{"id":274722,"date":"2021-11-18T12:29:26","date_gmt":"2021-11-18T15:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274722"},"modified":"2021-11-18T13:32:16","modified_gmt":"2021-11-18T16:32:16","slug":"pesquisadores-anunciam-mais-um-dino-made-in-brazil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-anunciam-mais-um-dino-made-in-brazil\/","title":{"rendered":"Pesquisadores anunciam mais um dino &#8216;made in brazil&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores apresentaram nesta quinta-feira (18) a descri\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie de dinossauro, batizada de Berthasaura leopoldinae. De porte pequeno, com aproximadamente 1 metro de comprimento, viveu no per\u00edodo Cret\u00e1ceo, onde hoje est\u00e1 situado o munic\u00edpio de Cruzeiro do Oeste, noroeste do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>O artigo dos pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ) e do Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado &#8211; Celempao (Mafra, SC) foi publicado hoje (18) na revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<p>O esqueleto de Berthasaura leopoldinae foi encontrado em escava\u00e7\u00f5es conduzidas pela equipe de paleont\u00f3logos do Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado e do Museu Nacional, em um corte de estrada rural em Cruzeiro do Oeste.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00faltima d\u00e9cada, dezenas de f\u00f3sseis foram coletados nessa regi\u00e3o, o que levou \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies, particularmente de pterossauros. Essa nova descoberta de um dinossauro, o segundo da regi\u00e3o, mostra a import\u00e2ncia daquele s\u00edtio fossil\u00edfero que chamamos de Cemit\u00e9rio dos pterossauros&#8221;, disse o ge\u00f3logo do Celempao, Luiz Weinsch\u00fctz, que coordenou as escava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Os materiais f\u00f3sseis s\u00e3o muito bem preservados e, por isso, t\u00eam fornecido v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es importantes a respeito desse ecossistema que representa um o\u00e1sis no meio de um deserto do Cret\u00e1ceo&#8221;, afirmou o pesquisador Everton Wilner, tamb\u00e9m do Celempao. A idade dos dep\u00f3sitos ainda \u00e9 incerta, devendo se situar entre 70 e 80 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p><strong>Dinossauro sem dentes<\/strong><br \/>\nA maioria dos dinossauros encontrados no Brasil podem ser divididos em dois grandes grupos: os saur\u00f3podes e os ter\u00f3podes. Berthasaura \u00e9 um ter\u00f3pode pertencente aos abelissaur\u00eddeos, importantes componentes das faunas do hemisf\u00e9rio sul no per\u00edodo Cret\u00e1ceo, disse o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, que participou de algumas escava\u00e7\u00f5es em Cruzeiro do Oeste e \u00e9 um dos autores do artigo.<\/p>\n<p>&#8220;Temos restos do cr\u00e2nio e mand\u00edbula, coluna vertebral, cinturas peitoral e p\u00e9lvica e membros anteriores e posteriores, o que torna Bertha um dos dinos mais completos j\u00e1 encontrados no per\u00edodo Cret\u00e1ceo brasileiro&#8221;. Mas, segundo Kellner, o que torna esse dinossauro genuinamente raro, \u00e9 o fato de ser um ter\u00f3pode desprovido de dentes, o primeiro encontrado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para se ter certeza dessa condi\u00e7\u00e3o, foi feito um estudo, no Laborat\u00f3rio de Instrumenta\u00e7\u00e3o Nuclear da Coppe\/UFRJ, utilizando a microtomografia computadorizada. &#8220;Aplicar t\u00e9cnicas que s\u00e3o comuns em outras \u00e1reas de pesquisa em f\u00f3sseis, como a tomografia, \u00e9 algo que tem nos fascinado muito&#8221;, disse o professor Ricardo Tadeu Lopes, que coordena o laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo o aluno de doutorado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Zoologia do Museu Nacional\/UFRJ, Geovane Alves Souza, que desenvolveu a pesquisa como parte de sua tese de doutorado, \u201cal\u00e9m da Berthasaura n\u00e3o possuir dentes, a esp\u00e9cie tamb\u00e9m n\u00e3o apresentava qualquer sinal da exist\u00eancia de cavidades portadoras de dentes (alv\u00e9olos) na mand\u00edbula e no maxilar e a microtomografia da mand\u00edbula confirmou que n\u00e3o era apenas um artefato de preserva\u00e7\u00e3o, mas, sim, uma fei\u00e7\u00e3o desse novo dinossauro.&#8221;<\/p>\n<p>O pesquisador acrescentou que foram identificadas marcas e sulcos sugerindo a presen\u00e7a de um bico c\u00f3rneo (de queratina), semelhante ao que ocorre nas aves hoje em dia. \u201c\u00c9 dif\u00edcil confirmar se a Berthasaura poderia ter usado seu bico para rasgar nacos de carne, assim como os gavi\u00f5es e urubus fazem hoje em dia, ou se o bico seria utilizado para cortar material vegetal. Vivendo em uma \u00e1rea restrita como o deserto, esse dinossauro deveria se alimentar do que estivesse dispon\u00edvel, tendo provavelmente desenvolvido uma dieta on\u00edvora\u201d.<\/p>\n<p><strong>Homenagem tripla<\/strong><br \/>\nO nome do dinossauro \u00e9 uma homenagem \u201ctripla&#8221;, como destacou a pesquisadora Marina Bento Soares: &#8220;Bertha se refere \u00e0 professora\/pesquisadora Bertha Maria J\u00falia Lutz (1894 &#8211; 1976), bi\u00f3loga do Museu Nacional\/UFRJ e uma das principais l\u00edderes na luta pelos direitos pol\u00edticos das mulheres brasileiras.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m explicou que o ep\u00edteto espec\u00edfico leopoldinae homenageia tanto a imperatriz brasileira Maria Leopoldina (1797 \u2013 1826), que foi uma grande entusiasta das ci\u00eancias naturais e uma das principais respons\u00e1veis pela independ\u00eancia no Brasil, como tamb\u00e9m a escola de Samba Imperatriz Leopoldinense que homenageou o Museu Nacional como o tema do seu desfile na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed em 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores apresentaram nesta quinta-feira (18) a descri\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie de dinossauro, batizada de Berthasaura leopoldinae. 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