{"id":281145,"date":"2022-02-27T16:04:28","date_gmt":"2022-02-27T19:04:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=281145"},"modified":"2022-02-28T05:07:16","modified_gmt":"2022-02-28T08:07:16","slug":"literatura-infantil-auxilia-a-lidar-com-temas-dificeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/literatura-infantil-auxilia-a-lidar-com-temas-dificeis\/","title":{"rendered":"Literatura infantil auxilia a lidar com temas dif\u00edceis"},"content":{"rendered":"<p>Abordar assuntos delicados como morte, div\u00f3rcio e doen\u00e7as com as crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. At\u00e9 para quem \u00e9 adulto, lidar com estas quest\u00f5es exige equil\u00edbrio emocional. Mas, com as crian\u00e7as, abordar de forma l\u00fadica, por meio de livros, pode ser o caminho para iniciar o assunto de forma mais compreens\u00edvel e humanizada.<\/p>\n<p>Os livros podem ajudar fam\u00edlias e educadores a lidar com momentos de transi\u00e7\u00e3o importantes para as crian\u00e7as como a hora de deixar as fraldas, de dizer adeus para a chupeta, ou ainda de lidar com a morte de um parente ou de um animal de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fernando Vernilo trabalhou durante dez anos como Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e, quando se tornou m\u00e3e, sentiu falta de livros que abordassem temas como desmame e o desfralde, por exemplo. Assim nasceu o projeto da cole\u00e7\u00e3o de livros Conto com Voc\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00ed do meu trabalho para um [ano] sab\u00e1tico improvisado, depois do nascimento do meu primeiro filho, e estava procurando uma oportunidade de empreender. A ideia do livro surgiu quando comecei a estudar sobre como fazer nosso desmame e descobri que o l\u00fadico da hist\u00f3ria ajudaria demais na comunica\u00e7\u00e3o. Livros assim n\u00e3o existiam no Brasil e, como sou formada em comunica\u00e7\u00e3o, acredito demais na import\u00e2ncia da clareza do que \u00e9 dito para o sucesso do processo. Assim nasceram o Mamar quando o Sol Raiar e Tchau, Tet\u00ea, os primeiros livros para apoio na condu\u00e7\u00e3o de desmame do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Os livros da cole\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abordam sentimentos como o ci\u00fame de uma irm\u00e3 que nasceu ou a tristeza com a separa\u00e7\u00e3o dos pais. Fernanda conta que, al\u00e9m de ajudar a passar por estes desafios com leveza, os livros da cole\u00e7\u00e3o colocam as crian\u00e7as como protagonistas do processo com autonomia e respeito.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo da Cole\u00e7\u00e3o \u00e9 publicar livros sobre diversas tem\u00e1ticas da inf\u00e2ncia para ajudar no di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es, com muito acolhimento, verdade e respeito\u201d.<\/p>\n<p>Mamar quando o Sol Raiar e Tchau, Tet\u00ea foram os dois primeiros t\u00edtulos da editora, escritos por Fernanda. De 2018 at\u00e9 hoje, a editora j\u00e1 publicou mais de 25 outros t\u00edtulos de diferentes autoras, todos seguindo a mesma proposta narrativa, como Dino Davissauro, para controle de raiva, e Pode Parar, para preven\u00e7\u00e3o de abuso sexual.<\/p>\n<p><strong>Paz e respeito<\/strong><br \/>\nDiante do cen\u00e1rio que o mundo assiste de uma guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2cia, no Leste Europeu, um livro pode esclarecer para as crian\u00e7as a import\u00e2ncia da paz e da uni\u00e3o entre os pa\u00edses, mas principalmente entre as pessoas.<\/p>\n<p>O livro Paz de Laborat\u00f3rio levou dois anos de pesquisa com crian\u00e7as e adultos, que relataram o que sabem sobre a paz e o que gostariam de ter aprendido na inf\u00e2ncia. A obra trabalha valores como respeito, amor, amizade, empatia, liberdade e uni\u00e3o. A autora Izabel Stresser Araujo relata que o projeto do livro iniciou quando o pai dela morreu.<\/p>\n<p>\u201cQuando meu pai faleceu, eu tive um momento muito dif\u00edcil, em que eu n\u00e3o conseguia encontrar a paz e isso me levou a refletir que pouco sabemos sobre ela, do que ela \u00e9 feita, o que podemos fazer para nos sentir em paz. Mergulhei em um projeto de dois anos para escrever o livro. Pensei muito na minha filha, sobre reflex\u00f5es e conversas que gostaria de ter com ela\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, conta Renata, a inspira\u00e7\u00e3o para o enredo veio anos antes da morte do pai. \u201cO engra\u00e7ado \u00e9 que cinco anos antes eu sonhei com a hist\u00f3ria de um livro em que crian\u00e7as ouviram que a paz estava desaparecendo e resolveram fabric\u00e1-la em laborat\u00f3rio para ajudar o mundo todo. Para isso, elas precisavam descobrir do que a paz \u00e9 feita.<\/p>\n<p>&#8220;Resolvi colocar esse sonho em pr\u00e1tica e perguntei a mais de 200 pessoas o que elas gostariam de ter aprendido sobre a paz na inf\u00e2ncia. Da\u00ed, sa\u00edram sete ingredientes: amor, empatia, liberdade, coragem, respeito, amizade e uni\u00e3o, que s\u00e3o abordados de uma forma l\u00fadica, como se fosse uma aventura na busca dos ingredientes\u201d.