passa sem ter o que comemorar"},"content":{"rendered":"<p>O s\u00e1bado (16) marcou, sem motivos de comemora\u00e7\u00e3o, o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o. Organismos internacionais, governos e entidades da sociedade civil est\u00e3o realizando atividades com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o para o desafio de combater a fome e a inseguran\u00e7a alimentar no mundo e em cada pa\u00eds, como o Brasil.<\/p>\n<p>Neste ano, a mobiliza\u00e7\u00e3o teve como tema Melhor Produ\u00e7\u00e3o, Melhor Nutri\u00e7\u00e3o, Melhor Meio Ambiente e Melhor Qualidade de Vida. Esta edi\u00e7\u00e3o da iniciativa levanta a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre as mudan\u00e7as clim\u00e1tica e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, por meio de seu bra\u00e7o para agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), divulgou mensagens lembrando que ainda h\u00e1 mais de 2 bilh\u00f5es de pessoas no mundo que n\u00e3o conseguem ter acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o serve para conscientizar as pessoas sobre a import\u00e2ncia de garantir que todos tenham acesso a alimentos suficientes, seguros, diversificados e nutritivos.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<br \/>\nAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se manifestam de diversas formas, pelo aumento da temperatura da Terra, escassez de \u00e1gua e eventos extremos como enchentes e tempestades de areia, como recentemente registradas em S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Artigo publicado nesta semana na revista Nature por pesquisadores da Alemanha, Estados Unidos e Su\u00ed\u00e7a apontou que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas induzidas por seres humanos j\u00e1 impactaram 80% da \u00e1rea e 85% da popula\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n<p>Em setembro, a entidade de pesquisa brit\u00e2nica Chatham House divulgou relat\u00f3rio alertando que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ser irrevers\u00edveis entre 2040 e 2050 se n\u00e3o houver redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n<p>O tema ser\u00e1 um dos assuntos centrais da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2021 (COP26), que ocorrer\u00e1 entre 31 de outubro e 12 de novembro na cidade de Glasgow, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>Segundo o Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas (WFP, na sigla em ingl\u00eas), a crise clim\u00e1tica ocasionar\u00e1 um aumento exponencial da fome se n\u00e3o houver a\u00e7\u00f5es para proteger as comunidades dos choques clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nNo Brasil, as a\u00e7\u00f5es da mobiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7aram nesta semana. Na quarta-feira (13), foi feita uma proje\u00e7\u00e3o no pr\u00e9dio do Congresso Nacional com imagens de alimentos para marcar o dia e buscar colocar a pauta para as autoridades pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Segundo Rafael Zavala, representante da FAO no Brasil, a pandemia revelou a fragilidade das sociedades, com crise da sa\u00fade, recess\u00e3o econ\u00f4mica, aumento da inseguran\u00e7a alimentar e da desigualdade, atingindo sobretudo as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, como ocorre no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO desafio do Brasil est\u00e1 em mudar a forma como produzimos, como consumimos e como descartamos os alimentos. Estes s\u00e3o tr\u00eas fatores-chave para uma transforma\u00e7\u00e3o efetiva em nossos sistemas agroalimentares, com uma cultura de consumo mais consciente que diminua o pre\u00e7o dos alimentos, al\u00e9m de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e pecu\u00e1rias sustent\u00e1veis que nos permitam atender \u00e0 crescente demanda por alimentos, reduzindo drasticamente o desperd\u00edcio e as perdas globais\u201d, destaca Zavala.<\/p>\n<p>O representante do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Brasil, Daniel Balaban, pontuou que a mudan\u00e7a envolve tratar a alimenta\u00e7\u00e3o como direito b\u00e1sico. \u201cPromover a agricultura familiar, fortalecer programas como os de alimenta\u00e7\u00e3o escolar e estimular a produ\u00e7\u00e3o e o consumo sustent\u00e1veis devem estar entre nossas prioridades. Hoje, mais do que nunca, precisamos unir for\u00e7as para enfrentar os desafios juntos\u201d, coloca.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Coordenador de Amaz\u00f4nia do Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN), Rodrigo Noleto, o modelo agropecu\u00e1rio brasileiro provoca impactos nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com a expans\u00e3o desenfreada da planta\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00f5es de animais, que debilitam o meio ambiente. Seria importante, de acordo com ele, uma valoriza\u00e7\u00e3o maior da agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais, inclusive por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas, como ocorre no Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que comunidades tradicionais forne\u00e7am para as suas pr\u00f3prias comunidades. Isso traz alimentos mais saud\u00e1veis, al\u00e9m de agregar valor e renda para quem produz. \u00c9 v\u00e1lido que os alimentos ultraprocessados parem de ser fornecidos para essas comunidades. Isso diminui o transporte, sem levar alimentos de uma dist\u00e2ncia muito grande. Tudo isso est\u00e1 relacionado com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, analisa Rodrigo Noleto.<\/p>\n<p>Segundo o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 19 milh\u00f5es de brasileiros passaram fome em 2020, e mais da metade das casas (cerca de 116,8 milh\u00f5es de pessoas) vivenciou algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es governamentais<\/strong><br \/>\nO Minist\u00e9rio da Cidadania afirmou que tem atuado para fortalecer os programas sociais e criar uma rede de prote\u00e7\u00e3o para segmentos mais vulner\u00e1veis. Nos programas Bolsa Fam\u00edlia, Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada e Aux\u00edlio Emergencial foram investidos R$ 102,02 bilh\u00f5es em 2020. Em 2021, o aux\u00edlio emergencial teve seu valor reduzido.<\/p>\n<p>Em agosto, o governo federal enviou ao Congresso a Medida Provis\u00f3ria 1.061, que instituiu o programa Aux\u00edlio Brasil, que revoga o Bolsa Fam\u00edlia e cria novos benef\u00edcios. Segundo o Minist\u00e9rio, a proposta ter\u00e1 aumento do n\u00famero de fam\u00edlias atendidas e dos valores, embora esses n\u00fameros ainda n\u00e3o tenham sido divulgados.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o prevista na MP \u00e9 o programa Alimenta Brasil, que reformular\u00e1 o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, por meio do qual o Poder P\u00fablico comprava produtos da agricultura familiar. Ainda conforme a pasta, ser\u00e1 disponibilizado um aux\u00edlio a agricultores em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e pobreza extrema por tr\u00eas anos. O valor do benef\u00edcio n\u00e3o foi informado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O s\u00e1bado (16) marcou, sem motivos de comemora\u00e7\u00e3o, o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o. Organismos internacionais, governos e entidades da sociedade civil est\u00e3o realizando atividades com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o para o desafio de combater a fome e a inseguran\u00e7a alimentar no mundo e em cada pa\u00eds, como o Brasil. 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