{"id":282185,"date":"2022-03-15T05:00:59","date_gmt":"2022-03-15T08:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=282185"},"modified":"2022-03-15T11:57:37","modified_gmt":"2022-03-15T14:57:37","slug":"brasileiro-endividado-vende-o-almoco-para-comprar-o-jantar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-endividado-vende-o-almoco-para-comprar-o-jantar\/","title":{"rendered":"Endividado vende almo\u00e7o para comprar jantar"},"content":{"rendered":"<p>Os brasileiros est\u00e3o atrasando contas b\u00e1sicas, como aluguel, luz e \u00e1gua. O quadro \u00e9 desolador. &#8220;Ent\u00e3o, gente, estamos precisando de ajuda. O m\u00eas passado pagamos alguns exames da Maria, e as coisas sa\u00edram do controle&#8230; N\u00e3o podemos pagar parte do aluguel, nem a luz e nem a \u00e1gua. Estamos pedindo ajuda para pagar contas atrasadas.&#8221;<\/p>\n<p>Jaqueline Alves, de 31 anos, moradora de Canoas, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, \u00e9 um exemplo desse quadro desolador. Ela \u00e9 uma dos milh\u00f5es de brasileiros que come\u00e7aram o ano muito endividados e, por isso, ela fez esse apelo em uma rede social.<\/p>\n<p>&#8220;As contas desse m\u00eas, provavelmente vamos deixar atrasar, mas o importante \u00e9 pagar as mais antigas para n\u00e3o ficarmos sem teto, \u00e1gua e luz&#8230; O amanh\u00e3, Deus prover\u00e1!&#8221;, disse ela.<\/p>\n<p>Jaqueline \u00e9 casada e m\u00e3e de tr\u00eas &#8211; dois meninos de 15 e 7 anos e uma menina de 4 anos, que tem uma doen\u00e7a rara.<\/p>\n<p>A \u00fanica renda da fam\u00edlia, que tem gastos extraordin\u00e1rios frequentes com a sa\u00fade da ca\u00e7ula, \u00e9 uma aposentadoria de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.212 atualmente) que o marido de Jaqueline recebe por tamb\u00e9m ter uma defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Parte fica para o banco assim que cai na conta, para pagar parcelas de empr\u00e9stimos passados, que t\u00eam a pens\u00e3o como garantia. Sobram pouco mais de R$ 700 para sustentar a fam\u00edlia no m\u00eas.<\/p>\n<p>Jaqueline tem faturas de v\u00e1rios cart\u00f5es de cr\u00e9dito em atraso, al\u00e9m das contas b\u00e1sicas de casa, somando d\u00edvidas que j\u00e1 passam de R$ 20 mil. &#8220;Os cart\u00f5es acabam virando um meio de a gente pagar as contas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisa \u00e0s vezes comprar um rem\u00e9dio, compra no cart\u00e3o, a\u00ed chega a fatura, nem sempre a gente consegue pagar o m\u00ednimo, e vira uma bola de neve. A gente vai empurrando, pagamos a mais antigas e deixamos as mais novas para depois. Mas nunca conseguimos sanar as d\u00edvidas por completo.&#8221;<\/p>\n<p>Desde o nascimento da filha, o casal depende da ajuda de conhecidos, amigos e familiares todo m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, agora, com essa crise que est\u00e1 a\u00ed, n\u00e3o estamos conseguindo mais arrecadar os valores para manter as nossas contas em dia. At\u00e9 a solidariedade chega um ponto que n\u00e3o chega a tempo. Porque n\u00e3o \u00e9 que est\u00e1 dif\u00edcil s\u00f3 para a gente, est\u00e1 dif\u00edcil para quem ajuda tamb\u00e9m&#8221;, afirma Jaqueline.<\/p>\n<p>O caso dela \u00e9 extremo, mas o avan\u00e7o do endividamento e da inadimpl\u00eancia das fam\u00edlias brasileiras \u00e9 uma realidade do pa\u00eds como um todo.<\/p>\n<p>Uma pessoa \u00e9 considerada apenas endividada quando tem um compromisso financeiro, mas paga em dia. Ela se torna inadimplente quando n\u00e3o paga a d\u00edvida no prazo.<\/p>\n<p>Tanto o percentual de fam\u00edlias endividadas quanto o de inadimplentes v\u00eam batendo recordes desde o ano passado e est\u00e3o em seu maior patamar em 12 anos.<\/p>\n<p>E a tend\u00eancia \u00e9 que a inadimpl\u00eancia suba ainda mais em 2022 por causa do aumento dos juros e do fim de medidas emergenciais criadas na pandemia para ajudar os endividados.