{"id":274056,"date":"2021-11-08T08:32:33","date_gmt":"2021-11-08T11:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274056"},"modified":"2021-11-08T08:33:31","modified_gmt":"2021-11-08T11:33:31","slug":"traidor-da-patria-e-da-humanidade-merece-desprezo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/traidor-da-patria-e-da-humanidade-merece-desprezo\/","title":{"rendered":"&#8216;Traidor da p\u00e1tria e da humanidade \u00e9 desprezado&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Paulo Schilling (1925 \u20132012), ga\u00facho, escritor e jornalista brasileiro, ao longo de mais de dois anos (abril de 1964 a junho de 1966) escreveu o que foi, anos depois, editado com o t\u00edtulo \u201cComo se coloca a direita no poder\u201d (Editora Global, SP, 1981, 2 volumes).<\/p>\n<p>Schilling inicia sua narrativa com o momento mais marcante de nossa hist\u00f3ria: os governos Vargas (1930-1945 e 1951-1954). \u201c\u00c9 dif\u00edcil classificar de burguesa uma revolu\u00e7\u00e3o organizada em dois Estados (em tr\u00eas, se incluirmos a Para\u00edba), donde os latifundi\u00e1rios constitu\u00edam o grosso da oligarquia, dirigida contra outra unidade federativa \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 na qual surgia com maior pujan\u00e7a a burguesia industrial\u201d. E, mais adiante, conclui \u201ccomo a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o das classes sociais \u00e9 distinta de pa\u00eds para pa\u00eds, de \u00e9poca para \u00e9poca, qualquer classifica\u00e7\u00e3o das mesmas segundo um modelo preestabelecido resulta falsa\u201d.<\/p>\n<p>Paulo Schilling refletia especialmente sobre as interpreta\u00e7\u00f5es marxistas, quase sempre oriundas de intelectuais do porte do escritor e desembargador, constitucionalista Osny Duarte Pereira (1912-2000). O que diremos, ent\u00e3o, das cr\u00edticas de um blogueiro, autodidata, o astr\u00f3logo jornalista Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (1947) a respeito da pol\u00edtica brasileira?<\/p>\n<p>Doutora pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) \u2013 organiza\u00e7\u00e3o de ensino e pesquisa que, entre outros feitos, se notabilizou pelo desejo, nada mais do que isso, fracassado de impor uma revis\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil, atuando nas \u00e1reas da economia, da sociologia, do direito e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, com objetivo de impor um pensamento dominante, colonizador para o restante do Brasil \u2013 Camila Rocha, em \u201cMenos Marx, Mais Mises\u201d, escreve reportagem de quase 200 p\u00e1ginas, sobre personagens, de vari\u00e1veis participa\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias, que procuraram criar uma organiza\u00e7\u00e3o representativa do neoliberalismo no Brasil.<\/p>\n<p>Como preliminar, gostaria de registrar que n\u00e3o sou marxista nem neoliberal, n\u00e3o sou, jamais fui, filiado a qualquer partido pol\u00edtico. Meu \u00fanico interesse sempre foi o Brasil, e me credencio \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de nacionalista. Tamb\u00e9m considero o trabalho uma necessidade humana e uma exig\u00eancia social, donde poderia me incluir entre os nacionais trabalhistas, mais pr\u00f3ximo das a\u00e7\u00f5es e programas de Get\u00falio Vargas do que os atuais dos filiados ao Partido Democr\u00e1tico Trabalhista.<\/p>\n<p>A primeira aus\u00eancia na reportagem de Camila Rocha \u00e9 exatamente o Brasil. Como se direita e esquerda fossem identifica\u00e7\u00f5es precisas e coerentes com a ocupa\u00e7\u00e3o territorial e a cultura brasileira. Foi uma not\u00e1vel constru\u00e7\u00e3o e devemos antes de tudo lutar pela manuten\u00e7\u00e3o territorial do Brasil. Sempre amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Os mais de oito milh\u00f5es e meio de quil\u00f4metros quadrados s\u00e3o desproporcionalmente ocupados: mais da metade da popula\u00e7\u00e3o (56%) se concentra nas regi\u00f5es sul e sudeste, cujos territ\u00f3rios ocupam 18% do Brasil. Quase a mesma percentagem territorial do nordeste, que tem pouco mais de um quarto da popula\u00e7\u00e3o (27%). Ficando a imensid\u00e3o do norte e centro-oeste (63% do Pa\u00eds) com 17% dos habitantes. S\u00f3 isso j\u00e1 deveria constituir preocupa\u00e7\u00e3o para qualquer dirigente brasileiro, como Get\u00falio Vargas, que incentivou a \u201cmarcha para o oeste\u201d, e Juscelino Kubitschek (JK), construtor de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Longe, muito longe dos adoradores do \u201cmercado\u201d, que, sem pudor, aceitam importar ideias em nada construtoras para o Estado Nacional Brasileiro. Muito ao contr\u00e1rio, entregam \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que s\u00f3 favorece os mais ricos, a decis\u00e3o sobre o Brasil. Imaginar que o mercado \u00e9 um ambiente honesto e justo, onde vence o melhor, \u00e9 garantir o Pr\u00eamio da Melhor Cartinha a Papai Noel deste Natal.