{"id":279589,"date":"2022-02-03T18:02:52","date_gmt":"2022-02-03T21:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=279589"},"modified":"2022-02-03T18:45:32","modified_gmt":"2022-02-03T21:45:32","slug":"medicos-revelam-esgotamento-em-dois-anos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/medicos-revelam-esgotamento-em-dois-anos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos revelam esgotamento em dois anos de pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Mais da metade dos m\u00e9dicos (57%) se queixam de defici\u00eancias que dificultam o tratamento dispensado aos pacientes com covid-19, colocando em risco a pr\u00f3pria integridade dos entrevistados. O resultado faz parte de uma pesquisa feita pelas associa\u00e7\u00f5es M\u00e9dica Brasileira (AMB) e Paulista de Medicina (APM) com m\u00e9dicos de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 45% responderam que faltam profissionais de sa\u00fade para atender aos pacientes com covid-19 nas unidades onde trabalham. O resultado \u00e9 superior aos 32,5% registrados em fevereiro do ano passado. Tamb\u00e9m houve quem se queixasse da falta de m\u00e1scaras, luvas, aventais, medicamentos e at\u00e9 de leitos de interna\u00e7\u00e3o em unidades regulares ou em unidades de terapia intensiva (UTIs).<\/p>\n<p>Mais metade dos m\u00e9dicos (51%) disse que est\u00e3o esgotados ou apreensivos frente ao aumento do n\u00famero de casos, decorrentes da dissemina\u00e7\u00e3o da variante \u00d4micron \u2013 cujas subvariantes s\u00e3o mais infecciosas, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>Falando n\u00e3o s\u00f3 de si, mas tamb\u00e9m de colegas, a maioria dos entrevistados disse haver, em seu ambiente de trabalho, profissionais com claros sintomas de estarem sobrecarregados (64%) e\/ou estressados (62%); ansiosos (57%); pr\u00f3ximos \u00e0 exaust\u00e3o f\u00edsica ou emocional (56%) ou com algum dist\u00farbio relacionado ao sono, como dificuldades para dormir (39%).<\/p>\n<p>O levantamento, cujos resultados foram divulgados hoje (3), ouviu 3517 m\u00e9dicos que trabalham tanto em estabelecimentos particulares como em unidades p\u00fablicas de sa\u00fade, entre os dias 21 e 31 de janeiro.<\/p>\n<p><strong>Aumento de casos<\/strong><br \/>\nEntre os profissionais de sa\u00fade ouvidos, 96% afirmaram que o n\u00famero de casos da doen\u00e7a tinha aumentado em compara\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2021, mas seis em cada dez (59,5%) deles disseram n\u00e3o observar uma tend\u00eancia de alta no n\u00famero de mortes.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos seis semanas que o n\u00famero de mortes pela doen\u00e7a vem aumentando no pa\u00eds. Ontem (2), o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade contabilizou 893 \u00f3bitos em 24 horas, elevando para 628.960 o n\u00famero de pessoas que j\u00e1 perderam a vida para a doen\u00e7a. A pasta tamb\u00e9m confirmou mais 172.903 novos casos de pessoas infectadas pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da nova onda da covid-19 por todo o pa\u00eds pode ser constatado na pr\u00f3pria pesquisa das entidades m\u00e9dicas: 87% dos entrevistados relataram que eles mesmos, ou colegas de trabalho pr\u00f3ximos, receberam diagn\u00f3stico positivo para a doen\u00e7a nos \u00faltimos dois meses. Ainda assim, 81% deles dizem que a ocupa\u00e7\u00e3o das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) ainda era menor que nos momentos mais cr\u00edticos de 2021.<\/p>\n<p><strong>Reprova\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA ampla maioria (75%) dos entrevistados destacou como positiva a forma como vem sendo executado o Plano Nacional de Operacionaliza\u00e7\u00e3o de Vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19.<\/p>\n<p>At\u00e9 ontem \u00e0 noite, ao menos 164 milh\u00f5es de brasileiros j\u00e1 tinham recebido pelo menos uma dose do imunizante contra a doen\u00e7a. J\u00e1 os brasileiros que receberam duas doses (ou a dose \u00fanica, no caso da vacina Janssen) totalizam 151,2 milh\u00f5es. A dose de refor\u00e7o j\u00e1 foi aplicada em 37 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>Apesar disso, 72% dos m\u00e9dicos ouvidos disseram reprovar a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: 34,4% deles consideram que a gest\u00e3o ministerial da crise \u00e9 p\u00e9ssima; 16,6% a consideram ruim e 21%, regular. Todavia, h\u00e1 18,9% de profissionais que a julgam boa e 6,3% que a avaliam como \u00f3tima.