{"id":274378,"date":"2021-11-13T05:02:49","date_gmt":"2021-11-13T08:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274378"},"modified":"2021-11-13T06:33:32","modified_gmt":"2021-11-13T09:33:32","slug":"kalunga-sofre-perseguicao-grilagem-e-com-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/kalunga-sofre-perseguicao-grilagem-e-com-mentiras\/","title":{"rendered":"Kalunga sofre persegui\u00e7\u00e3o, grilagem e com mentiras"},"content":{"rendered":"<p>No caminho para a comunidade do Engenho II, placas na estrada de terra vermelha avisam a chegada ao S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural Kalunga. H\u00e1 tamb\u00e9m indica\u00e7\u00f5es para a cachoeira Santa B\u00e1rbara, uma das mais procuradas por quem visita a Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s. Ao chegar \u00e0 comunidade, por\u00e9m, a lojinha de artesanato, que vende produtos t\u00edpicos do cerrado, est\u00e1 fechada e a poeira do balc\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas sinaliza a aus\u00eancia de visitantes, uma fonte de gera\u00e7\u00e3o de renda importante para o quilombo, o maior em extens\u00e3o do pa\u00eds, conhecido pelas belas paisagens e pelas festas religiosas.<\/p>\n<p>A pandemia esvaziou a vila de turistas, embora todos os adultos quilombolas, um dos primeiros grupos de prioridade no calend\u00e1rio da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19, j\u00e1 estejam imunizados nesse in\u00edcio de setembro. O quilombola Dami\u00e3o Moreira dos Santos, 35 anos, nos recebeu preocupado com o almo\u00e7o: sem o movimento, os restaurantes da comunidade n\u00e3o est\u00e3o funcionando.<\/p>\n<p>A cultura tradicional e o cerrado preservado do territ\u00f3rio \u2014 com chapadas, vales, cachoeiras, nascentes e rios que anualmente atraem turistas ao s\u00edtio \u2014 deram ao quilombo o t\u00edtulo de Territ\u00f3rio e \u00c1rea Conservada por Comunidades Ind\u00edgenas e Locais (Ticca), registrado em fevereiro pelo Programa Ambiental da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Foi a primeira comunidade no pa\u00eds a se autodeclarar Ticca, e a iniciativa criou um protocolo brasileiro para que outros povos passem pelo processo e ganhem o reconhecimento internacional desde que cumpram tr\u00eas crit\u00e9rios: pertencimento, governan\u00e7a e pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o. O registro \u00e9 volunt\u00e1rio, ou seja, vai da vontade da comunidade em receber o selo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o, que era gerente de projetos da Associa\u00e7\u00e3o Quilombo Kalunga (AQK), foi um dos primeiros da comunidade a ouvir falar no selo internacional \u2013 em 2018, uma representante do Fundo de Parceria para Ecossistemas Cr\u00edticos (CEPF Cerrado) sugeriu que o territ\u00f3rio se enquadraria como Ticca.<\/p>\n<p>O nome esquisito indicava um conceito aparentemente novo, mas que, na verdade, descrevia uma pr\u00e1tica de preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio mantida pelos quilombolas h\u00e1 pelo menos 300 anos. A obten\u00e7\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o foi discutida em mais de uma dezena de reuni\u00f5es e aprovada em assembleia com participa\u00e7\u00e3o das 39 comunidades que integram o territ\u00f3rio de 262 mil hectares, nos munic\u00edpios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o atribui a conserva\u00e7\u00e3o do cerrado a uma \u201cfraqueza\u201d de seus antepassados em transformar a natureza. \u201cPor mais que a gente quisesse fazer um grande desmatamento, a gente n\u00e3o conseguia, porque tudo o que a gente fazia precisava ser no bra\u00e7o, pelo pr\u00f3prio suor. Ent\u00e3o, voc\u00ea fazia uma ro\u00e7a de um hectare, no m\u00e1ximo, para sustentar sua fam\u00edlia. E quando voc\u00ea deixava aquela \u00e1rea para fazer uma nova ro\u00e7a, em cinco anos, j\u00e1 estava mato alto de novo porque voc\u00ea n\u00e3o usou um maquin\u00e1rio para tirar as ra\u00edzes.