{"id":277714,"date":"2022-01-05T13:43:09","date_gmt":"2022-01-05T16:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=277714"},"modified":"2022-01-05T18:32:10","modified_gmt":"2022-01-05T21:32:10","slug":"bolsonaro-esta-deixando-rastro-onde-pisa-que-nem-grama-nasce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bolsonaro-esta-deixando-rastro-onde-pisa-que-nem-grama-nasce\/","title":{"rendered":"Bolsonaro est\u00e1 deixando rastro onde pisa que nem grama nasce"},"content":{"rendered":"<p>Costuma-se comparar, com raz\u00e3o, a figura lament\u00e1vel de Bolsonaro com fascistas hist\u00f3ricos, como Hitler e Mussolini. De fato, ele compartilha ideologia e pr\u00e1ticas pol\u00edticas semelhantes com aqueles grandes ditadores. Contudo, talvez a figura hist\u00f3rica que mais se assemelha a Bolsonaro n\u00e3o seja algum desses ditadores do s\u00e9culo XX, ou ainda alguma outra lideran\u00e7a autorit\u00e1ria deste s\u00e9culo, como Trump, mas sim um personagem ainda mais sinistro e violento: \u00c1tila, o Huno.<\/p>\n<p>\u00c9 que esses outros ditadores e lideran\u00e7as autorit\u00e1rias conseguiram, algumas vezes, construir alguma coisa, antes de seu final apocal\u00edptico. Hitler, por exemplo, conseguiu reconstruir a economia alem\u00e3, arrasada pelo fardo da derrota da Primeira Guerra Mundial e a recess\u00e3o de 1929.<\/p>\n<p>Mas, no que tange a Bolsonaro, n\u00e3o se consegue identificar propostas inovadoras ou constru\u00e7\u00f5es de coisa alguma, em qualquer campo. Bolsonaro apenas destr\u00f3i. Como \u00c1tila, por onde ele passa, a grama n\u00e3o cresce mais. Fica um ch\u00e3o poeirento e est\u00e9ril.<\/p>\n<p>Ele se dedica a destruir todas as pol\u00edticas e programas uteis e produtivos, sem colocar nada funcional e vi\u00e1vel no lugar. A recente extin\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, programa considerado modelo em n\u00edvel mundial, \u00e9 exemplo acabado desse apetite insaci\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o, dessa puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>Bolsonaro destruiu o Brasil. Em tempo recorde, acabou ou fragilizou sua economia, sua cultura, sua educa\u00e7\u00e3o, sua produ\u00e7\u00e3o de energia, seu meio ambiente etc.<\/p>\n<p>Mergulhou o pa\u00eds na morte, no desemprego, na desigualdade, na pobreza, na fome, na devasta\u00e7\u00e3o ambiental. O pa\u00eds est\u00e1 na fila dos ossos, literal e metaforicamente<\/p>\n<p>H\u00e1 um campo, contudo, no qual a destrui\u00e7\u00e3o bolsonarista se destaca: a pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Nesse campo estrat\u00e9gico, a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 total.<\/p>\n<p>\u00c9 natural, e democr\u00e1tico, que governos eleitos imponham suas marcas na pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Assim, a pol\u00edtica externa do Brasil sofreu varia\u00e7\u00f5es em sua hist\u00f3ria. Governos conservadores colocaram, em geral, maior \u00eanfase em alian\u00e7as assim\u00e9tricas com os EUA e aliados, ao passo que governos progressistas se empenharam mais na integra\u00e7\u00e3o regional, na constru\u00e7\u00e3o de parcerias estrat\u00e9gicas com pot\u00eancias emergentes e na articula\u00e7\u00e3o dos interesses dos pa\u00edses em desenvolvimento no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Entretanto, em quaisquer dos casos, a pol\u00edtica externa brasileira, conduzida por uma competente burocracia especializada, n\u00e3o perdeu de vista os interesses nacionais<\/p>\n<p>Bolsonaro, por\u00e9m, rompeu com esse paradigma hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa bolsonarista, particularmente na gest\u00e3o Ernesto Ara\u00fajo, caracterizou-se justamente por atrelar o Brasil n\u00e3o apenas aos interesses geopol\u00edticos de um outro Estado, mas aos ditames ideol\u00f3gicos de uma corrente pol\u00edtica de extrema direita dos EUA, o trumpismo.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria republicana, o Brasil tornou-se sat\u00e9lite de um extremado governo alien\u00edgena e de seus ide\u00f3logos locais e internacionais. Os interesses nacionais foram abandonados.