{"id":273102,"date":"2021-10-24T09:00:45","date_gmt":"2021-10-24T12:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=273102"},"modified":"2021-10-24T08:59:50","modified_gmt":"2021-10-24T11:59:50","slug":"mar-avanca-cada-vez-mais-e-logo-o-amazonas-podera-ter-bacalhau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mar-avanca-cada-vez-mais-e-logo-o-amazonas-podera-ter-bacalhau\/","title":{"rendered":"Mar avan\u00e7a cada vez mais e logo o Amazonas poder\u00e1 ter bacalhau"},"content":{"rendered":"<p>O mar est\u00e1 pra peixe, e o rio Amazonas, tamb\u00e9m. A diferen\u00e7a \u00e9 que nas \u00e1guas do maior rio do mundo, pescam-se iguarias de \u00e1gua doce e de \u00e1gua salgada, enquanto no Atl\u00e2ntico e alhures, s\u00f3 caem na rede os peixes de \u00e1gua salgada. Mas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 alterando esse quadro. E, pior, h\u00e1 algumas semanas, comunidades que ficam \u00e0 beira do maior rio do mundo est\u00e3o sem \u00e1gua pot\u00e1vel para beber.<\/p>\n<p>Isso acontece com o avan\u00e7o do mar pela foz do rio Amazonas, por onde escoa um quinto da \u00e1gua doce do planeta. O fen\u00f4meno salinizou as \u00e1guas que banham as comunidades do arquip\u00e9lago do Bailique, no Amap\u00e1. Isso \u00e9 comum nessa \u00e9poca do ano, mas vem se intensificando nos \u00faltimos tempos e passou a atingir comunidades que antes n\u00e3o eram impactadas.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, a prefeitura de Macap\u00e1, que responde pelo arquip\u00e9lago, decretou estado de emerg\u00eancia na regi\u00e3o e passou a entregar \u00e1gua pot\u00e1vel e cestas b\u00e1sicas \u00e0s comunidades. Para um pesquisador que estuda o tema, o avan\u00e7o da saliniza\u00e7\u00e3o pode estar ligado ao aumento global do n\u00edvel do mar, um resultado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ele diz que a regi\u00e3o da foz do Amazonas tem passado por grandes transforma\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos. Um exemplo foi a dr\u00e1stica mudan\u00e7a no curso do caudaloso rio Araguari, um vizinho do Amazonas. Desde 2013, o rio deixou de desaguar no Atl\u00e2ntico e virou um afluente do Amazonas, altera\u00e7\u00e3o que pode ter ampliado a saliniza\u00e7\u00e3o no arquip\u00e9lago do Bailique e \u00e9 associada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas (.<\/p>\n<p><strong>Mais peixes de \u00e1gua salgada<\/strong><br \/>\nO arquip\u00e9lago do Bailique tem cerca de 8 mil habitantes, espalhados por oito ilhas, e fica a cerca de 200 quil\u00f4metros da sede de Macap\u00e1. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel acessar a regi\u00e3o por barco. As principais atividades econ\u00f4micas do arquip\u00e9lago s\u00e3o a pesca, a agricultura familiar e o cultivo de a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p>Geov\u00e1 Alves, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Comunidades Tradicionais do Bailique e vice-presidente de uma cooperativa local de produtores de a\u00e7a\u00ed, diz \u00e0 BBC News Brasil que sempre houve saliniza\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o entre os meses de setembro e novembro. Nessa \u00e9poca, em que chove menos, as \u00e1guas do Amazonas costumam baixar, facilitando o avan\u00e7o da mar\u00e9.<\/p>\n<p>Com o retorno das chuvas, a partir de novembro, o fen\u00f4meno perde for\u00e7a, e a \u00e1gua volta a ficar doce. Mas a amea\u00e7a do avan\u00e7o do mar continuam c\u00e9leres. E n\u00e3o ser\u00e1 surpresa se, ao longo do anos, o bacalhau, que nada de bra\u00e7ada l\u00e1 pelos mares da Noruega, fa\u00e7a do Amazonas seu novo habitat.<\/p>\n<p>Alves diz que, no passado, essa saliniza\u00e7\u00e3o sazonal costumava afetar s\u00f3 cerca de 20 das 51 comunidades do Bailique, aquelas que ficavam ao norte do arquip\u00e9lago. De alguns anos para c\u00e1, por\u00e9m, todas as comunidades passaram a ser impactadas, segundo ele.<\/p>\n<p>A principal consequ\u00eancia, diz o morador, \u00e9 a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel para beber e cozinhar, j\u00e1 que o rio \u00e9 a principal fonte h\u00eddrica das fam\u00edlias. &#8220;S\u00e3o comunidades carentes, que n\u00e3o conseguem comprar \u00e1gua mineral&#8221;, afirma. Segundo Alves, um gal\u00e3o de 20 litros de \u00e1gua hoje custa at\u00e9 R$ 25 no arquip\u00e9lago. As comunidades n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua encanada.