{"id":275328,"date":"2021-11-28T07:05:51","date_gmt":"2021-11-28T10:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=275328"},"modified":"2021-11-28T07:05:12","modified_gmt":"2021-11-28T10:05:12","slug":"mentira-sobre-fraude-que-quase-virou-verdade-acabou-no-iraja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mentira-sobre-fraude-que-quase-virou-verdade-acabou-no-iraja\/","title":{"rendered":"Mentira sobre fraude que quase virou verdade acabou no Iraj\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Frase original do pintor e lit\u00f3grafo franc\u00eas Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Mentira tem perna curta tamb\u00e9m \u00e9 uma antiga can\u00e7\u00e3o de Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho. No fim do s\u00e9culo XIX, Lautrec era famoso pelas hist\u00f3rias generosas que contava sobre si mesmo. Bo\u00eamio contumaz, dizem que seu talento para mentira era t\u00e3o grande como sua voca\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O folclore sobre sua vida \u00e9 t\u00e3o surreal que, ao ter a morte anunciada aos 36 anos, o parisiense pensou que fosse mais uma das lorotas do artista. A informa\u00e7\u00e3o era verdadeira. Na m\u00fasica da dupla caipira (n\u00e3o confundir com sertanejo), o primeiro conjunto de versos da composi\u00e7\u00e3o remete a pelo menos dois dos maiores engodos pol\u00edticos dos \u00faltimos anos no Brasil. &#8220;Mentira tem pena curta, pra longe ela n\u00e3o vai. A verdade quando chega, mentira voando sai&#8221;. A tapea\u00e7\u00e3o inicial ocorreu com a elei\u00e7\u00e3o de um presidente que n\u00e3o consegue cumprir uma linha do que prometeu.<\/p>\n<p>A segunda, muito mais grave, foi tentar ludibriar parte do eleitorado com discursos de fraudes no sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o. Digo parte porque a maioria esmagadora dos eleitores faz tempo est\u00e1 convencida da lisura e da seguran\u00e7a do processo. Desde o in\u00edcio, o criador da tese de suposta falcatrua na urna n\u00e3o conseguiu eco para golpear a elei\u00e7\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o, muito menos o povo. Mesmo assim, a mentira incomodou os que jamais desacreditaram da maquinha de votar, entre eles pol\u00edticos, magistrados, t\u00e9cnicos em inform\u00e1tica e, sobretudo, aqueles que participaram da cria\u00e7\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do equipamento. Descoberta a farsa da fraude, o pr\u00f3prio mentor da ardilosa hist\u00f3ria foi &#8220;obrigado&#8221; a reconhecer a inviolabilidade da urna. O argumento foi a inclus\u00e3o das For\u00e7as Armadas no processo de fiscaliza\u00e7\u00e3o, que sempre esteve \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de qualquer segmento da Rep\u00fablica, inclusive das For\u00e7as Armadas. Se n\u00e3o fiscalizaram at\u00e9 agora foi por absoluta falta de vontade.<\/p>\n<p>O presidente mentiu, a mentira acabou descoberta e faltou humildade para reunir apoiadores e seguidores fan\u00e1ticos para reconhecer a falha ou a forma equivocada de se conseguir votos por meio de tramoias insustent\u00e1veis. O fato \u00e9 que mentira \u00e9 sempre a pior escolha. Afinal, quando somos descobertos, perdemos todos os cr\u00e9ditos que ganhamos na vida. Filosoficamente, uma mentira \u00e9 a porta de sa\u00edda que se fecha sem possibilidade de retorno. N\u00e3o existe chave que abra uma confian\u00e7a perdida. \u00c9 muito mais f\u00e1cil desacreditar alguma coisa do que aceitar um fiasco pessoal. Pois \u00e9 justamente o que acontece com pol\u00edticos que perdem a elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o admitem a derrota e passam a entoar o mantra do roubo, da injusti\u00e7a eleitoral. S\u00e3o eles os maiores advers\u00e1rios do voto digital. Essa m\u00e1xima tamb\u00e9m se aplica a candidatos que anteveem a derrota. Foi esse o mote principal da farsa da fraude na urna eletr\u00f4nica. Triste, mas verdadeiro.