{"id":279620,"date":"2022-02-04T09:34:43","date_gmt":"2022-02-04T12:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=279620"},"modified":"2022-02-04T09:34:26","modified_gmt":"2022-02-04T12:34:26","slug":"desinformacao-e-maior-entrave-para-controle-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desinformacao-e-maior-entrave-para-controle-do-cancer\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entrave para controle do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>A desinforma\u00e7\u00e3o, envolvendo muitos mitos e fake news (not\u00edcias falsas), \u00e9 a principal barreira para o controle do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero no Brasil segundo estudo divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer, dentro da campanha da Uni\u00e3o Internacional para o Controle do C\u00e2ncer (UICC) alusiva ao Dia Mundial do C\u00e2ncer. A pesquisa in\u00e9dita Conhecimento e Pr\u00e1ticas da Popula\u00e7\u00e3o sobre Preven\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer do Colo do \u00datero tomou por base estudos publicados entre 2003 e 2020 na literatura cient\u00edfica nacional e internacional.<\/p>\n<p>O objetivo foi identificar as barreiras e as lacunas existentes sobre a vacina\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus HPV (sigla em ingl\u00eas para Papilomav\u00edrus humano) e o rastreamento para o c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, respons\u00e1vel pela morte de mais de 6 mil mulheres por ano no Brasil. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) quer atingir, at\u00e9 2030, metas que visem erradicar o c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, causa de morte de mais de 331 mil mulheres por ano, em todo o mundo.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico epidemiologista Alfredo Scaff, consultor da Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer, disse que o c\u00e2ncer do colo do \u00fatero \u00e9 evit\u00e1vel porque as pessoas j\u00e1 disp\u00f5em de uma vacina contra o v\u00edrus HPV, que causa a doen\u00e7a. O levantamento vem contribuir, segundo ele, para diminuir os buracos existentes entre os cuidados dispon\u00edveis para o controle desse c\u00e2ncer no mundo e no Brasil, devido \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de um distanciamento muito grande entre o acesso e a oportunidade do tratamento da doen\u00e7a entre pessoas, dependendo da regi\u00e3o onde moram, se t\u00eam ou n\u00e3o plano de sa\u00fade ou acesso ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>\u201cEsse c\u00e2ncer \u00e9 uma das maiores iniquidades que n\u00f3s temos na oncologia hoje. \u00c9 no mundo inteiro mas, no Brasil, isso \u00e9 muito evidente. O c\u00e2ncer do colo do \u00fatero \u00e9 o primeiro c\u00e2ncer que tem uma vacina\u201d, disse Scaff, que acrescentou que 99% dos c\u00e2nceres do colo do \u00fatero s\u00e3o causados pelo v\u00edrus chamado HPV, que tem uma vacina. \u201cTem que vacinar\u201d.<\/p>\n<p>Scaff estima que, em uma gera\u00e7\u00e3o, pode-se controlar esse tipo de c\u00e2ncer. Ele reconheceu, entretanto, que existem problemas para se alcan\u00e7ar uma imuniza\u00e7\u00e3o completa da popula\u00e7\u00e3o-alvo, que s\u00e3o meninas entre 9 e 14 anos de idade e meninos de 11 a 14 anos.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento<\/strong><br \/>\nA m\u00e9dica Fl\u00e1via Miranda Corr\u00eaa, doutora em sa\u00fade coletiva, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer e respons\u00e1vel pela pesquisa, esclareceu que a primeira parte do levantamento, divulgado hoje, se refere ao conhecimento e pr\u00e1ticas da popula\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, tendo como p\u00fablico-alvo 7.712 crian\u00e7as e adolescentes entre 10 e 19 anos; 3.335 pais e respons\u00e1veis entre 18 e 82 anos; e 54.617 mulheres na faixa et\u00e1ria de 14 a 83 anos.<\/p>\n<p>A segunda parte, envolvendo o conhecimento e pr\u00e1ticas dos profissionais de sa\u00fade sobre preven\u00e7\u00e3o e rastreamento, dever\u00e1 ser liberada no final do pr\u00f3ximo m\u00eas. Serviram de base \u00e0 pesquisa 68 estudos, sendo 16 sobre vacina\u00e7\u00e3o e 52 sobre rastreamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><br \/>\nOs primeiros resultados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s barreiras sobre a vacina\u00e7\u00e3o contra o HPV entre crian\u00e7as e adolescentes mostram que entre 26% e 37% dos consultados n\u00e3o sabiam que a vacina previne contra o c\u00e2ncer do colo do \u00fatero; entre 53% e 76% ignoravam que a vacina diminui a incid\u00eancia de verrugas nos \u00f3rg\u00e3os genitais. Flavia afirmou que isso demonstra que a maioria das crian\u00e7as e dos jovens ignora para que serve a vacina.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 82% acharam que a vacina protege contra infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (ISTs). \u201cEsse \u00e9 um problema muito importante, porque a gente sabe que n\u00e3o \u00e9 verdade. A vacina \u00e9 espec\u00edfica para o HPV e pode dar uma sensa\u00e7\u00e3o de falsa prote\u00e7\u00e3o. Esse desconhecimento tem que ser desconstru\u00eddo\u201d, apontou a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, entre 36% e 57% das crian\u00e7as e adolescentes ouvidos acham que a vacina pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade. Fl\u00e1via contra argumentou que a vacina \u00e9 segura, est\u00e1 no mercado desde 2006 e h\u00e1 um monitoramento constante. A m\u00e9dica considerou que essa ideia apurada \u00e9 err\u00f4nea e pode ser um impeditivo muito grande para a vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre 35% e 47% acreditam que a vacina pode incentivar a inicia\u00e7\u00e3o sexual precoce. \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade. Inclusive no contexto do Brasil, n\u00f3s sabemos que n\u00e3o induz a uma atividade sexual mais precoce\u201d. Entre 32% e 50% n\u00e3o sabiam o n\u00famero correto de doses. A vacina contra HPV \u00e9 tomada em duas doses, no intervalo de seis meses, informou a pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer.