{"id":283751,"date":"2022-04-13T12:30:09","date_gmt":"2022-04-13T15:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=283751"},"modified":"2022-04-13T15:46:06","modified_gmt":"2022-04-13T18:46:06","slug":"silencio-no-mundo-politico-vale-muito-mais-do-que-mil-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/silencio-no-mundo-politico-vale-muito-mais-do-que-mil-palavras\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio no mundo pol\u00edtico vale muito mais do que mil palavras"},"content":{"rendered":"<p>Uma das piores disputas presidenciais de minha vida, a que se avizinha parece que j\u00e1 tem um perdedor: o eleitor. O vencedor, se houver, dever\u00e1 ser aquele que fizer mais besteiras ou disser mais bobagens. Um dos ditados mais antigos do mundo, o segredo como alma do neg\u00f3cio n\u00e3o faz qualquer sentido para os dois principais candidatos ao Pal\u00e1cio do Planalto. Pois deveriam. A refer\u00eancia ao segredo \u00e9 sin\u00f4nimo de sil\u00eancio. E, como diz outro velho ditado, em boca fechada n\u00e3o entra mosca. H\u00e1 um pior, bem sintom\u00e1tico e deve ter sido cunhado sob medida: o peixe morre pela boca. Se fosse marqueteiro do mais falador \u2013 o outro \u00e9 mais fazedor -, diria a ele que o sil\u00eancio \u00e9 um amigo que nunca trai.<\/p>\n<p>Nesse sentido, faltando menos de seis meses para a defini\u00e7\u00e3o de poder, melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que voc\u00ea \u00e9 um idiota do que falar e acabar com a d\u00favida. N\u00e3o se pode esquecer que, como resposta, o sil\u00eancio fala muitas vezes mais do que mil palavras. A antiga sabedoria nos informa que nem sempre a solu\u00e7\u00e3o aparece ap\u00f3s se pensar noventa e nove vezes. Nascido no s\u00e9culo passado, fa\u00e7o isso com relativa frequ\u00eancia e, \u00e0s vezes, depois de muita reflex\u00e3o, percebo que o outro lado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distante. Em outras palavras, penso, penso, penso e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho em profundo sil\u00eancio e eis que a verdade me \u00e9 revelada.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tenho conhecimento para falar de marketing, fico na realidade do sil\u00eancio como virtude que revela o olhar dos s\u00e1bios. Rec\u00e9m-sa\u00eddo (?) de uma pandemia que transformou quase 700 mil brasileiros em n\u00fameros, vivendo sob o manto de uma infla\u00e7\u00e3o galopante e temer\u00e1ria e cada vez mais longe de uma sa\u00fade digna e eficaz, o povo, tamb\u00e9m apelidado de eleitor, n\u00e3o quer saber de ret\u00f3ricas burras, muito menos de desculpas esfarrapadas sobre a necessidade de se levantar o moral ou de tentar ressuscitar \u201cmortos\u201d da caserna. Quando se luta contra a fome e a favor de mais empregos, qual a import\u00e2ncia da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e do controle da m\u00eddia?<\/p>\n<p>Sinceramente, nenhuma. Importante e p\u00e9ssimo para uma e outra candidatura \u00e9 criticar a classe m\u00e9dia, sugerir o mapeamento das casas dos deputados para futuras manifesta\u00e7\u00f5es e usar dinheiro p\u00fablico para criar esc\u00e2ndalos que n\u00e3o conseguem ser explicados. E esses, mais de um lado do que de outro, surgem em profus\u00e3o. Diante do amontoado de coisas produzidas nesses \u00faltimos tr\u00eas anos e meses, o mensal\u00e3o, embora verdadeiro e ainda parte do notici\u00e1rio nacional, est\u00e1 virando brincadeira de pol\u00edcia e ladr\u00e3o. O fato novo \u00e9 que o s\u00edmbolo de honestidade se desmilinguiu. Depois do fil\u00e9, da cerveja, do leite condensado e da incurs\u00e3o de pastores evang\u00e9licos no MEC, eis que surge o famigerado Viagra, o remedinho que levanta defunto em decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a sa\u00fade do povo \u00e9 desnecess\u00e1ria e se falta clareza e objetivo s\u00e9rio nas compras do governo, sobra criatividade ao povo. Tanto que, logo ap\u00f3s as primeiras not\u00edcias relativas \u00e0 compra de 35 mil unidades do azulzinho, o esc\u00e2ndalo recebeu apelido nada honroso: \u201cPaumol\u00e3o\u201d. Obviamente, a desastrada licita\u00e7\u00e3o feriu de morte a imagem dos militares do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica. Dif\u00edcil acreditar em l\u00edderes que exp\u00f5em as v\u00edsceras de seus liderados e as mazelas internas sem preocupa\u00e7\u00e3o alguma. Tamb\u00e9m dif\u00edcil crer em quem, at\u00e9 agora, ainda n\u00e3o falou de projetos ou ideias. Portanto, as dificuldades s\u00e3o enormes.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia nos ensina que as estradas da vida nem sempre s\u00e3o planas e lisas. T\u00eam subidas, descidas, retas, curvas, poeiras, noites e tempestades. O problema \u00e9 que as nossas s\u00f3 t\u00eam lama. Voltando aos conceitos do sil\u00eancio, falar e silenciar \u00e9 como o sol e a lua: quando um est\u00e1 presente, o outro se esconde. Entre os potenciais candidatos, um n\u00e3o se aguenta em p\u00e9, mas acredita que vencer\u00e1 no grito. Na verdade, tem certeza. Quanto ao outro, sei l\u00e1. Tenho a impress\u00e3o de que sua amplitude est\u00e1 em fechar a boca. Por isso, se tivesse alguma no\u00e7\u00e3o de marketing pol\u00edtico, repetiria a c\u00e9lebre frase dita, em 2007, pelo rei Jo\u00e3o Carlos I de Espanha ao ent\u00e3o presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez: \u201cPor que n\u00e3o te calas?\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das piores disputas presidenciais de minha vida, a que se avizinha parece que j\u00e1 tem um perdedor: o eleitor. O vencedor, se houver, dever\u00e1 ser aquele que fizer mais besteiras ou disser mais bobagens. 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