{"id":274795,"date":"2021-11-19T11:44:46","date_gmt":"2021-11-19T14:44:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=274795"},"modified":"2021-11-19T19:12:32","modified_gmt":"2021-11-19T22:12:32","slug":"teoria-do-esvaziamento-ensina-a-recuar-enquanto-ha-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/teoria-do-esvaziamento-ensina-a-recuar-enquanto-ha-tempo\/","title":{"rendered":"Teoria do esvaziamento ensina a recuar enquanto h\u00e1 tempo"},"content":{"rendered":"<p>Muito comuns na literatura oriental, as par\u00e1bolas consistem em hist\u00f3rias que pretendem trazer algum ensinamento de vida. S\u00e3o textos narrativos, \u00e0s vezes aleg\u00f3ricos, com estrutura parecida com a dos contos. S\u00e3o simbolismos com significados espec\u00edficos para cada elemento da hist\u00f3ria. Por isso, natural e comumente elas se confundem com as met\u00e1foras. Entendam como quiserem, mas, na pr\u00e1tica, as par\u00e1bolas cont\u00eam elementos extra\u00eddos de eventos e fatos da vida cotidiana e na qual se ilustra uma verdade moral ou espiritual. Quem n\u00e3o se lembra da par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, isto \u00e9, do desperdi\u00e7ador? \u00c9 a hist\u00f3ria de um pai e dois filhos. Resumidamente, em certa altura da vida, o filho mais novo pede ao homem sua parte na heran\u00e7a e parte para terras distantes, gastando tudo que ganhou em pecados e perdi\u00e7\u00f5es, sem pensar no dia de amanh\u00e3. Volta arrependido, mas sem fortuna e sem respeito.<\/p>\n<p>No dia a dia, nem sempre \u00e9 necess\u00e1rio mudar o rumo para descobrirmos as belezas do caminho. Fundamental \u00e9 que aprendamos com os erros. Representante pronto e acabado da extrema direita, o atual presidente da Rep\u00fablica pode ser citado como protagonista ou ess\u00eancia de qualquer par\u00e1bola. O governo est\u00e1 no modo \u00e0 espera de um milagre, mas ele insiste em se mostrar milagreiro. E n\u00e3o h\u00e1 meio de inform\u00e1-lo sobre a verdade do Brasil p\u00f3s-pandemia e com mais de 612 mil mortos em decorr\u00eancia de uma gripezinha inventada pelos chineses e contra a qual s\u00f3 despertamos depois de o v\u00edrus se transformar em potencial candidato \u00e0 derrocada sanit\u00e1rio-econ\u00f4mica e ap\u00f3s o Brasil do sorriso e da alegria virar p\u00e1ria mundial, ser isolado como c\u00e3o sarnento.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil entender as raz\u00f5es que levam um ser humano sem voca\u00e7\u00e3o alguma para o poder querer ser o dono do mundo. Pior foi tentar &#8211; e n\u00e3o conseguir, \u00e9 claro &#8211; se mostrar como paladino da moralidade. Todos os seus discursos viraram fakes, inclusive e sobretudo os que pregavam a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 f\u00e1cil afirmar que ser presidente n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o destinada aos bons de esp\u00edrito, de racioc\u00ednio, conversa, conhecimento e sensatez. Destina-se principalmente \u00e0queles que agem como na par\u00e1bola do Bom Samaritano. No sentido oposto, h\u00e1 os que, al\u00e9m de n\u00e3o dispor de nenhum desses predicados, pensam como tiranos e insanamente acreditam ser reis ainda que de castelos alheios.<\/p>\n<p>Dependendo apenas do tempo, a esses restar\u00e3o o ostracismo, o abandono e a certeza de que nunca ser\u00e3o homens de bem. Afinal, nas rela\u00e7\u00f5es humanas e pol\u00edticas, quando voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico certo, h\u00e1 uma \u00fanica certeza: voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico errado. \u00c9 o cen\u00e1rio em que as almas cambaleantes e desnorteadas dos brasileiros sonhadores est\u00e3o atoladas at\u00e9 a medula. Desnorteado, fr\u00e1gil, com os quatro filhos alvos de investiga\u00e7\u00f5es policiais, cada vez mais isolado e com dificuldades insol\u00faveis de encontrar um partido para chamar de seu, o capit\u00e3o presidente patina em suas pr\u00f3prias idiossincrasias. E agora, al\u00e9m de Luiz In\u00e1cio, tem na sua cola o ex-juiz que defenestrou do governo sem d\u00f3 nem piedade. O problema \u00e9 s\u00e9rio e, tudo indica, com sequelas inimagin\u00e1veis pelo principal ocupante e pelos vassalos das baronices da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Deus Pais Todo Poderoso tem ajudado seu povo sofrido e finalmente a ficha come\u00e7ou a cair pelos lados do Pal\u00e1cio do Planalto. Incomodado pelo absurdo crescimento do apoio de expressiva parcela do eleitorado a Luiz In\u00e1cio, o governo do cercadinho est\u00e1 apavorado com a chegada de S\u00e9rgio Moro ao palco pol\u00edtico do ano que vem, com a simpatia p\u00fablica de numerosos membros do staff de Jair Messias, entre eles o vice-presidente Hamillton Mour\u00e3o, os ex-ministros Carlos Alberto dos Santos Cruz e Luiz Henrique Mandetta e os senadores Eduardo Gir\u00e3o (CE) e Marcos do Val (ES), ambos filiados ao Podemos, partido ao qual Moro se vinculou h\u00e1 uma semana.<\/p>\n<p>Por conta disso tudo, sou obrigado a recorrer a uma par\u00e1bola pr\u00f3pria, a da conspira\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se trata de uma teoria barata e sem fundamento. Sem medo de errar, adiro \u00e0 tese de que Bolsonaro, esvaziado politicamente e longe do bast\u00e3o de mito de barro, provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, pois sabe que vai perder. Dever\u00e1 abandonar o pleito e buscar apoio para tentar uma vaga na C\u00e2mara ou no Senado, casas que, caso consiga os votos necess\u00e1rios, lhe garantir\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o da imunidade. Na verdade, a da impunidade. Por enquanto, vale refletir sobre a par\u00e1bola do s\u00e1bio, cuja conclus\u00e3o diz que, &#8220;para fazer deste mundo um lugar feliz para se viver, \u00e9 melhor voc\u00ea mudar a si pr\u00f3prio e n\u00e3o o mundo&#8221;. A hora \u00e9 de recuar enquanto h\u00e1 tempo.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito comuns na literatura oriental, as par\u00e1bolas consistem em hist\u00f3rias que pretendem trazer algum ensinamento de vida. S\u00e3o textos narrativos, \u00e0s vezes aleg\u00f3ricos, com estrutura parecida com a dos contos. S\u00e3o simbolismos com significados espec\u00edficos para cada elemento da hist\u00f3ria. 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