{"id":277508,"date":"2022-01-02T08:50:45","date_gmt":"2022-01-02T11:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=277508"},"modified":"2022-01-02T08:50:33","modified_gmt":"2022-01-02T11:50:33","slug":"vai-passar-ou-piorar-os-cenarios-da-pandemia-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vai-passar-ou-piorar-os-cenarios-da-pandemia-em-2022\/","title":{"rendered":"Vai passar ou piorar? Os cen\u00e1rios da pandemia em 2022"},"content":{"rendered":"<p>Passados dois anos desde que o Sars-CoV-2, o coronav\u00edrus causador da covid-19, foi descoberto em Wuhan, na China, o mundo parece estar mais pr\u00f3ximo do fim do que do come\u00e7o da pandemia.<\/p>\n<p>Mas, para que esse t\u00e9rmino realmente se torne realidade em 2022, \u00e9 preciso reduzir a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o das vacinas e garantir que ao menos 70% da popula\u00e7\u00e3o global receba as doses do imunizante ao longo dos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o feita pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em uma s\u00e9rie de comunicados recentes.<\/p>\n<p>Em uma coletiva de imprensa no dia 22 de dezembro, o diretor-geral da entidade, o bi\u00f3logo et\u00edope Tedros Adhanom Ghebreyesus, projetou que &#8220;2022 tem tudo para ser o ano do fim da pandemia de covid-19&#8221;.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, ap\u00f3s dois anos de intensa crise sanit\u00e1ria e mais de 5,4 milh\u00f5es de mortes, o mundo &#8220;j\u00e1 conhece o v\u00edrus muito bem e possui as ferramentas para combat\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n<p>Ao citar essas tais ferramentas, o representante da OMS se referia \u00e0s vacinas, aos m\u00e9todos preventivos (uso de m\u00e1scara, distanciamento social, desincentivo a aglomera\u00e7\u00f5es), aos sistemas de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e gen\u00f4mica do v\u00edrus e ao conhecimento acumulado sobre o tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil concordam com essas proje\u00e7\u00f5es e transmitem um otimismo cauteloso para os pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>&#8220;A tend\u00eancia \u00e9 que 2022 seja melhor do que 2021 e fique marcado como o ano em que essa pandemia vai se encerrar. Mas \u00e9 claro que, at\u00e9 l\u00e1, precisamos continuar com todos os cuidados&#8221;, diz o epidemiologista Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas.<\/p>\n<p>&#8220;Vale esclarecer que 2022 pode marcar o fim da situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica, mas isso n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de erradicar o coronav\u00edrus. Tudo indica que continuaremos a ter casos e mortes, mas eles n\u00e3o ficar\u00e3o mais naquela situa\u00e7\u00e3o de descontrole e de colapso dos hospitais&#8221;, pondera a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Entenda a seguir como alguns aspectos relacionados \u00e0 pandemia, como a vacina\u00e7\u00e3o, a disponibilidade de novos tratamentos e o surgimento de variantes, podem evoluir ao longo de 2022.<\/p>\n<p>Do ponto de vista global, o maior obst\u00e1culo a ser vencido no que diz respeito \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 \u00e9 a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o e no acesso a esses produtos.<\/p>\n<p>Enquanto alguns pa\u00edses, como Israel, j\u00e1 estudam aplicar uma quarta dose em sua popula\u00e7\u00e3o, outros sequer conseguiram proteger os grupos mais vulner\u00e1veis, como idosos e profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente preocupante nos pa\u00edses mais pobres: Haiti, Chade, Burundi e Congo ainda n\u00e3o vacinaram nem 1% de seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>&#8220;E n\u00e3o basta doar lotes de vacinas. \u00c9 preciso que os organismos internacionais ajudem esses locais a criar uma estrutura de distribui\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, para que as campanhas cheguem efetivamente \u00e0s pessoas&#8221;, chama a aten\u00e7\u00e3o a infectologista Nancy Bellei, professora e pesquisadora de doen\u00e7as respirat\u00f3rias virais na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Nessa seara, a boa not\u00edcia \u00e9 que n\u00e3o deve ocorrer escassez de doses em 2022. De acordo com os c\u00e1lculos da Federa\u00e7\u00e3o Internacional das