{"id":273960,"date":"2021-11-06T11:32:06","date_gmt":"2021-11-06T14:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=273960"},"modified":"2021-11-06T11:33:42","modified_gmt":"2021-11-06T14:33:42","slug":"negocios-com-a-glock-tem-dna-igual-dentro-e-fora-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/negocios-com-a-glock-tem-dna-igual-dentro-e-fora-do-governo\/","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios com a Glock t\u00eam DNA igual dentro e fora do governo"},"content":{"rendered":"<p>Uma das mais renomadas fabricantes de pistolas no mundo, a austr\u00edaca Glock, \u00e9 comandada no Brasil pela irm\u00e3 do atual ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite. Trata-se de Fernanda Pereira Leite, advogada que representou a fam\u00edlia no processo conflituoso de disputa de terras contra ind\u00edgenas Guarani Mbya e \u00d1andeva, em S\u00e3o Paulo. Na diretoria jur\u00eddica da Glock, ela divide a sociedade da empresa com Franco Giaffone, piloto de corrida de autom\u00f3veis que \u00e9 patrocinado pela pr\u00f3pria fabricante de armas.<\/p>\n<p>Fernanda Leite est\u00e1 na Glock desde a d\u00e9cada de 2010: h\u00e1 registros da participa\u00e7\u00e3o da advogada e administradora na empresa ao menos desde 2012. Em 2016, com a sa\u00edda do antigo presidente Luiz Antonio Martins de Freitas Horta \u2014conhecido como Tatai\u2014, ela foi eleita diretora. O mandato inicialmente iria at\u00e9 2017, foi renovado e, hoje, ela permanece na posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Glock vende para o Governo brasileiro desde 2005, quando forneceu armas para a Pol\u00edcia Federal (PF). Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a empresa \u2014 que \u00e9 a queridinha do filho 03 do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) \u2014recebeu mais de 43 milh\u00f5es de reais em pagamentos do Governo federal e, no in\u00edcio de 2020, assinou um contrato de mais de 9 milh\u00f5es de reais com a Pol\u00edcia Federal (PF)<\/p>\n<p>Uma das mais renomadas fabricantes de pistolas no mundo, a austr\u00edaca Glock, \u00e9 comandada no Brasil pela irm\u00e3 do atual ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite. Trata-se de Fernanda Pereira Leite, advogada que representou a fam\u00edlia no processo conflituoso de disputa de terras contra ind\u00edgenas Guarani Mbya e \u00d1andeva, em S\u00e3o Paulo. Na diretoria jur\u00eddica da Glock, ela divide a sociedade da empresa com Franco Giaffone, piloto de corrida de autom\u00f3veis que \u00e9 patrocinado pela pr\u00f3pria fabricante de armas.<\/p>\n<p>Fernanda Leite est\u00e1 na Glock desde a d\u00e9cada de 2010: h\u00e1 registros da participa\u00e7\u00e3o da advogada e administradora na empresa ao menos desde 2012. Em 2016, com a sa\u00edda do antigo presidente Luiz Antonio Martins de Freitas Horta \u2014\u00a0 conhecido como Tatai \u2014 ela foi eleita diretora. O mandato inicialmente iria at\u00e9 2017, foi renovado e, hoje, ela permanece na posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reportagem procurou contato com Fernanda Leite atrav\u00e9s da Glock do Brasil e do escrit\u00f3rio de advocacia em que trabalha, mas n\u00e3o obtivemos resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m enviamos quest\u00f5es ao s\u00f3cio Franco Giaffone.<\/p>\n<p>A Glock vende para o governo brasileiro desde 2005, quando forneceu armas para a Pol\u00edcia Federal (PF). Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a empresa \u2014 que \u00e9 a queridinha do filho 03 do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL\/SP) \u2014 recebeu mais de R$ 43 milh\u00f5es em pagamentos do Governo Federal e, no in\u00edcio de 2020, assinou um contrato de mais de R$ 9 milh\u00f5es com a Pol\u00edcia Federal (PF).<\/p>\n<p>Conforme levantamento da <em>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/em> no portal de compras do Minist\u00e9rio da Economia, todos os \u00faltimos cinco contratos assinados pela Glock com o Governo Federal foram feitos com a PF ou a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF).<\/p>\n<p>O mais recente deles, assinado em janeiro de 2020 com a PF, acordou R$ 9,6 milh\u00f5es para a compra de 5.099 pistolas da Glock para os policiais. Cada pistola custou cerca de R$1,8 mil. O acordo foi firmado com inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contratos com inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o t\u00eam sido uma constante nos acordos firmados pela Glock com o Governo Federal \u2014 e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o. A P\u00fablica j\u00e1 havia mostrado que em 2018, a empresa recebeu mais de R$40 milh\u00f5es na venda de mais de 27 mil pistolas para for\u00e7as de seguran\u00e7a que atuavam na Interven\u00e7\u00e3o Federal no Rio de Janeiro, como as pol\u00edcias Civil e Militar e agentes da Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria (Seap).