{"id":274761,"date":"2021-11-19T06:16:59","date_gmt":"2021-11-19T09:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274761"},"modified":"2021-11-19T06:37:19","modified_gmt":"2021-11-19T09:37:19","slug":"desmatamento-registra-a-maior-taxa-em-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desmatamento-registra-a-maior-taxa-em-20-anos\/","title":{"rendered":"Desmatamento registra a maior taxa em 20 anos"},"content":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), \u00f3rg\u00e3o do governo federal, anunciou nesta quinta-feira (18\/11) que a taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal Brasileira teve um aumento de 21,97% em um ano. O valor de corte raso foi estimado em 13.235 km\u00b2 no per\u00edodo entre 1\u00b0 de agosto de 2020 e 31 de julho de 2021. Esse \u00e9 o maior n\u00famero desde o ano de 2006 segundo as medi\u00e7\u00f5es dos sat\u00e9lites do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (Prodes).<\/p>\n<p>A maior varia\u00e7\u00e3o percentual entre os 9 estados da Amaz\u00f4nia Legal foi no Amap\u00e1, com 62,5%, que passou de 24 km\u00b2 desmatados para 39 km\u00b2. Mas, proporcionalmente, o aumento mais expressivo foi no Amazonas: varia\u00e7\u00e3o de 55,22%, com \u00e1rea total derrubada de 2.347 km\u00b2 em um ano. O levantamento \u00e9 preliminar e ser\u00e1 confirmado no primeiro semestre de 2022.<\/p>\n<p>Na COP26, a confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o Brasil assinou um acordo sobre florestas que prev\u00ea zerar o desmatamento at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Suely Araujo, especialista s\u00eanior em pol\u00edticas p\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima e ex-presidente do Ibama, observa que &#8220;o Amazonas passou Mato Grosso, que tradicionalmente fica \u00e0 frente. H\u00e1 alguns anos tem se intensificado o desmatamento no sul do Amazonas. \u00c9 uma esp\u00e9cie de \u00e1rea sem lei, sem dono, sem governo. O n\u00famero do estado chama a aten\u00e7\u00e3o porque quase tudo est\u00e1 concentrado nessa regi\u00e3o sul&#8221;.<\/p>\n<p>Araujo tamb\u00e9m destaca o \u00edndice alto no Par\u00e1 (5.257 km\u00b2), Estado que permanece em primeiro lugar na lista e \u00e9 respons\u00e1vel por quase 40% do desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal, al\u00e9m de \u00edndices expressivos em Roraima (386 km\u00b2), onde ela cita problemas com a ind\u00fastria madeireira local.<\/p>\n<p>Na c\u00fapula realizada em Glasgow no come\u00e7o deste m\u00eas, perguntado pela BBC News Brasil se o governo reconhece erros na pol\u00edtica ambiental, o ministro Joaquim Leite se limitou a responder que o &#8220;desmatamento \u00e9 um desafio&#8221; e que &#8220;todos os pa\u00edses t\u00eam desafios&#8221; na \u00e1rea do meio ambiente.<\/p>\n<p>Leite tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu se o governo vai retirar apoio a uma s\u00e9rie de projetos de lei no Congresso que prejudicam compromissos de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento assumidos pelo Brasil na COP26.<\/p>\n<p>Uma das propostas \u00e9 o PL 191\/20, de autoria do governo Bolsonaro, que autoriza minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas; uma outra \u00e9 o PL 510\/21, que regulariza invas\u00f5es ilegais de terras ocorridas at\u00e9 2011; e o PL 490\/2007, do chamado &#8220;Marco Temporal&#8221;, s\u00f3 permite demarca\u00e7\u00e3o de terras ocupadas por povos ind\u00edgenas at\u00e9 1988.<\/p>\n<p>&#8220;O governo vai atuar para incentivar uma nova economia verde. Minera\u00e7\u00e3o, quando bem feita, pode proteger florestas. Voc\u00ea pega v\u00e1rios exemplos de minera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel em que n\u00e3o existe desmatamento ilegal. Tem projetos de minera\u00e7\u00e3o que protegem floresta&#8221;, disse o ministro do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de produtos do agroneg\u00f3cio brasileiro ao desmatamento j\u00e1 estaria prejudicando neg\u00f3cios no exterior. O Itamaraty atua para convencer o governo de que uma guinada na vis\u00e3o ambiental seria necess\u00e1ria para viabilizar parcerias econ\u00f4micas internacionais, como o acordo de com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u00c1rea dispon\u00edvel para desmatamento<br \/>\nSegundo um estudo da organiza\u00e7\u00e3o WWF (World Wide Fund for Nature), 70 milh\u00f5es de hectares est\u00e3o &#8220;dispon\u00edveis&#8221; hoje no Brasil para desmatamento de forma legal.<\/p>\n<p>Se essas \u00e1reas forem destru\u00eddas, haver\u00e1 o lan\u00e7amento adicional de 5,8 bilh\u00f5es de toneladas de CO2, o que colocaria em xeque a meta assumida pelo Brasil na c\u00fapula do clima de reduzir em 50% suas emiss\u00f5es de gases do efeito estufa at\u00e9 2030, na compara\u00e7\u00e3o com 2005.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra ainda que 3,25 milh\u00f5es de hectares de florestas, que armazenam 152,8 milh\u00f5es de toneladas de CO2, est\u00e3o atualmente sob forte press\u00e3o de serem exploradas para agropecu\u00e1ria, por estarem pr\u00f3ximas a estruturas de transporte e armazenamento de gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Esses territ\u00f3rios, diz a WWF, muito possivelmente ser\u00e3o desmatados at\u00e9 2025, se n\u00e3o houver um compromisso de zerar a destrui\u00e7\u00e3o de florestas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), \u00f3rg\u00e3o do governo federal, anunciou nesta quinta-feira (18\/11) que a taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal Brasileira teve um aumento de 21,97% em um ano. 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