{"id":283936,"date":"2022-04-15T18:50:23","date_gmt":"2022-04-15T21:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=283936"},"modified":"2022-04-16T07:01:47","modified_gmt":"2022-04-16T10:01:47","slug":"morador-de-favela-tem-ou-quer-ter-seu-proprio-negocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/morador-de-favela-tem-ou-quer-ter-seu-proprio-negocio\/","title":{"rendered":"Morador de favela tem ou quer ter seu neg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p>A maior parte dos 17,1 milh\u00f5es de moradores de favela no Brasil tem, tinha ou quer ter um neg\u00f3cio. Isso \u00e9 o que apontou uma pesquisa do Data Favela que foi divulgada nesta sexta (15) na primeira edi\u00e7\u00e3o da Expo Favela, evento de empreendedorismo que acontece at\u00e9 domingo (17) no WTC, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A pesquisa demonstrou que 76% dos moradores de favela se enquadram nessa caracter\u00edstica e 50% deles se consideram empreendedores. Quatro em cada dez moradores de comunidades (41%) t\u00eam um neg\u00f3cio pr\u00f3prio. \u201cIsso mostra uma oportunidade gigantesca\u201d, disse Renato Meirelles, fundador do Data Favela, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. \u201cA favela, historicamente, foi estigmatizada pelo asfalto e pela falta de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas o que vimos \u00e9 que, em vez de lamentar, os moradores das favelas est\u00e3o empreendendo, est\u00e3o chamando para si a responsabilidade de suas vidas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas ter um empreendimento n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para quem vive em uma comunidade. Um problema apresentado pela pesquisa, por exemplo, \u00e9 que apenas 37% dos empreendedores com neg\u00f3cio pr\u00f3prio tem CNPJ. \u201cO Estado n\u00e3o est\u00e1 na favela. Para voc\u00ea conseguir um CNPJ, voc\u00ea tem que sair da favela. Voc\u00ea tem que enfrentar, por maior que tenha sido o modelo do Simples, uma s\u00e9rie de dificuldades com documentos. Quando voc\u00ea abre um neg\u00f3cio, a primeira coisa que voc\u00ea encontra n\u00e3o \u00e9 uma oportunidade de cr\u00e9dito. A primeira coisa que voc\u00ea encontra \u00e9 um fiscal na sua porta\u201d, disse Meirelles.<\/p>\n<p>A principal dificuldade relatada por quem pretende abrir um neg\u00f3cio em uma comunidade ainda \u00e9 a falta de investimento. \u201cA pesquisa deixou claro que falta financiamento, falta grana, falta cr\u00e9dito. Os bancos hoje n\u00e3o oferecem cr\u00e9dito de acordo com a necessidade da favela. Tamb\u00e9m falta conhecimento de conseguir expandir o seu neg\u00f3cio atrav\u00e9s da tecnologia, por mais que hoje nove em cada dez moradores da favela tenham acesso \u00e0 internet\u201d, falou Meirelles.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 voc\u00ea querer ter o neg\u00f3cio, outra coisa \u00e9 voc\u00ea ter o neg\u00f3cio e outra \u00e9 saber gerir o seu neg\u00f3cio. O que achamos \u00e9 que a favela precisa de uma escola de neg\u00f3cios\u201d, disse Celso Athayde, fundador da Central \u00danica das Favelas (Cufa), CEO da Favela Holding e idealizador da Expo Favela. \u201cO que falta na pr\u00e1tica \u00e9 conhecimento. Minha m\u00e3e morreu sendo empreendedora sem saber que era empreendedora. Nem essa linguagem de empreendedor a gente usa na favela. A gente fala que a gente se vira, que a gente d\u00e1 o nosso pulo, faz o nosso corre. Falamos por c\u00f3digos. E agora a gente precisa tamb\u00e9m falar n\u00e3o s\u00f3 o favel\u00eas, mas o asfalt\u00eas: e para isso precisamos mudar essa narrativa e desenvolver novas formas de express\u00e3o para sermos reconhecidos pelo asfalto e a favela passar desse momento para um outro momento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador e fundador do Data Favela, as comunidades brasileiras oferecem muitas oportunidades de neg\u00f3cios, principalmente no setor de economia criativa. \u201cVoc\u00ea tem um potencial grande na economia criativa, que s\u00e3o os designers, s\u00e3o as ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os influenciadores digitais que dentro da favela come\u00e7am a vender para o mundo. Voc\u00ea tem aquele cara que faz bon\u00e9 ou camiseta, que durante a pandemia come\u00e7ou a vender para fora da favela. Tem aquelas doceiras que se cadastraram no Ifood, e que conseguiram transformar o seu pequeno neg\u00f3cio, num negocio que fazia buffet para fora da favela\u201d, citou.