<\/p>\n<p>Para mim e para milh\u00f5es de brasileiros que votam com consci\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a Justi\u00e7a Eleitoral, seus magistrados e t\u00e9cnicos merecem confian\u00e7a e respeito. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o Brasil carece de nomes capazes de representar sua totalidade. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais faz algumas d\u00e9cadas n\u00e3o voto para presidente da Rep\u00fablica. As raz\u00f5es s\u00e3o exclusivamente de foro \u00edntimo, mas todas com fulcro (eita palavra sem vergonha) no imagin\u00e1rio realista de um cidad\u00e3o que envelheceu cismado em encontrar respostas para o sonho primitivo de algu\u00e9m que mata e morre por uma fun\u00e7\u00e3o sabidamente complicada, ruim e cansativa. Posso ser acusado de tudo, mas o tempo e os eleitos t\u00eam colaborado com as cismas e confirmado minhas rusgas internas. A\u00ed vem a pergunta que n\u00e3o cala no inconsciente de milh\u00f5es de brasileiros. Quando o Brasil ter\u00e1 um presidente capaz de ser chamado de seu por todos os eleitores?<\/p>\n<p>Dif\u00edcil, mas n\u00e3o improv\u00e1vel. Por isso, venho confabulando comigo mesmo e estou conseguindo avan\u00e7os reais nessa tentativa de finalmente usar a urna eletr\u00f4nica para votar conscientemente em um candidato ao Pal\u00e1cio do Planalto. Pode parecer estranho essa hist\u00f3ria estar sendo contada por um cidad\u00e3o que durante alguns anos participou das entranhas da Justi\u00e7a Eleitoral. Tenho de ser mais claro e afirmar que nunca questionei a lisura ou a seguran\u00e7a do processo eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o. Jamais faria isso. Meu problema \u00e9 com os votados e com a falta de explica\u00e7\u00e3o coerente para a necessidade de perpetua\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 ruim, como disse recentemente o atual mandat\u00e1rio, por que n\u00e3o largar o osso ap\u00f3s cumprir o mandato para o qual foi escolhido? Por que correr o risco de passar para a hist\u00f3ria do pa\u00eds como Judas?<\/p>\n<p>Em tempo, voltei a pensar em utilizar o t\u00edtulo de eleitor como minha principal arma de mudan\u00e7a faz um ou dois meses, depois de rever, no supermercado, o amigo Z\u00e9 do TSE (basta Z\u00e9). Ninja dos bastidores tecnol\u00f3gicos do TSE e \u00edcone no trabalho de sustenta\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a do sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o, foi ele quem, l\u00e1 atr\u00e1s, no fim dos anos 90, me deu a primeira informa\u00e7\u00e3o de que a marreta seria a \u00fanica forma de violar a urna com seus 25 sistemas e mais de 15 milh\u00f5es de linhas de programa\u00e7\u00e3o. Nesse reencontro, Z\u00e9 manteve a confian\u00e7a, dando-me a certeza de que n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de que picaretas sem lastro ou corte possam fraudar a maquinha de fazer presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. E j\u00e1 faz 25 anos que a urna eletr\u00f4nica realiza sonhos de candidatos que ainda n\u00e3o consegui chamar de meus. Sobre a farsa da fraude, quem diria, acabou no Iraj\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frase original do pintor e lit\u00f3grafo franc\u00eas Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Mentira tem perna curta tamb\u00e9m \u00e9 uma antiga can\u00e7\u00e3o de Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho. No fim do s\u00e9culo XIX, Lautrec era famoso pelas hist\u00f3rias generosas que contava sobre si mesmo. 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