{"id":283421,"date":"2022-04-06T07:24:02","date_gmt":"2022-04-06T10:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=283421"},"modified":"2022-04-06T07:24:46","modified_gmt":"2022-04-06T10:24:46","slug":"lira-usa-mandato-para-criar-empregos-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lira-usa-mandato-para-criar-empregos-em-familia\/","title":{"rendered":"Lira usa mandato para criar empregos em fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), empregou ao longo de seus tr\u00eas mandatos na Casa, de 2011 a 2021, sete parentes de seu assessor parlamentar e amigo Djair Marcelino da Silva, conforme levantamento da Ag\u00eancia P\u00fablica. Djair \u00e9 apontado como operador de um esquema de \u201crachadinhas\u201d na Assembleia Legislativa de Alagoas, que teria sido liderado por Lira quando ele ainda era deputado estadual (2001-2007), de acordo com den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) de 2018, decorrente da Opera\u00e7\u00e3o Taturana, deflagrada em 2007 pela Pol\u00edcia Federal (PF). Al\u00e9m de Djair, atualmente apenas seu sobrinho, Luciano Jos\u00e9 Lessa de Oliveira, est\u00e1 lotado no gabinete do l\u00edder do Centr\u00e3o como secret\u00e1rio parlamentar, mas a reportagem da P\u00fablica revela ind\u00edcios de que ele d\u00e1 expediente em outro local.<\/p>\n<p>Filho da cunhada de Djair, Lessa \u00e9 dono de uma gr\u00e1fica em Macei\u00f3 (AL), a Sete Comunica\u00e7\u00e3o Visual. A reportagem o flagrou cinco vezes no local em hor\u00e1rio comercial. No primeiro contato, uma quarta-feira, 16 de fevereiro, \u00e0s 10h50, o encontramos em sua gr\u00e1fica pintando uma faixa e atendendo a um cliente. Voltamos no dia 22 de mar\u00e7o, ter\u00e7a-feira, \u00e0s 14 horas. Dessa vez, sem saber que \u00e9ramos jornalistas, ele fez um or\u00e7amento de banner para festa infantil.<\/p>\n<p>Ainda passamos em frente \u00e0 sua loja nos tr\u00eas dias seguintes, quarta-feira \u00e0s 15 horas, quinta-feira \u00e0s 12 horas, sexta-feira \u00e0s 13 horas, e a gr\u00e1fica estava aberta ao p\u00fablico. Nos dias de funcionamento, Lessa coloca na cal\u00e7ada uma placa com seus contatos e a divulga\u00e7\u00e3o do seu trabalho: \u201cbanners, adesivos, placas e faixas\u201d. O hor\u00e1rio de atendimento divulgado nas redes sociais da Sete Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 das 9 horas \u00e0s 22h30.<\/p>\n<p>\u201cEu passo o dia todo fora, de vez em quando eu venho aqui na bodega [na gr\u00e1fica] porque eu tenho tr\u00eas gatos, a\u00ed eu passo para colocar a comida dos gatos, boto a m\u00e1quina para dar uma esquentada para n\u00e3o perder ela, porque eu n\u00e3o estou utilizando ela\u201d, justificou Lessa, ao ser procurado pela P\u00fablica. Segundo vizinhos ouvidos pela reportagem, no entanto, \u201cele costuma passar o dia na gr\u00e1fica\u201d.<\/p>\n<p>As regras da C\u00e2mara dos Deputados permitem o trabalho do assessor no estado de origem do deputado, mas sua atividade deve ser inerente ao exerc\u00edcio do mandato. De acordo com a C\u00e2mara, o secret\u00e1rio parlamentar est\u00e1 sujeito a uma jornada semanal de 40 horas e poder\u00e1 ser autorizado a realizar atividade privada, desde que fora do per\u00edodo de trabalho \u2014 o que n\u00e3o se enquadraria no caso de Luciano Lessa.<\/p>\n<p><strong>\u201cQuase n\u00e3o frequento o escrit\u00f3rio\u201d<\/strong><br \/>\nArthur Lira possui um escrit\u00f3rio em Macei\u00f3, mas Lessa afirmou que quase n\u00e3o o frequenta. De acordo com ele, sua responsabilidade no gabinete do deputado \u00e9 \u201ccuidar da comunica\u00e7\u00e3o visual\u201d. \u201cDesde a campanha de 2010 que eu fiquei encarregado de ficar fazendo as partes de comunica\u00e7\u00e3o visual dele, que \u00e9 camisa, placa, faixa\u201d, contou o servidor. Ele alega que seu trabalho \u00e9 fazer a cota\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o nas gr\u00e1ficas para a impress\u00e3o do material produzido por ag\u00eancias de publicidade.