<\/p>\n<p><strong>Expo Favela<\/strong><br \/>\nPara atrair investidores para esses neg\u00f3cios que surgem nas favelas brasileiras, Celso Athayde criou a Expo Favela. \u201cSempre sou convidado pelo asfalto para poder ir para o evento dele. Mas agora estou convidando o asfalto para vir no nosso evento. Aqui \u00e9 um momento em que n\u00e3o estamos fazendo um evento de favela para favela. Mas fazendo um evento pela favela, mas com a participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do asfalto\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Participando da Expo Favela como expositora, a artes\u00e3 e mobilizadora social Marisa Rufino, 48 anos, viu uma grande oportunidade na feira. Representando um grupo de 20 pessoas, ela saiu de Arax\u00e1 (MG) para apresentar as bonitas toalhas e outros produtos que ela e seu grupo confeccionam.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edmos de Arax\u00e1 com o intuito de conhecimento, de conhecer pequenos neg\u00f3cios como o nosso. Estou representando mais de 20 pessoas nesse momento. E essa experi\u00eancia que vou levar ser\u00e1 de grande import\u00e2ncia para cada uma delas mexer no seu produto\u201d, disse ela, em entrevista \u00e0 reportagem da Ag\u00eancia Brasil. \u201c\u00c9 a primeira feira que a gente participa. Temos um produto bom, que precisa ser melhor visto. Esse resgate do artesanato, do feito \u00e0 m\u00e3o, tem que vir em alta tamb\u00e9m. E acho que a feira d\u00e1 esse impulsionamento para n\u00f3s, como empreendedoras. Meu pequeno servi\u00e7o pode se tornar grande a partir do momento em que trabalho com a comunidade\u201d, falou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Valcineide Santana, 37 anos, moradora da comunidade quilombola Fazenda Cangula, de Alagoinhas, no interior da Bahia, veio \u00e0 Expo Favela para apresentar o projeto Farm\u00e1cia Verde. \u201cAtualmente temos 10 mulheres inclu\u00eddas nesse projeto. O objetivo \u00e9 resgatar a cultura do povo negro. Quando surgiu, em 2017, houve o objetivo de resgatar a cultura com o uso das plantas medicinais. Hoje produzimos sabonetes medicinais, que tem fim terap\u00eautico\u201d, explicou ela.<\/p>\n<p>\u201cNosso maior objetivo [ao participar do evento] \u00e9 mostrar que l\u00e1 no interior da Bahia, numa comunidade quilombola, tem um grupo de mulheres que trabalha com as plantas, que usa o recurso natural dentro da comunidade para criar um produto que beneficia v\u00e1rias pessoas. Queremos mostrar o nosso potencial e conseguir investidores para outros objetivos que queremos, como a constru\u00e7\u00e3o do nosso laborat\u00f3rio\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio, explicou Valcineide, \u00e9 a maior necessidade da comunidade nesse momento. Ele serviria para o trabalho com uma linha de medicamentos naturais. \u201cMas hoje n\u00e3o estamos comercializando esse produto porque sabemos que tem toda essa burocracia brasileira, principalmente com o pequeno neg\u00f3cio. E hoje precisamos de um laborat\u00f3rio e um qu\u00edmico ou farmac\u00eautico para assinar esses medicamentos para que ent\u00e3o possamos comercializ\u00e1-los\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior parte dos 17,1 milh\u00f5es de moradores de favela no Brasil tem, tinha ou quer ter um neg\u00f3cio. 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