{"id":277658,"date":"2022-01-05T06:34:49","date_gmt":"2022-01-05T09:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=277658"},"modified":"2022-01-05T06:50:04","modified_gmt":"2022-01-05T09:50:04","slug":"pandemia-tem-efeito-devastador-sobre-gravidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-tem-efeito-devastador-sobre-gravidas\/","title":{"rendered":"Pandemia tem efeito devastador sobre gr\u00e1vidas"},"content":{"rendered":"<p>Vanessa Pereira, de 29 anos, chegou ao Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista, capital de Roraima, assustada. Aos oito meses de gesta\u00e7\u00e3o, ela sentia cansa\u00e7o e falta de ar \u2013 e havia acabado de testar positivo para covid-19.<\/p>\n<p>\u201cEu cheguei de ambul\u00e2ncia, mas na portaria mesmo me disseram que, como era covid-19, eu poderia contaminar outras gr\u00e1vidas, ent\u00e3o tinha que ir para outro hospital\u201d, conta. Era 27 de maio de 2020, pico da primeira onda da pandemia no estado. \u201cEu estava gr\u00e1vida, no in\u00edcio do oitavo m\u00eas, com quase 100 quilos e muita falta de ar\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Moradora de Caracara\u00ed, munic\u00edpio a 140 quil\u00f4metros da capital, Vanessa recebeu o resultado positivo para covid-19 em um teste r\u00e1pido no hospital p\u00fablico local. \u201cAcordei 2 horas da manh\u00e3 passando muito mal e fui ao hospital da minha cidade. Quando meu resultado deu positivo, eu me desesperei porque tenho dois filhos asm\u00e1ticos como eu, e tive mais medo por eles do que por mim\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na cidade n\u00e3o havia estrutura para interna\u00e7\u00e3o e Vanessa foi levada para a capital. \u201cA ambul\u00e2ncia me levou [de Caracara\u00ed] direto para a maternidade, mas l\u00e1 n\u00e3o me receberam, n\u00e3o me deixaram entrar porque eu ia contaminar outras m\u00e3es. O rapaz que era motorista ficou assim sem entender e perguntou \u2018E agora, Vanessa?\u2019, mas eu n\u00e3o sabia o que fazer, e fiquei l\u00e1, dentro da ambul\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a primeira recusa no Hospital Materno, ela foi levada na mesma ambul\u00e2ncia para o Hospital Geral de Roraima, tamb\u00e9m na capital, \u00fanico da rede estadual com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para casos graves de covid-19. L\u00e1 foi recebida, mas ouviu que, por estar gr\u00e1vida, teria que retornar ao Hospital Materno, uma vez que a unidade \u00e9 refer\u00eancia para o atendimento de gestantes no estado.<\/p>\n<p>\u201cVoltei l\u00e1 e recusaram de novo o atendimento, mais uma vez afirmando que eu poderia contaminar outras pacientes, que casos de covid eram s\u00f3 no Hospital Geral, e que ali eu n\u00e3o poderia ficar\u201d. Ela conta que, de volta ao Hospital Geral de Roraima pela segunda vez, teve um primeiro atendimento, mas mais uma vez foi orientada a regressar ao Hospital Materno.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 unidade para gestantes, pela terceira vez ela foi barrada na portaria, mas a situa\u00e7\u00e3o acabou chamando aten\u00e7\u00e3o de uma m\u00e9dica da maternidade, que se prop\u00f4s a atend\u00ea-la, apesar da recusa do hospital.<\/p>\n<p>\u201cEla se paramentou toda, com luvas, avental, e me atendeu. Depois me explicou que eu teria mesmo que ir para o Hospital Geral porque s\u00f3 l\u00e1 tinha UTI para casos de covid-19 em adultos\u201d, diz. \u201cEla foi muito clara. Me disse: \u2018Aqui n\u00f3s s\u00f3 podemos salvar o beb\u00ea porque s\u00f3 tem UTI para beb\u00ea, n\u00e3o tem para adulto\u2019, ent\u00e3o mais uma vez voltei para o Hospital Geral. Eu sentia assim que o ser humano s\u00f3 vale o que tem. S\u00f3 se voc\u00ea tiver uma condi\u00e7\u00e3o financeira voc\u00ea \u00e9 bem recebido, mas se voc\u00ea n\u00e3o tem, n\u00e3o \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Na unidade, Vanessa logo piorou. Primeiro ficou em um corredor, mas depois, por insist\u00eancia do marido, que pedia ajuda no hospital, foi levada para uma maca em uma \u00e1rea interna da unidade. L\u00e1, foi colocada em um cilindro de oxig\u00eanio fixo na parede, o que n\u00e3o permitia que ela fosse ao banheiro. \u201cTinham cilindros de oxig\u00eanio, mas n\u00e3o tinha para todo mundo, porque o hospital estava superlotado. Lembro que um senhor passou mal, a gente pediu ajuda, ele foi levado, e n\u00e3o voltou mais. N\u00e3o sei se morreu ou se sobreviveu. Uma filha tamb\u00e9m saiu para beber \u00e1gua e, quando voltou, o pai j\u00e1 tinha morrido.