{"id":273337,"date":"2021-10-27T13:33:46","date_gmt":"2021-10-27T16:33:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=273337"},"modified":"2021-10-27T15:36:29","modified_gmt":"2021-10-27T18:36:29","slug":"rio-parana-vira-riacho-de-lama-e-liga-alerta-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rio-parana-vira-riacho-de-lama-e-liga-alerta-vermelho\/","title":{"rendered":"Rio Paran\u00e1 vira riacho de lama e liga sinal vermelho"},"content":{"rendered":"<p>Gustavo Alcides D\u00edaz, pescador e ca\u00e7ador argentino de 40 anos e morador de uma ilha margeada por um rio, est\u00e1 em casa na \u00e1gua. Antigamente, o Rio Paran\u00e1 banhava as margens pr\u00f3ximas de sua casa de palafitas de madeira, que ele alcan\u00e7ava de barco. Os peixes lhe davam alimento e renda, e ele destilava a \u00e1gua do rio para beber. Agora, ele contempla um fio de \u00e1gua barrenta.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1, segundo maior rio da Am\u00e9rica do Sul, s\u00f3 atr\u00e1s do Amazonas, atingiu neste ano seu menor n\u00edvel desde a baixa recorde de 1944, afetado por secas c\u00edclicas e chuvas minguantes em sua foz brasileira. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 piora essas tend\u00eancias.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio da hidrovia, que conecta uma parcela enorme do continente, afeta comunidades ribeirinhas como a de D\u00edaz, atrapalha o transporte de gr\u00e3os na Argentina e no Paraguai e contribui para um aumento dos inc\u00eandios florestais, prejudicando sistemas de p\u00e2ntanos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 hist\u00f3rico. Nunca o vi t\u00e3o baixo em toda minha vida&#8221;, disse D\u00edaz em sua casa de Charigue, cerca de 300 quil\u00f4metros acima em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capital Buenos Aires, lamentando o impacto nos estoques de peixe e de \u00e1gua doce. &#8220;Quando tudo seca, a \u00e1gua apodrece.&#8221;<\/p>\n<p>A crise do Paran\u00e1 \u00e9 um dos muitos dramas surgindo em todo o mundo em decorr\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global, ligada \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e \u00e0s emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p><strong>COP26<\/strong><br \/>\nL\u00edderes mundiais devem se reunir na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2021 (COP26) em Glasgow, na Esc\u00f3cia, a partir do pr\u00f3ximo dia 31, em meio a alertas de uma comiss\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre transtornos relacionados ao clima pelas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, sen\u00e3o s\u00e9culos.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 nasce no sul do Brasil, serpenteia por cerca de cerca de 4.880 quil\u00f4metros pelo Paraguai e pela Argentina at\u00e9 chegar ao Oceano Atl\u00e2ntico. Ele \u00e9 uma hidrovia vital para a pesca e as remessas comerciais, fornece \u00e1gua pot\u00e1vel a milh\u00f5es de pessoas, impulsiona hidrel\u00e9tricas e apoia uma biodiversidade rica.<\/p>\n<p>Bilh\u00f5es de d\u00f3lares de commodities agr\u00edcolas, como soja, milho e trigo, s\u00e3o transportadas para portos ao longo do Paran\u00e1 para serem enviadas a todo o mundo. Ele d\u00e1 vaz\u00e3o a cerca de 80% das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da Argentina, mas agora algumas transportadoras est\u00e3o estudando movimentar bens por terra devido aos n\u00edveis de \u00e1gua reduzidos.<\/p>\n<p>Em alguns momentos deste ano, o fluxo do Paran\u00e1 diminuiu para pouco mais da metade de seu volume normal. Imagens de sat\u00e9lite mostram claramente o quanto o rio recuou.<\/p>\n<p>O clima seco, que provoca o decl\u00ednio do rio, se deve em parte a um ciclo natural de longo prazo de padr\u00f5es clim\u00e1ticos, que est\u00e1 sendo agravado pelo aquecimento global, pela queima em p\u00e2ntanos e pela constru\u00e7\u00e3o de represas de hidrel\u00e9tricas &#8211; todos coincidindo com o fen\u00f4meno oceano-atmosf\u00e9rico natural conhecido como La Ni\u00f1a, que diminui os n\u00edveis das chuvas, disse o agr\u00f4nomo e especialista do clima Eduardo Sierra.<\/p>\n<p>O ciclo seco mais abrangente poderia durar d\u00e9cadas, for\u00e7ando um reajuste para comunidades, agricultores e transportadoras, acrescentou.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 um evento que acontece duas vezes a cada s\u00e9culo&#8221;, disse ele, que tamb\u00e9m \u00e9 conselheiro da Bolsa de Gr\u00e3os de Buenos Aires, referindo-se ao decl\u00ednio do rio.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m temos uma causa humana, que \u00e9 o aquecimento global, que est\u00e1 acentuando todas as varia\u00e7\u00f5es do clima&#8221;, afirmou Sierra, observando que a atividade humana, inclusive a constru\u00e7\u00e3o de represas, tamb\u00e9m &#8220;causa impacto na capacidade do rio de se autorregular&#8221;.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1, que significa &#8220;como o mar&#8221; na l\u00edngua tupi-guarani, \u00e9 formado pela converg\u00eancia do Rio Grande e do Parana\u00edba no Brasil. Ele fica repleto de \u00e1gua em estados como Goi\u00e1s, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul antes de sua longa jornada ao estu\u00e1rio do Rio da Prata, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Estas \u00e1reas sofreram decl\u00ednios constantes nos n\u00edveis das chuvas nos \u00faltimos 10 anos, de acordo com uma an\u00e1lise da Reuters de dados clim\u00e1ticos da Refinitiv relativos \u00e0s \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Alcides D\u00edaz, pescador e ca\u00e7ador argentino de 40 anos e morador de uma ilha margeada por um rio, est\u00e1 em casa na \u00e1gua. Antigamente, o Rio Paran\u00e1 banhava as margens pr\u00f3ximas de sua casa de palafitas de madeira, que ele alcan\u00e7ava de barco. 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