<\/p>\n<p>O que ela aprendeu ao escrever Paz de Laborat\u00f3rio, \u00e9 o que espera que as crian\u00e7as absorvam com a leitura. \u201cAprendi que somos ensinados a camuflar nossos sentimentos e achamos que a paz \u00e9 a aus\u00eancia de conflito. Na paz, aprendemos a lidar com conflitos, que sempre ir\u00e3o existir. Por acharmos que paz \u00e9 n\u00e3o discordar, abrimos m\u00e3o de n\u00f3s mesmos e dos nossos sentimentos em troca de uma falsa paz. Precisamos, urgentemente, educar sobre a paz, mais do que educamos para a competi\u00e7\u00e3o\u201d, defende a autora.<\/p>\n<p>Conversar sobre doen\u00e7as com os pequenos \u00e9 outro tema complexo, por\u00e9m se torna mais importante ainda se \u00e9 a pr\u00f3pria crian\u00e7a que est\u00e1 com uma doen\u00e7a grave, como um c\u00e2ncer, por exemplo.<\/p>\n<p>Depois de passarem pela dor de perder um filho para a leucemia, Francisco e Sonia, tinham o sonho de levar o tema para as salas de aulas. Eles s\u00e3o gestores do Instituto Ronald McDonald, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, que h\u00e1 mais de 22 anos atua para aproximar fam\u00edlias da cura do c\u00e2ncer infantojuvenil.<\/p>\n<p>Para a miss\u00e3o, convidaram a escritora Isa Colli. Ela aceitou o convite e escreveu Tulipa Gl\u00f3ria e sua Amiga Vit\u00f3ria. O lan\u00e7amento do livro faz parte de um projeto maior, que vai destinar um percentual das vendas para o tratamento de pacientes com c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No livro, a sementinha Gl\u00f3ria e a menina Vit\u00f3ria, que est\u00e1 em tratamento contra a leucemia, se tornam amigas. O t\u00edtulo infantil traz uma abordagem mais leve da situa\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as que vivem com essa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A escritora conta que ficou muito emocionada com o convite, porque tem uma longa hist\u00f3ria pessoal de lutas e vit\u00f3rias contra o c\u00e2ncer, o que a faz participar de diversos projetos para apoiar a causa. Desafio aceito, veio a parte da inspira\u00e7\u00e3o, conta Isa.<\/p>\n<p>\u201cEm apenas uma noite, dei vida \u00e0 Vit\u00f3ria, menina carinhosa com os pais, mas que carrega um ar tristonho justamente por estar enfrentando um problema de sa\u00fade. Gl\u00f3ria, uma semente sonhadora, foi levada pelo vento para o jardim onde mora Vit\u00f3ria. O destino as aproxima e as l\u00e1grimas de garotinha d\u00e3o a for\u00e7a que Gl\u00f3ria precisa para sobreviver. A partir dali nasce uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade entre as duas. De forma leve, o livro pretende ensinar aos pequenos como superar problemas dif\u00edceis, como as doen\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Para a escritora, \u00e9 importante ter clareza ao abordar temas delicados com crian\u00e7as. \u201cTemas delicados devem ser abordados com as crian\u00e7as de maneira l\u00fadica e sem esconder informa\u00e7\u00f5es. No caso de Tulipa Gl\u00f3ria e sua amiga Vit\u00f3ria, eu abordo o c\u00e2ncer de forma leve para motivar e trazer esperan\u00e7a \u00e0s crian\u00e7as que lutam contra essa doen\u00e7a e aos seus familiares\u201d.<\/p>\n<p>A pequena L\u00edvia, hoje com seis anos, come\u00e7ou a luta contra a leucemia quando tinha quase dois anos. Na \u00e9poca, a m\u00e3e usou outros recursos para que a menina fizesse as sess\u00f5es de quimioterapia, com um pouco de brincadeira e fantasia para aguentar as horas de aplica\u00e7\u00e3o dos medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cPara tornar as coisas mais suaves para a Livinha fizemos as \u2018qu\u00edmio tem\u00e1ticas\u2019. A gente fazia uma pequena decora\u00e7\u00e3o no quarto, eu levava uma fantasia pra ela vestir quando terminasse a qu\u00edmio e fosse consultar com a oncologista pedi\u00e1trica, a Ana Luiza Rodrigues\u201d, relembra a m\u00e3e da L\u00edvia, a empres\u00e1ria Lucimara Kraj.<\/p>\n<p>Ela diz que, se tivesse livros como Tulipa Gl\u00f3ria e sua amiga Vit\u00f3ria na \u00e9poca do tratamento da L\u00edvia, usaria o recurso. \u201cCom toda certeza usaria livros tamb\u00e9m. A L\u00edvia n\u00e3o tinha entendimento nenhum quando come\u00e7ou a tratar, para ela era s\u00f3 dor e desespero, ela mal falava. Para crian\u00e7as t\u00e3o pequenas, tudo tem que ser l\u00fadico. Nunca menti ou escondi nada da L\u00edvia, mas \u00e9 dif\u00edcil fazer elas aceitarem a situa\u00e7\u00e3o. No caso dela, foi o amor mesmo e o carinho da equipe e da Dra Ana Luiza, que foi quem nos conduziu \u00e0 cura, da forma mais humana e carinhosa poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abordar assuntos delicados como morte, div\u00f3rcio e doen\u00e7as com as crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. At\u00e9 para quem \u00e9 adulto, lidar com estas quest\u00f5es exige equil\u00edbrio emocional. Mas, com as crian\u00e7as, abordar de forma l\u00fadica, por meio de livros, pode ser o caminho para iniciar o assunto de forma mais compreens\u00edvel e humanizada. 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