\u201d<\/p>\n<p>Horas depois, no mesmo dia, Vanessa foi transferida para a UTI do Hospital Geral, onde foi atendida pelo m\u00e9dico Mauro Asato. L\u00e1, ela deu \u00e0 luz, de parto ces\u00e1rea, ao filho Arthur, hoje com 1 ano. Na sequ\u00eancia, foi entubada porque seu estado era cr\u00edtico. O beb\u00ea, tamb\u00e9m no mesmo dia, foi levado para a UTI do Hospital Materno. \u201cEu nem cheguei a ver meu beb\u00ea, s\u00f3 fui conhec\u00ea-lo 21 dias depois, quando tive alta e j\u00e1 tinha sa\u00eddo da UTI, onde fiquei duas semanas. Eu achava que n\u00e3o sobreviveria\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, a assessoria do Hospital Materno respondeu que a Secretaria Estadual de Sa\u00fade (Sesau) informou que \u201ctodas as pacientes com queixas obst\u00e9tricas foram atendidas na Maternidade e nenhuma paciente foi impedida de receber atendimento\u201d, mesmo questionados sobre o caso de Vanessa. J\u00e1 o Hospital Geral de Roraima informou que \u201cnos casos em que foi necess\u00e1rio o atendimento de pacientes gestantes com covid-19, a dire\u00e7\u00e3o do HGR [Hospital Geral de Roraima] e da Maternidade, por meio do NIR [o sistema de monitoramento de pacientes] realizavam a regula\u00e7\u00e3o para a interna\u00e7\u00e3o no hospital e no HGR a paciente contava com acompanhamento da equipe multiprofissional, recebendo a visita do m\u00e9dico ginecologista\/obstetra sempre que necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio dram\u00e1tico pelo qual Vanessa passou foi vivido por diversas outras gr\u00e1vidas que se infectaram com o coronav\u00edrus durante a pandemia no Brasil. E a cidade de Boa Vista foi um dos locais onde a situa\u00e7\u00e3o foi mais grave: a capital teve a maior letalidade entre gr\u00e1vidas no levantamento do Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico Brasil Covid-19. Segundo os dados, de 39 gr\u00e1vidas que tiveram a doen\u00e7a desde 2020 at\u00e9 setembro de 2021, mais da metade, 21, faleceu.<\/p>\n<p>A gravidade da pandemia entre gr\u00e1vidas em Boa Vista tem diversas explica\u00e7\u00f5es: desde a falta de estrutura do sistema de sa\u00fade p\u00fablico no estado, com poucas UTIs concentradas na capital e falta de recursos no interior, \u00e0 pr\u00f3pria subnotifica\u00e7\u00e3o decorrente da dificuldade de atendimento e testagem, que pode ter ocultado casos, amplificando ainda mais os n\u00fameros de letalidade.<\/p>\n<p>Os dados do Observat\u00f3rio revelam tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o racial da pandemia entre gr\u00e1vidas: dos 1.204 \u00f3bitos em 2020 e 2021 com dados raciais, cerca de 56,2% ocorreram com mulheres negras (pardas e pretas). Isso levou o risco de morte a quase duas vezes maior do que o de mulheres brancas.<\/p>\n<p>O levantamento registrou 544 \u00f3bitos em gestantes e pu\u00e9rperas por covid-19 em 2020, o que levou a uma m\u00e9dia semanal de 12,1 mortes no ano. J\u00e1 em 2021, at\u00e9 maio, o n\u00famero chegou a 911 mortes, levando a m\u00e9dia semanal para mais de 47,9 \u00f3bitos, aproximadamente quatro vezes mais.<\/p>\n<p>Um desses casos foi o da esposa do enfermeiro Gracione da Silva Santos, que perdeu Almiza Prado Santos, de 37 anos, gr\u00e1vida, v\u00edtima da covid-19, em 6 de julho de 2020. A filha do casal, Valentina, nasceu prematura, com seis meses, e sobreviveu.<\/p>\n<p>\u201cFoi um pesadelo\u201d, resumiu. Gracione conta que a esposa, que era t\u00e9cnica em enfermagem, estava na quinta gesta\u00e7\u00e3o e achou que os sintomas como tosse e cansa\u00e7o eram comuns da gravidez. Mas, no dia 28 de maio, buscou atendimento m\u00e9dico no Hospital Materno Infantil, onde ela trabalhava, e descobriu que teria de ser internada.<\/p>\n<p>\u201cEla chegou com a satura\u00e7\u00e3o baixa, com dificuldade de respirar, e logo decidiram que ela tinha que ficar no hospital. Eu fiquei desesperado, mas at\u00e9 ali n\u00e3o se sabia que era covid-19\u201d, conta.