\u201d<\/p>\n<p>A \u201cfraqueza\u201d do passado se tornou ponto forte hoje, quando o discurso ambientalista se incorporou \u00e0s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas da associa\u00e7\u00e3o. O regimento interno da AQK, aprovado em 2019, que disp\u00f5e sobre as regras para a gest\u00e3o do territ\u00f3rio e a manuten\u00e7\u00e3o dos costumes quilombolas, prev\u00ea a proibi\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e1quinas para abertura de ro\u00e7as com \u00e1rea superior a 2,5 hectares por fam\u00edlia. Al\u00e9m disso, determina que \u00e9 obrigat\u00f3ria a rota\u00e7\u00e3o de cultura em ro\u00e7ados abertos mecanicamente.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, o turismo se tornou uma fonte promissora de renda, principalmente para as vilas mais pr\u00f3ximas de Cavalcante. Para os que est\u00e3o em \u00e1reas mais distantes do quilombo, por\u00e9m, as dificuldades s\u00e3o maiores e ganharam for\u00e7a com um novo inimigo: a seca rigorosa e duradoura que amea\u00e7a a sobreviv\u00eancia dos agricultores familiares.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de clima<\/strong><br \/>\n\u00c0 diferen\u00e7a das estradas para o Engenho, o trajeto ao povoado de Congonhas, que tamb\u00e9m faz parte do territ\u00f3rio Kalunga, tem pouca ou nenhuma sinaliza\u00e7\u00e3o. Dependendo da condi\u00e7\u00e3o da estrada em alguns trechos, somente uma caminhonete com tra\u00e7\u00e3o nas rodas pode avan\u00e7ar sobre rios ou pela terra. A quase 100 quil\u00f4metros da primeira comunidade, mais tur\u00edstica, aqui o povoado vive quase integralmente da agricultura.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 energia el\u00e9trica nem rede de telefone celular. Na casa de Ant\u00f4nia de Souza Fernandes, 58 anos, a comunica\u00e7\u00e3o existe gra\u00e7as \u00e0s tr\u00eas placas solares doadas, mas que n\u00e3o recarregam o suficiente para manter a energia durante todo o dia. A prioridade de dona Ant\u00f4nia \u00e9 o roteador Wi-Fi \u2013 foi assim que conseguimos entrar em contato por WhatsApp para solicitar a hospedagem \u2014 e, em segundo lugar, manter os alimentos refrigerados.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, sob a luz de um candeeiro que ilumina a cozinha, Ant\u00f4nia conta sobre a dificuldade, por causa da seca, em manter qualquer cultivo onde, antes, costumava plantar mandioca, arroz, milho e feij\u00e3o-de-corda. \u201cA chuva foi diminuindo, diminuindo a cada ano. Esse \u00faltimo ano foi pior\u201d, diz a agricultora. \u201cSaindo daqui, voc\u00eas v\u00e3o dar num c\u00f3rrego que antes, nos anos 1980, eu nunca tinha visto seco. Tem muitos anos que ele deu para secar e, nos \u00faltimos anos, ele mal jorra\u201d, relata. \u201cHoje j\u00e1 n\u00e3o conseguimos plantar mais. O arroz n\u00e3o d\u00e1 mais, pela falta da chuva\u201d, diz dona Ant\u00f4nia, enquanto fuma um cigarro de palha. \u201cO que a gente plantou em novembro, n\u00e3o colhemos um caro\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Alguns vizinhos t\u00eam se adaptado com o uso de cisternas, com 140 unidades entregues pelo governo federal em 2019. Mas, ainda assim, a chuva n\u00e3o tem sido suficiente para encher o reservat\u00f3rio de \u00e1gua. Dona Ant\u00f4nia, que n\u00e3o tem cisterna, coleta as \u00e1guas do rio Grande para o uso dom\u00e9stico com um motor-bomba.<\/p>\n<p>Aposentada, ela conta que passou a usar a renda para comprar alimentos que antes produzia em seu terreno. Mensalmente, um vendedor vai at\u00e9 sua casa, na zona rural, para vender os mantimentos. \u201cEm vez de eu pagar R$ 120 de passagem, para ir e voltar de Cavalcante, eu compro dois ou tr\u00eas fardos de arroz. O dele acaba saindo mais em conta, porque eu gasto muito indo at\u00e9 a cidade.\u201d<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m se queixa da mudan\u00e7a no clima \u00e9 o quilombola Boaventura Bispo Carvalho, de 57 anos, irm\u00e3o de dona Ant\u00f4nia e morador da comunidade vizinha, Salinas. Homem negro de pele retinta e fei\u00e7\u00e3o tranquila, ele faz jus ao apelido pelo qual todos o conhecem na comunidade: Naboa.