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da postura das secretarias estaduais de Sa\u00fade \u00e9 um pouco melhor: no geral, 52,6% dos m\u00e9dicos entrevistados aprovam a gest\u00e3o dos seus estados.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista da estrat\u00e9gia, de informa\u00e7\u00f5es, o minist\u00e9rio deixa muito a desejar. E, certamente, onde a falha \u00e9 maior, \u00e9 nas recomenda\u00e7\u00f5es\u201d, declarou o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina, Jos\u00e9 Luiz Gomes de Amaral.<\/p>\n<p>Segundo ele, enquanto 65% dos entrevistados disseram buscar refer\u00eancias para o tratamento de pacientes junto \u00e0s associa\u00e7\u00f5es e sociedades m\u00e9dicas, apenas 14,6% responderam consultar os documentos produzidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u201cPassados dois anos do in\u00edcio da pandemia, o minist\u00e9rio ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de nos oferecer recomenda\u00e7\u00f5es consistentes. H\u00e1 um desencontro de informa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira, C\u00e9sar Eduardo Fernandes, o minist\u00e9rio envia sinais conflitantes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, chegando mesmo a colocar em d\u00favida a seguran\u00e7a das vacinas aprovadas pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e distribu\u00eddas pela pasta.<\/p>\n<p>Assim como Fernandes, 68,7% dos m\u00e9dicos que responderam \u00e0 pesquisa reprovaram o trabalho de orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cParece-me uma dubiedade. Fala uma coisa em um momento, e outra em outro momento. Um exemplo foi a vacina\u00e7\u00e3o infantil, postergada atrav\u00e9s de uma consulta p\u00fablica desnecess\u00e1ria para, no fim, o pr\u00f3prio ministro comemorar a chegada dos imunizantes\u201d, disse Fernandes.<\/p>\n<p><strong>Ades\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara as entidades m\u00e9dicas, apesar de a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ter contaminado o debate em torno das estrat\u00e9gias de enfrentamento \u00e0 covid-19, a popula\u00e7\u00e3o vem demonstrando ser amplamente favor\u00e1vel \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os m\u00e9dicos entrevistados, 81% disseram que a maioria dos pacientes atendidos nas unidades em que trabalham j\u00e1 tomou ao menos duas doses dos imunizantes. Apenas 0,2% dos 3.072 profissionais que responderam a esta pergunta afirmaram ter contato com pessoas que se negam a ser vacinados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 71% disseram acreditar que a maioria dos pais ou respons\u00e1veis levar\u00e1 as crian\u00e7as sob sua responsabilidade para tomar a vacina. Contra 12% que acreditam que os adultos n\u00e3o far\u00e3o isso por diversas raz\u00f5es \u2013 quase o mesmo percentual (13,7%) de entrevistados que disseram n\u00e3o crer que a divulga\u00e7\u00e3o de fake news e\/ou de informa\u00e7\u00f5es sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica afete o enfrentamento \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p><strong>Sequelas<\/strong><br \/>\nA pesquisa mostra ainda que sete em cada dez m\u00e9dicos, ou quase 71% dos entrevistados, confirmaram que tem atendido pacientes com sequelas p\u00f3s-covid, tais como dor de cabe\u00e7a incessante, fadiga ou dores no corpo (50%); perda do olfato ou do paladar (39%); problemas card\u00edacos e trombose (23%), entre outras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, metade dos profissionais disse conhecer quem deixou de buscar atendimento para outras doen\u00e7as devido ao medo de serem infectados pelo novo coronav\u00edrus e, com isso, tiveram seus quadros cl\u00ednicos agravados. Especialmente pacientes com c\u00e2ncer, diabetes, doen\u00e7as card\u00edacas e hipertens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade dos m\u00e9dicos (57%) se queixam de defici\u00eancias que dificultam o tratamento dispensado aos pacientes com covid-19, colocando em risco a pr\u00f3pria integridade dos entrevistados. O resultado faz parte de uma pesquisa feita pelas associa\u00e7\u00f5es M\u00e9dica Brasileira (AMB) e Paulista de Medicina (APM) com m\u00e9dicos de todo o pa\u00eds. Entre os entrevistados, 45% [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":279590,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-279589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":279591,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279589\/revisions\/279591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/279590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}