<\/p>\n<p>Quatro dias depois, Almiza tinha piorado e teve de ser transferida para uma UTI. Foi levada para o Hospital Geral de Roraima, com suspeita de covid. At\u00e9 ent\u00e3o, segundo Gracione, ela tinha feito dois testes, que deram negativo para a doen\u00e7a. S\u00f3 o terceiro, feito quando ela j\u00e1 havia sido intubada, confirmou o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>\u201cUm dos m\u00e9dicos me disse que eles iam tentar de tudo para salv\u00e1-la, mas que era o caso de escolher entre a nen\u00e9m e ela, pois uma das duas n\u00e3o ia escapar\u201d, disse. \u201cNossos filhos ficaram desesperados. Eles queriam a m\u00e3e, choravam para v\u00ea-la.\u201d<\/p>\n<p>No dia 5 de junho, os m\u00e9dicos fizeram o parto de Almiza, que permaneceu na UTI. A rec\u00e9m-nascida tamb\u00e9m foi para a UTI, onde ficou por 52 dias. A m\u00e3e, que n\u00e3o chegou a conhecer a filha, piorou e faleceu um m\u00eas depois de ter dado \u00e0 luz. \u201cN\u00e3o pudemos nem ver o corpo por causa do risco de contamina\u00e7\u00e3o. Foi a coisa mais horr\u00edvel sepult\u00e1-la sem ter tido a chance de dizer pelo menos um adeus\u201d, diz Gracione.<\/p>\n<p>\u201cDevastador, traumatizante\u201d, resume o infectologista Mauro Asato, que atuou na linha de frente no atendimento de pacientes em estado grave pela covid-19, incluindo gr\u00e1vidas, que chegavam ao Hospital Geral de Roraima. Com 40 anos de experi\u00eancia, ele afirma que nunca tinha visto uma situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica como a do auge da pandemia em Roraima, entre abril de 2020 e mar\u00e7o de 2021, sendo os meses de abril a outubro de 2020 os mais cr\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cNa regi\u00e3o Norte como um todo, o sistema de sa\u00fade ficou um caos. A doen\u00e7a era nova, os profissionais n\u00e3o estavam treinados, n\u00e3o se sabia muito o que fazer, e n\u00f3s fomos aprendendo a lidar conforme os casos aconteciam.\u201d<\/p>\n<p>Ele disse que, por conta do alto n\u00famero de casos de mulheres gr\u00e1vidas com sintomas graves de covid-19 chegando ao Hospital Geral, uma UTI preferencial para gestantes foi aberta com dez leitos, entre fevereiro e junho de 2021. At\u00e9 ent\u00e3o, segundo ele, as gr\u00e1vidas em estado grave eram inicialmente internadas nas demais UTIs da unidade, bem como no Hospital Materno, que passou a ter leitos para gestantes com covid-19, e tamb\u00e9m no Hospital de Campanha, inaugurado em junho de 2020, com tr\u00eas meses de atraso.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, todo mundo estava preocupado com os idosos acima de 60 anos, obesos e hipertensos, mas depois se foi vendo que as gestantes tamb\u00e9m estavam nesse grupo de risco pela gesta\u00e7\u00e3o em si\u201d, diz. \u201cTiveram m\u00e3es que sobreviveram, beb\u00eas tamb\u00e9m, mas tamb\u00e9m tiveram casos de morte de m\u00e3e e fetos, de m\u00e3es e rec\u00e9m-nascidos.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, os principais problemas enfrentados no tratamento geral dos pacientes internados por complica\u00e7\u00f5es da covid-19 no Hospital Geral foi a falta de pessoal treinado e de medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s tivemos dificuldade de falta de pessoal, depois houve contrata\u00e7\u00f5es, mas o maior problema foi que tivemos que dar treinamento e muita gente n\u00e3o tinha essas condi\u00e7\u00f5es. Em rela\u00e7\u00e3o ao material, infelizmente houve um momento em que ficamos desabastecidos de medicamentos para sedoanalgesia, bloqueador neuromuscular, usados na intuba\u00e7\u00e3o, e antibi\u00f3ticos. Esse acabou sendo um problema no Brasil inteiro, porque a demanda por esses rem\u00e9dios cresceu muito, foi uma realidade catastr\u00f3fica geral.\u201d<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, ele pr\u00f3prio acabou contaminado pelo coronav\u00edrus, ap\u00f3s um ano e meio atuando na linha de frente do hospital. O m\u00e9dico ficou em estado grave e esteve 28 dias internado. \u201cNuma pandemia, todo mundo est\u00e1 exposto, principalmente quem est\u00e1 ali, trabalhando diretamente com as pessoas que precisam de atendimento.