{"id":276079,"date":"2021-12-10T14:38:45","date_gmt":"2021-12-10T17:38:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=276079"},"modified":"2021-12-10T14:38:45","modified_gmt":"2021-12-10T17:38:45","slug":"jogo-da-sucessao-estimula-mito-a-insistir-no-morde-e-assopra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jogo-da-sucessao-estimula-mito-a-insistir-no-morde-e-assopra\/","title":{"rendered":"Jogo da sucess\u00e3o estimula mito a insistir no morde e assopra"},"content":{"rendered":"<p>A velha m\u00e1xima de quem desdenha quer comprar voltou a circular esta semana no ninho palaciano. Pela en\u00e9sima vez, o presidente da Rep\u00fablica imaginou estar falando para leigos ou fan\u00e1ticos desplugados da realidade e repetiu estar de saco cheio do cargo para o qual foi eleito em 2018. Claro que n\u00e3o foram essas as palavras usadas por sua excel\u00eancia, mas a conota\u00e7\u00e3o foi exatamente a do transbordamento do fole. No sentido mais ortodoxo, aquele lapidado, como disse On\u00e1rio, o termo \u00e9 sin\u00f4nimo de amofina\u00e7\u00e3o, aborrecimento, aperreamento, agastamento, apoquenta\u00e7\u00e3o ou, na hip\u00f3tese mais popular, aporrinha\u00e7\u00e3o. O lamento presidencial aconteceu na sede da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), cuja tamanho do PIB me permite afirmar que o p\u00fablico era formado de pessoas inteligentes e capazes de discernir entre a preocupa\u00e7\u00e3o do n\u00e3o saber e o pavor de perder.<\/p>\n<p>Todos ouviram, compreenderam, sorriram, mas, obviamente, nenhum dos presentes acreditou. Nem as sisudas paredes do templo dos industriais aceitaram a afirma\u00e7\u00e3o como confiss\u00e3o honesta. Silenciosamente, a maioria \u2013 ou todos \u2013 deve ter concordado com as complica\u00e7\u00f5es e chatices das fun\u00e7\u00f5es reservadas a um mandat\u00e1rio. Do alto de minha imprudente imagina\u00e7\u00e3o de poder, penso que brigar para ser s\u00edndico, prefeito, governador e presidente \u00e9 algo t\u00e3o pr\u00f3ximo do inconsciente coletivo (a parte abissal da mente humana) que os psicanalistas Sigmund Freud e Carl Gustav Jung jamais ousaram explicar. Psique \u00e0 parte, tamb\u00e9m tenho urtic\u00e1rias s\u00f3 de sonhar com a possibilidade. Afinal, prefer\u00edvel a forca a receber, conversar e acarinhar pessoas com as quais mantemos la\u00e7os de inimizade ou adversidade profundas.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o vou negar que, sonho por sonho, quem nunca se imaginou como uma das milhares de excel\u00eancias de toga, aquelas com sal\u00e1rios e vantagens vital\u00edcios al\u00e9m t\u00famulo. Melhor esquecer essa hist\u00f3ria da conduta ilibada e do not\u00e1vel saber jur\u00eddico, pois incomoda demais os mortais que, como eu, tamb\u00e9m conclu\u00edram um ou mais cursos superiores, de mestrado e doutorado, mas nunca se acharam doutores, muito menos deuses. Voltando ao presidente da Rep\u00fablica que n\u00e3o gosta do que faz \u2013 talvez n\u00e3o saiba \u2013, se o cargo \u00e9 t\u00e3o ruim como ele demonstra, qual a raz\u00e3o para mover mundos e fundos para se perpetuar no Pal\u00e1cio do Planalto? Como na letra de Caetano Veloso, ou a minha est\u00fapida ret\u00f3rica est\u00e1 absolutamente ultrapassada ou realmente h\u00e1 algo de estranho nos podres poderes.<\/p>\n<p>Tudo indica que o muro das lamenta\u00e7\u00f5es do presidente foi chapiscado pela inc\u00f4moda repeti\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros contidos nos resultados das \u00faltimas pesquisas eleitorais. No cen\u00e1rio mais pessimista, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio ganharia no primeiro e com relativa folga se a elei\u00e7\u00e3o fosse hoje. Abominando o cargo, mas sem abandon\u00e1-lo, o atual chefe do Executivo ainda \u00e9 o segundo colocado na disputa, seguido sem muita dist\u00e2ncia por S\u00e9rgio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justi\u00e7a do governo que ora critica. Aparentemente, Moro deixou de ser surpresa, enquanto Jair Bolsonaro esbarra nas falsas verdades que ele pr\u00f3prio profere. Diante disso, est\u00e1 cada vez mais f\u00e1cil concluir que as queixas do presidente faz tempo deixaram de ser surpresa para pol\u00edticos, jornalistas, assessores, seguidores n\u00e3o ideol\u00f3gicos e eleitores atentos.<\/p>\n<p>Em breve, esse pessoal deve pedir a Bolsonaro uma posi\u00e7\u00e3o oficial sobre sua candidatura. O povo quer saber se \u00e9 para valer ou apenas para ingl\u00eas ver ou evitar perdas de simpatizantes para o ex-auxiliar S\u00e9rgio Moro. O brasileiro comum precisa de governo, de presidente, de comando e n\u00e3o de medos ou desprezos. N\u00e3o \u00e9 desdenhando do que tem que algu\u00e9m conseguir\u00e1 a primazia da seriedade. O povo cansou dos discursos dirigidos a f\u00e3s, principalmente das falas destinadas a esconder o que \u00e9 ruim e a tentar recuperar aliados abandonados na sarjeta. Da\u00ed, os \u00faltimos ataques contra o Supremo Tribunal Federal, contra o passaporte da vacina, contra a CPI da Covid e a favor, por exemplo, do deputado Daniel Silveira, preso por incitamento \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 desordem. Estimulado pelos n\u00fameros, o gramado do manjado jogo do morde e assopra come\u00e7a a ficar sem cor. O risco \u00e9 chegar a outubro de 2022 com a grama esturricada por absoluta falta de adubo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A velha m\u00e1xima de quem desdenha quer comprar voltou a circular esta semana no ninho palaciano. 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