<\/p>\n<p>A dispensa se baseou num artigo da Lei 8.666 de 1993, que libera compras sem licita\u00e7\u00e3o \u201cnos casos de guerra ou grave perturba\u00e7\u00e3o da ordem\u201d, e foi assinada pelo coronel da reserva Francisco de Assis Reis Fernandes e ratificada pelo ent\u00e3o interventor general Walter Souza Braga Netto, atual ministro da Defesa.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m sem licita\u00e7\u00e3o que a Glock fechou um neg\u00f3cio de quase R$ 1 milh\u00e3o para a venda de mais de 500 pistolas de treinamento para a Academia Nacional de Pol\u00edcia Federal. O contrato foi assinado no final de 2018, j\u00e1 no per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o do governo de transi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro.<\/p>\n<p>No governo de Michel Temer, a empresa tamb\u00e9m assinou um contrato de R$ 18,58 milh\u00f5es com a PRF, igualmente sem licita\u00e7\u00e3o, para a venda de 11,2 mil pistolas. Na \u00e9poca, a inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o foi justificada por se tratar de \u201caquisi\u00e7\u00e3o de materiais, equipamentos, ou g\u00eaneros que s\u00f3 possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo\u201d.<\/p>\n<p>Dos cinco contratos mais recentes firmados pelo governo federal com a Glock, dois deles foram fechados diretamente com Franco Giaffone, no dia 31 de dezembro de 2018, um dia antes de Jair Bolsonaro tomar posse como presidente da Rep\u00fablica. Foram adquiridas 800 pistolas no valor de R$4,6 milh\u00f5es e 20 fuzis por R$838,29 mil destinados aos policiais rodovi\u00e1rios federais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de piloto de corrida e s\u00f3cio da Glock desde 2005, Franco Giaffone tamb\u00e9m atua no ramo de blindados. Ele administra a empresa Israelense no Brasil Plasan e faz parte do conselho consultivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Blindagem (Abralim), entidade que j\u00e1 foi presidida por ele. Sua fam\u00edlia \u00e9 fundadora e dona da G5 Blindagens Especiais, da qual Franco j\u00e1 foi diretor.<\/p>\n<p>A atual s\u00f3cia de Franco na Glock, Fernanda Pereira Leite, tamb\u00e9m trabalhou para a G5. Ela aparece nos registros do Instituto Nacional da Propriedade Industrial como procuradora da empresa, em 2006. A advogada ainda atuou como defensora da G5 em causas judiciais. Em 2011, por exemplo, representou a empresa em a\u00e7\u00e3o no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u2014 j\u00e1 arquivada \u2014 impetrada pela Fazenda do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das vendas para o governo federal, a Glock tem fechado contratos com diversas for\u00e7as policiais do pa\u00eds. Agora, em outubro, a empresa venceu um preg\u00e3o de R$ 783 mil com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O acordo foi firmado com a filial uruguaia da Glock, localizada em Montevideo \u2014 uma transa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 ocorreu outras vezes, desde a \u00e9poca que o diretor da empresa era Luiz Horta, o Tatai. O Uruguai j\u00e1 foi apontado como para\u00edso fiscal, mas essa defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais consenso, sobretudo a partir de 2010, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apenas em 2021 e 2020, a Glock fechou contratos com a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Piau\u00ed, por R$ 410 mil, a Justi\u00e7a Federal do Mato Grosso do Sul, por R$ 50 mil, a Procuradoria-Geral de Justi\u00e7a, por R$ 233 mil, o Tribunal Superior do Trabalho, por R$ 55 mil, dentre outros.<\/p>\n<p>As armas da Glock s\u00e3o as preferidas da fam\u00edlia Bolsonaro para uso pessoal. Em janeiro de 2019, Eduardo Bolsonaro comemorou em suas redes sociais a chegada de sua pistola Glock dourada e camuflada, importada pelo Clube e Escola de Tiro .38, do qual ele \u00e9 membro associado.