<\/p>\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia deve agravar esse cen\u00e1rio, ao provocar aumento de infla\u00e7\u00e3o, o que reduz a renda familiar dispon\u00edvel para honrar compromissos financeiros.<\/p>\n<p>Ao fim de fevereiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, informou que o governo estuda liberar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) para ajudar as fam\u00edlias endividadas, mas n\u00e3o deu uma data.<\/p>\n<p><strong>Endividamento recorde<\/strong><br \/>\nO n\u00edvel de endividamento m\u00e9dio das fam\u00edlias brasileiras ao longo 2021 chegou a 70,9%, o maior valor at\u00e9 ent\u00e3o, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic), da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC),<\/p>\n<p>O patamar foi de 76,3% em dezembro, um recorde hist\u00f3rico. Em fevereiro desse ano, o recorde foi novamente quebrado: 76,6%.<\/p>\n<p>&#8220;O endividamento foi acelerando ao longo do ano passado&#8221;, diz Izis Ferreira, economista da CNC. &#8220;Nunca t\u00ednhamos tido na s\u00e9rie hist\u00f3rica &#8211; que come\u00e7a em 2010 &#8211; um ano em que o endividamento cresceu t\u00e3o r\u00e1pido.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ela, as fam\u00edlias recorreram ao cr\u00e9dito por motivos diferentes conforme a renda.<\/p>\n<p>&#8220;Para as de menor renda, de at\u00e9 dez sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais, o avan\u00e7o muito r\u00e1pido da infla\u00e7\u00e3o deteriorou o or\u00e7amento dessas fam\u00edlias&#8221;, observa Izis.<\/p>\n<p>Ela destaca que, na alta de 10% da infla\u00e7\u00e3o em 2021, pesaram muito itens que t\u00eam forte impacto na renda das fam\u00edlias, como gasolina (alta de pre\u00e7o de 47%), energia el\u00e9trica (21%), alimentos (8%) e medicamentos (6%).<\/p>\n<p>Enquanto isso, a renda domiciliar dos brasileiros caiu 10,7% no quarto trimestre de 2021 na compara\u00e7\u00e3o anual, o menor patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica, iniciada em 2012.<\/p>\n<p>&#8220;Isso fez com que essas fam\u00edlias precisassem usar mais o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cheque especial e recorrer aos carn\u00eas de loja para manterem seu n\u00edvel de consumo&#8221;, explica a especialista.<\/p>\n<p>J\u00e1 para as fam\u00edlias mais ricas, com renda mensal acima de dez sal\u00e1rios m\u00ednimos, o primeiro fator do aumento do endividamento foram os juros muito baixos no in\u00edcio de 2021.<\/p>\n<p><strong>Comida, gasolina, conta de luz: por que est\u00e1 tudo t\u00e3o caro no Brasil?<\/strong><br \/>\nA Selic (taxa b\u00e1sica de juros da economia brasileira), que est\u00e1 agora em 10,75% ao ano e com perspectiva de superar 12% nos pr\u00f3ximos meses, come\u00e7ou o ano passado em 2%, o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Essas fam\u00edlias aproveitaram para comprar im\u00f3veis, carros, num contexto de juros ainda favor\u00e1vel&#8221;, afirma a economista.<\/p>\n<p>5 dados que mostram como brasileiros ricos passam bem pela pandemia<br \/>\nUm segundo fator foi o arrefecimento da pandemia com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o ao longo de 2021, que fez essas fam\u00edlias voltarem a consumir servi\u00e7os, como viagens, o que contribuiu para mais endividamento.<\/p>\n<p><strong>Inadimpl\u00eancia e juros em alta<\/strong><br \/>\nA economista da CNC observa que, ao longo de 2021, apesar do avan\u00e7o do endividamento, a inadimpl\u00eancia se manteve baixa na maior parte do ano, e a m\u00e9dia anual ficou em 25,2%.<\/p>\n<p>Mas a taxa come\u00e7ou a crescer a partir de outubro. Naquele m\u00eas, 25,6% das fam\u00edlias tinham contas em atraso. Eram 27% em fevereiro deste ano, maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica da CNC, que come\u00e7ou em 2010.