{"id":279576,"date":"2022-02-03T16:25:08","date_gmt":"2022-02-03T19:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=279576"},"modified":"2022-02-03T16:26:51","modified_gmt":"2022-02-03T19:26:51","slug":"devastacao-da-amazonia-registra-crescimento-recorde-em-3-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/devastacao-da-amazonia-registra-crescimento-recorde-em-3-anos\/","title":{"rendered":"Devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia registra crescimento recorde em 3 anos"},"content":{"rendered":"<p>Em ritmo cada vez mais acelerado, o desmatamento na Amaz\u00f4nia cresceu 56,6% nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Entre agosto de 2018 e julho de 2021, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foi de 32.740 km\u00b2, o equivalente ao tamanho da B\u00e9lgica, contra 20.911 km\u00b2 no mesmo per\u00edodo de 2015 a 2018.<\/p>\n<p>\u00c9 o que comprova um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), feito a partir de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es, e divulgado na quarta-feira (2).<\/p>\n<p>A pesquisa conclui que a devasta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a acelerar no segundo semestre de 2018, como consequ\u00eancia do discurso de campanha de Jair Bolsonaro (PL), favor\u00e1vel \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, chamada pelo ent\u00e3o candidato de \u201cind\u00fastria da multa no campo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA partir desse momento [per\u00edodo eleitoral], fatos de ordem pol\u00edtica e legislativa resultaram na atual fragilidade das pol\u00edticas e das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela agenda ambiental, pelas a\u00e7\u00f5es de comando e controle, principalmente, na esfera federal\u201d, afirma o estudo assinado por quatro pesquisadoras.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o coincide com a percep\u00e7\u00e3o de servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) ouvidos pelo Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Segundo a categoria, as elei\u00e7\u00f5es foram o ponto de partida para a escalada de viol\u00eancia contra fiscais dos \u00f3rg\u00e3os federais. O cap\u00edtulo mais recente foi a queima de um helic\u00f3ptero do Ibama em Manaus (AM), em repres\u00e1lia pela expuls\u00e3o de garimpeiros ilegais do rio Madeira.<\/p>\n<p><strong>Din\u00e2mica do desmatamento<\/strong><br \/>\nSegundo a an\u00e1lise, a era Bolsonaro inaugurou uma \u201cnova din\u00e2mica\u201d de devasta\u00e7\u00e3o, mais acelerada e estimulada pelo enfraquecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o, pela anistia a crimes ambientais e pela tramita\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o de retrocessos legais no Legislativo.<\/p>\n<p>A jun\u00e7\u00e3o desses fatores, segundo as autoras, consolidaram novas frentes de derrubada. Uma dessas frentes \u00e9 a \u00e1rea de divisa chamada \u201cAmacro\u201d, que envolve 32 munic\u00edpios entre Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Amazonas, que ainda tem as mais extensas \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o conservada, viu o desmatamento avan\u00e7ar principalmente nos anos de 2020 e 2021. Concentrando 18% da derrubada no bioma, o estado passou do terceiro para o segundo lugar no ranking dos que mais desmataram, atr\u00e1s do Par\u00e1 (43%), l\u00edder desde 2017, e \u00e0 frente do Mato Grosso (16%).<\/p>\n<p><strong>Alvos preferenciais<\/strong><br \/>\nMetade do desflorestamento, segundo o Ipam, ocorreu em terras p\u00fablicas, sendo a maioria delas \u2014 83% \u2014 pertencentes \u00e0 Uni\u00e3o. A maior perda de vegeta\u00e7\u00e3o se deu em territ\u00f3rios classificados como \u201cFlorestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas\u201d, onde houve aumento de 85%. Essas \u00e1reas s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis, pois t\u00eam pouca ou nenhuma presen\u00e7a estatal relacionada a monitoramento ou fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao calcular a propor\u00e7\u00e3o entre \u00e1rea desmatada e tamanho do territ\u00f3rio, o Ipam concluiu que as Terras Ind\u00edgenas foram mais afetadas, com alta de 153% entre os tri\u00eanios analisados pela pesquisa. J\u00e1 nas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, onde a a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 regrada pelo Estado, houve crescimento proporcional de 63,7%.<\/p>\n<p><strong>Tem solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFrear o avan\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 poss\u00edvel, conforme as pesquisadoras, mas exigir\u00e1 um conjunto amplo de medidas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p>Entre elas, restabelecer o Plano de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento da Amaz\u00f4nia (PPCDAM), que reduziu o desmatamento no bioma em 83% entre 2004 e 2012, mas foi engavetado por Bolsonaro.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, a recupera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exigir\u00e1 ampliar a assist\u00eancia t\u00e9cnica e os incentivos econ\u00f4micos para agricultores familiares e aumentar a seguran\u00e7a territorial de \u00e1reas protegidas e o apoio a economias de base florestal.<\/p>\n<p>\u201cPor fim, \u00e9 essencial o engajamento do Legislativo na rejei\u00e7\u00e3o de projetos de lei que acabam por estimular a invas\u00e3o de terras e a ilegalidade nas atividades rurais, como minera\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o madeireira e pecu\u00e1ria, principalmente em um momento de governan\u00e7a ambiental enfraquecida\u201d, finaliza o estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em ritmo cada vez mais acelerado, o desmatamento na Amaz\u00f4nia cresceu 56,6% nos \u00faltimos tr\u00eas anos. 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