<\/p>\n<p>\u201cFinalmente chegou minha pistola glock! Uma importa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 ocorre porque sou atirador, s\u00f3cio de um clube de tiro, federado e confederado, o que d\u00e1 mais de R$ 2.000\/ano por baixo. A opera\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o demora em m\u00e9dia quase um ano e uma arma desta custa algo em torno de R$ 10.000, sendo que j\u00e1 vi policial vendendo no Brasil uma glock por R$ 16.000! Nos EUA uma arma dessa vende em qualquer lugar por uns R$ 2.500\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>O parlamentar, que \u00e9 um dos principais ativistas no pa\u00eds pela flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis de posse e porte de armas, voltou a fazer propaganda da marca oito meses depois, ao postar uma foto mostrando uma pistola Glock preta na cintura, em visita ao pai que se recuperava de uma cirurgia de corre\u00e7\u00e3o de h\u00e9rnia na capital paulista.<\/p>\n<p>Segundo o jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, teriam sido ele e o ministro Onyx Lorenzoni os respons\u00e1veis por fazer a ponte entre os representantes do setor de armas e muni\u00e7\u00f5es com os Minist\u00e9rios da Defesa, da Justi\u00e7a, das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e a Casa Civil. S\u00f3 entre janeiro de 2019 e abril de 2020, segundo o ve\u00edculo, foram 73 audi\u00eancias. O representante da Glock, Franco Giaffone, foi um dos contemplados na agenda. Ele passou cinco horas no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a no dia 09 de maio de 2019, conforme noticiou o jornal.<\/p>\n<p>Um estojo da Glock, de guardar a arma, apareceu em foto divulgada pelo vereador Carlos Bolsonaro em janeiro de 2019, quando ele foi visitar o pai que estava internado no hospital Albert Einstein. \u00c0 \u00e9poca, o Pal\u00e1cio do Planalto informou \u00e0 revista Cruso\u00e9 que o equipamento pertencia a Carlos Bolsonaro e que a seguran\u00e7a do presidente \u00e9 feita apenas pelo Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI).<\/p>\n<p>No famoso epis\u00f3dio em que o presidente, ent\u00e3o deputado federal, foi assaltado, em julho de 1995, Jair Bolsonaro tamb\u00e9m estava com uma pistola da marca Glock 38, que foi roubada.<\/p>\n<p>S\u00f3cia da Glock no Brasil, a irm\u00e3 do ministro do meio ambiente, Fernanda Leite, advogou para a fam\u00edlia no processo que busca a posse de uma terra h\u00e1 d\u00e9cadas em disputa com os ind\u00edgenas Guarani Mbya e \u00d1andeva, na TI Jaragu\u00e1, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Novos registros concedidos pelo Ex\u00e9rcito para estabelecimentos comerciais foram de 16 em 2003 para 206 em 2018, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o; maior concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 na Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds<\/p>\n<p>Em 2015, ela e outros advogados entraram com um mandado de seguran\u00e7a contra o Ministro de Estado da Justi\u00e7a, questionando um entendimento da Justi\u00e7a de que a terra da fam\u00edlia Pereira Leite havia sido ampliada indevidamente, avan\u00e7ando sobre a \u00e1rea do Parque Estadual Jaragu\u00e1. Anos antes, em 2003, Jos\u00e9 Alvaro Pereira Leite\u00a0 \u2014 av\u00f4 de Fernanda e do ministro do Meio Ambiente \u2014 havia entrado com uma a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse afirmando que ind\u00edgenas haviam invadido sua terra.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio de delimita\u00e7\u00e3o da TI Jaragu\u00e1 da Funai, o conflito com a fam\u00edlia Pereira Leite tem origens na d\u00e9cada de 1980, quando Jos\u00e9 \u00c1lvaro se apresentou como propriet\u00e1rio da \u00e1rea que veio a ser ocupada pelas aldeias Tekoa Pyau e parte da Tekoa Ytu, demarcadas em 1986.<\/p>\n<p>De acordo com o documento, em 1986, o filho Joaquim \u00c1lvaro Pereira Leite Neto \u2014 pai de Fernanda e do ministro do Meio Ambiente \u2014 teria exigido \u00e0 Funai que retirasse os marcos f\u00edsicos da demarca\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena e acusado o \u00f3rg\u00e3o de estar praticando um crime. O relat\u00f3rio ainda afirma que a fam\u00edlia intimidou os Guarani com capatazes, que destru\u00edram uma das casas dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A disputa \u2014\u00a0 e ataques \u2014 teriam se repetido anos depois. O documento menciona que, por volta de 2003, um representante da fam\u00edlia que se apresentou como advogado teria ido \u00e0 terra ind\u00edgena e intimidado os moradores. Os ind\u00edgenas relatam tamb\u00e9m pessoas passando de autom\u00f3vel \u00e0 noite, em alta velocidade, e disparando para o alto. A homologa\u00e7\u00e3o da TI Jaragu\u00e1 ainda n\u00e3o foi conclu\u00edda pelo governo federal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das mais renomadas fabricantes de pistolas no mundo, a austr\u00edaca Glock, \u00e9 comandada no Brasil pela irm\u00e3 do atual ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite. 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