<\/p>\n<p>Entre fam\u00edlias com renda de at\u00e9 dez sal\u00e1rios m\u00ednimos, o percentual j\u00e1 chegava a 30,3%, no dado mais recente dispon\u00edvel. Fam\u00edlias com contas em atraso. Essa parcela chegou a 27% em fevereiro de 2022, maior n\u00edvel em 12 anos.<\/p>\n<p>Iziz Ferreira avalia que, em 2022, o endividamento deve se manter alto, acima dos 70%. &#8220;Mas, em fun\u00e7\u00e3o dos juros e das dificuldades enfrentadas pelas fam\u00edlias, n\u00e3o deve crescer muito mais do que isso.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 a inadimpl\u00eancia deve continuar aumentando, principalmente nesta primeira metade do ano, diz a economista.<\/p>\n<p>&#8220;A inadimpl\u00eancia deve continuar atingindo os maiores n\u00edveis da s\u00e9rie hist\u00f3rica&#8221;, acredita a economista, citando ainda a maior dificuldade das fam\u00edlias para renegociar d\u00edvidas num ambiente de juros elevados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de frear a tomada de cr\u00e9dito novo e dificultar a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, os juros altos tendem a desacelerar a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Isso prejudica o desempenho do mercado de trabalho e pode dificultar reajustes salariais acima da infla\u00e7\u00e3o, mantendo os or\u00e7amentos dos lares brasileiros apertados, o que tende a contribuir para a inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Contas b\u00e1sicas atrasadas<\/strong><br \/>\nUma particularidade da inadimpl\u00eancia atual \u00e9 o aumento das contas b\u00e1sicas como \u00e1gua, luz e telefone em atraso.<\/p>\n<p>Segundo dados da Serasa, as contas b\u00e1sicas j\u00e1 representavam 23,9% das d\u00edvidas em dezembro de 2021, comparado a 20,4% no mesmo m\u00eas de 2020.<\/p>\n<p>As d\u00edvidas com contas s\u00f3 eram superadas ao fim do ano passado pelos d\u00e9bitos com bancos e cart\u00f5es, que representavam 27,7% do total.<\/p>\n<p>Fernando Gambaro, coordenador da Serasa, diz que parte desse aumento se deve a alta de pre\u00e7os, particularmente da luz.<\/p>\n<p>No entanto, esse tipo de inadimpl\u00eancia indica uma piora da situa\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias, j\u00e1 que em geral as pessoas priorizam as contas b\u00e1sicas em momentos de aperto.<\/p>\n<p>Um atraso nessas contas, portanto, revela uma situa\u00e7\u00e3o de dificuldade financeira extrema.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Vendemos a m\u00e1quina de lavar para pagar o aluguel&#8217;<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 a realidade que vive hoje Cascileia Carvalho da Cunha, de 21 anos e moradora de An\u00e1polis, em Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>M\u00e3e de um filho de 4 anos e gr\u00e1vida de 7 meses, ela e o companheiro est\u00e3o desempregados. Ela pela gravidez avan\u00e7ada e ele, ap\u00f3s ser demitido em dezembro de seu emprego de estoquista.<\/p>\n<p>O casal est\u00e1 com o aluguel (que inclui luz e \u00e1gua) atrasado, al\u00e9m de ter d\u00edvidas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&#8220;Comprei uma lavadora para poder lavar as roupinhas do beb\u00ea, mas tivemos que vender antes de terminar de pagar, para pagar um aluguel anterior. Agora, as parcelas da m\u00e1quina tamb\u00e9m est\u00e3o atrasadas&#8221;, conta a jovem.<\/p>\n<p>Desesperado com as d\u00edvidas, o companheiro de Cascileia tentou fazer um empr\u00e9stimo. Sem acesso a cr\u00e9dito no mercado financeiro, recorreu a grupos no Facebook. Mas as pessoas que se disseram dispostas a ajudar eram na verdade golpistas.