{"id":281294,"date":"2022-03-02T11:47:31","date_gmt":"2022-03-02T14:47:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=281294"},"modified":"2022-03-02T11:51:05","modified_gmt":"2022-03-02T14:51:05","slug":"escrever-sobre-mazelas-ajuda-a-extravasar-raiva-a-empafia-e-a-soberba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escrever-sobre-mazelas-ajuda-a-extravasar-raiva-a-empafia-e-a-soberba\/","title":{"rendered":"Escrever sobre mazelas extravasa raiva \u00e0 emp\u00e1fia e \u00e0 soberba"},"content":{"rendered":"<p>Vez por outra me surpreendo descumprindo promessas divididas apenas com o travesseiro ou, quando muito, com uma insepar\u00e1vel e cr\u00edtica amiga: a consci\u00eancia. Ainda bem que ningu\u00e9m as ouve, pois volto atr\u00e1s com a mesma frequ\u00eancia das batidas do cora\u00e7\u00e3o, as quais nem sempre ouvem a voz da raz\u00e3o. \u00c0s vezes opto pela emo\u00e7\u00e3o e acabo em crise jornal\u00edstica, porque o desejo incontido de escrever sobre reminisc\u00eancias, amores perdidos ou relativamente ao rom\u00e2ntico futebol dos anos 60 e 70 \u00e9 vencido pela necessidade abusiva de escrever a respeito de uma pol\u00edtica despudorada ou de pol\u00edticos com os quais n\u00e3o tenho qualquer inten\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p>Escrever sobre o que penso \u00e9 mais do que uma obriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma v\u00e1lvula de escape, uma forma mais coerente e menos raivosa de extravasamento. Ali\u00e1s, bem diferente do modus operandis a que nos acostumamos nos \u00faltimos tr\u00eas anos. A conviv\u00eancia com esse per\u00edodo s\u00f3 n\u00e3o foi cr\u00edtica porque, felizmente, a maioria esmagadora do povo brasileiro se uniu contra o negacionismo e conseguiu vencer um &#8220;inimigo&#8221; que parecia eterno, embora tivesse sido considerado criminosamente como uma simples e desimportante &#8220;gripezinha&#8221;. N\u00e3o fosse a coragem de alguns, certamente estar\u00edamos ainda hoje contabilizando milhares mortos.<\/p>\n<p>Sei que o pior j\u00e1 passou, mas n\u00e3o me permito esconder al\u00e9m de um \u00fanico dia a obviedade de uma tirania fantasiada de governo do Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Por isso, quando n\u00e3o preciso narrar profissionalmente minhas ang\u00fastias, busco rascunhar no pensamento f\u00f3rmulas capazes de se contrapor aos desenhistas de storyboard Walter Lantz e Ben Hardaway, criadores do Pica-Pau, o desenho animado cujo personagem mitol\u00f3gico sempre \u00e9 vitorioso. N\u00e3o \u00e9 bem o caso do Pica-Pau do cerrado. Entretanto, minha procura por sa\u00eddas honrosas contra nosso atual est\u00e1gio normalmente est\u00e1 associada \u00e0 vontade de por fim ao \u00f3dio encimesmado, \u00e0 emp\u00e1fia, \u00e0 soberba e, sobretudo, ao capitanismo que humilha e nada acrescenta.<\/p>\n<p>Reitero que escrevo o que penso porque sou brasileiro, patriota, democrata, defensor da ordem e dos bons costumes e, portanto, n\u00e3o sou obrigado a ler e ouvir sandices, tampouco a observar bizarrices sozinho. Da\u00ed a precis\u00e3o de dividir com meus seis leitores \u2013 talvez sete \u2013 argumenta\u00e7\u00f5es (?) \u00edntegras, embora nem sempre serenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s baboseiras recebidas diariamente. E comumente fa\u00e7o isso antes de alguma convuls\u00e3o nervosa e simultaneamente \u00e0quele sonoro e uterino palavr\u00e3o preso sob a l\u00edngua, ao lado do comprimido de gardenal. Ao inverso do que ocorre quando se atinge prazerosamente o ponto G, a situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 nevr\u00e1lgica, delicada, melindrosa, etimologicamente quase degenerativa. Pelo menos at\u00e9 outubro, \u00e9 o que temos. Pois \u00e9 o tempo que espero ter para insistir na defesa de um pa\u00eds homog\u00eaneo, s\u00e9rio, honesto, correto e de extremos exclusivamente afetivos.<\/p>\n<p>Patol\u00f3gica e obsessivamente em estado de letargia, o pa\u00eds anunciado em janeiro de 2019 como futura na\u00e7\u00e3o do modernismo parece entregue a uma col\u00f4nia de baratas tontas ap\u00f3s imers\u00e3o em um tonel de inseticida. Ainda bem que estamos bem pr\u00f3ximos do fim da prostra\u00e7\u00e3o administrativa. Fora das normas internacionais de comportamento, faz tr\u00eas anos que vivemos como p\u00e1ria global. Talvez isso n\u00e3o incomode os l\u00edderes que n\u00e3o lideram, os arremedos de ditadores e os protagonistas sem protagonismo. No entanto, a sociedade sofre e paga caro por um abandono que ela nunca defendeu. A verdade \u00e9 que recuamos no tempo. Regredimos tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas. Voltamos \u00e0 fase te\u00f3rica da consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e do gigantismo econ\u00f4mico simb\u00f3lico, quando o resqu\u00edcio do crescimento ut\u00f3pico e passageiro gerou can\u00e7\u00f5es eternas.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o surgiu com uma delas, Terra de Gigantes, lan\u00e7ada nos anos 80 pelo grupo ga\u00facho Engenheiros do Hawaii. O autor da m\u00fasica usava a juventude da \u00e9poca (&#8220;A juventude \u00e9 uma banda numa propaganda de refrigerantes&#8221;) para mostrar que a rapidez da idade \u00e9 t\u00e3o ef\u00eamera como o sabor da bebida e similar \u00e0 pressa das sucessivas gest\u00f5es em justificar as besteiras que produz. Transportando a medita\u00e7\u00e3o para nossos dias, o governo do capit\u00e3o gerou um balaio de bizarrices, mas foi ainda mais fugaz. Figuradamente, a velocidade com a qual ele se cacifou para o Planalto foi id\u00eantica \u00e0 dura\u00e7\u00e3o de uma inser\u00e7\u00e3o do reclame do refrigerante. Por absoluto despreparo, acabou antes mesmo de come\u00e7ar. Agora, resta-nos uma \u00fanica certeza: \u00e9 junto dos <em>b\u00e3o<\/em> que a gente fica <em>mi\u00f3<\/em>. Ent\u00e3o, desengavetemos o t\u00edtulo de eleitor e novamente confiemos nosso sonho libert\u00e1rio a um candidato que pelo menos tenha considera\u00e7\u00e3o por seu povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vez por outra me surpreendo descumprindo promessas divididas apenas com o travesseiro ou, quando muito, com uma insepar\u00e1vel e cr\u00edtica amiga: a consci\u00eancia. 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