<\/p>\n<p>Outro efeito da saliniza\u00e7\u00e3o tem sido sentido por pescadores. &#8220;Percebemos uma presen\u00e7a grande de peixes de \u00e1gua salgada, e o afastamento de peixes de \u00e1gua doce e camar\u00e3o&#8221;, afirma Alves.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o tem causado preju\u00edzos aos pescadores, j\u00e1 que peixes de \u00e1gua salgada s\u00e3o valorizados e t\u00eam sido capturados em abund\u00e2ncia. &#8220;Acabou sendo uma vantagem (para os pescadores)&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>J\u00e1 no cultivo do a\u00e7a\u00ed ainda n\u00e3o foram notadas mudan\u00e7as, diz ele, pois os frutos s\u00e3o colhidos no per\u00edodo chuvoso, quando a \u00e1gua j\u00e1 voltou a ser doce.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ainda n\u00e3o sabemos se o solo vai ter algum preju\u00edzo daqui a alguns anos que possa interferir na qualidade ou quantidade da produ\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>A morte da foz do rio Araguari<\/strong><br \/>\nEle diz que muitos moradores do arquip\u00e9lago atribuem a crescente saliniza\u00e7\u00e3o no Amazonas ao assoreamento no vizinho rio Araguari, tema de grande controv\u00e9rsia na regi\u00e3o e uma das maiores transforma\u00e7\u00f5es na paisagem do Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Com cerca de 500 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, o Araguari \u00e9 o maior rio a correr exclusivamente no Amap\u00e1. Ele nasce no Parque Nacional do Tumucumaque e, at\u00e9 2013, desaguava no Atl\u00e2ntico ao norte do arquip\u00e9lago do Bailique, a poucos quil\u00f4metros da foz do Amazonas, ao sul.<\/p>\n<p>Desde 2011, por\u00e9m, formou-se &#8211; espontaneamente, mas provavelmente em consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o humana &#8211; um canal que passou a conectar os dois rios, fazendo com que o Araguari direcionasse parte do seu fluxo para o Amazonas. Esse canal, chamado de Urucurituba, foi engrossando at\u00e9 que, em 2014, passou a absorver praticamente todo o fluxo do Araguari.<\/p>\n<p>Com isso, o Araguari passou a desembocar inteiramente no Amazonas, e n\u00e3o mais no Atl\u00e2ntico. A antiga foz do Araguari secou, tendo sido tomada pela vegeta\u00e7\u00e3o desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Por causa dessa mudan\u00e7a, o fen\u00f4meno da pororoca, pelo qual o Araguari era famoso internacionalmente, deixou de ocorrer. Isso porque a pororoca se forma a partir do choque entre o fluxo do rio e a mar\u00e9, gerando uma onda que avan\u00e7a continente adentro.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 mais contato entre o rio e o mar, as ondas da pororoca deixaram de ocorrer.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia da mudan\u00e7a no curso do Araguari foi a acelerada eros\u00e3o nas \u00e1reas impactadas pelo fluxo do canal Urucurituba. O fen\u00f4meno \u00e9 conhecido localmente como &#8220;terras ca\u00eddas&#8221; e j\u00e1 provocou a destrui\u00e7\u00e3o de centenas de casas no Bailique.<\/p>\n<p><strong>Menor resist\u00eancia frente ao mar<\/strong><br \/>\nGeov\u00e1 Alves diz que a saliniza\u00e7\u00e3o no arquip\u00e9lago se tornou mais intensa a partir da mudan\u00e7a no curso do Araguari. Segundo ele, quando desembocava no mar, o Araguari &#8220;ajudava o Amazonas a empurrar a \u00e1gua salgada para longe&#8221; da costa.<\/p>\n<p>&#8220;Com o assoreamento do Araguari, as correntes que se combinavam perderam um pouco da for\u00e7a, e o mar invadiu onde n\u00e3o havia resist\u00eancia&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>Para Alan Cavalcanti da Cunha, professor de Engenharia Civil da Universidade Federal do Amap\u00e1 (Unifap), a tese faz sentido.<\/p>\n<p>P\u00f3s-doutor em fluxos hidrol\u00f3gicos entre ecossistemas terrestres e aqu\u00e1ticos pela Universidade de Miami (EUA), Cunha estuda o comportamento de rios da regi\u00e3o desde 2004.<\/p>\n<p>Em artigo em 2018 para o peri\u00f3dico cient\u00edfico Science of the Total Environment, Cunha e outros pesquisadores analisaram a mudan\u00e7a no curso do Araguari.<\/p>\n<p>Para os autores, o surgimento do canal de Urucurituba &#8211; que desviou o fluxo do Araguari para o rio Amazonas &#8211; pode estar relacionado a tr\u00eas fatores:<\/p>\n<p><strong>1 &#8211;<\/strong> Din\u00e2micas naturais no estu\u00e1rio do Amazonas, que incluem o deslocamento de grande quantidade de sedimentos e o forte fluxo das \u00e1guas tanto em dire\u00e7\u00e3o ao oceano quanto no sentido contr\u00e1rio, alterando o curso do rios;<\/p>\n<p><strong>2 &#8211;<\/strong> A implanta\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas no alto curso do Araguari.