{"id":283271,"date":"2022-04-02T14:45:55","date_gmt":"2022-04-02T17:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=283271"},"modified":"2022-04-02T20:41:47","modified_gmt":"2022-04-02T23:41:47","slug":"gays-e-trans-querem-bancada-de-deputravas-no-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/gays-e-trans-querem-bancada-de-deputravas-no-congresso\/","title":{"rendered":"Gays e trans querem bancada de &#8216;deputravas&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA gente tem as bancadas da B\u00edblia, do boi e da bala. 2022 vai ser o ano de compor a primeira bancada de depuTRAVAS do Brasil no Congresso Nacional\u201d, afirma Robeyonc\u00e9 Lima, pr\u00e9-candidata \u00e0 deputada federal pelo PSOL, em Pernambuco. Travesti, negra e nordestina, ela foi a primeira deputada estadual trans eleita no estado por mandato coletivo, em 2018. Agora, a advogada est\u00e1 entre as pr\u00e9-candidaturas que pretendem acabar com a aus\u00eancia de pessoas trans e travestis na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Muitas dessas pr\u00e9-candidaturas s\u00e3o de pessoas que tiveram vota\u00e7\u00f5es expressivas nas disputas estaduais e municipais de 2018 e de 2020. Segundo a Antra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais), 30 pessoas trans sa\u00edram vitoriosas do pleito em 2020, quando o Brasil registrou recorde de LGBTQIAP+ eleitas. Este ano, Robeyonc\u00e9 Lima, Erica Malunguinho e Erika Hilton \u2014 parlamentares trans do PSOL, em exerc\u00edcio de mandato \u2014 j\u00e1 anunciaram que estar\u00e3o na corrida por vagas na C\u00e2mara dos Deputados. Outros nomes como Paula Benett, que j\u00e1 foi candidata \u00e0 deputada distrital pelo PSB e continua no partido, e Ariadna Arantes, influenciadora digital e ex-BBB estreante na pol\u00edtica e filiada recentemente ao PSB, tamb\u00e9m j\u00e1 se lan\u00e7aram na disputa.<\/p>\n<p>Como as costuras pol\u00edticas ainda est\u00e3o sendo consolidadas, outros nomes devem surgir at\u00e9 o prazo de registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em agosto, explica Bruna Benevides, diretora da Antra, que acompanha as candidaturas desde 2014. \u201cO que j\u00e1 podemos afirmar \u00e9 que a crescente participa\u00e7\u00e3o de pessoas trans e travestis na pol\u00edtica institucional n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno, mas a consolida\u00e7\u00e3o de um projeto pol\u00edtico do movimento trans, que vem sendo desenvolvido h\u00e1 anos.\u201d<\/p>\n<p>Bruna diz que a atua\u00e7\u00e3o das vereadoras e deputadas estaduais eleitas nos \u00faltimos anos \u201cdeixou n\u00edtido que pessoas trans e travestis s\u00e3o muito aptas a ocuparem espa\u00e7os pol\u00edticos\u201d. \u201cTamb\u00e9m que n\u00e3o se limitam a uma pauta de diversidade focada em quest\u00f5es de g\u00eanero, como direitos LGBTQIAP+. A educa\u00e7\u00e3o, a reforma agr\u00e1ria, o enfrentamento do racismo ambiental, os direitos humanos, entre outras pautas que s\u00e3o transversais tamb\u00e9m v\u00eam sendo colocados na perspectiva dessas pessoas.\u201d<\/p>\n<p>Pr\u00e9-candidata \u00e0 deputada federal pelo PSOL, em S\u00e3o Paulo, Erica Malunguinho abriu caminhos para uma maior representatividade transg\u00eanero na pol\u00edtica brasileira com sua elei\u00e7\u00e3o, em 2018. Ela foi a primeira travesti a ocupar assento na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (Alesp), a maior casa legislativa da Am\u00e9rica Latina. \u201cFoi um\u00a0passo j\u00e1 dado para naturalizar corpos trans nos espa\u00e7os da pol\u00edtica institucional\u201d, diz. A chegada desses corpos no territ\u00f3rio