\u201d<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1vidas chegavam em estado cr\u00edtico<\/strong><br \/>\nDe tudo o que viu dentro do hospital durante os per\u00edodos mais cr\u00edticos da pandemia de covid-19, o fisioterapeuta Josu\u00e9 da Costa destaca um: \u201cO sil\u00eancio na UTI lotada de pacientes era ensurdecedor, e s\u00f3 era interrompido pelos choros e gritos de familiares que tinham recebido a not\u00edcia da morte de algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Ele conta que o medo era geral. \u201cVoc\u00ea olhava e via os pacientes todos intubados, inst\u00e1veis, cr\u00edticos, e o medo dominava. A gente tinha medo de se contaminar, de contaminar os familiares. Por melhor profissional que se fosse, n\u00e3o tinha como n\u00e3o se afetar, como ficar inseguro e com medo. Era medo. O medo imperava. Passei noites sem dormir e cheguei a ter tr\u00eas \u00f3bitos num s\u00f3 plant\u00e3o das 7 horas \u00e0s 13 horas.\u201d<\/p>\n<p>Ele disse que, entre os casos de gestantes internadas por covid-19, o que mais viu foram mulheres que perderam seus beb\u00eas e tamb\u00e9m morreram. Entre os pacientes em geral, incluindo as gr\u00e1vidas, alguns chegavam em estado mais cr\u00edtico porque vinham de longe, principalmente de outros munic\u00edpios. Houve tamb\u00e9m, segundo ele, muitos pacientes venezuelanos.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, familiares relatam como encaram o desafio de criar as crian\u00e7as e adolescentes que perderam parentes diretos<\/p>\n<p><strong>Nas maternidades dor tamb\u00e9m tem cor<\/strong><br \/>\nEstere\u00f3tipos de que negras s\u00e3o mais fortes e resistentes levam mulheres a sofrer com falta de analgesia no momento do parto<\/p>\n<p>\u201cVinha muita gente do interior e em estado cr\u00edtico mesmo, muitas vezes por causa das condi\u00e7\u00f5es de transporte. Atendi v\u00e1rias pessoas que tinham vindo das cidades de Rorain\u00f3polis, Mucaja\u00ed, Caracara\u00ed, e elas chegavam bastante debilitadas por causa do tempo de espera para chegar ao hospital.\u201d<\/p>\n<p>Ele conta que, na unidade, viu faltar insumos como luvas, m\u00e1scaras N-95, aventais e sondas de aspira\u00e7\u00e3o em meio a picos de superlota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cColegas que entravam para 12 horas de plant\u00e3o usavam fraldas para economizar equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, porque assim n\u00e3o precisavam ir ao banheiro. Tamb\u00e9m vi muitos colegas se arriscando a atender pacientes sem os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados no auge da pandemia, porque queriam trabalhar.\u201d<\/p>\n<p>Sobre a falta de medicamentos, ele diz que, pela escassez de sedativos e bloqueadores neuromusculares, ocorreram casos de pacientes que acordaram quando ainda estavam intubados e acabaram morrendo.<\/p>\n<p>\u201cEles acordavam muito agitados, sem saber o que estava acontecendo. N\u00e3o sabiam que estavam intubados e, no desespero, arrancavam o tubo orotraqueal [usado na intuba\u00e7\u00e3o], ficavam sem ar e morriam.\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, a Secretaria de Sa\u00fade reconheceu que \u201co Estado de Roraima, assim como outros estados brasileiros, enfrentou dificuldades para manter o abastecimento de Unidades em virtude da falta de mat\u00e9ria-prima na ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, mas afirmou que \u201co Governo de Roraima, por meio da Sesau, manteve contato frequente com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a fim de ter o retorno sobre o envio de medicamentos para o Estado. Al\u00e9m disso, refor\u00e7ou o contato com as empresas fornecedoras de insumos sempre com foco no abastecimento das Unidades. E ainda efetivou contratos para garantir a compra de medicamentos por meio de preg\u00e3o eletr\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o fisioterapeuta, atualmente a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais controlada, tamb\u00e9m porque os profissionais foram aprendendo a lidar com a doen\u00e7a e as condi\u00e7\u00f5es de atendimento est\u00e3o mais prop\u00edcias por conta do menor n\u00famero de casos graves.<\/p>\n<p>\u201cExistem mais profissionais trabalhando, mais leitos dispon\u00edveis, mais expertise sobre o assunto, al\u00e9m de protocolos de atendimento que foram lan\u00e7ados, principalmente nessa parte ventilat\u00f3ria dos pacientes, melhorando assim os cuidados e a recupera\u00e7\u00e3o deles.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vanessa Pereira, de 29 anos, chegou ao Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista, capital de Roraima, assustada. 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