<\/p>\n<p>\u201cA minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a ponte entre o que a ag\u00eancia de publicidade manda de layout e as gr\u00e1ficas, fazer cota\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o, ficar brigando por desconto, e depois passo para o financeiro\u201d, explicou. Por conta disso, justifica, ele passa mais tempo na rua e tem hor\u00e1rio de trabalho flex\u00edvel. \u201cMeu hor\u00e1rio \u00e9: \u2018a hora que precisam de mim, eu t\u00f4. Todo dia eu vejo o que \u00e9 pra ser feito, executo minha parte e fico livre o dia todo\u201d, disse, acrescentando: \u201cN\u00e3o tem a necessidade de eu estar l\u00e1 [no escrit\u00f3rio] primeiro, porque l\u00e1 eu fico ocioso, meu neg\u00f3cio \u00e9 ficar correndo atr\u00e1s de gr\u00e1fica. Como eu n\u00e3o gosto de ficar resolvendo esses neg\u00f3cios via telefone, eu gosto de ir direto nos locais\u201d. Lessa refor\u00e7ou ainda, durante a conversa, que n\u00e3o executa nenhuma fun\u00e7\u00e3o para as redes sociais: \u201cMeu neg\u00f3cio \u00e9 papel, adesivo, tecido\u201d.<\/p>\n<p>Com base em seu relato, a reportagem checou a presta\u00e7\u00e3o de contas do gabinete de Arthur Lira dos \u00faltimos quatro anos, e n\u00e3o foram localizados registros de gastos com material impresso nem com gr\u00e1ficas. O gasto dos deputados federais com\u00a0 \u201cdivulga\u00e7\u00e3o de atividade parlamentar\u201d est\u00e1 previsto na \u201cCota para o exerc\u00edcio da Atividade Parlamentar\u201d, que \u00e9 um valor mensal que eles recebem para manuten\u00e7\u00e3o do mandato. Fizemos um levantamento dos gastos de Lira com essa rubrica no portal da transpar\u00eancia da C\u00e2mara, de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022. Nesse per\u00edodo, o presidente da Casa investiu apenas em propaganda nas redes sociais, blogs e sites de Alagoas.<\/p>\n<p>Luciano Lessa est\u00e1 lotado no gabinete de Arthur Lira desde o in\u00edcio do primeiro mandato do pol\u00edtico na C\u00e2mara dos Deputados, em 7 de fevereiro de 2011. Nessa \u00e9poca, ele j\u00e1 tocava a Sete Comunica\u00e7\u00e3o havia um ano, conforme registro na Receita Federal. Atualmente, o servidor ganha um sal\u00e1rio bruto de R$ 5.726,13 mais aux\u00edlio de R$ 982,29. Ele contou que trabalhou na campanha de Lira nas elei\u00e7\u00f5es de 2010, a convite do tio Djair, e que, posteriormente, foi convidado a integrar o quadro de funcion\u00e1rios do gabinete. Luciano disse, no entanto, que n\u00e3o vai a Bras\u00edlia. \u201cEu lido aqui direto, com o pessoal daqui de Macei\u00f3\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O\u00a0 caso lembra o da ex-funcion\u00e1ria de Jair Bolsonaro, Walderice Santos da Concei\u00e7\u00e3o, que ficou conhecida como Wal do A\u00e7a\u00ed. Lotada no gabinete de Bolsonaro quando ele era deputado federal, a servidora tinha uma loja de a\u00e7a\u00ed em Angra dos Reis, conforme revelou a Folha de S.Paulo. O MPF denunciou o presidente por improbidade administrativa na semana passada por t\u00ea-la mantido como funcion\u00e1ria fantasma por 15 anos na C\u00e2mara (2003 a 2018). A investiga\u00e7\u00e3o revelou que ela nunca esteve em Bras\u00edlia, n\u00e3o exerceu nenhuma fun\u00e7\u00e3o relacionada ao cargo e ainda prestava servi\u00e7os particulares para Bolsonaro.<\/p>\n<p><strong>Queiroz de Arthur Lira?