<\/p>\n<p>Pelo menos desde a gera\u00e7\u00e3o de seus av\u00f3s, at\u00e9 onde se recorda, a fam\u00edlia de Naboa vive na comunidade, onde ele criou seus 12 filhos. Ele tamb\u00e9m lamenta a perda de produ\u00e7\u00e3o por causa da mudan\u00e7a no regime de chuvas e\u00a0 nos leva at\u00e9 uma clareira atr\u00e1s de sua casa para mostrar a vegeta\u00e7\u00e3o seca. \u201cH\u00e1 dois anos, estava tudo cheio de \u00e1gua, at\u00e9 a borda. Quase uma lagoa.\u201d<\/p>\n<p>Trabalhando na ro\u00e7a desde os 13 anos, Naboa se sente cansado demais para o trabalho bra\u00e7al. \u201cEstou me sentindo enfraquecido, sem a mesma for\u00e7a. O que eu fazia antigamente hoje eu j\u00e1 n\u00e3o estou dando conta de fazer\u201d, desabafa. Ainda a alguns anos da aposentadoria, ele diz que um trator o ajudaria a reduzir esfor\u00e7os e aumentar a produtividade das planta\u00e7\u00f5es de arroz, milho e mandioca, principalmente no per\u00edodo de estiagem.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. S\u00e3o muitos os que preferiam ter um maquin\u00e1rio no terreno e a AQK ainda estuda como trazer inova\u00e7\u00e3o ao plantio sem deixar a tradi\u00e7\u00e3o \u2014 e a preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio \u2014 para tr\u00e1s. Dami\u00e3o, que hoje integra a diretoria da associa\u00e7\u00e3o, reconhece a necessidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o, mas diz que os quilombolas n\u00e3o podem copiar as pr\u00e1ticas dos fazendeiros locais: \u201cA preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pode estar em risco, tanto pelo abandono do governo federal quanto pela entrada destes fazendeiros, que t\u00eam uma vis\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o para grandes lavouras e grande pecu\u00e1ria\u201d, diz. \u201cTamb\u00e9m nos preocupamos com essa mentalidade nos pr\u00f3prios kalungas. Os discursos que a gente ouve s\u00e3o muito fortes, dizendo que temos que deixar de mis\u00e9ria, usar trator, usar m\u00e1quina. Se a gente n\u00e3o perceber que isso tamb\u00e9m \u00e9 um problema, essa preserva\u00e7\u00e3o estar\u00e1 amea\u00e7ada\u201d, continua. \u201cA gente quer melhorar as pr\u00e1ticas, facilitar m\u00e3o de obra e dar dignidade para as fam\u00edlias. Mas isso tem que vir com boa orienta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Uma das propostas da AQK \u00e9 criar uma ro\u00e7a coletiva na regi\u00e3o de Salinas, com uma \u00e1rea preestabelecida para o uso dos tratores, o que permitiria maior controle do desmatamento, respeitando o limite de \u00e1rea mecanizada imposto pelo regimento interno. Mas, para conseguirem a licen\u00e7a para o plantio, os quilombolas dependem da titula\u00e7\u00e3o definitiva daquela \u00e1rea, o que esperam h\u00e1 duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A comunidade quilombola Kalunga est\u00e1 qualificada como s\u00edtio hist\u00f3rico e patrim\u00f4nio cultural por duas leis estaduais, de 1991 e 1996. Em 2000, a Funda\u00e7\u00e3o Palmares reconheceu o territ\u00f3rio tradicional e, cinco anos depois, a comunidade foi identificada como remanescente de quilombos. Em 2003, a transfer\u00eancia de compet\u00eancia da titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas foi repassada ao Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), que abriu o processo de titula\u00e7\u00e3o das terras um ano depois, em 2004. A AQK tem hoje a posse de pouco mais da metade do S\u00edtio Hist\u00f3rico, mas apenas 13% dos 262 mil hectares est\u00e3o titulados definitivamente em nome da entidade. Mais de 44% do territ\u00f3rio que ainda precisa ser regularizado t\u00eam origem em terras privadas e demandam processos de indeniza\u00e7\u00e3o. O \u00faltimo t\u00edtulo fundi\u00e1rio concedido \u00e0 comunidade foi em 2018.