<\/p>\n<p>&#8220;Todos queriam um dep\u00f3sito de R$ 7, R$ 50 ou at\u00e9 R$ 100 para fazer o empr\u00e9stimo. Diziam que tinha que dar uma entrada. Ele chegou a depositar R$ 7, e a pessoa logo bloqueou ele&#8221;, conta Cascileia. &#8220;Que bom que foram s\u00f3 R$ 7&#8230; Est\u00e1 muito dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n<p><strong>D\u00edvidas com cart\u00e3o de cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nApesar de as contas b\u00e1sicas terem tido o maior crescimento em participa\u00e7\u00e3o nas d\u00edvidas dos brasileiros em 2021, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito segue imbat\u00edvel como principal forma de endividamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, a gente tem uma vis\u00e3o um pouco err\u00f4nea do cart\u00e3o de cr\u00e9dito e imagina que s\u00e3o contas altas, compras que podem ser parceladas&#8221;, diz Gambaro, da Serasa.<\/p>\n<p>&#8220;Mas quando analisamos quais compras est\u00e3o sendo feitas com cart\u00e3o de cr\u00e9dito pelo brasileiro, praticamente 70% delas s\u00e3o em supermercados e de alimentos. Ent\u00e3o, o principal motivo de endividamento dos brasileiros s\u00e3o mesmo contas b\u00e1sicas do dia-a-dia&#8221;, observa o analista.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso levar em conta que o rotativo do cart\u00e3o &#8211; quando a pessoa deixa parte da fatura para pagar depois &#8211; \u00e9 a modalidade mais cara de cr\u00e9dito do pa\u00eds, com juros m\u00e9dios que chegam a 345% ao ano. Assim, o endividamento no cart\u00e3o deveria ser evitado a todo custo, mas isso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;A pandemia afetou de uma forma diferente o pagamento de contas b\u00e1sicas. Porque as pessoas entendem sim a prioridade dessas contas&#8221;, diz Gambaro.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem uma dificuldade pela baixa renda e pela falta de educa\u00e7\u00e3o financeira, mas se as pessoas pudessem escolher e tivessem condi\u00e7\u00f5es financeiras para isso, elas com certeza escolheriam pagar as contas b\u00e1sicas num primeiro momento. As pesquisas mostram isso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 endividado? O que fazer<\/strong><br \/>\nIzis Ferreira, da CNC, diz que uma forma de evitar a inadimpl\u00eancia \u00e9 colocar todo o or\u00e7amento da fam\u00edlia na ponta do l\u00e1pis para ter uma ideia de quanto entra, quanto sai e onde cortar.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m ter uma vis\u00e3o clara de quanto a fam\u00edlia deve e quanto da renda pode destinar ao pagamento da d\u00edvida, diz Gambaro, da Serasa.<\/p>\n<p>Em seguida, renegociar as d\u00edvidas mais caras, como do cart\u00e3o, trocando por outra mais barata, como um cr\u00e9dito pessoal, por exemplo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, tentar n\u00e3o se endividar mais, abrindo m\u00e3o dos cart\u00f5es ou, se isso n\u00e3o for poss\u00edvel, mantendo em cada um deles uma etiqueta com o valor da fatura remanescente, para se lembrar do custo de usar o cart\u00e3o.<\/p>\n<p>Para quem j\u00e1 est\u00e1 inadimplente, a economista da CNC diz que o caminho \u00e9 cortar gastos sup\u00e9rfluos e renegociar as d\u00edvidas para reduzir o total, os juros e o tamanho das parcelas, para que caibam melhor no or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Gambaro diz que h\u00e1 muitas op\u00e7\u00f5es de renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas no mercado, como feir\u00f5es e aplicativos online, onde a pessoa consegue parcelar d\u00edvidas e, a partir do pagamento da primeira parcela, j\u00e1 volta a ter o nome limpo.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas acham que a renegocia\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo moroso, que toma tempo, mas pelo site ou pelo aplicativo, leva minutos&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>Ele alerta, por\u00e9m, que os consumidores devem tomar cuidado para n\u00e3o cair em fraudes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os brasileiros est\u00e3o atrasando contas b\u00e1sicas, como aluguel, luz e \u00e1gua. 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