\u00a0<\/strong><br \/>\nArthur Lira e Djair Silva se conheceram em 1989, quando o pol\u00edtico promovia vaquejadas no parque Arthur Filho, no munic\u00edpio de Pilar (AL) e Djair trabalhava na TV Gazeta de Alagoas. O empres\u00e1rio contratou Djair para cuidar dos eventos no parque e, ao longo do tempo, ele foi se transformando em um \u201cfaz-tudo\u201d do pol\u00edtico. \u201cO Djair toma conta do escrit\u00f3rio de Arthur Lira em Macei\u00f3. Pens\u00e3o aliment\u00edcia de Arthur Lira, quem paga \u00e9 Djair, ele pagava o col\u00e9gio do filho do Arthur Lira quando o menino vivia em Macei\u00f3; cart\u00e3o de sa\u00fade, quem renovava era ele, tudo! At\u00e9 quando o pai tinha que comparecer no col\u00e9gio, quem ia era o Djair\u201d, revelou uma pessoa pr\u00f3xima a eles que prefere n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<p>Em 11 de maio de 2020, Djair Silva foi nomeado secret\u00e1rio parlamentar no gabinete de Lira no Legislativo Federal, com sal\u00e1rio de R$ 7.509,50 e aux\u00edlios no valor de R$ 982,29 e \u00e9 \u201cencarregado pela parte financeira\u201d, segundo Luciano Lessa.<\/p>\n<p>\u201cEu fui chefe de gabinete do Arthur na Assembleia e hoje eu sou chefe de gabinete dele em Macei\u00f3. \u00c9 uma quest\u00e3o de confian\u00e7a\u201d, afirmou Djair. A reportagem o encontrou numa manh\u00e3 de sexta-feira, 25 de mar\u00e7o, sozinho no escrit\u00f3rio do deputado localizado na orla da capital alagoana.<\/p>\n<p>Ele foi chefe de gabinete de Arthur Lira de 2001 a 2010, quando o parlamentar ainda era deputado estadual, e teria sido pe\u00e7a-chave no esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa de Alagoas, de acordo com den\u00fancia do MPF. Detalhes da investiga\u00e7\u00e3o que indica o l\u00edder do Centr\u00e3o como chefe do esquema foram revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmados pela P\u00fablica.<\/p>\n<p>O processo, que corre em segredo de Justi\u00e7a, tem um cap\u00edtulo dedicado ao pol\u00edtico. \u201cArthur Lira \u00e9 ex-primeiro secret\u00e1rio da Mesa Diretora da ALE\/AL e foi beneficiado com os esquemas de manipula\u00e7\u00e3o da folha de pagamento e descontos indevidos de cheques da ALE\/AL, bem como na obten\u00e7\u00e3o fraudulenta de empr\u00e9stimos consignados\u201d, diz um trecho da acusa\u00e7\u00e3o, descrito no livro Os bens que os pol\u00edticos fazem \u2014 hist\u00f3rias de quem enriqueceu durante o exerc\u00edcio dos mandatos, do jornalista Chico de Gois.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de recursos desviados da rachadinha \u2014 quando funcion\u00e1rios s\u00e3o coagidos a devolver parte de seus sal\u00e1rios \u2014 era de R$285 mil por m\u00eas (nos valores da \u00e9poca), de acordo com manuscritos encontrados na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fatos descobertos na opera\u00e7\u00e3o renderam a Lira duas condena\u00e7\u00f5es na esfera c\u00edvel por improbidade administrativa \u2014 em primeira inst\u00e2ncia, em 2012; em segunda inst\u00e2ncia, em 2016. O deputado recorreu, mas ainda aguarda as decis\u00f5es. Na esfera criminal, ele foi absolvido depois que a investiga\u00e7\u00e3o foi anulada em ju\u00edzo sob a justificativa de que deveria ter sido realizada pela Justi\u00e7a Estadual, e n\u00e3o pela Federal. O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Alagoas tenta reverter a senten\u00e7a.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou com o MPF, foi parar nas m\u00e3os dos promotores do estado em 2018, ap\u00f3s decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o foro privilegiado a crimes durante e em fun\u00e7\u00e3o do cargo.<\/p>\n<p>Num paralelo entre o caso envolvendo a fam\u00edlia Bolsonaro e o do deputado Arthur Lira, a atua\u00e7\u00e3o de Djair Marcelino da Silva guardaria semelhan\u00e7a com a de Fabr\u00edcio Queiroz. Isso porque os investigadores identificaram que parte dos recursos que teriam sido desviados de 2001 a 2007 sa\u00eda do sal\u00e1rio de funcion\u00e1rios fantasmas e seria Djair, ent\u00e3o chefe de gabinete de Lira, supostamente o respons\u00e1vel por retirar o dinheiro na boca do caixa. Ele teria descontado \u201caproximadamente dez cheques nominais\u201d de servidores comissionados contratados pelo deputado, conforme depoimento de um gerente do Banco Bradesco em 2007, que consta na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao ser questionado sobre as acusa\u00e7\u00f5es, Djair afirmou: \u201cJ\u00e1 \u00e9 