<\/p>\n<p>A primeira usina passou a operar em 1976, e as outras duas, em 2014 e 2017. Segundo os autores, as usinas alteraram a din\u00e2mica do transporte de sedimentos pelo rio, o que pode ter favorecido a abertura do canal de Urucurituba;<\/p>\n<p><strong>3 &#8211;<\/strong> A cria\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos nas margens do rio.<\/p>\n<p>Introduzidos na regi\u00e3o no s\u00e9culo 19, esses pesados animais criam valas ao pisotear frequentemente os mesmos locais. Uma dessas valas pode ter dado origem ao canal Urucurituba &#8211; que, com a for\u00e7a das \u00e1guas, foi se expandindo at\u00e9 alcan\u00e7ar o Amazonas.<\/p>\n<p>Estima-se que haja 202 mil b\u00fafalos na bacia do Araguari, n\u00famero tr\u00eas vezes maior que a popula\u00e7\u00e3o humana local.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, Cunha diz que, quando o Araguari deixou de desaguar no mar, o Amazonas perdeu um aliado que o ajudava a manter a \u00e1gua salgada longe da costa.<\/p>\n<p>Ele aponta ainda outras duas causas para os relatos de crescente saliniza\u00e7\u00e3o no Bailique, ambas associadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 o aumento global no n\u00edvel do mar, provocado pelo degelo das calotas polares. Segundo a Nasa (ag\u00eancia espacial americana), o n\u00edvel m\u00e9dio do mar subiu cerca de 20 cent\u00edmetros entre 1901 e 2018.<\/p>\n<p>Cunha explica que, em todos os estu\u00e1rios (pontos onde o rio se encontra com o mar), h\u00e1 um jogo de for\u00e7as entre o fluxo dos rios e as mar\u00e9s. Quando a mar\u00e9 sobe e o fluxo do rio diminui, a \u00e1gua salgada consegue avan\u00e7ar mais facilmente rio adentro, movimento que se inverte quando a mar\u00e9 baixa e o fluxo do rio aumenta.<\/p>\n<p>Por isso, diz Cunha, o aumento do n\u00edvel dos oceanos tende a alterar esse equil\u00edbrio em favor do mar, fazendo com que a \u00e1gua salgada avance mais facilmente pelos rios.<\/p>\n<p>\u00c9 o que j\u00e1 pode estar ocorrendo na foz do Amazonas, segundo o pesquisador.<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para o aumento da saliniza\u00e7\u00e3o no arquip\u00e9lago do Bailique, segundo ele, \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas na regi\u00e3o, outro efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O calor mais forte amplia a evapora\u00e7\u00e3o, o que por sua vez acelera a circula\u00e7\u00e3o de ar e permite que ventos transportem mais sal que estava nos oceanos para o continente.<\/p>\n<p>Cunha afirma que as mudan\u00e7as em curso na foz do Amazonas precisam ser mais estudadas, especialmente os impactos do avan\u00e7o no n\u00edvel do mar. Segundo ele, a regi\u00e3o \u00e9 extremamente sens\u00edvel a altera\u00e7\u00f5es &#8211; e como seus rios e lagos est\u00e3o conectados, uma mudan\u00e7a num ponto qualquer pode provocar consequ\u00eancias a v\u00e1rios quil\u00f4metros dali.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim deste s\u00e9culo, prev\u00ea-se que o n\u00edvel m\u00e9dio dos oceanos possa subir entre 0,6 m e 1,1 m em rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es pr\u00e9-industriais a depender do ritmo das emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es no arquip\u00e9lago do Bailique jogam luz sobre uma das poss\u00edveis consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para popula\u00e7\u00f5es costeiras. Sabe-se que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar tende a inundar muitas regi\u00f5es litor\u00e2neas, for\u00e7ando suas popula\u00e7\u00f5es a migrar.<\/p>\n<p>Para muitas comunidades em estu\u00e1rios, por\u00e9m, escapar das inunda\u00e7\u00f5es talvez n\u00e3o seja suficiente, pois pode faltar \u00e1gua doce para abastec\u00ea-las.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mar est\u00e1 pra peixe, e o rio Amazonas, tamb\u00e9m. A diferen\u00e7a \u00e9 que nas \u00e1guas do maior rio do mundo, pescam-se iguarias de \u00e1gua doce e de \u00e1gua salgada, enquanto no Atl\u00e2ntico e alhures, s\u00f3 caem na rede os peixes de \u00e1gua salgada. Mas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 alterando esse quadro. 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