<\/p>\n<p><strong>Pais e respons\u00e1veis<\/strong><br \/>\nO desconhecimento continua entre os pais e respons\u00e1veis: 17% n\u00e3o sabiam que a vacina previne c\u00e2ncer do colo do \u00fatero; 33% n\u00e3o tinham ideia sobre a preven\u00e7\u00e3o de verrugas anais e genitais; 74% imaginavam que a vacina\u00e7\u00e3o previne outras doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs); 20% achavam que o imunizante pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade; entre 34% e 61% n\u00e3o conheciam a popula\u00e7\u00e3o-alvo que deve ser imunizada contra o HPV; e 22% acreditavam que a vacina pode incentivar a inicia\u00e7\u00e3o sexual precoce dos filhos.<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Corr\u00eaa disse que a vacina \u00e9 cada vez mais eficaz quando usada em quem n\u00e3o tem atividade sexual ainda. Ela esclareceu que a vacina tem a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de evitar os danos do HPV, como verrugas, les\u00f5es precursoras e o pr\u00f3prio c\u00e2ncer de colo do \u00fatero. Advertiu que doen\u00e7as como s\u00edfilis, cont\u00e1gio por HIV (Aids) e demais DSTs n\u00e3o s\u00e3o contempladas nessa imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rastreamento<\/strong><br \/>\nOs estudos para identificar se as mulheres conheciam os exames preventivos de rastreamento do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero (Papanicolau) constataram conhecimentos e pr\u00e1ticas inadequadas entre 40% e 71% do p\u00fablico consultado, respectivamente. Os motivos apontados pelas mulheres que nunca realizaram o exame preventivo foram: \u201cn\u00e3o achavam necess\u00e1rio\u201d (45%), \u201cn\u00e3o foram orientadas\u201d (15%), \u201ctinham vergonha\u201d (13%) e \u201cnunca tiveram atividade sexual\u201d (8,8%).<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o da pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer \u00e9 que o conhecimento deficiente e pr\u00e1ticas equivocadas sobre a vacina\u00e7\u00e3o contra HPV e o rastreamento do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero est\u00e3o associados \u00e0 baixa renda, menor escolaridade, cor da pele parda ou negra, resid\u00eancia em \u00e1reas urbanas pobres e rurais, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia da luta contra a iniquidade.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ainda esclarecer a popula\u00e7\u00e3o quanto a problemas relacionados a falsas informa\u00e7\u00f5es e fake news divulgadas pela internet sobretudo, que facilitam pr\u00e1ticas equivocadas. A Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer pretende atuar para passar informa\u00e7\u00f5es corretas e de qualidade para toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Vacina\u00e7\u00e3o gratuita<\/strong><br \/>\nAlfredo Scaff destacou que o Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo em que a vacina\u00e7\u00e3o contra o HPV \u00e9 universal, p\u00fablica e gratuita pelo SUS, integrando o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI). O problema, reiterou, \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o para a vacina\u00e7\u00e3o. A imuniza\u00e7\u00e3o contra o HPV \u00e9 menor entre meninos do que entre as meninas. Em 2020, 55% das meninas brasileiras de 9 a 14 anos tomaram as duas doses da vacina. Entre os meninos de 11 a 14 anos, a taxa dos que completaram o ciclo vacinal foi 36,4%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de a vacina para meninos ter sido iniciada dois anos depois que a das meninas, a m\u00e9dica Fl\u00e1via Corr\u00eaa explicou que h\u00e1 desconhecimento de que a vacina \u00e9 importante para os garotos n\u00e3o s\u00f3 para que eles n\u00e3o transmitam o HPV para as meninas mas, tamb\u00e9m, para proteg\u00ea-los de doen\u00e7as relacionadas ao v\u00edrus HPV, como c\u00e2ncer de p\u00eanis, c\u00e2ncer anal e de orofaringe (parte da garganta localizada atr\u00e1s da boca).<\/p>\n<p>No dia 4 de mar\u00e7o, no Dia Internacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o HPV, a Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer mobilizar\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o sobre o tema, com postagens em suas redes sociais. Em 26 de mar\u00e7o, Dia Mundial da Preven\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer de Colo do \u00datero, a entidade abrir\u00e1 inscri\u00e7\u00f5es para um curso voltado aos profissionais de sa\u00fade, com foco na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, cujo in\u00edcio est\u00e1 previsto para abril.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desinforma\u00e7\u00e3o, envolvendo muitos mitos e fake news (not\u00edcias falsas), \u00e9 a principal barreira para o controle do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero no Brasil segundo estudo divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer, dentro da campanha da Uni\u00e3o Internacional para o Controle do C\u00e2ncer (UICC) alusiva ao Dia Mundial do C\u00e2ncer. 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