{"id":276049,"date":"2021-12-09T12:17:10","date_gmt":"2021-12-09T15:17:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=276049"},"modified":"2021-12-09T12:19:17","modified_gmt":"2021-12-09T15:19:17","slug":"salvador-da-patria-lamenta-todo-dia-ter-virado-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/salvador-da-patria-lamenta-todo-dia-ter-virado-presidente\/","title":{"rendered":"Salvador da p\u00e1tria lamenta todo dia ter virado presidente"},"content":{"rendered":"<p>Mestre de sei l\u00e1 o que, o presidente da Rep\u00fablica Federativa do Brasil completa em janeiro pr\u00f3ximo tr\u00eas de um governo que ainda carece de formata\u00e7\u00e3o, de l\u00f3gica, personalidade ou, na melhor das hip\u00f3teses, de um l\u00edder vocacionado e que n\u00e3o desdenhe da fun\u00e7\u00e3o sempre que \u00e9 chamado a dar solu\u00e7\u00f5es para os problemas nacionais. Com todo respeito \u00e0 figura humana eleita para o principal cargo pol\u00edtico do pa\u00eds, qualquer brasileiro com um m\u00ednimo de intelig\u00eancia se sente impedido de avali\u00e1-lo como mandat\u00e1rio capaz de gerir as riquezas e as mazelas de uma na\u00e7\u00e3o de 8,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, 213,3 milh\u00f5es de habitantes absolutamente desiguais e de milhares de pol\u00edticos vorazes, mas incapazes de representar aqueles que lhes concedem o mandato.<\/p>\n<p>\u00c9 algo cada vez mais pr\u00f3ximo dos piores folhetins j\u00e1 exibidos pela televis\u00e3o tupiniquim sobre mal feitos, falcatruas ou sacanagens. Enfim, o Brasil de hoje parece tudo isso junto. Preocupados apenas com os pr\u00f3prios bolsos, nossos representantes no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas c\u00e2maras municipais s\u00e3o um caso \u00e0 parte. A maioria \u00e9 digna de piadas de alt\u00edssimo teor cal\u00f3rico em botecos, casas de lenoc\u00ednio e vel\u00f3rios de periferias. Alguns rendem costumeiramente manchetes em jornais e telejornais policiais. Resumindo, poucos s\u00e3o dignos dos votos que recebem. Pior \u00e9 quando, por raz\u00f5es nada republicanas, decidem formar fileiras junto a presidentes que nada sabem ou que nada fazem.<\/p>\n<p>Viram comandantes de barcos pr\u00f3ximos do naufr\u00e1gio, mas abarrotados de tesouros que eles criam emendando emendas, petrolando mensal\u00f5es ou gerando or\u00e7amentos secretos que acabam sacramentados como corretos gra\u00e7as \u00e0 parcim\u00f4nia de suas excel\u00eancias de toga. Tudo dentro dos conformes e das leis remendadas de acordo com a mar\u00e9 que eles baixam ou sobem quando querem. Em n\u00f3s \u00e9 s\u00f3 cr\u00e9u, sem apelo, vaselina ou ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos salva\u00e7\u00e3o. Expressivo n\u00famero de eleitores achou que havia encontrado o salvador da p\u00e1tria em 2018. Achou, mas o perdeu de vista logo ap\u00f3s a posse, no primeiro dia de janeiro de 2019. O discurso sedutor, bonitinho, de patriotismo, honestidade, probidade e de recupera\u00e7\u00e3o nacional saiu das redes sociais uma \u00fanica vez para estimular o fracassado golpe de 7 de setembro.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, tudo igual ao in\u00edcio: nada de produtivo, nada de interessante, nada de real. O pa\u00eds que j\u00e1 foi um parquinho de divers\u00f5es tocando freneticamente singles adesistas transformou-se em um enredo de terror. Hoje, o Brasil lembra aquele filme em que, durante a noite de Halloween, um grupo de amigos \u00e9 perseguido por um assassino mascarado em um parque tem\u00e1tico. Na hist\u00f3ria, todas as atrociades s\u00e3o praticadas na frente do p\u00fablico. A plateia acredita ser tudo parte de um show e, por isso, ignora os pedidos de socorro. Mera coincid\u00eancia ou pura coniv\u00eancia? Seja l\u00e1 o que for, como explicar a milhares de milh\u00f5es de eleitores a costumeira crise existencial do principal inquilino do Pal\u00e1cio do Planalto? Como reconhecer boas inten\u00e7\u00f5es em algu\u00e9m que frequentemente lamenta ter sido eleito presidente da Rep\u00fablica?<\/p>\n<p>Mais uma vez temos de recorrer a um enredo hollywoodiano para tentar justificar o atual est\u00e1gio anedot\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o. Elegemos um presidente reconhecidamente contr\u00e1rio \u00e0s ordens estabelecidas. Sobre as institui\u00e7\u00f5es, melhor esquecermos as adjetiva\u00e7\u00f5es via lives para o p\u00fablico do cercadinho. Se a cadeira presidencial tem &#8220;kriptonita&#8221; (subst\u00e2ncia capaz de minar poderes de super-her\u00f3is) podemos concluir que a (des) governan\u00e7a tem a ver com o atrapalhado inspetor franc\u00eas Jacques Clouseau, brilhantemente interpretado pelo ator Steve Martin no filme Pantera cor de Rosa, vers\u00e3o 2006. Na com\u00e9dia, Clouseau foi convocado a Paris pelo inspetor chefe Charles Dreyffus para investigar a morte de um t\u00e9cnico de futebol local.<\/p>\n<p>O plano era usar Clouseau como chamariz para a m\u00eddia, enquanto inspetores mais gabaritados tentavam resolver o caso. Como toda boa hist\u00f3ria tem final feliz, ap\u00f3s longa enrola\u00e7\u00e3o Clouseau descobre o assassino. Por aqui, se a ideia era realmente o despiste, o fracasso retumbante ficou conhecido como o Dia do Recuo no Dia da Independ\u00eancia. Por isso, talvez precisemos de mais dez ou 12 vers\u00f5es at\u00e9 que pelo menos consigamos eleger um pantera negra que realmente se preocupe com a extin\u00e7\u00e3o dos felinos de menor porte instalados no Cerrado.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mestre de sei l\u00e1 o que, o presidente da Rep\u00fablica Federativa do Brasil completa em janeiro pr\u00f3ximo tr\u00eas de um governo que ainda carece de formata\u00e7\u00e3o, de l\u00f3gica, personalidade ou, na melhor das hip\u00f3teses, de um l\u00edder vocacionado e que n\u00e3o desdenhe da fun\u00e7\u00e3o sempre que \u00e9 chamado a dar solu\u00e7\u00f5es para os problemas nacionais. 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