Associa\u00e7\u00f5es de Produtores Farmac\u00eauticos, cerca de 24 bilh\u00f5es de unidades dos imunizantes contra a covid devem ser fabricados at\u00e9 junho. Para se ter uma ideia, em 2021 foram entregues 12,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa quantidade projetada para 2022 seria suficiente para resguardar toda a popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Buscar uma maior equidade na vacina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de solidariedade entre os povos. Como o pr\u00f3prio nome j\u00e1 adianta, a pandemia \u00e9 um problema global e, enquanto existirem pessoas desprotegidas, toda a humanidade segue em perigo.<\/p>\n<p>&#8220;A variante \u00f4micron veio justamente para nos dar um certo &#8216;tapa na cara&#8217; e mostrar o que acontece quando n\u00e3o existe uma igualdade vacinal. Enquanto n\u00e3o houver uma prote\u00e7\u00e3o homog\u00eanea, estaremos sujeitos ao surgimento de novas vers\u00f5es do coronav\u00edrus&#8221;, alerta Pasternak, que foi eleita pela BBC uma das 100 mulheres mais inspiradoras e influentes de 2021.<\/p>\n<p>A microbiologista destaca que a chegada da \u00f4micron tamb\u00e9m firmou a necessidade de dar tr\u00eas doses de vacina para garantir um bom n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o contra as formas mais graves da covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Isso mudou a nossa perspectiva: antes pens\u00e1vamos em duas doses, agora sabemos que tr\u00eas s\u00e3o necess\u00e1rias&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O ano de 2022 tamb\u00e9m deve dar mais respostas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de doses de refor\u00e7o dos imunizantes contra a covid de tempos em tempos, a exemplo do que j\u00e1 ocorre com a vacina\u00e7\u00e3o contra a gripe.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o temos certeza de como ser\u00e1 a periodicidade da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid, pois precisamos observar por mais tempo a din\u00e2mica de circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, a intensidade de novas variantes e o comportamento do sistema imune&#8221;, raciocina o infectologista Julio Croda, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (FioCruz).<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 prov\u00e1vel que parte da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel precisar\u00e1 de refor\u00e7os, como os idosos, os imunossuprimidos e os trabalhadores de sa\u00fade&#8221;, complementa o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Em uma perspectiva brasileira, os meses de janeiro ou fevereiro de 2022 devem marcar o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O imunizante desenvolvido pela Pfizer, inclusive, foi aprovado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) em dezembro para quem tem entre 5 e 11 anos.<\/p>\n<p>E existem estudos em andamento para avaliar a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia das doses em um p\u00fablico ainda mais jovem, de 6 meses a 4 anos. Os resultados s\u00e3o esperados para os pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>&#8220;Nas \u00faltimas semanas, vemos um aumento importante na propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as internadas com covid-19 em v\u00e1rias partes do mundo&#8221;, observa Croda.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 essencial que a vacina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m avance nessa faixa et\u00e1ria&#8221;, completa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A detec\u00e7\u00e3o da \u00f4micron na \u00c1frica do Sul no final de novembro representou um verdadeiro banho de \u00e1gua fria.<\/p>\n<p>Classificada rapidamente como uma variante de preocupa\u00e7\u00e3o pela OMS, essa nova vers\u00e3o do coronav\u00edrus chamou a aten\u00e7\u00e3o pela quantidade e pela variedade de muta\u00e7\u00f5es. Muitas delas indicavam uma maior capacidade de infec\u00e7\u00e3o e um potencial para driblar a imunidade pr\u00e9via, obtida com um quadro anterior de covid-19 e pela vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passado um m\u00eas e alguns dias da descoberta, parte dessas proje\u00e7\u00f5es mais pessimistas se mostrou verdadeira: a \u00f4micron de fato se espalhou rapidamente por v\u00e1rias partes do planeta, se tornou dominante em muitos pa\u00edses e est\u00e1 por tr\u00e1s dos recordes recentes de novos casos \u2014 em 28 de dezembro, por exemplo, o mundo teve pela primeira vez mais de um milh\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es pelo coronav\u00edrus registradas em 24 horas.