{"id":278980,"date":"2022-01-25T17:55:53","date_gmt":"2022-01-25T20:55:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=278980"},"modified":"2022-01-25T23:09:22","modified_gmt":"2022-01-26T02:09:22","slug":"brasil-chegara-em-2030-com-mais-de-60-de-obesos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-chegara-em-2030-com-mais-de-60-de-obesos\/","title":{"rendered":"Brasil chegar\u00e1 em 2030 com mais de 60% de obesos"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2030 parece estar longe, mas uma proje\u00e7\u00e3o com dados alarmantes mostram como poder\u00e3o estar os brasileiros daqui a oito anos: a preval\u00eancia de excesso de peso pode chegar a 68%, ou seja, sete em cada 10 pessoas, e a de obesidade a 26%, ou uma a cada quatro.<\/p>\n<p>Os dados levantados s\u00e3o do estudo A Epidemia de Obesidade e as DCNT \u2013 Causas, custos e sobrecarga no SUS, realizado por uma equipe formada por 17 pesquisadores de diversas universidades do Brasil e uma do Chile. Os resultados do estudo podem ser acessados no por meio de endere\u00e7o eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>O estudo, que foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), mostra que, no Brasil, a preval\u00eancia do excesso de peso aumentou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019. J\u00e1 a obesidade saltou de 11,8% para 20,3% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os dados revelam que o risco associado de diversas Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas n\u00e3o Transmiss\u00edveis (DCNT) \u00e9 o mais preocupante e pode levar a consequ\u00eancias impactantes para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). O ac\u00famulo excessivo de gordura corporal est\u00e1 associado com o aumento no risco de mais de 30 DCNT, em maior ou menor grau.<\/p>\n<p>As DCNT s\u00e3o causadas por diversos fatores de risco, podem ficar um longo per\u00edodo ocultas e afetam pessoas por muitos anos, podendo resultar em incapacidades funcionais. As doen\u00e7as cardiovasculares, doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, as neoplasias (c\u00e2nceres) e a diabetes mellitus s\u00e3o exemplos de DCNT.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do coordenador do estudo, professor e pesquisador da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Leandro Rezende, as causas populacionais podem ser o motivo para incentivar o controle do sobrepeso e da obesidade.<\/p>\n<p>\u201cO excesso de peso e obesidade v\u00eam aumentando no mundo n\u00e3o por causas individuais, as causas populacionais da obesidade que v\u00eam mudando. A gente define como causa populacional um conjunto de mudan\u00e7as especialmente no sistema alimentar que foram ocorrendo a partir da d\u00e9cada de 1970, 1980 e que notavelmente a partir de mudan\u00e7as da legisla\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as nas leis agr\u00edcolas, mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o quanto ao marketing e ao processamento dos alimentos. S\u00e3o essas quest\u00f5es que foram mudando e que tornaram o problema do excesso de peso e obesidade em uma epidemia\u201d.<\/p>\n<p>As causas do excesso de peso e da obesidade devem ser combatidas no \u00e2mbito populacional ao inv\u00e9s do \u00e2mbito individual, para que sejam pensadas em estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o mais assertivas, ressaltou o professor.<\/p>\n<p>\u201cContinuar focando no problema do excesso de peso e de obesidade, assim como para outros fatores de risco, como por exemplo, o tabagismo. Olhamos para o tabagismo como fen\u00f4menos populacionais e propomos estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o. Conseguimos sair de uma preval\u00eancia de 30%, 40% de tabagistas no Brasil para hoje menos de 10% . Notavelmente por conta das pol\u00edticas p\u00fablicas que foram feitas para que pudessem combater o cigarro como fen\u00f4meno populacional e n\u00e3o como escolha individual [como falta de vontade das pessoas pararem de fumar]\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><br \/>\nUma das estrat\u00e9gias sugeridas no estudo s\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e de a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos ultraprocessados. A tributa\u00e7\u00e3o desses tipos de alimentos, informa\u00e7\u00e3o nutricional mais clara e simples no r\u00f3tulo, restri\u00e7\u00e3o para marketing e publicidade desses produtos s\u00e3o exemplos dessas a\u00e7\u00f5es de \u00e2mbitos social e coletivo.