{"id":276891,"date":"2021-12-24T07:29:06","date_gmt":"2021-12-24T10:29:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=276891"},"modified":"2021-12-24T07:29:06","modified_gmt":"2021-12-24T10:29:06","slug":"povo-corre-risco-de-comprar-chester-e-levar-galinha-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/povo-corre-risco-de-comprar-chester-e-levar-galinha-preta\/","title":{"rendered":"Povo corre risco de comprar chester e levar galinha preta"},"content":{"rendered":"<p>O que \u00e9 bom dura o tempo suficiente para n\u00e3o ser esquecido. O contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro. O que lembrar de um governo que n\u00e3o existiu? O que dizer de um mandat\u00e1rio que n\u00e3o mandou, embora tivesse a caneta, o fuzil, os seguidores fan\u00e1ticos e o Centr\u00e3o sempre por perto? Pouco, muito pouco, quase nada. Desde os primeiros passos pol\u00edticos, j\u00e1 ouvi e assisti de tudo um pouco na Terra Brasilis. Vivi a ditadura, conheci de perto Ulysses Guimar\u00e3es e Tancredo Neves, torci contra o Col\u00e9gio Eleitoral, jamais vi honestidade em Paulo Maluf e vibrei pelas Diretas J\u00e1. Apaguei do curr\u00edculo, mas n\u00e3o posso omitir uma r\u00e1pida subordina\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica a Orestes Qu\u00e9rcia e M\u00facio Athayde, ambos antigos parlamentares do velho, indecifr\u00e1vel e, j\u00e1 naquela \u00e9poca, apodrecido PMDB.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m imaginei mil e uma mudan\u00e7as com a ascens\u00e3o da esquerda. Experimentei algumas, entre elas a democracia a qualquer custo. Depois de mazelas hist\u00f3ricas e com a eleva\u00e7\u00e3o de numerosos aproveitadores soturnos, imaginei que o Brasil havia atingido a idade da raz\u00e3o, que enfim tinha conquistado alguma maturidade pol\u00edtica. Ledo engano. Talvez tenha de viver mais 100, 150 anos para alcan\u00e7ar o sonho dourado da democracia plena, da consci\u00eancia eleitoral e, sobretudo, da renova\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a. Ap\u00f3s fant\u00e1sticas expectativas de ter voz entre os pa\u00edses mais ricos do planeta, bastou uma elei\u00e7\u00e3o para que o pa\u00eds hibernasse e recuasse preciosos anos no tempo do mundo.<\/p>\n<p>O gigante chamado Brasil voltou a adormecer. Parte do povo emburreceu politicamente. Abandonamos o bord\u00e3o pa\u00eds do futuro e voltamos a ser o que fomos durante d\u00e9cadas: um amontoado de gente sem rumo, sem prote\u00e7\u00e3o e sem governo. Precisamos voltar a ser uma na\u00e7\u00e3o. Temos obriga\u00e7\u00e3o de eleger um presidente preparado para ouvir assessores e capacitado para enfrentar os solavancos econ\u00f4micos, as intemp\u00e9ries da natureza e, principalmente, as insol\u00faveis desigualdades sociais. O passo inicial \u00e9 pensar bem antes de escolher o primeiro que nos oferece flores murchas ou bombons estragados.<\/p>\n<p>Acreditar em mitos pode ser sin\u00f4nimo de desgra\u00e7a administrativa ou devasta\u00e7\u00e3o de uma economia que at\u00e9 recentemente parecia pujante. As elei\u00e7\u00f5es de 2022 deveriam representar um recome\u00e7o. Tomara que sim. Quem sabe n\u00e3o comecemos por uma limpeza no Congresso Nacional, h\u00e1 muito sem ideologia e avaliado como inimigo do povo. \u00c9 uma tarefa interessante e imperativa para quem deseja um pa\u00eds s\u00e9rio e distante da corrup\u00e7\u00e3o. Perd\u00e3o pelo sinceric\u00eddio, mas faltam deputados e senadores dispostos a, por exemplo, se manifestarem contra um fundo eleitoral de R$ 5,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Sobram parlamentares t\u00e3o ocupados em aprovar o fund\u00e3o e deliberadamente despreocupados com o desemprego de cerca de 15 milh\u00f5es de brasileiros e com a fome de 19 milh\u00f5es de pessoas, todos tamb\u00e9m conhecidos oportunamente como sua excel\u00eancia o eleitor. S\u00e3o tempos estranhos. T\u00e3o estranhos que me obrigam a dar cr\u00e9dito a uma recente an\u00e1lise do controverso, pol\u00eamico e irritadi\u00e7o ex-prefeito, ex-governador e ex-senador Roberto Requi\u00e3o. Sem mandato, mas com configura\u00e7\u00f5es historicamente \u00e0 esquerda, ele j\u00e1 brigou at\u00e9 com ele mesmo, mas sempre teve posi\u00e7\u00f5es muito claras sobre tudo, inclusive a respeito da atua\u00e7\u00e3o especulativa das institui\u00e7\u00f5es financeiras, que emprestam caro o dinheiro pelo qual pagam muito pouco.<\/p>\n<p>Semana passada, me rendi a mais uma das estridentes rea\u00e7\u00f5es de Requi\u00e3o ao emburrecimento pol\u00edtico da popula\u00e7\u00e3o. O ex-senador lembrou que, em 2019, os bancos tomaram 70 mil im\u00f3veis por inadimpl\u00eancia. Entretanto, o pobre vinculado \u00e0 direita continua achando que o comunismo \u00e9 que vai tomar seus bens. Portanto, antes de votar, melhor pensarmos um pouco para n\u00e3o comprarmos gato por lebre ou nos obrigarmos a conviver quatro anos com verdades que sabidamente s\u00e3o mentiras. Embora estranhos, os tempos t\u00eam de ser outros. Mais do que eleitores, temos de ser cidad\u00e3os, precisamos pensar no pa\u00eds e n\u00e3o apenas em nosso nariz. N\u00e3o devemos esquecer jamais que o sonho de hoje pode ser o pesadelo de amanh\u00e3. N\u00e3o vale a pena repetir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 bom dura o tempo suficiente para n\u00e3o ser esquecido. O contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro. O que lembrar de um governo que n\u00e3o existiu? O que dizer de um mandat\u00e1rio que n\u00e3o mandou, embora tivesse a caneta, o fuzil, os seguidores fan\u00e1ticos e o Centr\u00e3o sempre por perto? Pouco, muito pouco, quase nada. 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