<\/p>\n<p>Por outro lado, alguns estudos publicados nos \u00faltimos dias trazem a esperan\u00e7a de que a covid-19 provocada por essa nova variante possa ser mais branda e causar menos hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 podemos afirmar, com um bom grau de certeza, que a \u00f4micron \u00e9 muito mais infecciosa que o v\u00edrus original, mas parece ser menos agressiva, especialmente entre as pessoas que j\u00e1 foram vacinadas&#8221;, interpreta Hallal, que tamb\u00e9m \u00e9 professor visitante da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 necess\u00e1rio ponderar que essas informa\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o preliminares e precisam ser confirmadas por outras pesquisas&#8221;, complementa o epidemiologista.<\/p>\n<p>&#8220;O que precisamos entender melhor agora \u00e9 se essa variante apresenta alguma desvantagem e n\u00e3o consegue se replicar muito bem nos pulm\u00f5es, o que levaria a quadros menos graves, ou se essa menor agressividade observada no momento \u00e9 fruto de um artefato estat\u00edstico, j\u00e1 que indiv\u00edduos vacinados est\u00e3o mais protegidos de hospitaliza\u00e7\u00e3o e morte&#8221;, explica Pasternak.<\/p>\n<p>E o fato de essa variante ser potencialmente menos agressiva tamb\u00e9m n\u00e3o significa que ela causar\u00e1 menos estragos no sistema de sa\u00fade. Com milh\u00f5es de infectados, a procura por hospitais e pronto-socorros tende a subir, mesmo que em uma frequ\u00eancia menor em compara\u00e7\u00e3o com as ondas anteriores. Isso, por sua vez, pode desembocar em falta de insumos, leitos e profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Enquanto todas essas impress\u00f5es n\u00e3o se confirmam, o pr\u00f3prio fato de ter surgido uma nova variante t\u00e3o infecciosa serve de alerta para o mundo inteiro, apontam os especialistas.<\/p>\n<p>Nada impede que outras vers\u00f5es virais ainda mais temer\u00e1rias apare\u00e7am em 2022, principalmente se a vacina\u00e7\u00e3o continuar em marcha lenta nos pa\u00edses mais pobres do globo e em regi\u00f5es das na\u00e7\u00f5es mais ricas onde h\u00e1 muitos cidad\u00e3os que se recusam a tomar as suas doses.<\/p>\n<p>Em 2020 e 2021, os m\u00e9dicos que atuam na linha de frente precisaram aprender na marra a tratar os pacientes hospitalizados com covid.<\/p>\n<p>Na experi\u00eancia de vida real, eles entenderam a import\u00e2ncia da oxigena\u00e7\u00e3o e de certos medicamentos anti-inflamat\u00f3rios, ao passo que outras pesquisas comprovaram a inefic\u00e1cia de algumas drogas contra a covid, como a hidroxicloroquina, a ivermectina e a nitazoxanida.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, tamb\u00e9m chegaram ao mercado novas alternativas terap\u00eauticas, como os representantes das classes dos anticorpos monoclonais e dos bloqueadores do receptor de interleucina-6. Mas eles s\u00f3 est\u00e3o indicados para os casos mais graves e t\u00eam um pre\u00e7o bem elevado, o que dificulta seu acesso.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio come\u00e7ou a se modificar recentemente, com a chegada dos primeiros antivirais desenvolvidos contra a covid-19. Alguns desses f\u00e1rmacos, produzidos por Pfizer e Merck (MSD, no Brasil), j\u00e1 foram liberados pelas ag\u00eancias regulat\u00f3rias nos Estados Unidos e na Europa.<\/p>\n<p>No Brasil, o medicamento da MSD foi submetido para an\u00e1lise da Anvisa, que deve dar uma resposta em breve, possivelmente no in\u00edcio de 2022.<\/p>\n<p>&#8220;Esses antivirais s\u00e3o bons e podem ter um papel importante, mas as pr\u00f3prias farmac\u00eauticas tomaram o cuidado de deixar claro que eles n\u00e3o s\u00e3o milagrosos&#8221;, pontua Pasternak.<\/p>\n<p>Bellei, que tamb\u00e9m atua como consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e da OMS, destaca que, para obter um desfecho satisfat\u00f3rio, esses novos rem\u00e9dios devem ser ofertados logo no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Eles precisam ser administrados precocemente para alcan\u00e7ar um bom resultado&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>A infectologista refor\u00e7a que \u00e9 primordial que os antivirais cheguem ao mercado com um pre\u00e7o acess\u00edvel, para que eles realmente sejam usados em larga escala.