{"id":274317,"date":"2021-11-11T11:25:08","date_gmt":"2021-11-11T14:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274317"},"modified":"2021-11-11T15:28:34","modified_gmt":"2021-11-11T18:28:34","slug":"servidor-esta-de-olho-em-quem-quebra-a-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/servidor-esta-de-olho-em-quem-quebra-a-etica\/","title":{"rendered":"Servidor est\u00e1 de olho em quem quebra a \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>Seis em cada dez servidores p\u00fablicos federais afirmam j\u00e1 ter observado, em algum momento de suas carreiras, um colega de trabalho agir de forma anti\u00e9tica. Embora 38% deles acreditem que atualmente n\u00e3o sejam cometidos atos contr\u00e1rios \u00e0 \u00e9tica p\u00fablica nos \u00f3rg\u00e3os em que trabalham, quase metade (47,6%) deles julga que h\u00e1, sim, nos locais onde est\u00e3o lotados, quem ainda incorra em pr\u00e1ticas il\u00edcitas.<\/p>\n<p>Os dados constam de pesquisa censit\u00e1ria sobre \u00e9tica e corrup\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico federal cujos resultados o Banco Mundial divulgou hoje (11). Realizado em parceria com a Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), Minist\u00e9rio da Economia e Escola Nacional de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (Enap), o estudo consultou, de forma remota, mais de 22 mil servidores de todo o Brasil, entre os dias 28 de abril e 28 de maio deste ano.<\/p>\n<p>Entre os 58,7% dos entrevistados, que responderam online j\u00e1 ter presenciado outro servidor cometer ato anti\u00e9tico, os relatos mais frequentes s\u00e3o de casos em que algu\u00e9m se valeu do cargo p\u00fablico para obter vantagens para amigos ou parentes ou deixou de cumprir leis, normas ou regras por press\u00e3o de seus superiores hier\u00e1rquicos. Al\u00e9m disso, 33% dos entrevistados afirmaram ter sofrido, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, algum tipo de press\u00e3o para flexibilizar regras e procedimentos organizacionais, ignorar atos indevidos ou compartilhar informa\u00e7\u00f5es de acesso restrito.<\/p>\n<p>Parcela minorit\u00e1ria dos entrevistados aceitou responder a uma pergunta espec\u00edfica sobre os impactos da pandemia da covid-19 para controle e transpar\u00eancia na contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e a compra de produtos por \u00f3rg\u00e3os federais. A partir das respostas, os pesquisadores conclu\u00edram que a percep\u00e7\u00e3o dos servidores \u00e9 que as pr\u00e1ticas anti\u00e9ticas aumentaram durante a pandemia. Para 56% dos entrevistados, pr\u00e1ticas como a interfer\u00eancia pol\u00edtica aumentaram (26,3%) ou permaneceram iguais (29,5%) durante o per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Integridade<\/strong><br \/>\nA maioria dos entrevistados afirmou conhecer os programas de integridade que suas organiza\u00e7\u00f5es mant\u00e9m para tentar inibir pr\u00e1ticas anti\u00e9ticas, mas mais da metade do total de respondentes (51,7%) disse n\u00e3o se sentir segura para denunciar atos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo aponta que o grau de inseguran\u00e7a varia conforme o v\u00ednculo empregat\u00edcio do servidor, mas a inseguran\u00e7a \u00e9 maior (51%) entre os servidores concursados que conquistaram relativa estabilidade empregat\u00edcia do que entre os que ocupam cargos comissionados (36,8%) ou de dire\u00e7\u00e3o e assessoramento superior (DAS).<\/p>\n<p>Segundo o coordenador da pesquisa, Daniel Ortega Nieto, especialista s\u00eanior do Banco Mundial, esse aspecto surpreendeu a equipe respons\u00e1vel pelo estudo. \u201cEste \u00e9 um dos aparentes paradoxos da pesquisa. Podemos considerar v\u00e1rias hip\u00f3teses, mas [neste momento] \u00e9 imposs\u00edvel saber os m\u00faltiplos fatores que levam a isso. Uma hip\u00f3tese \u00e9 que os servidores concursados se sintam mais inseguros porque podem sofrer com impactos de longo prazo em suas carreiras caso denunciem [atos de corrup\u00e7\u00e3o]\u201d.<\/p>\n<p>O ministro da Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), Wagner Ros\u00e1rio, tamb\u00e9m disse ter ficado surpreso com os dados. \u201cEspera-se que servidores que n\u00e3o t\u00eam estabilidade tenham mais receio, mas apareceu este resultado e teremos que levantar o porqu\u00ea disto. Conforme sempre falo, a medida de resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o aprimoramento da salvaguarda e da prote\u00e7\u00e3o aos denunciantes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de citar as medidas legais que o pa\u00eds adotou nos \u00faltimos 12 anos para prevenir e combater a corrup\u00e7\u00e3o e proteger os denunciantes, como o Programa Nacional de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Corrup\u00e7\u00e3o e o Decreto n\u00ba 10.153, o ministro defendeu a regulamenta\u00e7\u00e3o do artigo da chamada Lei Anticrime, de 2019, que prev\u00ea recompensa para quem fornecer aos \u00f3rg\u00e3os de controle informa\u00e7\u00f5es que resultem na recupera\u00e7\u00e3o de valores desviados da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o ano que vem, queremos entregar a regulamenta\u00e7\u00e3o prevista no Pacote Anticrime, que traz a possibilidade de uma recompensa de at\u00e9 5% do valor recuperado pelos \u00f3rg\u00e3os a partir de den\u00fancias\u201d, disse Ros\u00e1rio. Ele defende que a pesquisa seja refeita a cada dois anos. \u201cAcho um per\u00edodo razo\u00e1vel, pois d\u00e1 tempo de absorvermos os resultados, implementar medidas e verificar se surtiram efeitos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis em cada dez servidores p\u00fablicos federais afirmam j\u00e1 ter observado, em algum momento de suas carreiras, um colega de trabalho agir de forma anti\u00e9tica. 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