{"id":280310,"date":"2022-02-14T14:42:21","date_gmt":"2022-02-14T17:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=280310"},"modified":"2022-02-14T14:42:21","modified_gmt":"2022-02-14T17:42:21","slug":"cada-povo-tem-o-governo-que-merece-ou-nao-e-bem-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cada-povo-tem-o-governo-que-merece-ou-nao-e-bem-assim\/","title":{"rendered":"Cada povo tem o governo que merece. Ou n\u00e3o \u00e9 bem assim?"},"content":{"rendered":"<p>Cunhada h\u00e1 mais de 200 anos pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Joseph-Marie de Maistre, a frase <em>cada povo tem o governo que merece<\/em> infelizmente ainda encontra grande aplicabilidade no Brasil do Bolsa Fam\u00edlia e das propostas paternalistas que acostumam expressiva parcela do eleitorado a viver \u00e0s expensas dos governos municipais, estaduais e federal. Claro que nem todos pensam desse modo. Assim como a maioria n\u00e3o procura saber se as promessas de seus candidatos se transformaram em projetos ou em a\u00e7\u00f5es, uma minoria sofre com os desmazelos de grupos dessa popula\u00e7\u00e3o que entende que cabe exclusivamente aos administradores cuidar do seu habitat. Pode ser. Entretanto, se n\u00e3o fizermos nossa parte n\u00e3o h\u00e1 Estado que se sustente.<\/p>\n<p>Da mesma forma que temos o dever de escolher bem nossos governantes, temos obriga\u00e7\u00e3o de cumprir as leis, respeitar os direitos sociais de outras pessoas e educar e proteger nossos semelhantes. Em s\u00edntese, ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen\u00e3o em virtude da lei. O problema \u00e9 quando fazemos exatamente o contr\u00e1rio. E n\u00e3o basta a marginalidade formal para que sejamos acusados de agir fora das quatro linhas. Deixar de colaborar com o governo que cobra seus impostos \u00e9 t\u00e3o nocivo como aquele que ataca o patrim\u00f4nio p\u00fablico ou busca usufruir do que \u00e9 do alheio por maldade, falta de vontade de trabalhar ou simplesmente pela necessidade de se manter \u00e0 margem da lei.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia h\u00e1 37 anos, me acostumei com governos de diferentes padr\u00f5es. Convivi com aqueles que, em benef\u00edcio pr\u00f3prio, doavam lotes que n\u00e3o eram seus, com os que constru\u00edram est\u00e1dios que, antecipadamente, n\u00e3o serviriam para nada e com outros que ergueram um centro administrativo que jamais usariam. Enterraram caminh\u00f5es de dinheiro no buraco profano da corrup\u00e7\u00e3o e tudo ficou por isso mesmo. Acho que aprendemos com os erros. No Governo do Distrito Federal de hoje, aparentemente esse tipo de indec\u00eancia \u00e9 pontual e logo corrigida. Por exemplo, j\u00e1 tivemos um secret\u00e1rio preso, outro amea\u00e7ado at\u00e9 a alma e v\u00e1rios servidores do primeiro escal\u00e3o respondendo a processos cabeludos.<\/p>\n<p>E n\u00f3s, o povo, o que fazemos? Nessas quase quatro d\u00e9cadas na capital, aprendi que, al\u00e9m de atender \u00e0s necessidades noticiosas da m\u00eddia local, cobrar solu\u00e7\u00f5es por mazelas que n\u00f3s mesmos criamos \u00e9 um fato corriqueiro e, \u00e0s vezes, com resultados pr\u00e1ticos. Invadir e construir boas casas em terrenos p\u00fablicos, edificar pr\u00e9dios em regi\u00f5es proibidas, exigir asfalto, redes de \u00e1guas e esgoto e luz el\u00e9trica em \u00e1reas ocupadas irregularmente, al\u00e9m de jogar lixo em locais incorretos, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es comuns em Bras\u00edlia e no Distrito Federal. Como se o governador e secret\u00e1rios fossem culpados, esses problemas fazem parte da extensa lista de cobran\u00e7as ao GDF. Natural que isso ocorra. Afinal, \u00e9 muito mais f\u00e1cil cobrar, acusar de in\u00e9rcia e demandar o governo por coisas que est\u00e3o em nossa rela\u00e7\u00e3o de deveres.<\/p>\n<p>Convenhamos que jogar restos de camas, sof\u00e1s, geladeiras e televis\u00f5es em rios ou c\u00f3rregos n\u00e3o \u00e9 uma determina\u00e7\u00e3o do GDF. \u00c9 uma invers\u00e3o de valores culturais. Se n\u00e3o mudarmos, perderemos os rios e ficaremos sem \u00e1gua. E qual a culpa do GDF? Para tentar corrigir essa deforma\u00e7\u00e3o de conduta, n\u00f3s pagamos e o governo espalhou pela cidade dezenas de papas lixo. E da\u00ed? As ruas e pra\u00e7as permanecem sujas, pois ainda n\u00e3o somos t\u00e3o educados como nos faz crer nossa v\u00e3 filosofia. Enfim, nos acostumamos a pedir, a cobrar, a achar que os governadores t\u00eam de estar \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 os que realmente nada fazem para agradar o eleitorado.<\/p>\n<p>Alguns s\u00e3o absolutamente despreparados e desaculturados para esse tipo de fun\u00e7\u00e3o. Apesar da campanha contra de determinados telejornais, n\u00e3o \u00e9 o caso do Ibaneis, mas \u00e9 o do&#8230;. Melhor deixar para l\u00e1. O embara\u00e7o \u00e9 que aprendemos e n\u00e3o conseguimos soltar as amarras daquela antiga indaga\u00e7\u00e3o dos nossos av\u00f3s: que tipo de pa\u00eds e de governantes deixaremos para nossos filhos e netos. Interessante. Entretanto, n\u00e3o vislumbramos a possibilidade de atualizar a mesma indaga\u00e7\u00e3o. Com o mundo globalizado e cada vez mais longe de nosso controle, talvez fosse o caso de perguntarmos que tipo de filhos e netos deixaremos para o pa\u00eds e para os governantes. Invertendo a ordem, pode ser que, no futuro, consigamos afirmar que cada governo tem o povo que merece. A\u00ed ser\u00e1 o fim dos tempos. Quem sabe, o sinal dos tempos.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cunhada h\u00e1 mais de 200 anos pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Joseph-Marie de Maistre, a frase cada povo tem o governo que merece infelizmente ainda encontra grande aplicabilidade no Brasil do Bolsa Fam\u00edlia e das propostas paternalistas que acostumam expressiva parcela do eleitorado a viver \u00e0s expensas dos governos municipais, estaduais e federal. 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