{"id":278028,"date":"2022-01-11T06:43:49","date_gmt":"2022-01-11T09:43:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=278028"},"modified":"2022-01-11T06:43:49","modified_gmt":"2022-01-11T09:43:49","slug":"eleitor-precisa-eliminar-zumbis-para-que-o-brasil-volte-a-sonhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/eleitor-precisa-eliminar-zumbis-para-que-o-brasil-volte-a-sonhar\/","title":{"rendered":"Eleitor precisa eliminar zumbis para que o Brasil volte a sonhar"},"content":{"rendered":"<p>Noite dessas, incomodado por uma inusitada ins\u00f4nia, resolvi abrir, ler e ouvir com aten\u00e7\u00e3o duas das numerosas mensagens que recebo diariamente no zap zap sobre reflex\u00f5es das mais variadas. Continuo n\u00e3o gostando da maioria, tampouco da varia\u00e7\u00e3o de temas. Por exemplo, n\u00e3o tenho interesse algum em conhecer, discorrer, relativizar ou me intrometer nos problemas ou sentimentos alheios. Por isso, nem sempre as abro ou as leio. Normalmente tenho a impress\u00e3o de que o interlocutor tenta me induzir a um posicionamento ou, na melhor an\u00e1lise, quer saber o que penso para pensar igual ou diferente.<\/p>\n<p>Seja qual for o conte\u00fado ou objetivo, n\u00e3o costumo me convencer, muito menos me achar obrigado a responder concordando ou discordando das teorias apresentadas. Em uma delas, um texto b\u00edblico de um amigo defensor do sertanejo S\u00e9rgio Reis listava justificativas para o cantor ter desistido de lan\u00e7ar um \u00e1lbum com parcerias logo ap\u00f3s seu envolvimento com o fracassado golpe de 7 de setembro. Limitei minha resposta a uma \u00fanica frase: Para seu conhecimento, foram os parceiros que desistiram dele. A segunda, um v\u00eddeo com uma palestra do fil\u00f3sofo Leandro Karnal, me fez refletir verdadeiramente a respeito do meu sentido de brasilidade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns minutos tentando captar a inten\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio do palestrante, conclui que j\u00e1 fui muito mais brasileiro do que sou hoje. O patriotismo foi substitu\u00eddo pela necessidade de sobreviv\u00eancia econ\u00f4mico-financeira, pol\u00edtica e at\u00e9 f\u00edsica. Resumindo, tive de servir \u00e0queles com os quais n\u00e3o concordava e poucas vezes alcancei o privil\u00e9gio de atender a quem idolatrava. S\u00e3o as idiossincrasias de um pa\u00eds miscigenado e agora dividido entre os que preferem a liberdade e os que defendem o arb\u00edtrio. Pior s\u00e3o os que n\u00e3o t\u00eam privil\u00e9gio algum, inclusive o de viver com dignidade. O contraste social \u00e9 t\u00e3o grande como as dimens\u00f5es continentais da Terra Brasilis, isto \u00e9, a concentra\u00e7\u00e3o de muita riqueza nas m\u00e3os de uma pequena parcela da sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 o que chamamos popularmente de desigualdade social. Na verdade, nunca ficou t\u00e3o evidente que, dentro do Brasil, convivem muitos e diversos pa\u00edses, nem sempre em paz absoluta. Hoje, existe um Brasil abominado pela esquerda e outro odiado pela direita. Ambos desconhecem e n\u00e3o fazem quest\u00e3o alguma de conhecer o verdadeiro Brasil, o Brasil que \u00e9 de todos. Como dizia sempre o antrop\u00f3logo mineiro Darcy Ribeiro, sempre tivemos e sempre teremos o Brasil crioulo, o Brasil caboclo, Brasil caipira, sertanejo, sulino, nordestino e agora o Brasil negacionista. \u00c9 o pa\u00eds daqueles que se vestem de verde e amarelo, enrustidamente circulam com simbolismos expostos nos autom\u00f3veis, mas claramente preferem se servir do Brasil e n\u00e3o servir ao Brasil.<\/p>\n<p>Como bem disse Leandro Karnal, temos atualmente pelo menos dois brasis. O primeiro \u00e9 o Brasil que est\u00e1 nos jornais, dos nossos dirigentes. &#8220;Eles conspiram, cavilam, articulam sedi\u00e7\u00f5es, violam as leis, traem uns aos outros e tamb\u00e9m a seus eleitores, insultam-se e todos t\u00eam raz\u00e3o. Vivem para o poder dos cargos e das verbas&#8221;. Verdade cristalina. Seguindo na audi\u00e7\u00e3o do mestre da filosofia, ouvi que esse &#8220;\u00e9 um Brasil podre, carcomido, uma massa de bolor, de \u00e1caros, de corrup\u00e7\u00e3o. Eles rastejam com seu ventre na poeira do sol de Bras\u00edlia. Esse primeiro \u00e9 o Brasil dos zumbis, devoradores de trabalho e de impostos&#8221;. Torci para chegar logo no pa\u00eds das maravilhas. Quase isso. Para Karnal, o outro Brasil \u00e9 jovem, din\u00e2mico e enfrenta filas enormes &#8220;para ouvir ideias no in\u00edcio do inverno.<\/p>\n<p>&#8220;Debatem um futuro mais transparente e com vida. Esse segundo Brasil me emociona muito&#8221;. A mim tamb\u00e9m. &#8220;Essas pessoas ouvem, pensam, respondem, perguntam, aplaudem, criticam, refletem, ensinam pelo sil\u00eancio, ensinam pelos olhos vivos. S\u00e3o todos jovens, alguns com 70 anos, outros com 16. S\u00e3o o sangue que faz bater o cora\u00e7\u00e3o da terra de Santa Cruz&#8221;. Fazendo minhas as palavras do fil\u00f3sofo, o primeiro Brasil tem poder, mas n\u00e3o \u00e9 feliz. &#8220;O segundo ainda n\u00e3o sabe a extens\u00e3o de seu poder, mas \u00e9 alegre. O Brasil ainda \u00e9 o pa\u00eds do futuro e o futuro \u00e9 de quem ama&#8221;. Portanto, em 2022 escolhamos melhor, de modo a alijarmos do nosso conv\u00edvio quem nem finge mais que governa.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noite dessas, incomodado por uma inusitada ins\u00f4nia, resolvi abrir, ler e ouvir com aten\u00e7\u00e3o duas das numerosas mensagens que recebo diariamente no zap zap sobre reflex\u00f5es das mais variadas. Continuo n\u00e3o gostando da maioria, tampouco da varia\u00e7\u00e3o de temas. 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