<\/p>\n<p>Essa abjeta submiss\u00e3o colonial destruiu, ou contribuiu para destruir ou fragilizar:<\/p>\n<p>As pol\u00edticas ambientais internas e os compromissos internacionais do pa\u00eds no combate ao aquecimento global. Passamos de ator respons\u00e1vel e positivo a grande vil\u00e3o ambiental do planeta.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o progressista no campo dos Direitos Humanos, especialmente no Conselho dos Direitos Humanos da ONU. Nesse \u00f3rg\u00e3o, passamos a nos aliar com pa\u00edses como Ar\u00e1bia Saudita e Paquist\u00e3o, para atacar os direitos das mulheres e de outros grupos.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o regional. Com Bolsonaro, a prioridade \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica com os EUA e alguns aliados; n\u00e3o com os vizinhos. Por isso, Bolsonaro atacou o Mercosul soberano, retirou o Brasil da Unasul e abandonou a Celac, inst\u00e2ncias vitais da integra\u00e7\u00e3o regional. Ademais, instigado pelos EUA, passou a hostilizar vizinhos, como a Venezuela, por motivos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es bilaterais com a China, nosso principal parceiro comercial, em obedi\u00eancia \u00e0s exig\u00eancias geopol\u00edticas e ideol\u00f3gicas de Trump, e, agora, de Biden.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o com o BRICS. Criado pelo Brasil, esse grupo, essencial para um mundo multipolar, foi praticamente abandonado pelo governo subalterno aos EUA.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do Brasil na \u00c1frica, no Oriente M\u00e9dio e outras regi\u00f5es. No Oriente M\u00e9dio, as exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o as ditaduras conservadoras do Golfo P\u00e9rsico. No resto dos pa\u00edses \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos, as rela\u00e7\u00f5es, antes cordiais, se tornaram tensas, devido \u00e0 nova pol\u00edtica de apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es agressivas de Israel, que contrariam diversas Resolu\u00e7\u00f5es da ONU.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o dos interesses dos pa\u00edses em desenvolvimento em inst\u00e2ncias estrat\u00e9gicas, como a OMC, por exemplo. Antes uma vertente priorit\u00e1ria da nossa pol\u00edtica externa, agora foi abandonada, em virtude da subalternidade geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>E, last but not least, a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na ONU e suas ag\u00eancias especializadas, como a OMS e sua iniciativa da Covax, e o combate \u00e0 pandemia. De propugnadores de grandes avan\u00e7os na sa\u00fade p\u00fablica mundial, como a defesa da pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o de gen\u00e9ricos na OMC, passamos a amea\u00e7a sanit\u00e1ria global, situa\u00e7\u00e3o revertida gra\u00e7as aos esfor\u00e7os da CPI do Senado.<\/p>\n<p>Como se nota, trata-se de vasta destrui\u00e7\u00e3o, que faria o pr\u00f3prio \u00c1tila corar.<\/p>\n<p>O Brasil, no entanto, \u00e9 muito maior e muit\u00edssimo melhor que o bolsonarismo destruidor da nossa imagem e da nossa soberania.<\/p>\n<p>A revers\u00e3o desse tr\u00e1gico quadro ser\u00e1, \u00e9 claro, custosa e dif\u00edcil, pois o Brasil, com Bolsonaro, perdeu o essencial em diplomacia: credibilidade.<\/p>\n<p>Para que essa revers\u00e3o seja poss\u00edvel, precisaremos de um \u201canti \u00c1tila\u201d.<\/p>\n<p>De um verdadeiro l\u00edder, comprometido, ao mesmo tempo, com os interesses nacionais e as grandes causas do planeta.<\/p>\n<p>De algu\u00e9m que seja capaz de negociar e construir pontes com todo o Mundo. De um estadista de n\u00edvel internacional, com prest\u00edgio e credibilidade.<\/p>\n<p>Precisaremos de Lula.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costuma-se comparar, com raz\u00e3o, a figura lament\u00e1vel de Bolsonaro com fascistas hist\u00f3ricos, como Hitler e Mussolini. De fato, ele compartilha ideologia e pr\u00e1ticas pol\u00edticas semelhantes com aqueles grandes ditadores. 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