{"id":273826,"date":"2021-11-04T10:44:32","date_gmt":"2021-11-04T13:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=273826"},"modified":"2021-11-04T13:46:16","modified_gmt":"2021-11-04T16:46:16","slug":"cufa-pede-reflexao-sobre-potencial-das-comunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cufa-pede-reflexao-sobre-potencial-das-comunidades\/","title":{"rendered":"Cufa pede reflex\u00e3o sobre potencial das comunidades"},"content":{"rendered":"<p>Esta quinta, 4 de novembro, \u00e9 o Dia da Favela. A data marca a primeira vez o termo que apareceu em um documento p\u00fablico, no ano de 1900, quando o delegado da 10\u00ba Circunscri\u00e7\u00e3o e chefe da Pol\u00edcia do Rio de Janeiro, En\u00e9as Galv\u00e3o, se referiu ao Morro da Provid\u00eancia como favela, onde moravam os favelados, como eram chamados os soldados que lutaram na Guerra de Canudos, na Bahia, e ficaram marcados pela planta favela, muito comum no sert\u00e3o nordestino. A associa\u00e7\u00e3o feita na \u00e9poca foi como um lugar sujo e de gente imoral.<\/p>\n<p>O Morro da Provid\u00eancia, no centro do Rio de Janeiro, \u00e9 considerada a primeira favela do Brasil. No munic\u00edpio do Rio de Janeiro, o Dia da Favela \u00e9 lei desde 2006 e, no estado, desde 2019. Na capital paulista, a data entrou para o calend\u00e1rio oficial em 2015.<\/p>\n<p>A presidente nacional da Central \u00danica das Favelas (Cufa), Kalyne Lima, lembra que, mais do que comemora\u00e7\u00e3o, o dia \u00e9 marcado por reflex\u00e3o sobre os problemas enfrentados pelos moradores desses territ\u00f3rios e sobre a pot\u00eancia presente neles.<\/p>\n<p>\u201cA favela \u00e9 um territ\u00f3rio muito f\u00e9rtil de valores. Valores humanos, valores de solidariedade, de uni\u00e3o, e a gente compreende que essa corrente \u00e9 a nossa principal tecnologia social, \u00e9 a nossa principal estrat\u00e9gia de luta, de resist\u00eancia, n\u00e9? Hoje temos essa celebra\u00e7\u00e3o, essa pauta, essa reflex\u00e3o sobre esse territ\u00f3rio que \u00e9 t\u00e3o importante na gera\u00e7\u00e3o da economia desse pa\u00eds. S\u00e3o mais de R$ 119 bilh\u00f5es gerados por essa popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do seu trabalho, do seu esfor\u00e7o e da sua dignidade, atrav\u00e9s de tudo que proporciona para esses territ\u00f3rios e suas fam\u00edlias\u201d diz ela.<\/p>\n<p>De acordo com Kalyne, o Brasil tem hoje mais de 14 milh\u00f5es de pessoas vivendo em favelas. Segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2019 havia 5,1 milh\u00f5es de domic\u00edlios em 13.151 mil aglomerados subnormais no pa\u00eds, localizados em 734 munic\u00edpios, em todos os estados, incluindo o Distrito Federal. Em 2010, havia 3,2 milh\u00f5es de domic\u00edlios em 6.329 aglomerados subnormais, em 323 cidades, segundo o \u00faltimo Censo Demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><br \/>\nKalyne destaca que a pandemia de covid-19 aumentou as desigualdades sociais no pa\u00eds, impactando muito a renda familiar dos moradores de favelas. O que levou a uma grande movimenta\u00e7\u00e3o de solidariedade envolvendo a sociedade civil e o setor privado para dar suporte a essas pessoas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o lugares, obviamente, onde as pessoas n\u00e3o conseguiram, dentro de seus lares, fazer isolamento social. Muitas vezes a estrutura \u00e9 absolutamente inadequada, fam\u00edlias muito numerosas em casebres muito pequenos. Atrav\u00e9s dessas iniciativas a gente tem levado assist\u00eancia \u00e0s fam\u00edlias em 5 mil favelas brasileiras. S\u00f3 em 2021, at\u00e9 o m\u00eas de agosto e setembro, a gente j\u00e1 tinha mobilizado R$ 400 milh\u00f5es, revertidos em ajuda direta para essas fam\u00edlias das mais diferentes formas. Desde o alimento propriamente dito, a cesta b\u00e1sica, distribui\u00e7\u00e3o de renda por meio da cesta digital, onde a m\u00e3e pode ter autonomia de compra, a chips de telefonia com acesso \u00e0 internet, a botij\u00e3o de g\u00e1s, \u00edtens de limpeza, de higiene e de prote\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Agora, com o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico melhorando, ela diz que as favelas passam por um sentimento de recome\u00e7o, mas com muito trabalho pela frente.