{"id":276497,"date":"2021-12-18T17:03:07","date_gmt":"2021-12-18T20:03:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=276497"},"modified":"2021-12-18T21:07:49","modified_gmt":"2021-12-19T00:07:49","slug":"museu-do-amanha-abre-maior-bioma-tropical-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/museu-do-amanha-abre-maior-bioma-tropical-mundial\/","title":{"rendered":"Museu do Amanh\u00e3 abre maior bioma tropical mundial"},"content":{"rendered":"<p>Quem visitar o Museu do Amanh\u00e3, na Pra\u00e7a Mau\u00e1, regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio, poder\u00e1 fazer uma viagem ao maior bioma tropical do mundo com a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria <em>Fruturos &#8211; Tempos Amaz\u00f4nicos<\/em>, em sete \u00e1reas, apresentando a biodiversidade em toda a sua extens\u00e3o e o conhecimento presente na regi\u00e3o. A mostra prop\u00f5e novas descobertas na rela\u00e7\u00e3o entre a floresta e o clima, mas chama aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia da sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O passeio come\u00e7a em um cen\u00e1rio com silhuetas de \u00e1rvores inundadas pelas cheias. No teto, v\u00ea-se uma sucuri e um pirarucu, enquanto sons de seres aqu\u00e1ticos envolvem o visitante no ambiente amaz\u00f4nico. Tamb\u00e9m no come\u00e7o da exposi\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o do visitante-viajante vai ser atra\u00edda por uma folha real de coccoloba, \u00e1rvore regional, de cerca de 1,60 metro (m), uma das maiores folhas do mundo.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, o contato \u00e9 com v\u00e1rios objetos usados por povos ind\u00edgenas. Nas paredes, placas indicam a quantidade de idiomas falados na Amaz\u00f4nia. Como a exposi\u00e7\u00e3o tem uma s\u00e9rie de experi\u00eancias interativas, ali o viajante vai poder ouvir o som de instrumentos ind\u00edgenas ao se aproximar de cada um, entre eles um tambor e uma flauta.<\/p>\n<p>Em mais um esquema interativo, sentado ao redor da caracteriza\u00e7\u00e3o de uma suma\u00fama, considerada uma das maiores \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia, o visitante ver\u00e1 como vivem as comunidades que habitam a floresta, como os agricultores, os extrativistas e os ribeirinhos. A viagem continua por um balc\u00e3o sinuoso que remete a um rio com tr\u00eas afluentes. Cada um deles representa um fator que coloca em risco a preserva\u00e7\u00e3o do bioma. Um v\u00eddeo projetado no local mostra a expans\u00e3o das pastagens e a constru\u00e7\u00e3o de grandes obras de infraestrutura.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o reserva ainda um ambiente festivo que retrata a cultura local em diferentes aspectos. Ali, o visitante conhecer\u00e1 as m\u00fasicas e dan\u00e7as da regi\u00e3o, a culin\u00e1ria, a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e as roupas usadas em ocasi\u00f5es especiais de festa, como a do povo Ashaninka e uma de apresenta\u00e7\u00f5es de marabaixo. Poder\u00e1 ver tamb\u00e9m um peda\u00e7o da corda do C\u00edrio de Nazar\u00e9. Para a crian\u00e7ada, a divers\u00e3o est\u00e1 garantida tamb\u00e9m em pula-pulas em forma de vit\u00f3ria-r\u00e9gia, com a presen\u00e7a de um boto cor-de-rosa.<\/p>\n<p>Quase terminando o passeio, a proje\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos traz depoimentos de habitantes da regi\u00e3o e as suas perspectivas para o futuro. Em mais uma intera\u00e7\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o do potencial da bioeconomia com os saberes tradicionais e cient\u00edficos surge com o Jogo do Pirarucu. Ainda na sala, o p\u00fablico ver\u00e1 uma estrutura que remete \u00e0 Torre Atto, que tem 325 metros e \u00e9 usada para o monitoramento de dados meteorol\u00f3gicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>No fim, uma experi\u00eancia com realidade virtual em uma pequena maloca o visitantes participa de um jogo em que precisa coletar uma s\u00e9rie de produtos na floresta ao se tornar um avatar de um ind\u00edgena.<\/p>\n<p><strong>Prepara\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo o curador da exposi\u00e7\u00e3o e diretor de de Conhecimento e Cria\u00e7\u00e3o do Museu do Amanh\u00e3, Leonardo Menezes, a mostra come\u00e7ou a ser trabalhada em 2017, quando tiveram in\u00edcio as viagens \u00e0 regi\u00e3o para retratar as diferentes dimens\u00f5es atuais da Amaz\u00f4nia e quais s\u00e3o os cen\u00e1rios que se abrem para o futuro.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o fala sobre os diferentes tempos que coexistem na Amaz\u00f4nia hoje e sobre como podemos criar um novo modelo de desenvolvimento socioecon\u00f4mico, baseado em tr\u00eas eixos: no conhecimento cient\u00edfico, nos saberes e pr\u00e1ticas das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e no compromisso com a floresta em p\u00e9\u201d, disse Menezes na cerim\u00f4nia em que a exposi\u00e7\u00e3o foi apresentada para convidados.