<\/p>\n<p>Mesmo com as dificuldades que tem enfrentado no territ\u00f3rio por causa da seca, dona Ant\u00f4nia acredita que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a titula\u00e7\u00e3o coletiva do territ\u00f3rio. A posse da \u00e1rea onde vivem ainda n\u00e3o foi transferida definitivamente para a AQK. \u201cSe eu precisar ir para outro lugar, por conta da seca, com a posse coletiva sei que posso ir\u201d, argumenta Ant\u00f4nia, que se preocupa com o futuro da comunidade sem a titula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto muitos esperam que o reconhecimento internacional possa pressionar o governo brasileiro a resolver a quest\u00e3o fundi\u00e1ria, a consequ\u00eancia mais imediata do t\u00edtulo de Ticca, oficializado em fevereiro, s\u00e3o novas oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda para a comunidade. O atual presidente da AQK, Jorge Oliveira, disse acreditar que a certifica\u00e7\u00e3o impacta, principalmente, a expans\u00e3o do ecoturismo. \u201cSe voc\u00ea tem um territ\u00f3rio reconhecidamente preservado, com esp\u00e9cies de frutos do cerrado, isso vai ajudar muito na divulga\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele, que tamb\u00e9m trabalha como guia tur\u00edstico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do prest\u00edgio, o status de territ\u00f3rio conservado pode atrair especuladores interessados em mecanismos de retribui\u00e7\u00f5es financeiras por servi\u00e7os ambientais, como acesso a cr\u00e9dito ou entrada no mercado de carbono. No sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por exemplo, j\u00e1 existem sobreposi\u00e7\u00f5es de registros no territ\u00f3rio Kalunga. Criado em 2012 como instrumento de regulariza\u00e7\u00e3o e exig\u00eancia para acesso a cr\u00e9dito rural, o mecanismo se transformou em um dos principais m\u00e9todos conhecidos para \u201cgrilagem verde\u201d.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo internacional pode ainda trazer parcerias \u2013 ou armadilhas \u2013, inclusive em setores inexplorados: uma pauta que se abre ao territ\u00f3rio com a obten\u00e7\u00e3o do certificado de preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 a entrada no mercado de carbono \u2014 cuja regula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo discutida nesta semana em Glasgow, na Esc\u00f3cia, na 26\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica. Em abril de 2020, dois meses ap\u00f3s o an\u00fancio do registro da Ticca, a AQK recebeu a proposta da empresa su\u00ed\u00e7a South Pole para realizar a explora\u00e7\u00e3o de carbono da reserva. O neg\u00f3cio prometia render R$ 200 mil por ano aos kalungas com a certifica\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de 60 mil hectares. Sem refer\u00eancias de projetos no Brasil no setor, a proposta n\u00e3o foi levada adiante por inseguran\u00e7a dos quilombolas com um ramo ainda novo e desconhecido.<\/p>\n<p>Mas, em agosto deste ano, a prefeitura de Cavalcante fechou um acordo com o Instituto de Reflorestamento Eden, com sede nos Estados Unidos, para a restaura\u00e7\u00e3o de 5 mil hectares de \u00e1reas degradadas do cerrado em terras p\u00fablicas e privadas. O documento do acordo foi obtido pelo portal O Eco. O instituto tamb\u00e9m procurou a AQK para firmar a parceria, que est\u00e1 em processo de aprova\u00e7\u00e3o com a comunidade.<\/p>\n<p>Por telefone, o prefeito Vilmar Souza Costa (PSB) afirmou \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica que o munic\u00edpio vai identificar as \u00e1reas-alvo do empreendimento e fiscalizar o processo, enquanto a organiza\u00e7\u00e3o parceira ser\u00e1 respons\u00e1vel pelos recursos, pela contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra local e pelas mudas e sementes. \u201cA princ\u00edpio, n\u00e3o vimos nada que fira a transpar\u00eancia ou legalidade do projeto\u201d, disse. Esta \u00e9 a primeira a\u00e7\u00e3o do Eden no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Preserva\u00e7\u00e3o do \u00c9den<\/strong><br \/>\nCom nome b\u00edblico e lema \u201cplantar \u00e1rvores, salvar vidas\u201d, a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos estadunidense foi fundada pelo pastor metodista Stephen Fitch em 2004. Embora tenha mission\u00e1rios em sua c\u00fapula, o Eden