mat\u00e9ria vencida\u201d. \u201cEu fui envolvido nessa quest\u00e3o l\u00e1 atr\u00e1s, mas n\u00e3o ficou nada comprovado. Se tivesse, eu teria dito\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A PF identificou que parte dos recursos desviados foi depositada na sua conta e da ent\u00e3o esposa de Lira, Jullyene Lins. Ela confessou no processo ter sido funcion\u00e1ria fantasma do ex-marido e de ser propriet\u00e1ria da conta que recebia o dinheiro il\u00edcito. Na ter\u00e7a-feira passada (22\/3), Jullyene postou um v\u00eddeo nas redes sociais com a promessa de revelar informa\u00e7\u00f5es sobre o ex-marido. \u201cS\u00e3o v\u00e1rias coisas que a partir de hoje, eu vou come\u00e7ar a abrir para voc\u00eas, para voc\u00eas terem no\u00e7\u00e3o, porque eu cansei de ficar calada\u201d, diz ela em um trecho da grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os servidores que trabalhavam para Arthur Lira na Assembleia de Alagoas, tamb\u00e9m est\u00e3o os filhos de Djair, Djair Afonso Lessa Marcelino, que chegou a ser investigado pelo MPF,\u00a0e Davi Afonso Lessa Marcelino, e o sobrinho, Anderson Jos\u00e9 Silva do Nascimento \u2014 os dois \u00faltimos posteriormente contratados por Lira na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Procurado, Djair Afonso afirmou que trabalhava na parte de marketing do mandato de Lira na Assembleia. Ele disse desconhecer qualquer esquema de \u201crachadinhas\u201d envolvendo seu pai e o pol\u00edtico e garantiu que recebia o sal\u00e1rio integral. A reportagem tentou contato com Davi e Anderson por meio de e-mail e das redes sociais, mas n\u00e3o obteve retorno.<\/p>\n<p>Ao todo, entre 2011 e 2021, passaram pelo gabinete de Arthur Lira na C\u00e2mara sete parentes do amigo Djair Silva: dois filhos, tr\u00eas sobrinhos, a ex-mulher e uma prima.<\/p>\n<p>\u201cTodo pol\u00edtico tem que ter as pessoas que ele possa confiar\u201d, justificou Djair. Ele afirmou que cada um dos seus parentes \u201cacompanhava determinada comunidade, ou determinado munic\u00edpio\u201d. \u201cQue a gente possa ter gente de confian\u00e7a, que a gente possa mandar para determinadas bases e saber que vai ser cumprida a tarefa, a necessidade daquela comunidade, daquele munic\u00edpio\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Ao ser questionado se existe a pr\u00e1tica da \u201crachadinha\u201d no gabinete do presidente da C\u00e2mara, ele respondeu: \u201cPelo que eu conhe\u00e7o do Arthur, h\u00e1 muito tempo, ele n\u00e3o permitiria esse tipo de coisa, t\u00e1 certo? Nem eu permitiria, quanto a minha condi\u00e7\u00e3o de cat\u00f3lico, religioso, que \u00e9 uma coisa t\u00e3o esp\u00faria\u201d.<\/p>\n<p><strong>La\u00e7os de fam\u00edlia\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\nQuatro anos depois de deflagrada a Opera\u00e7\u00e3o Taturana, Arthur Lira assumiu seu primeiro mandato como deputado federal e, no m\u00eas seguinte ao da posse, nomeou para seu gabinete como secret\u00e1rio parlamentar dois filhos de Djair. Davi Marcelino ocupou a vaga de 9 de fevereiro de 2011 a abril de 2012. \u00c0 \u00e9poca, ele j\u00e1 era s\u00f3cio do irm\u00e3o Djair Afonso na ag\u00eancia de publicidade Affesta, registrada na Receita Federal em 2009.<\/p>\n<p>Ainda calouro na Casa, Lira contratou outro filho do amigo, Andr\u00e9 Marcelino Loureiro Viana Silva. Ele \u00e9 fruto do relacionamento\u00a0de Djair com Rose Marie Loureiro Viana, que tamb\u00e9m trabalhou como secret\u00e1ria parlamentar do deputado no Legislativo Federal, de 12 de maio de 2011 a 6 de maio de 2020.