{"id":284111,"date":"2022-04-19T13:00:42","date_gmt":"2022-04-19T16:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=284111"},"modified":"2022-04-19T13:00:42","modified_gmt":"2022-04-19T16:00:42","slug":"perdido-no-tempo-brasil-pode-perder-bonde-da-globalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/perdido-no-tempo-brasil-pode-perder-bonde-da-globalizacao\/","title":{"rendered":"Perdido no tempo, Brasil pode perder bonde da globaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Entre frases famosas e ainda atuais de pensadores e fil\u00f3sofos de s\u00e9culos anteriores, uma parece ter sido cunhada para a quadra que vivemos. Creditada a Her\u00e1clito, que viveu cerca de 500 anos antes de Cristo e antes mesmo da \u00e9poca de S\u00f3crates, a express\u00e3o \u201cTudo flui e nada permanece\u201d mostra que a preocupa\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a \u00e9 parte da natureza humana. Para n\u00f3s, brasileiros, parece que deixou de ser. Tamb\u00e9m de Her\u00e1clito e com id\u00eantico sentido \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o \u201cNingu\u00e9m pode entrar duas vezes no mesmo rio\u201d. E por qu\u00ea? Porque conforme as \u00e1guas do rio fluem ele se torna um novo rio. Al\u00e9m disso, teoricamente o pr\u00f3prio ser j\u00e1 se modificou.<\/p>\n<p>Assim deveria ser o Brasil, uma constante mudan\u00e7a, particularmente no item pol\u00edtica. Infelizmente, o bonde tupiniquim normalmente sai dos trilhos quando o assunto \u00e9 poder. No mundo moderno, tudo \u00e9 regido pela dial\u00e9tica, pela tens\u00e3o e pelo revezamento dos opostos. Pela tese do fil\u00f3sofo de \u00c9feso, at\u00e9 o que parece imut\u00e1vel se transforma, o que significa melhorar, piorar ou simplesmente mudar. Em s\u00edntese, assim como a vida, as flores e as dores, nada deve ou pode ser permanente. A m\u00e1xima da filosofia, que, nesse caso, n\u00e3o \u00e9 v\u00e3, \u00e9 cristalina: que se mude o que n\u00e3o deu certo ou come\u00e7ou a dar errado. No caso do Brasil, estamos perdidos no tempo e no espa\u00e7o. Por isso, ou mudamos ou n\u00e3o embarcamos no bonde globalizado da hist\u00f3ria mundial.<\/p>\n<p>Quer queiram ou n\u00e3o os extremos \u00e0 direita ou \u00e0 esquerda, em outubro enfrentaremos uma encruzilhada eleitoral. De um lado, o corvo crocita, os lobos do entorno uivam, e, de vez em quando, um le\u00e3o ruge e um porco grunhe. Na outra ponta, o sapo coaxa, as cobras sibilam, os galos encolhidos clarinam e os morcegos adormecidos farfalham. Entre os dois, numerosas hienas gargalham, gralhas gralham e os abutres grasnam. O problema s\u00e3o os cordeiros que preferem n\u00e3o balir. Pior s\u00e3o os ursos de outrora, que, em vez de bramir, hibernam \u00e0 espera de um milagre que n\u00e3o vir\u00e1. Enquanto isso, os gafanhotos estrilam sobre o que ainda resta do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Obviamente que minhas refer\u00eancias \u00e0s mudan\u00e7as s\u00e3o conceituais e com conte\u00fados de teor moral. N\u00e3o tenho por voca\u00e7\u00e3o julgar ou avaliar a\u00e7\u00f5es pessoais. Entretanto, \u00e9 minha obriga\u00e7\u00e3o como contribuinte ter opini\u00f5es a respeito de condutas p\u00fablicas Em verdade, s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es destinadas a mostrar a dist\u00e2ncia abissal entre a teoria e a pr\u00e1tica de nossos mandat\u00e1rios. Sei que malho em ferro frio, mas meus valores n\u00e3o me permitem desistir. Sou adepto da filosofia de que o mundo n\u00e3o poder\u00e1 tomar um novo caminho se n\u00e3o conseguir uma uni\u00e3o \u00edntima da t\u00e9cnica e da moral. No portugu\u00eas mais popular, refiro-me \u00e0 uni\u00e3o entre o preparo e a honestidade formal.<\/p>\n<p>O resumo da \u00f3pera \u00e9 que, antes que sejam esquecidas de vez, as mudan\u00e7as precisam acampar urgentemente no mundo, particularmente no Brasil. Depois do ufanista ame-o ou deixe-o, vivemos \u00e9pocas de boas e razo\u00e1veis lembran\u00e7as. Para os mais novos, a Terra Brasilis j\u00e1 foi a uni\u00e3o de todos, um pa\u00eds de todos, o pa\u00eds do futuro, do milagre econ\u00f4mico, rico e sem pobreza, p\u00e1tria educadora e de Deus acima de todos. Hoje, para os nacionalistas c\u00edvicos e ultranacionalistas n\u00e3o passa de uma na\u00e7\u00e3o de um \u00fanico e perp\u00e9tuo dono. \u00c9 o pa\u00eds da hipocrisia experimentando uma desejada e tacanha sensa\u00e7\u00e3o de superioridade patri\u00f3tica. As duas guerras mundiais e a recente invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia s\u00e3o alguns exemplos da expans\u00e3o e dos danos do sentimento nacionalista.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que fica \u00e9 que n\u00e3o precisamos mais de governantes. Nos bastam aventureiros despreparados, deslumbrados, ca\u00e7adores disso e daquilo, degustadores do dinheiro p\u00fablico e criadores de slogans que n\u00e3o se sustentam. Enquanto viver, minha prefer\u00eancia ser\u00e1 pela altern\u00e2ncia. Sou de opini\u00e3o que o real naturalmente \u00e9 fruto da mudan\u00e7a. Por isso, mantenho firme a liga\u00e7\u00e3o com os ensinamentos de Albert Einstein. O principal deles \u00e9 que \u201ctoda a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao tamanho original\u201d. Pensemos nisso em outubro. Lembremo-nos sempre que quem vive do passado vira as costas para o futuro. Vivamos o presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre frases famosas e ainda atuais de pensadores e fil\u00f3sofos de s\u00e9culos anteriores, uma parece ter sido cunhada para a quadra que vivemos. 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