<\/p>\n<p>Para Menezes, o modelo de desenvolvimento nos \u00faltimos 50 anos n\u00e3o gerou riquezas, desmatou mais de 20% da floresta e n\u00e3o privilegiou os saberes tradicionais de pessoas que h\u00e1 mil\u00eanios interagem com a floresta. \u201cPesquisas cient\u00edficas revelam que territ\u00f3rios ind\u00edgenas, por exemplo, t\u00eam as maiores taxas de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, afirmou, durante a cerim\u00f4nia de apresenta\u00e7\u00e3o da mostra para convidados.<\/p>\n<p><strong>Objetos<\/strong><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a que tem o maior n\u00famero de objetos da hist\u00f3ria do Museu do Amanh\u00e3 a partir do reaproveitamento de pe\u00e7as de outras mostras que j\u00e1 passaram por l\u00e1, e a data da abertura coincide com o anivers\u00e1rio de seis anos deste importante espa\u00e7o cultural da cidade.<\/p>\n<p>No passeio, o visitante vai ver que a mostra n\u00e3o est\u00e1 restrita ao Brasil, porque a Amaz\u00f4nia se espalha por oito pa\u00edses e um territ\u00f3rio e tem, atualmente, mais de 30 milh\u00f5es de habitantes, milhares de esp\u00e9cies de plantas, o que a transforma em uma das regi\u00f5es de maior biodiversidade do mundo.<\/p>\n<p>O objetivo da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 estimular o p\u00fablico a refletir sobre as possibilidades de se envolver em um modelo de desenvolvimento que conserve a floresta em p\u00e9, principalmente pela uni\u00e3o entre ci\u00eancia e saberes tradicionais. Por isso, vai receber estudantes. \u201cComo \u00e9 que essa pauta de <em>Fruturos-Tempos Amaz\u00f4nicos<\/em> chega na favela? Como ela chega para v\u00e1rias crian\u00e7as e adolescentes que sofreram processo de evas\u00e3o nas escolas? \u00c9 sobre isso que a gente est\u00e1 pensando, quando fala em conviv\u00eancia. Como a gente faz essa discuss\u00e3o chegar aqui para os vizinhos do museu?\u201d, questionou Luana G\u00e9not, consultora para Conviv\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a ind\u00edgena Vanda Ortega, da etnia Witoto, \u00e9 preciso valorizar como os povos origin\u00e1rios olham para a Amaz\u00f4nia. \u201cA gente tem que falar das pessoas, porque s\u00e3o elas que mant\u00eam a floresta de p\u00e9. \u00c9 a partir do modo de vida dessas popula\u00e7\u00f5es que vivem \u00e0s margens dos rios e em seus territ\u00f3rios que ainda \u00e9 poss\u00edvel contemplar o verde que se tem na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O vice-presidente executivo de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais e Comunica\u00e7\u00e3o da Vale e presidente do Conselho do Instituto Cultural Vale, Luiz Eduardo Osorio, destacou que, quando se realiza uma exposi\u00e7\u00e3o como esta, mant\u00e9m-se um di\u00e1logo e se traz um olhar sobre a cultura da floresta, que tem riquezas culturais muito representativas da presen\u00e7a humana na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m onde se convive com a devasta\u00e7\u00e3o, que precisa ser combatida, e com o garimpo ilegal. \u201cNossas empresas precisam ser preservadas e as grandes empresas t\u00eam um papel fundamental nisso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O cientista Paulo Artaxo, que \u00e9 o consultor cient\u00edfico chefe da exposi\u00e7\u00e3o, aponta como maior destaque da mostra a integra\u00e7\u00e3o entre o bioma amaz\u00f4nico, o clima, as popula\u00e7\u00f5es tradicionais e os mais de 30 milh\u00f5es de pessoas que moram na regi\u00e3o. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o mostra os conflitos, as \u00e1reas de equil\u00edbrio que existem e, desse ponto de vista, integra todos os principais fatores que marcam o desenvolvimento da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.\u201d<\/p>\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento e Gest\u00e3o (IBG), que administra o Museu do Amanh\u00e3, Ricardo Piquet, disse que a proposta de pensar o futuro, a partir da cria\u00e7\u00e3o dessa institui\u00e7\u00e3o da prefeitura do Rio, espalhou-se pelo mundo e hoje est\u00e1 associada a diversos outros equipamentos culturais. \u201cA Funda\u00e7\u00e3o em Amsterdam, que se chama Museum of Tomorrow International, coordena uma alian\u00e7a de museus de ci\u00eancia orientados para o futuro, como o Museu do Amanh\u00e3. \u00c9 nisso que a gente v\u00ea a ideia genial do museu, ao falar do amanh\u00e3, que provocou inquieta\u00e7\u00f5es em outros museus\u201d, disse.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o <em>Fruturos &#8211; Tempos Amaz\u00f4nicos<\/em> \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do Museu do Amanh\u00e3, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gest\u00e3o, a Prefeitura do Rio, o Instituto Cultural Vale, por meio da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), da Ag\u00eancia France Press, da Globo e da Ag\u00eancia Sapiens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem visitar o Museu do Amanh\u00e3, na Pra\u00e7a Mau\u00e1, regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio, poder\u00e1 fazer uma viagem ao maior bioma tropical do mundo com a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria Fruturos &#8211; Tempos Amaz\u00f4nicos, em sete \u00e1reas, apresentando a biodiversidade em toda a sua extens\u00e3o e o conhecimento presente na regi\u00e3o. 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