da C\u00e2mara dos Deputados, majoritariamente masculino, branco e cisg\u00eanero, seria um pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de um momento de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ap\u00f3s um per\u00edodo antidemocr\u00e1tico acirrado com o governo Bolsonaro. \u00c9 fundamental que pessoas vinculadas ao rompimento de viol\u00eancias e de vulnerabilidades participem desse processo com quem assumir o poder\u201d, argumenta. Erica comenta que as vulnerabilidades s\u00e3o percebidas de modo expandido por mulheres trans, negras e nordestinas, como ela, que tamb\u00e9m \u00e9 natural de Pernambuco, assim como sua companheira de partido Robeyonc\u00e9 Lima. \u201cTemos (ela e outras pr\u00e9-candidatas trans) uma aproxima\u00e7\u00e3o muito org\u00e2nica que diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das nossas identidades e lutas.\u201d<\/p>\n<p>Travesti, negra e ativista dos Direitos Humanos, Erika Hilton tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00e9-candidata \u00e0 deputada federal pelo PSOL em S\u00e3o Paulo. Em 2020,\u00a0foi a vereadora mais votada do Brasil. \u201cEmbora as pr\u00e9-candidaturas trans sejam isoladas, \u00e9 importante que elas dialoguem entre si porque ser\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o muito dura, violenta e polarizada\u201d, diz. Robeyonc\u00e9 e Hilton j\u00e1 conversaram por telefone para articular a\u00e7\u00f5es, mas a ideia da bancada de depuTRAVAS ainda \u00e9 algo embrion\u00e1rio. \u201cNossas pautas s\u00e3o coletivas. Estamos acompanhando os lan\u00e7amentos das pr\u00e9-candidaturas para ampliar essa rede, inclusive com outros partidos, formando um bonde de pessoas indo ocupar Bras\u00edlia\u201d, adianta Robeyonc\u00e9.<\/p>\n<p>Para Malunguinho, candidaturas de pessoas trans trazem uma novidade para a pol\u00edtica que pode motivar eleitores desacreditados. \u201cVai ser necess\u00e1ria muita articula\u00e7\u00e3o para conquistar votos brancos e nulos, mas acho que as pessoas podem encontrar em n\u00f3s um motivo para votar.\u201d<\/p>\n<p>Se eleita, Erika Hilton pretende federalizar projetos que realiza em S\u00e3o Paulo. Na C\u00e2mara de Vereadores, ela criou e preside a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Viol\u00eancia Contra Pessoas Trans e Travestis. At\u00e9 janeiro, a CPI tinha emitido 57 requerimentos com pedidos de informa\u00e7\u00f5es para investigar atos de viol\u00eancia contra pessoas trans e travestis na capital paulista.<\/p>\n<p>Desde sua elei\u00e7\u00e3o, a vereadora tem sido alvo de uma s\u00e9rie de ataques transf\u00f3bicos e viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero. Hoje, ela anda acompanhada por escolta policial. No come\u00e7o deste m\u00eas, Erika recebeu um e-mail de uma mulher que dizia \u201cgaranto que voc\u00ea vai morrer, satan\u00e1s do inferno\u201c. Ela registrou queixa policial sobre a agress\u00e3o. \u201cSei que alcan\u00e7ando uma maior visibilidade na disputa por um cargo federal, os ataques tamb\u00e9m aumentar\u00e3o. Tenho tomado precau\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Dossi\u00ea de viol\u00eancias contra pessoas trans brasileiras da Antra, em 2020, \u201c80% das pessoas trans eleitas afirmaram n\u00e3o se sentirem seguras para o pleno exerc\u00edcio dos seus cargos\u201d. O documento aponta um acirramento de ataques transf\u00f3bicos desde a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro. A seguran\u00e7a \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o no pleito deste ano, segundo a Antra. \u201cA gente tem uma lei que fala sobre viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero, mas deixa uma lacuna para mulheres trans e travestis, como acontece com a lei do feminic\u00eddio e a Lei Maria da Penha\u201d, considera Bruna Benevides.