<\/p>\n<p>&#8220;Essas drogas n\u00e3o podem custar caro. Precisamos pensar em parcerias p\u00fablico-privadas, distribui\u00e7\u00e3o por programas como o Farm\u00e1cia Popular, disponibilidade no Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u2026&#8221;, lista.<\/p>\n<p><strong>Brasil continua \u00e0s cegas<\/strong><br \/>\nDesde o in\u00edcio da pandemia, a OMS orientou que um programa de testagem, isolamento de casos positivos e rastreamento de contatos era essencial para entender o n\u00edvel de transmiss\u00e3o viral dentro de um pa\u00eds ou de uma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>E diversas na\u00e7\u00f5es desenvolveram pol\u00edticas s\u00f3lidas para diagnosticar e isolar pacientes infectados, antes que eles passassem o v\u00edrus adiante.<\/p>\n<p>Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o nosso pa\u00eds n\u00e3o desenvolveu at\u00e9 agora nenhuma a\u00e7\u00e3o concreta para aumentar o diagn\u00f3stico e a vigil\u00e2ncia de covid.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil sempre tateou no escuro e nunca tivemos dados confi\u00e1veis sobre o n\u00famero de casos porque n\u00e3o testamos o suficiente&#8221;, critica Pasternak.<\/p>\n<p>&#8220;Um s\u00edmbolo dessa falta de controle \u00e9 o fato de que a variante Gama, que surgiu em Manaus, foi detectada pela primeira vez no Jap\u00e3o&#8221;, recorda a microbiologista.<\/p>\n<p>Croda lembra que os recentes ataques aos sistemas de inform\u00e1tica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade pioraram ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Pelos relatos que recebemos de nossos colegas, h\u00e1 um aumento substancial de casos de covid acontecendo agora, mas isso n\u00e3o se reflete nos dados oficiais, que est\u00e3o represados&#8221;, informa.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivendo uma onda silenciosa de infec\u00e7\u00f5es de \u00f4micron e nem notamos isso, porque n\u00e3o temos uma pol\u00edtica de testagem adequada&#8221;, concorda Hallal.<\/p>\n<p>Hallal tamb\u00e9m lamenta que as medidas de preven\u00e7\u00e3o da covid-19, como o uso de m\u00e1scaras, o distanciamento social e a preven\u00e7\u00e3o de aglomera\u00e7\u00f5es, tenham sido encaradas no Brasil como se fossem quest\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&#8220;Isso deveria ser tratado do ponto de vista t\u00e9cnico e cient\u00edfico. Essas medidas v\u00e3o ser mais ou menos necess\u00e1rias a depender do est\u00e1gio da pandemia&#8221;, diferencia o epidemiologista.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um m\u00eas, na Calif\u00f3rnia, os n\u00fameros de casos e mortes por covid eram bem baixos, ent\u00e3o fazia sentido a orienta\u00e7\u00e3o de que os vacinados n\u00e3o precisavam usar m\u00e1scara. Agora, com o avan\u00e7o da \u00f4micron, voltar novamente com as m\u00e1scaras \u00e9 uma medida adequada&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Ou seja: a tend\u00eancia \u00e9 que, ao longo de 2022, restri\u00e7\u00f5es e libera\u00e7\u00f5es dependam cada vez mais do cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico \u2014 e \u00e9 importante que as pol\u00edticas p\u00fablicas sejam atualizadas rapidamente, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o de momento.<\/p>\n<p>Croda, da FioCruz, concorda. &#8220;O retorno de qualquer medida restritiva precisa estar relacionado a um aumento na taxa de hospitaliza\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos.&#8221;<\/p>\n<p>Mas o infectologista entende que, com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o e o alto n\u00famero de pessoas que tiveram covid, \u00e9 dif\u00edcil pensar que em 2022 teremos superlota\u00e7\u00e3o de leitos e at\u00e9 um colapso do sistema de sa\u00fade da mesma magnitude observada em alguns Estados brasileiros ao longo de 2020 e 2021.<\/p>\n<p>&#8220;Com o espalhamento da \u00f4micron pelo pa\u00eds e as festas de final de ano, podemos esperar um aumento de casos e de interna\u00e7\u00f5es, mas nada como aquilo que vimos num passado recente&#8221;, interpreta.