afirma n\u00e3o ter motiva\u00e7\u00f5es de cunho religioso. Com receita de US$ 18,2 milh\u00f5es segundo relat\u00f3rio de 2020, a organiza\u00e7\u00e3o recebe doa\u00e7\u00f5es de grandes empresas como a Verizon, gigante do ramo de telecomunica\u00e7\u00f5es, e a companhia a\u00e9rea Emirates. Em compara\u00e7\u00e3o a 2019, quando recebeu mais de US$ 4,8 milh\u00f5es, a renda da entidade cresceu 275% em um ano. O incremento deve-se, em grande parte, \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de US$ 5 milh\u00f5es por Jeff Bezos, dono da Amazon, como parte de um fundo criado pelo bilion\u00e1rio para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Com o objetivo declarado de \u201cfazer restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de \u00e1reas degradadas com participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria local remunerada\u201d, a entidade chegou ao Brasil no primeiro semestre deste ano, mas suas atividades internacionais come\u00e7aram 17 anos antes, na Eti\u00f3pia em 2004. Hoje, a Eden Projects est\u00e1 em nove pa\u00edses, entre eles Haiti, Nepal, Madagascar, Qu\u00eania e Indon\u00e9sia \u2014 a entidade informa em relat\u00f3rio j\u00e1 ter realizado o plantio de 488 mil \u00e1rvores e empregado 17,5 mil pessoas nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em julho, a Eden apresentou seu projeto de restaura\u00e7\u00e3o em um edital da prefeitura de Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s que buscava solu\u00e7\u00f5es para problemas ambientais do munic\u00edpio. A proposta apresentada n\u00e3o agradou a analistas do edital, como a pesquisadora Natashi Pilon, do Laborat\u00f3rio de Ecologia Funcional de Plantas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>\u201cA proposta de trabalho deles em todos os lugares \u00e9 o plantio de \u00e1rvores. Isso ficou claro para a gente durante a reuni\u00e3o com eles\u201d, relata Natashi. \u201cEm determinado momento, disseram que estavam plantando \u00e1rvores para que os pa\u00edses do Norte pudessem continuar emitindo g\u00e1s carb\u00f4nico\u201d, conta. \u201cPara mim, isso \u00e9 quase uma forma de coloniza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o da pesquisadora \u00e9 que o plantio de \u00e1rvores interfira em um bioma que n\u00e3o tem florestas como caracter\u00edstica, como \u00e9 o caso do cerrado. Uma altera\u00e7\u00e3o nesta vegeta\u00e7\u00e3o, segundo a pesquisadora, poderia piorar ainda mais o regime de chuvas na regi\u00e3o. \u201cIsso poderia comprometer a quantidade de \u00e1gua em uma regi\u00e3o que j\u00e1 tem escassez h\u00eddrica e at\u00e9 reduzir o turismo\u201d, alerta. \u201cEssa quest\u00e3o de estoque de carbono a todo custo precisa ser vista com ressalvas\u201d, pondera.<\/p>\n<p>\u201cFica impl\u00edcito, pelas grandes empresas que est\u00e3o financiando o projeto, que tem muito dessa hist\u00f3ria de greenwashing. Ou seja, dizer que est\u00e1 fazendo uma a\u00e7\u00e3o para melhorar o planeta quando aquela a\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 cumprindo um servi\u00e7o ambiental de fato.\u201d<\/p>\n<p>O temor da pesquisadora \u00e9 compartilhado pela bi\u00f3loga Bruna Braz, integrante da Cerrado de P\u00e9, associa\u00e7\u00e3o de coletores de sementes do cerrado. A bi\u00f3loga conta que a Cerrado de P\u00e9 instruiu a Eden e chegou a fornecer sementes, mas n\u00e3o fechou nenhum tipo de parceria com a entidade. \u201cExplicamos que n\u00e3o faria sentido trabalhar com mudas e que o modo mais eficaz, no cerrado, \u00e9 com sementes. \u00c9 um desperd\u00edcio de dinheiro, na verdade, trabalhar com mudas porque a taxa de mortalidade \u00e9 muito alta. Se voc\u00ea plantar mil mudas, apenas 20% v\u00e3o para frente\u201d, explica.<\/p>\n<p>Bruna questiona a sustentabilidade do modelo apresentado pela Eden, j\u00e1 que o formato n\u00e3o prop\u00f5e a autonomia das comunidades e n\u00e3o fornece tecnologias, capacita\u00e7\u00e3o das comunidades locais ou alternativas para a cria\u00e7\u00e3o de renda. \u201cDaqui a cinco anos, quando o projeto acabar, vai acabar o emprego? Como funciona o impacto social?