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a campanha Tributo Saud\u00e1vel, que tem como causa aumentar o tributo de bebidas a\u00e7ucaradas para desestimular o consumo, ao mesmo tempo que traz impactos positivos para a economia.<\/p>\n<p>No Plano de A\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas para enfrentamento das DCNT no Brasil (2021-2030), o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estipulou a meta de deter o crescimento da obesidade em adultos no pa\u00eds at\u00e9 2030.<\/p>\n<p><strong>Custo e sobrecarga no SUS<\/strong><br \/>\nEstar com sobrepeso e obesidade n\u00e3o custa caro somente para a sa\u00fade do indiv\u00edduo, tamb\u00e9m para a sa\u00fade coletiva. O custo e a sobrecarga para o SUS tamb\u00e9m aumentou: somente em 2019 o gasto direto com DCNTs no pa\u00eds atingiu R$ 6,8 bilh\u00f5es. O grupo de pesquisadores do estudo estimou que 22% desse valor (R$ 1,5 bilh\u00e3o) podem ser atribu\u00eddos ao excesso de peso e \u00e0 obesidade, com custos um pouco mais elevados em mulheres (R$ 762 milh\u00f5es) do que nos homens (R$ 730 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>O levantamento mostrou que, al\u00e9m dos custos, foram 128,71 mil mortes, 495,99 mil hospitaliza\u00e7\u00f5es e 31,72 milh\u00f5es procedimentos ambulatoriais realizados pelo SUS, atribu\u00edveis ao excesso de peso e obesidade.<\/p>\n<p><strong>Guia Alimentar<\/strong><br \/>\nNa vis\u00e3o dos pesquisadores, o Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira tamb\u00e9m constitui uma das estrat\u00e9gias para implementa\u00e7\u00e3o da diretriz de promo\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel que integra a Pol\u00edtica Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o (PNAN).<\/p>\n<p>Os guias alimentares contribuem para a melhora dos padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o e para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que os h\u00e1bitos alimentares e as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade se modificam ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u00bb Base da alimenta\u00e7\u00e3o: alimentos in natura ou minimamente processados, variados e predominantemente de origem vegetal;<br \/>\n\u00bb Utilizar \u00f3leos, gorduras, sal e a\u00e7\u00facar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar;<br \/>\n\u00bb Limitar o consumo de alimentos processados (conservas, compotas, queijos, p\u00e3es);<br \/>\n\u00bb Evitar o consumo de ultraprocessados;<br \/>\n\u00bb Comer com regularidade e aten\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u00bb Fazer compras em feiras e mercados que ofertem variedades de alimentos in natura e minimamente processados;<br \/>\n\u00bb Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culin\u00e1rias, principalmente, com crian\u00e7as e jovens;<br \/>\n\u00bb Planejar a alimenta\u00e7\u00e3o: da compra e organiza\u00e7\u00e3o dos alimentos at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do card\u00e1pio e a divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas relacionadas ao preparo das refei\u00e7\u00f5es;<br \/>\n\u00bb Preferir comer, quando fora de casa, em locais que sirvam refei\u00e7\u00f5es frescas (restaurantes de comida caseira ou a quilo);<br \/>\n\u00bb Ser cr\u00edtico quanto \u00e0 publicidade de alimentos, que tem como \u00fanico objetivo o aumento da venda de produtos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2030 parece estar longe, mas uma proje\u00e7\u00e3o com dados alarmantes mostram como poder\u00e3o estar os brasileiros daqui a oito anos: a preval\u00eancia de excesso de peso pode chegar a 68%, ou seja, sete em cada 10 pessoas, e a de obesidade a 26%, ou uma a cada quatro. 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