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 ficou na vaga por pouco mais de dois anos \u2014 de 2 de fevereiro de 2011 a 3 de setembro de 2013. Em mar\u00e7o de 2016, ele assumiu um cargo comissionado na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), onde permanece at\u00e9 hoje. A empresa p\u00fablica \u00e9 vinculada ao Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Regional e teria influ\u00eancia pol\u00edtica de Arthur Lira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do filho de seu assessor,\u00a0est\u00e3o na estatal Carlos Jorge Ferreira Cavalcante e Gl\u00e1ucia Cavalcante, irm\u00e3o e esposa do bra\u00e7o-direito e chefe de gabinete de Lira em Bras\u00edlia, Luciano Cavalcante. Gl\u00e1ucia tamb\u00e9m foi servidora de Lira na C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Estivemos no dia 16 de fevereiro no apartamento onde Andr\u00e9 mora com a m\u00e3e, em Macei\u00f3. Ele estava em casa, mas n\u00e3o quis responder aos questionamentos da P\u00fablica e disse que sua m\u00e3e tamb\u00e9m n\u00e3o falaria com a reportagem.<\/p>\n<p>O deputado Arthur Lira\u00a0empregou tamb\u00e9m em seu gabinete o filho da irm\u00e3 de Djair, Anderson Jos\u00e9 Silva do Nascimento. Ele ficou de junho de 2011 a fevereiro de 2013. Um m\u00eas depois, ele \u201cfoi substitu\u00eddo por seu irm\u00e3o\u201d, conforme admitiu Djair. Djacy Afonso da Silva Neto assumiu a vaga no dia primeiro de mar\u00e7o de 2013, na qual permaneceu at\u00e9 27 de maio de 2020. Ele trabalhou com sua prima Patr\u00edcia Marcelino da Silva, que entrou em abril de 2014 no gabinete de Lira. Ela, no entanto, saiu antes, em 2017.<\/p>\n<p>Entramos em contato com Djacy por telefone e pelas redes sociais, mas n\u00e3o obtivemos resposta. Tamb\u00e9m tentamos contato com Patr\u00edcia, sem retorno.<\/p>\n<p>A reportagem identificou ainda no gabinete de Arthur Lira outras quatro pessoas com la\u00e7os familiares entre si. Maria Cicera da Costa Albuquerque, lotada na C\u00e2mara dos Deputados de fevereiro de 2011 a abril de 2012, \u00e9 m\u00e3e de Mirela da Costa Albuquerque, que foi secret\u00e1ria parlamentar do deputado de fevereiro de 2011 a julho de 2012. Elas s\u00e3o de Quipap\u00e1, Pernambuco, onde o pai do pol\u00edtico possui uma fazenda, mas Mirela informa nas suas redes sociais que mora em Macei\u00f3.<\/p>\n<p>Ela afirmou \u00e0 reportagem que sua fun\u00e7\u00e3o no gabinete era a de atender as pessoas que chegavam do interior. \u201cE passava para o seu Djair as solicita\u00e7\u00f5es das pessoas\u201d, contou. Mirela disse ainda que recebia o sal\u00e1rio integral. Procuramos sua m\u00e3e, Maria Cicera, na segunda-feira (28\/03), mas ela desligou o telefone ao ser informada que se tratava de uma reportagem e n\u00e3o retornou \u00e0s mensagens de whatsapp.<\/p>\n<p>Outro caso parecido \u00e9 o de Itamar Benedito Missano Tavares e Igor Barros de Souza Missano, que s\u00e3o pai e filho, respectivamente. Itamar entrou no gabinete de Arthur Lira em 16 de maio de 2014, onde permanece at\u00e9 hoje. J\u00e1 Igor ficou apenas no primeiro mandato do deputado, de fevereiro de 2011 a maio de 2014. Tentamos contato com os dois por telefone e e-mail, mas n\u00e3o obtivemos resposta.<\/p>\n<p><strong>Outro lado\u00a0<\/strong><br \/>\nArthur Lira informou por meio de nota que Djair trabalha no gabinete local do deputado em Macei\u00f3 prestando fun\u00e7\u00f5es relacionadas ao cargo que ocupa. J\u00e1 o servidor Luciano Lessa, exerce o trabalho de base junto \u00e0 comunidade, com acompanhamento e monitoramento da m\u00eddia local e possui uma empresa, sem qualquer v\u00ednculo com sua atividade no gabinete. Em rela\u00e7\u00e3o aos outros parentes de Djair, o deputado afirmou que \u201calguns foram servidores, em cargo de confian\u00e7a, em \u00e9pocas distintas e j\u00e1 totalmente desligados\u201d. \u201cOs processos referentes \u00e0 opera\u00e7\u00e3o Taturana foram analisados pela Justi\u00e7a de Alagoas. O deputado foi absolvido\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), empregou ao longo de seus tr\u00eas mandatos na Casa, de 2011 a 2021, sete parentes de seu assessor parlamentar e amigo Djair Marcelino da Silva, conforme levantamento da Ag\u00eancia P\u00fablica. 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