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas de ambientalistas foram rebatidas pela Eden em uma audi\u00eancia on-line promovida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cavalcante, no final de outubro, para esclarecer detalhes sobre a parceria. Na ocasi\u00e3o, Maxwel Ara\u00fajo, gerente operacional da Eden no pa\u00eds, disse que a promessa de plantar \u00e1rvores \u00e9 apenas estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o. \u201cIsso \u00e9 apenas uma linguagem ilustrativa. N\u00e3o \u00e9 que vamos pegar o cerrado e plantar v\u00e1rias \u00e1rvores, porque n\u00f3s sabemos que n\u00e3o \u00e9 toda \u00e1rea que tem uma floresta\u201d, afirmou, garantindo que a Eden monitora as \u00e1reas restauradas a longo prazo. \u201cNos comprometemos com a marca de 5 mil hectares em Cavalcante. Temos como meta a recupera\u00e7\u00e3o de mil hectares por ano. Ou seja, o tempo de plantio e de operacionaliza\u00e7\u00e3o aqui seria no m\u00ednimo cinco anos e pode ser estendido\u201d, disse na audi\u00eancia. \u201cMas n\u00f3s fazemos quest\u00e3o de monitorar, fotografar e ver o crescimento daquilo que a gente come\u00e7ou e se ele est\u00e1 se transformando em um bioma saud\u00e1vel, o que poderia levar 30 anos.\u201d<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Meio Ambiente e Turismo de Cavalcante, Rodrigo Batista Neves, informou \u00e0 reportagem que a Eden deve investir inicialmente R$ 2 milh\u00f5es no projeto de restaura\u00e7\u00e3o. O gestor diz que a promessa de gera\u00e7\u00e3o de renda para a comunidade foi outro fator determinante para o encaminhamento da parceria, mesmo motivo apontado pela AQK para fechar o acordo. O projeto ainda tem que ser aprovado em consultas \u00e0s comunidades do quilombo, como prev\u00ea o regimento interno.<\/p>\n<p><strong>Coronav\u00edrus mata um por dia<\/strong><br \/>\nLideran\u00e7as hist\u00f3ricas est\u00e3o entre as mais de cem mortes e quase mil infectados. Quilombolas tamb\u00e9m relataram racismo na busca de testagem e atendimento.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o, que j\u00e1 foi contratado pela Eden para gerenciar o projeto, confirma que a oportunidade de trabalho \u00e9 a principal motiva\u00e7\u00e3o para a AQK. \u201cNosso desejo como associa\u00e7\u00e3o e povo quilombola \u00e9 que as pessoas continuem no quilombo, que n\u00e3o saiam porque n\u00e3o tem como ficar no territ\u00f3rio. Essa \u00e9 uma oportunidade muito boa de gerar trabalho com a conserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em outubro, a organiza\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou dois editais para pr\u00e9-selecionar trabalhadores para o projeto em Cavalcante, focado em pessoas com renda de at\u00e9 meio sal\u00e1rio-m\u00ednimo. \u201cQueremos ofertar o trabalho para aqueles que mais precisam e t\u00eam menor renda\u201d, disse o representante da Eden, sem detalhar o regime de contrata\u00e7\u00e3o dos trabalhadores envolvidos no reflorestamento das \u00e1reas. Na ocasi\u00e3o, a empresa afirmou apenas trabalhar, como padr\u00e3o, com o sal\u00e1rio-m\u00ednimo de cada pa\u00eds onde atua.<\/p>\n<p>Nem a Eden nem empresas doadoras, ressaltou Maxwel Ara\u00fajo, t\u00eam dom\u00ednio sobre as \u00e1reas reflorestadas. Mas a legisla\u00e7\u00e3o dos EUA permite que as doa\u00e7\u00f5es sejam deduzidas de outros impostos e que possam ser usadas para compensar infra\u00e7\u00f5es ambientais no pa\u00eds. \u201cEsses doadores est\u00e3o abatendo impostos, \u00e0s vezes est\u00e3o sanando multas e condi\u00e7\u00f5es ambientais que foram sentenciadas a cumprir ou muitas vezes querem fazer marketing ou propaganda, ent\u00e3o eles se atrelam \u00e0 imagem da restaura\u00e7\u00e3o ambiental feita por n\u00f3s. Essas s\u00e3o nossas fontes de recursos\u201d, disse o gerente operacional da Eden.