<\/p>\n<p>Paula Benett, ativista de direitos humanos, sofreu ataques transf\u00f3bicos no Instagram depois de anunciar sua pr\u00e9-candidatura \u00e0 deputada federal pelo PSB, em Bras\u00edlia. \u201cA gente \u00e9 ser humano. Isso fere\u201d, comenta. Ela tamb\u00e9m registrou queixa na pol\u00edcia. \u201cA transfobia hoje \u00e9 equiparada ao crime de racismo porque n\u00e3o existe uma lei espec\u00edfica. \u00c9 uma pauta priorit\u00e1ria garantir a cria\u00e7\u00e3o de uma lei da transfobia, em \u00e2mbito nacional, que nos ampare.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica trans excludente<\/strong><br \/>\nA inexist\u00eancia de representatividade trans no Congresso Nacional \u00e9 uma das barreiras para o avan\u00e7o de pautas pr\u00f3-LGBTQIAP+. Para al\u00e9m da aus\u00eancia de propostas positivas, Bruna Benevides, da Antra, entidade que tamb\u00e9m monitora atividades legislativas, explica que \u201ca C\u00e2mara dos Deputados tem sido um palco de debates que tentam institucionalizar a transfobia e criminalizar as exist\u00eancias de pessoas trans. Querem impedir de usar banheiro do g\u00eanero com o qual as pessoas se identificam, de participar de competi\u00e7\u00f5es esportivas, negam direitos \u00e0 sa\u00fade. No Brasil, a pol\u00edtica anti g\u00eanero ganha contornos antitrans ou trans excludentes\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cHoje a maioria das legisla\u00e7\u00f5es que existem e que contemplam a comunidade LGBTQIAP+ s\u00e3o obtidas pelo sistema judici\u00e1rio, uma vez que n\u00e3o existam mandatos efetivamente que sejam inclusivos ou que de fato representam essa popula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds\u201d, considera Ariadna Arantes, pr\u00e9-candidata \u00e0 deputada federal por S\u00e3o Paulo pelo PSB.<\/p>\n<p>Mas para acabar com a falta de representatividade no Congresso Nacional n\u00e3o basta lan\u00e7ar candidaturas trans, na opini\u00e3o de Robeyonc\u00e9 Lima. \u201c\u00c9 preciso que os partidos considerem o potencial dessas candidaturas na hora de distribuir recursos, de garantir nossa seguran\u00e7a durante a campanha.\u201d<\/p>\n<p>Em 2018, Paula Benett teve que abdicar de sua candidatura \u00e0 deputada federal por costura de coliga\u00e7\u00f5es. Este ano, ela foi demitida sem aviso pr\u00e9vio de um cargo de coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas LGBT no Distrito Federal, uma semana antes do Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 29 de janeiro. \u201cEstava preparando uma cerim\u00f4nia para a data. Foi um desrespeito ao meu trabalho, minha trajet\u00f3ria.\u201d Ela v\u00ea o lan\u00e7amento da sua pr\u00e9-candidatura agora como \u201cuma quest\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA gente precisa ocupar cada vez mais espa\u00e7os exigindo mais direitos para a popula\u00e7\u00e3o trans, LGBTQIAP+, para mulheres, pessoas negras, por toda a popula\u00e7\u00e3o, mas enxergando todos os grupos e identidades. Sendo eleitas ou n\u00e3o, j\u00e1 abrimos o caminho.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA gente tem as bancadas da B\u00edblia, do boi e da bala. 2022 vai ser o ano de compor a primeira bancada de depuTRAVAS do Brasil no Congresso Nacional\u201d, afirma Robeyonc\u00e9 Lima, pr\u00e9-candidata \u00e0 deputada federal pelo PSOL, em Pernambuco. 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