{"id":280018,"date":"2022-02-09T08:59:30","date_gmt":"2022-02-09T11:59:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=280018"},"modified":"2022-02-09T10:01:27","modified_gmt":"2022-02-09T13:01:27","slug":"inteligencia-artificial-acelera-diagnostico-de-hanseniase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inteligencia-artificial-acelera-diagnostico-de-hanseniase\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial acelera diagn\u00f3stico de hansen\u00edase"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) participaram do desenvolvimento de uma intelig\u00eancia artificial capaz de ajudar m\u00e9dicos a identificarem a hansen\u00edase. A cria\u00e7\u00e3o do assistente de diagn\u00f3stico, chamado de AI4Leprosy, contou com a parceria e financiamento da Microsoft e da Funda\u00e7\u00e3o Novartis e teve os resultados publicados na revista cient\u00edfica The Lancet Regional Health Americas. Tamb\u00e9m integraram o estudo as universidades da Basileia, na Su\u00ed\u00e7a, e de Aberdeeen, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>Segundo a Fiocruz, o software foi capaz de identificar a hansen\u00edase como causa de les\u00f5es na pele dos pacientes em mais de 90% dos casos em que foi submetido a teste. Com a publica\u00e7\u00e3o dos resultados, os pesquisadores poder\u00e3o avan\u00e7ar na cria\u00e7\u00e3o de um aplicativo de celular que futuramente poder\u00e1 ser usado por profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A tecnologia desenvolvida combina a an\u00e1lise de fotos das les\u00f5es com dados cl\u00ednicos dos pacientes, por meio de um algoritmo que faz o reconhecimento de imagens e \u00e9 capaz de diferenciar varia\u00e7\u00f5es sutis de tons, quase impercept\u00edveis ao olho humano.<\/p>\n<p>Para que o algoritmo fosse capaz de fazer o reconhecimento, foi necess\u00e1ria a compara\u00e7\u00e3o de fotografias de les\u00f5es causadas pela hansen\u00edase e por doen\u00e7as semelhantes, em uma t\u00e9cnica chamada de aprendizado de m\u00e1quina (machine learning), em que o computador associa padr\u00f5es nas imagens \u00e0 doen\u00e7a ou a outras causas. Ao todo, foram usadas 1.229 fotografias de 585 les\u00f5es diferentes, com a colabora\u00e7\u00e3o de 222 pacientes do Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo, mantido pelo Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase do IOC\/Fiocruz.<\/p>\n<p>Esse tipo de tecnologia j\u00e1 existe para apoio ao diagn\u00f3stico do melanoma, um tipo do c\u00e2ncer de pele. No caso da hansen\u00edase, por\u00e9m, uma maior variedade de les\u00f5es est\u00e1 associada \u00e0 doen\u00e7a, o que exigiu que o reconhecimento de imagens fosse combinado com o preenchimento de informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas dos pacientes. Desse modo, tamb\u00e9m foi preciso ensinar ao algoritmo caracter\u00edsticas que j\u00e1 foram descritas como sintomas da doen\u00e7a, como altera\u00e7\u00f5es de sensibilidade nos p\u00e9s e perda de sensibilidade t\u00e9rmica nas m\u00e3os, e outras, como coceira, que t\u00eam maior probabilidade de serem causadas por outras enfermidades.<\/p>\n<p>Quando apenas o reconhecimento de fotografias foi usado, o modelo proposto foi capaz de acertar quais casos eram de hansen\u00edase em 70% dos pacientes. A precis\u00e3o aumenta para 90% quando leva em conta os dados cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>A Fiocruz destaca que o algoritmo poderia acelerar o diagn\u00f3stico da hansen\u00edase por parte dos profissionais de sa\u00fade. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Fiocruz de Not\u00edcias, o chefe do Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase do IOC\/Fiocruz, Milton Oz\u00f3rio Moraes, explicou que, com isso, m\u00e9dicos poder\u00e3o iniciar o tratamento da doen\u00e7a mais r\u00e1pido e evitar consequ\u00eancias graves que ela pode causar, como deformidades, perda de movimentos e problemas de vis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Essa ferramenta pode apoiar a decis\u00e3o do m\u00e9dico de iniciar a investiga\u00e7\u00e3o, acelerando a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico e o in\u00edcio do tratamento, que \u00e9 fundamental para interromper a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a e prevenir sequelas\u201d, disse. O m\u00e9dico que acredita que um aplicativo com intelig\u00eancia artificial pode estar dispon\u00edvel em dois anos, o que ainda depende de testes em outras partes do mundo e em diferentes contextos sociais e demogr\u00e1ficos para validar os resultados obtidos.<\/p>\n<p>A demora na identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 considerada um dos maiores desafios para o seu tratamento e tamb\u00e9m favorece a dissemina\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria causadora, a Mycobacterium leprae. A funda\u00e7\u00e3o informa que mais de 200 mil novos casos de hansen\u00edase foram registrados em todo o mundo em 2019, sendo aproximadamente 10 mil com les\u00f5es avan\u00e7adas. O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds mais afetado pela doen\u00e7a e detectou 27 mil novos casos, dentre os quais 2,3 mil j\u00e1 apresentavam danos avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da pandemia de covid-19, em 2020, especialistas se preocupam que a queda no n\u00famero de diagn\u00f3sticos signifique mais casos avan\u00e7ando sem tratamento. A Fiocruz cita dados de um levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que apontou redu\u00e7\u00e3o de 35% nos registros de hansen\u00edase em 2020, e de 45% em 2021, em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) tem como meta reduzir em 70% os novos casos de hansen\u00edase at\u00e9 2030 e, no longo prazo, interromper a transmiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) participaram do desenvolvimento de uma intelig\u00eancia artificial capaz de ajudar m\u00e9dicos a identificarem a hansen\u00edase. 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