<\/p>\n<p>Antes de apresentar seu projeto de reflorestamento ao munic\u00edpio de Alto Para\u00edso e de Cavalcante, ambos na Chapada dos Veadeiros, a empresa tamb\u00e9m tentou alavancar projetos na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia e j\u00e1 est\u00e1 em processo de negocia\u00e7\u00f5es em outros estados do pa\u00eds, como Piau\u00ed e Acre. \u201cPodemos atuar em qualquer lugar que tenha \u00e1reas degradadas e n\u00e3o vamos atuar apenas no munic\u00edpio de Cavalcante\u201d, afirmou Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, a institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 divulga as a\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio brasileiro, como mostra um post publicado no Instagram: \u201cPor toda a Amaz\u00f4nia, vamos contratar pessoas nas comunidades locais para plantar uma variedade de plantas nativas, reflorestando aproximadamente 25 mil hectares\u201d, informa o texto em ingl\u00eas, anunciando um n\u00famero cinco vezes maior que o prometido nas a\u00e7\u00f5es previstas para o cerrado.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 P\u00fablica, uma fonte, que preferiu n\u00e3o se identificar, afirmou que a Eden tem interesse em entrar no com\u00e9rcio de cr\u00e9dito de carbono no exterior e j\u00e1 teria aberto, em agosto deste ano, uma empresa privada nos Estados Unidos \u2013 a P\u00fablica n\u00e3o conseguiu confirmar essa informa\u00e7\u00e3o. Por mais de duas semanas, a reportagem esteve em contato com a Eden, por e-mail e telefone, para agendar entrevista com seus porta-vozes, mas n\u00e3o recebeu respostas \u00e0s perguntas enviadas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma estrat\u00e9gia contra invas\u00f5es<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 o momento, a certifica\u00e7\u00e3o de Ticca tem cumprido pelo menos um papel: refor\u00e7ar a estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o do quilombo contra uma nova onda de invasores. Ao denunciar a agress\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o lembrou a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo internacional, que tamb\u00e9m tem sido utilizado como mecanismo de press\u00e3o para acelerar a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio produzido em agosto, foram identificados 16 conflitos por \u00e1reas em andamento dentro do s\u00edtio hist\u00f3rico (pessoas n\u00e3o quilombolas tentando fixar posse ou negociar \u00e1reas j\u00e1 desapropriadas pelo Incra). Al\u00e9m disso, com a paralisa\u00e7\u00e3o de pagamentos de indeniza\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o por parte do governo, os quilombolas dizem que fazendeiros t\u00eam retornado \u00e0s terras.<\/p>\n<p>A professora quilombola Ester Fernandes de Castro, de 55 anos, relata invas\u00f5es na comunidade da Ema, no munic\u00edpio de Teresina de Goi\u00e1s, desde 2019. A casa de sua madrinha, que estava ausente da comunidade por 15 dias devido a um tratamento m\u00e9dico, foi uma das atingidas pelos criminosos. Quando ela retornou \u00e0 resid\u00eancia, encontrou uma nova fechadura na porta. \u201cEles chegaram a vender a \u00e1rea para outra pessoa de Pernambuco\u201d, conta a afilhada.<\/p>\n<p>Na mesma a\u00e7\u00e3o, uma casa de um quilombola, que estava em constru\u00e7\u00e3o, foi derrubada por uma motosserra. Segundo o boletim de ocorr\u00eancia registrado na \u00e9poca, o quilombola de 54 anos morava com a fam\u00edlia no local havia mais de 30 anos. Al\u00e9m desse epis\u00f3dio, Ester relatou amea\u00e7as, com arma de fogo, sofridas por outra colega, na semana em que realizamos a entrevista.<\/p>\n<p>Os novos casos trazem, para Ester, lembran\u00e7as de epis\u00f3dios vividos na comunidade em 1990, quando se acirraram os conflitos pela terra, naquele momento ainda n\u00e3o reconhecida pela Uni\u00e3o. Naquele ano, a casa de seu pai foi derrubada por um trator, na mesma comunidade que, 30 anos depois, expulsariam sua madrinha. \u201cO conflito era em todo o territ\u00f3rio, para tirar a gente da comunidade mesmo\u201d, se recorda. \u201cComecei na luta pela regulariza\u00e7\u00e3o da terra naquele ano.