<\/p>\n<p>Os especialistas indicam ficar de olho nas recomenda\u00e7\u00f5es das autoridades sanit\u00e1rias e fazer uma avalia\u00e7\u00e3o de risco de cada situa\u00e7\u00e3o e contexto. Enquanto a pandemia persistir, vale fugir sempre que poss\u00edvel de aglomera\u00e7\u00f5es, usar m\u00e1scaras de boa qualidade ao sair de casa e priorizar encontros ao ar livre \u2014 al\u00e9m de, claro, tomar as duas ou tr\u00eas doses de vacina nos prazos estipulados.<\/p>\n<p>J\u00e1 Bellei, da Unifesp, espera que a experi\u00eancia com a covid-19 tenha ensinado \u00e0s pessoas sobre um h\u00e1bito essencial: o isolamento solid\u00e1rio quando se est\u00e1 com sintomas de infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Quem est\u00e1 com sinais de gripe, resfriado ou covid, precisa ficar em casa para n\u00e3o transmitir o v\u00edrus para as outras pessoas&#8221;, recomenda.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica tamb\u00e9m v\u00ea que a exig\u00eancia do passaporte da vacina para entrar em alguns estabelecimentos pode virar uma pr\u00e1tica cada vez mais comum daqui pra frente.<\/p>\n<p>&#8220;As doen\u00e7as respirat\u00f3rias virais s\u00e3o doen\u00e7as sociais. Se eu estou infectado, posso afetar a vida de muita gente ao meu redor&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Sou a favor da educa\u00e7\u00e3o, mas falamos de uma doen\u00e7a para a qual existe vacina. Se a pessoa escolhe n\u00e3o tomar, ela tem maior risco de se infectar, incubar o v\u00edrus em seu organismo e p\u00f4r os outros em risco no simples ato de cantar ou conversar&#8221;, completa a infectologista.<\/p>\n<p>De forma geral, os especialistas entendem que o ano de 2022 vai come\u00e7ar muito melhor do que 2021.<\/p>\n<p>&#8220;A virada de 2021 foi p\u00e9ssima, talvez a pior de nossa hist\u00f3ria. N\u00e3o t\u00ednhamos vacinas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e est\u00e1vamos com a variante gama se espalhando pa\u00eds adentro&#8221;, relembra Hallal.<\/p>\n<p>&#8220;O ano de 2022 se inicia com a dissemina\u00e7\u00e3o da \u00f4micron, mas agora temos os imunizantes como grandes aliados&#8221;, complementa o epidemiologista.<\/p>\n<p>&#8220;Pensa em tudo o que fizemos em apenas doze meses. H\u00e1 um ano, a enfermeira M\u00f4nica Calazans era a primeira a receber a sua dose no pa\u00eds. Depois dela, outros 165 milh\u00f5es de brasileiros foram tomar a vacina&#8221;, compara Pasternak.<\/p>\n<p>Croda refor\u00e7a o recado de que o eventual t\u00e9rmino da situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica em 2022 n\u00e3o significa que o coronav\u00edrus deixar\u00e1 de ser um problema.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo se a pandemia chegar ao fim, a covid n\u00e3o desaparecer\u00e1 do mapa. Ela continuar\u00e1 a ser uma doen\u00e7a end\u00eamica, com um impacto importante nos servi\u00e7os de sa\u00fade, mas nada comparado ao que aconteceu em 2020 e 2021.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Bellei destaca que a experi\u00eancia atual servir\u00e1 de aprendizado para as outras doen\u00e7as infecciosas com alto potencial de espalhamento. &#8220;Precisamos entender que outras pandemias vir\u00e3o. E vamos necessitar de mais agilidade nas a\u00e7\u00f5es e nas avalia\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, antev\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo que a gente aprendeu nesses \u00faltimos dois anos vai servir para lidar com essa e com as futuras crises sanit\u00e1rias que veremos pela frente&#8221;, conclui a infectologista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados dois anos desde que o Sars-CoV-2, o coronav\u00edrus causador da covid-19, foi descoberto em Wuhan, na China, o mundo parece estar mais pr\u00f3ximo do fim do que do come\u00e7o da pandemia. Mas, para que esse t\u00e9rmino realmente se torne realidade em 2022, \u00e9 preciso reduzir a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o das vacinas e garantir que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":277509,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-277508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277508"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":277511,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277508\/revisions\/277511"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/277509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}