{"id":279403,"date":"2022-02-01T16:06:04","date_gmt":"2022-02-01T19:06:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=279403"},"modified":"2022-02-01T16:08:22","modified_gmt":"2022-02-01T19:08:22","slug":"marketing-da-farofa-nao-elege-nem-sindico-de-predio-em-brasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marketing-da-farofa-nao-elege-nem-sindico-de-predio-em-brasa\/","title":{"rendered":"Marketing da farofa n\u00e3o elege nem s\u00edndico de pr\u00e9dio em brasa"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos at\u00e9 outubro, a esperan\u00e7a est\u00e1 perdida. O Brasil definitivamente virou piada. Em lugar de manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade aos vinte e tantos mortos em consequ\u00eancia das chuvas de S\u00e3o Paulo, a emo\u00e7\u00e3o da tarde desse domingo (30) mais uma vez ficou por conta do presidente da Rep\u00fablica. Nem uma palavra de conforto \u00e0s v\u00edtimas dos desabamentos na capital paulista. Acuado, ele decidiu sobrevoar a regi\u00e3o da trag\u00e9dia 48 horas depois. Por\u00e9m, a maioria do brasileiro foi obrigada a dividir com o gado subserviente um suposto marketing palaciano. Correu mundo um v\u00eddeo com a horrorosa imagem do mito comendo churrasco de frango com farofa em uma rua de Bras\u00edlia. Nada mais prosaico do que um churrasquinho melado na farinha e lambuzado no molho de pimenta. Mas n\u00e3o \u00e9 assim que um l\u00edder se mostra humilde e popular. A penosa acabou virando o franguinho da disc\u00f3rdia.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso muito mais do que isso para recuperar popularidade e a enxurrada de votos perdidos com o emporcalhamento da na\u00e7\u00e3o. Para quem ainda n\u00e3o conhece os pontos tur\u00edsticos do Rio de Janeiro ou parte dele, esse tipo de cena n\u00e3o \u00e9 comum nem nos domingos de sol a pino na buc\u00f3lica Praia de Maria Angu ou no concorrido Piscin\u00e3o de Ramos. Soube que, ap\u00f3s cr\u00edticas de Ant\u00f4nios e Zenaides, isto \u00e9, de A a Z, o v\u00eddeo foi apagado para o bem do Brasil. Parece brincadeira, mas a seriedade com a qual escrevo me permite lembrar um zap a que fiz refer\u00eancia recentemente. Nele, o sambista Zeca Pagodinho era apresentado por dez entre dez brasileiros como candidato de responsa \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>E sabem por qu\u00ea? Porque ele supostamente criaria o Bolsa Cerveja, o Vale Torresmo e o programa Meu Boteco, Minha Vida. Obviamente que Zeca presidente \u00e9 uma blasf\u00eamia. Mas qual \u00e9 a diferen\u00e7a para o que temos hoje? Claro que a imagem farofeira foi plantada como a\u00e7\u00e3o populista e exclusivamente com inten\u00e7\u00f5es eleitoreiras. Deu errado porque o pobre do Brasil \u00e9 formado por nacos de analfabetos, humildes, resilientes e cr\u00e9dulos, mas n\u00e3o burros ou sujos como faz crer a cena protagonizada pelo principal ocupante dos pal\u00e1cios do Planalto e da Alvorada, onde certamente n\u00e3o faltam exageradas por\u00e7\u00f5es de picanhas, fil\u00e9s, peitos de frango, costelinhas de cordeiro e cortes nababescos de su\u00ednos, tudo pago com os tais cart\u00f5es corporativos, cujas cifras s\u00e3o absurdas.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, embora seja apenas um detalhe, a farinha escapuliu pelo espetinho do churrasquinho e acabou anojentando um presente sem passado e sem futuro. Sinceramente, n\u00e3o consigo alcan\u00e7ar a proposta do v\u00eddeo. Se \u00e9 que houve, a demonstra\u00e7\u00e3o de humildade destoou totalmente do tipo de vida levada pelo mito e por familiares. Todavia, est\u00e1 bem pr\u00f3xima do modus operandis do governo: sem eira, beira e cada vez mais enrolado na emporcalhada mesmice da pol\u00edtica nacional. Uma lamban\u00e7a s\u00f3. Como n\u00e3o ter saudades dos tempos em que o pa\u00eds era governado de forma s\u00e9ria &#8211; \u00e0s vezes pouco honesta \u2013 e republicanamente limpa, pelo menos diante dos olhos cr\u00e9dulos dos contribuintes honrados e trabalhadores, ocasionalmente chamados de eleitor.<\/p>\n<p>Pelo sim, pelo n\u00e3o, o que est\u00e1 ruim, ficou pavoroso para o homi. Do mesmo modo que ningu\u00e9m mais consegue convencer vizinhos do sub\u00farbio do Rio a virar uma laje em troca de um ou dois pratos de angu a baiana (na realidade a guloseima \u00e9 tipicamente carioca), se lambuzar de farofa n\u00e3o elege nem s\u00edndico de pr\u00e9dio pegando fogo ou de comunidades invadidas pela mil\u00edcia ou pelo tr\u00e1fico. Imagina reeleg\u00ea-lo. \u00c9 preciso carisma, voca\u00e7\u00e3o, preparo e, sobretudo, adequa\u00e7\u00e3o ao cargo. Banalizar a figura de uma nobre asinha de frango nas m\u00e3os de um presidente descabelado n\u00e3o \u00e9 o que o brasileiro deseja. O povo at\u00e9 admite um churrasquinho de gato, mas a prefer\u00eancia nacional \u00e9 por respeito, emprego, comida, vacina e, se n\u00e3o for pedir demais, um l\u00edder que governe.<\/p>\n<p>Fake news enfarofadas n\u00e3o enganam mais nem os arrependidos antipetistas que, em 2018, votaram no primeiro contador de hist\u00f3rias que apareceu. De concreto, a ideia de transformar o mito em homem do povo virou um dos piores memes produzidos pelo pr\u00f3prio governo. Grosseira e nada coerente com a popula\u00e7\u00e3o brasileira, a suja imagem divulgada no v\u00eddeo parece denotar que a mamata est\u00e1 acabando. A farra com dinheiro p\u00fablico nas praias do litoral de S\u00e3o Paulo e de Santa Catarina foi trocada por dois pedacinhos de frango com farofa. Nada demais n\u00e3o fosse a quase certeza que ele detesta a iguaria. Resumindo, o marketing \u00e0s avessas s\u00f3 piorou o que j\u00e1 estava p\u00e9ssimo. O eleitor merece mais respeito. N\u00e3o se brinca com coisa s\u00e9ria. O resultado de outubro deve mostrar quem tem raz\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos at\u00e9 outubro, a esperan\u00e7a est\u00e1 perdida. O Brasil definitivamente virou piada. Em lugar de manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade aos vinte e tantos mortos em consequ\u00eancia das chuvas de S\u00e3o Paulo, a emo\u00e7\u00e3o da tarde desse domingo (30) mais uma vez ficou por conta do presidente da Rep\u00fablica. 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