\u201d<\/p>\n<p>Em 1995, Ester participou da c\u00e9lebre Marcha de Zumbi, em Bras\u00edlia, que reuniu 30 mil pessoas para denunciar a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra no pa\u00eds. \u201cEu era uma das articuladoras aqui da regi\u00e3o\u201d, conta. No evento, foi realizado o I Encontro Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas. A mobiliza\u00e7\u00e3o deu origem, um ano mais tarde, \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos (Conaq), organiza\u00e7\u00e3o da qual ela faz parte.<\/p>\n<p>A partir de 2003, com o Decreto 4.887, que regulamenta a titula\u00e7\u00e3o das terras ocupadas por remanescentes quilombolas, o quilombo passou por um per\u00edodo mais tranquilo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s invas\u00f5es, diz Ester. A\u00a0 promessa de pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es e os assentamentos definitivos diminu\u00edram os conflitos. Ela avalia que o novo ciclo de invas\u00f5es foi impulsionado, indiretamente, pelo governo Bolsonaro \u2014 o presidente chegou a ser acusado por discursos de \u00f3dio feitos contra quilombolas em 2017, quando deputado federal (em outubro de 2017, ele foi condenado a pagar R$ 50 mil de indeniza\u00e7\u00e3o em decis\u00e3o da primeira inst\u00e2ncia, mas foi inocentado pelo Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o em setembro de 2018, durante an\u00e1lise de recurso). O presidente foi o que menos titulou territ\u00f3rios quilombolas desde 1995: apenas 12 t\u00edtulos foram entregues em dois anos e meio de gest\u00e3o, nenhum em 2021.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o apoia as quest\u00f5es quilombolas e ind\u00edgenas. O Incra mesmo est\u00e1 sem estrutura e recursos para avan\u00e7ar com os pagamentos das fazendas. Pelo menos \u00e9 o que dizem quando a gente cobra. Isso facilitou para os fazendeiros que j\u00e1 estavam com a inten\u00e7\u00e3o de voltar para o territ\u00f3rio\u201d, argumenta Ester. \u201cMuitas dessas invas\u00f5es, a gente sabe, s\u00e3o para plantar soja, para o agroneg\u00f3cio. Queremos nosso territ\u00f3rio do jeito que o preservamos. Eles j\u00e1 sabem que v\u00e3o ter que sair e, por isso, desmatam\u201d, afirma ela.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Dami\u00e3o enxerga, como origem da nova onda de invas\u00f5es, o avan\u00e7o de uma ideologia difundida por empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio e refor\u00e7ada pelo presidente da Rep\u00fablica, em contraposi\u00e7\u00e3o ao modo como os povos quilombolas e ind\u00edgenas vivem, ocupam a terra e preservam o territ\u00f3rio. \u201cChamam a gente de pregui\u00e7oso, mas tudo o que a gente come, a gente tira do bra\u00e7o, apesar de a gente n\u00e3o ficar rico com isso. Mas a gente n\u00e3o quer ficar rico, a gente quer viver, sobreviver e festejar\u201d, diz o quilombola.<\/p>\n<p>Em todas as entrevistas que fizemos, ouvimos o mesmo lamento: se n\u00e3o fosse a pandemia, naquela semana ocorreria a Romaria do V\u00e3o do Moleque, uma das mais c\u00e9lebres festas da comunidade, marcada pelos muitos festejos populares religiosos. Outra tradi\u00e7\u00e3o que os kalungas buscam preservar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No caminho para a comunidade do Engenho II, placas na estrada de terra vermelha avisam a chegada ao S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural Kalunga. H\u00e1 tamb\u00e9m indica\u00e7\u00f5es para a cachoeira Santa B\u00e1rbara, uma das mais procuradas por quem visita a Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s. Ao chegar \u00e0 comunidade, por\u00e9m, a lojinha de artesanato, que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":274379,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-274378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasilia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274378"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":274388,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274378\/revisions\/274388"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}