<\/p>\n<p>Quando este idealizado mercado ditou as normas? Exatamente quando as finan\u00e7as ditaram a pol\u00edtica? No s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Realmente, nos textos e debates que assisti, com esta \u201cnova\u201d direita, sempre me vinha \u00e0 mente o colonialismo ingl\u00eas: assassino de etnias, eliminando idiomas, impondo at\u00e9 nas \u00e1reas tropicais e equatoriais as vestimentas de seus ambientes frio a temperado. Um imperialismo colonizador que atingia com profundidade as culturas nacionais, como se comprova pelos pa\u00edses que t\u00eam no ingl\u00eas seu idioma oficial.<\/p>\n<p>Se tomarmos a m\u00fasica, express\u00e3o art\u00edstica das mais arraigadas na popula\u00e7\u00e3o brasileira, veremos que os menos habitados centro-oeste e o nordeste tomam as r\u00e1dios e os shows em quase todo Brasil (exceto no Rio Grande do Sul e espa\u00e7os da Amaz\u00f4nia, onde se desenvolveu uma cultura muito localizada). As manifesta\u00e7\u00f5es pela morte da cantora e compositora goiana Mar\u00edlia Dias Mendon\u00e7a (1995 \u2013 5 de novembro de 2021) mostraram a for\u00e7a de uma cultura criada no Brasil, a sofr\u00eancia, gerando inclusive este neologismo.<\/p>\n<p>Curioso que a contradi\u00e7\u00e3o evidente desta direita, descrita por Camila Rocha, em rela\u00e7\u00e3o aos militares, n\u00e3o seja analisada. Ao tempo que pedem a \u201cvolta da ditadura militar\u201d, sofrem a falta de \u201cum Castelo Branco\u201d, a \u201ccomunidade Olavo de Carvalho\u201d manifesta \u201cvontade de ressuscitar os cad\u00e1veres desses generais e sacudir-lhes as ossadas pra perguntar furiosamente: voc\u00eas tem no\u00e7\u00e3o da merda que nos legaram, suas antas sequeladas?\u201d<\/p>\n<p>Arrisco uma interpreta\u00e7\u00e3o. O financismo n\u00e3o \u00e9 apenas um mal econ\u00f4mico. Esta ideologia de mercado, o neoliberalismo financeiro, \u00e9 extraordinariamente prejudicial ao pensamento. Diria que \u00e9 um instrumento para promo\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, o que est\u00e1 na linha do colonialismo ingl\u00eas do s\u00e9culo XIX, que teima em sobreviver.<\/p>\n<p>Duas vertentes se conjugam neste sentido. O definhamento da escola p\u00fablica, asfixiada pelos or\u00e7amentos e tetos de gastos, e a promo\u00e7\u00e3o das igrejas neopentecostais, que exigem muita submiss\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o e nenhuma reflex\u00e3o. Os esc\u00e2ndalos, sempre abafados, das rela\u00e7\u00f5es de pastores e bispos com seus fieis, as lavagens de dinheiro do tr\u00e1fico em \u00e1reas carentes, as parcerias \u201cevang\u00e9licas\u201d com as mil\u00edcias, convergem para a ignor\u00e2ncia e para o medo, a intimida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se busca um descolamento da classe m\u00e9dia, mais favorecida, que est\u00e1 relacionada nos 33 entrevistados de Camila Rocha, com o presidente Bolsonaro, que o economista liberal Ricardo Bergamini denomina \u201cl\u00edder sindical da CUT da Seguran\u00e7a\u201d. Tudo se afasta da identidade pr\u00f3pria, brasileira, que se revelaria na reconstru\u00e7\u00e3o ou fortalecimento do Estado Nacional.<\/p>\n<p>Nem se trata de algo novo ou espec\u00edfico. Jean-Paul Sartre (O Colonialismo \u00e9 um sistema) explicita o v\u00ednculo entre a aliena\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o colonial. O que esperavam dos militares? A trai\u00e7\u00e3o que as finan\u00e7as adotam como procedimento habitual, urbe et orbi? Realmente se encontram no bolsonarismo os militares de mercado, que, por \u00f3bvio, n\u00e3o defendem o \u201csuprim\u00edvel Estado Nacional\u201d. E se contrap\u00f5e, n\u00e3o aos comunistas M\u00e9dici e Geisel, mas ao juramento dos que n\u00e3o o rasuraram, que mantiveram o ideal que os levou \u00e0 farda.<\/p>\n<p>O novo, na realidade, \u00e9 o colonial do s\u00e9culo XIX. E a falta de argumentos que conven\u00e7am dos benef\u00edcios inexistentes, da liberdade que \u00e9 a escravid\u00e3o do trabalho uberizado, da competitividade dos monop\u00f3lios privados, obriga ao dogmatismo do anti. Ao combate a fantasmas como a hegemonia cultural esquerdista, indescrit\u00edvel pois fantasiosa no pa\u00eds onde a maioria \u00e9 religiosa, seja por f\u00e9 ou por supersti\u00e7\u00e3o, ou a prioridade do indiv\u00edduo, como se existisse a vida isolada, fora da sociedade.<\/p>\n<p>Para concluir, por muito tempo trabalhei em diversos pa\u00edses africanos. Estudei suas realidades e culturas para desenvolver corretamente meu trabalho. E, surpresa, os denominados reis pelos europeus era apenas a falta de express\u00e3o vern\u00e1cula daqueles colonizadores para o escolhido que falava em nome da tribo, da aldeia, da comunidade. Nem mesmo uma hierarquia existia na grande maioria das popula\u00e7\u00f5es subsaarianas. Tal qual entre nossos \u00edndios, brasileiros, nas descri\u00e7\u00f5es do antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro. Nas fam\u00edlias todos gozavam das mesmas prerrogativas, mesma autoridade, apenas separados pelo sexo para o trabalho, este realizado em proveito de todos.<\/p>\n<p>Menos ideologias e mais nacionalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Schilling (1925 \u20132012), ga\u00facho, escritor e jornalista brasileiro, ao longo de mais de dois anos (abril de 1964 a junho de 1966) escreveu o que foi, anos depois, editado com o t\u00edtulo \u201cComo se coloca a direita no poder\u201d (Editora Global, SP, 1981, 2 volumes). 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