{"id":284229,"date":"2022-04-21T07:08:43","date_gmt":"2022-04-21T10:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=284229"},"modified":"2022-04-21T07:10:19","modified_gmt":"2022-04-21T10:10:19","slug":"extremismo-politico-devolve-nossa-sociedade-a-pre-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/extremismo-politico-devolve-nossa-sociedade-a-pre-historia\/","title":{"rendered":"Extremismo pol\u00edtico devolve nossa sociedade \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Sou um patriota ufanista, daqueles que verdadeiramente amam seu pa\u00eds. No entanto, estou muito distante dos chauvinistas, conhecidos pelo patriotismo exagerado, agressivo e fan\u00e1tico sem exagero. Ultrapassado, esse ufanismo nacionalista ou euforia em excesso grassa em nossos dias como uma doen\u00e7a contagiosa. \u00c9 um preciosismo que beira o fundamentalismo, denomina\u00e7\u00e3o da corrente que prega obedi\u00eancia rigorosa e literal a um conjunto de princ\u00edpios. Desgra\u00e7adamente, no Brasil e em boa parte do mundo esse conceito est\u00e1 instalado na economia, na pol\u00edtica, na educa\u00e7\u00e3o e em outras inst\u00e2ncias da vida humana.<\/p>\n<p>Na Terra Brasilis, sua utiliza\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do bom senso, pois tem servido para justificar atitudes religiosas e pol\u00edticas contra grupos antag\u00f4nicos. Formalmente definido em 1920 pelo pastor americano Curtis Lee Laws, contr\u00e1rio ao segmento protestante liberal de fins do s\u00e9culo XIX, o termo tem caracter\u00edsticas bem simples: todos temos de acreditar nos dogmas como verdade absoluta, indiscut\u00edvel. N\u00e3o existe a premissa do di\u00e1logo ou do debate. Como se grupos financiados e armados estivessem dispostos a recuperar territ\u00f3rios perdidos, os ares vividos hoje s\u00e3o puramente de batalha. \u00c9 uma absurda rea\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia do modernismo.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, no Brasil, as antigas brigas teol\u00f3gicas migraram para a ideologia e, com rapidez de uma elei\u00e7\u00e3o, chegaram \u00e0 pol\u00edtica partid\u00e1ria. A ades\u00e3o a esse tipo de cren\u00e7a normalmente incita a intoler\u00e2ncia, que, invariavelmente, \u00e9 seguida de pr\u00e1ticas violentas. Infelizmente, nossos extremos n\u00e3o conseguem diferenciar a defesa de doutrinas e dogmas religiosos e pol\u00edticos de a\u00e7\u00f5es deliberadamente voltadas para a viol\u00eancia gratuita. O resultado \u00e9 t\u00e3o cristalino como nosso c\u00e9u, hoje encharcado de brigadeiros, generais, almirantes, cabos e soldados.<\/p>\n<p>Sem exageros, nos devolveram veladamente \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria, isto \u00e9, a uma sociedade pr\u00e9-moderna. Ao que parece, ou nos acostumamos ou teremos de ajustar contas com um certo fanatizador. Estamos bem pr\u00f3ximos do que viveram os Estados Unidos com a Ku Klux Klan e a Irlanda do Norte com o grupo terrorista IRA. Com car\u00e1ter de seita, a KKK misturava ideologia raciais e eugenistas (cren\u00e7a na possibilidade de melhorar a qualidade gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o) com protestantismo puritano. O IRA, cuja luta era alimentada exclusivamente por um discurso pol\u00edtico misturado com o vi\u00e9s religioso, tinha por objetivo a separa\u00e7\u00e3o da Irlanda do Reino Unidos.<\/p>\n<p>Como alento e, sobretudo, como indicativo para nossos fundamentalistas, os absurdos sonhados pela KKK e pelo IRA n\u00e3o prosperaram: naufragaram em mares serenos e s\u00e9rios. Assim seja. Assim ser\u00e1. Imagino que tenha viajado na maionese nesses primeiros par\u00e1grafos. Na verdade, tenho certeza. Todavia, a sinuosa divaga\u00e7\u00e3o teve por objetivo reduzir a adrenalina dos meus tr\u00eas \u00faltimos dias de expectativa com o debate entre Emanuel Macron e Marine Le Pen, ambos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Fran\u00e7a, ele representante da esquerda e ela l\u00edder da extrema-direita francesa. Confesso que, tomando o Brasil como exemplo, temi pela vida de um ou de outro. Ficaram s\u00f3 na troca de acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Feliz com o que vi e ouvi, percebi que, nos pa\u00edses s\u00e9rios, os advers\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o necessariamente inimigos. Melhor de tudo foi a certeza de que h\u00e1 vida al\u00e9m da pol\u00edtica. Uma pena, mas, como na terra descoberta por Cabral faz tempo que um candidato foge dos debates, talvez nunca saibamos o que um presidenci\u00e1vel teria a dizer ou cobrar do outro. Claro que me refiro aos postulantes com chances de vit\u00f3ria. Dizer o que, j\u00e1 que nada sabem ou nada querem saber; cobrar o que, j\u00e1 que os desvios de conduta de um s\u00e3o t\u00e3o grandes ou maiores do que os do outro? No fim e ao cabo, melhor n\u00e3o sabermos, pois correr\u00edamos o risco da obriga\u00e7\u00e3o de descarregar todos os votos poss\u00edveis no macaco Ti\u00e3o. Pelo menos n\u00e3o ter\u00edamos do que reclamar. Na atual quadra, melhor sorrir do que chorar mais quatro anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou um patriota ufanista, daqueles que verdadeiramente amam seu pa\u00eds. No entanto, estou muito distante dos chauvinistas, conhecidos pelo patriotismo exagerado, agressivo e fan\u00e1tico sem exagero. 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