<\/p>\n<p>\u201cHoje a gente celebra o Dia da Favela tamb\u00e9m com esse sentimento de virada, de al\u00edvio sobre a pandemia, mas compreendendo que as consequ\u00eancias geradas por elas ser\u00e3o enfrentadas por toda a sociedade brasileira durante anos. A gente n\u00e3o consegue mensurar o que \u00e9 reerguer um pa\u00eds que hoje apresenta mais de 50% de sua popula\u00e7\u00e3o enfrentando a inseguran\u00e7a alimentar. \u00c9 um dado muito dram\u00e1tico\u201d, observou.<\/p>\n<p><strong>Atos no Rio de Janeiro<\/strong><br \/>\nA Cufa preparou eventos para marcar o dia 4 de novembro em todo o pa\u00eds. No Rio de Janeiro, haver\u00e1 debates, palestras e show em homenagem ao sambista Arlindo Cruz, em Piedade, com participa\u00e7\u00e3o de Dudu Nobre. No Museu de Arte do Rio (MAR), na Pra\u00e7a Mau\u00e1, foi inaugurada hoje a exposi\u00e7\u00e3o Sua Arte Aproxima com os grafites resultado de um concurso promovido pela Cufa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o programadas atividades no Jacarezinho, Complexo do Alem\u00e3o, Borel e no Morro do Sossego, em Duque de Caxias. O Instituto Data Favela est\u00e1 preparando uma pesquisa sobre as conquistas, transforma\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e repara\u00e7\u00f5es alcan\u00e7adas ou pretendidas por esses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), promoveu pela manh\u00e3 a Marcha das Favelas por Direitos, saindo do Campo de Santana em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Assembleia Legislativa (Alerj).<\/p>\n<p>O movimento comunit\u00e1rio reivindica o fim das Troias, pr\u00e1tica em que a pol\u00edcia utiliza casas de moradores como base para tiros durante opera\u00e7\u00f5es, por meio da aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Kathlen Romeu; a instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras nos uniformes e viaturas policiais; a reabertura dos Restaurantes Populares; a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos da privatiza\u00e7\u00e3o da Cedae em obras de infraestrutura nas favelas fluminenses; o fim do reconhecimento fotogr\u00e1fico; e a continua\u00e7\u00e3o e Divulga\u00e7\u00e3o do Plant\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico para controle externo das opera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p><strong>Mutir\u00e3o social<\/strong><br \/>\nA Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos leva hoje o projeto Social + Presente Edi\u00e7\u00e3o Favela, aos moradores dos complexos da Penha e da Mangueira, ambos na Zona Norte do Rio. A a\u00e7\u00e3o acontece at\u00e9 \u00e0s 15h na Rua Ard\u00edria, na Penha, e na quadra da Escola de Samba da Mangueira.<\/p>\n<p>O projeto oferece servi\u00e7os como isen\u00e7\u00e3o de taxas para documenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, como certid\u00f5es de casamento, nascimento e \u00f3bito, RG e CPF; informa\u00e7\u00f5es sobre benef\u00edcios do INSS; vagas de emprego para o p\u00fablico apenado; atendimento jur\u00eddico, psicol\u00f3gico e de assist\u00eancia social para mulheres e pessoas LGBTQIA+; orienta\u00e7\u00f5es sobre o direito de crian\u00e7as, adolescentes e idosos.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do projeto, em agosto, o Social + Presente atendeu mais de 3 mil pessoas com eventos organizados toda semana, tanto na capital quanto no interior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta quinta, 4 de novembro, \u00e9 o Dia da Favela. 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